Construindo um orçamento doméstico baseado em metas

Nos últimos artigos publicados aqui no blog, tratamos das vantagens de utilizar o orçamento doméstico para realizar o pagamento de despesas que ocorrem de uma forma frequente, mas não de forma mensal. Inicialmente, esclarecemos a possibilidade de eliminar o sufoco de começo de ano, com o pagamento dos IPVAs, IPTUs, anuidades, seguros etc., por meio de um planejamento mensal antecipado, ou seja, fazendo com que tais despesas entrem em nosso orçamento mensal.

Posteriormente, abordamos uma tática de aliviar o rombo financeiro provocado pela troca periódica de carro, fazendo com que ele também entre em nosso planejamento mensal. Porém, como se trata de um bem de consumo de alto valor, o plano tem que ser plurianual. E, nesse caso, quanto mais tempo de vida útil você conseguir dar ao seu carro atual, mais suaves poderão ser as prestações mensais necessárias para “amortizar à vista” a compra do futuro carro que irá substituir o atual.

Antes disso tudo, porém, reforçamos a importância da disciplina na realização de poupança, com o artigo você consegue poupar R$ 40 por semana, durante 3 meses?

Em todos esses casos, percebemos, ainda que de forma inconsciente, a real utilidade dos orçamentos domésticos: permitirem organizar nossa vida financeira e serem um instrumento valioso de realização de nossos sonhos de consumo.

Ora, se o orçamento é uma ferramenta que lhe permite sair do sufoco em relação ao pagamento de despesas anuais, e também lhe permite se organizar financeiramente para a compra de bens de consumo de maior valor, por quê não utilizá-lo para ser uma ferramenta de realização de suas outras metas não-financeiras?

Em recente artigo publicado no The Simple Dollar, Trent Hamm abordou essa questão num ótimo artigo intitulado “Getting real value from budgets“.

Ele diz que o ato de elaborar orçamentos e planilhas, embora seja uma atividade natural de quem sabe e gosta de lidar com números, como planejadores financeiros e contabilistas, nem sempre se apresenta confortável para quem não está habituado a lidar com números. Então, segundo Trent, a melhor saída, ao invés de focar nos números e registros de despesas, é focar nas metas.

Quando as pessoas começam a registrar suas despesas, o que elas mais querem é sanar suas finanças, ver para onde estão indo os gastos desnecessários, construir um fundo de emergência etc. A solução, segundo ele, é cortar os gastos em inúmeras áreas de suas vidas, onde eles forem desnecessários, e direcionar as sobras de dinheiro para o investimento em alguma meta tangível.

Por exemplo, suponha que você gaste mensalmente, em média, R$ 200 em restaurantes. Se em determinado mês, você conseguir gastar somente R$ 150, os R$ 50 que sobrarem, ao invés de serem gastos novamente, em alguma outra coisa, podem muito bem ser direcionados para uma conta-poupança ou serem adicionados à sua conta na corretora de valores, ou seja, para qualquer outro objetivo financeiro ou não: quitar uma dívida antiga, reforçar seu colchão de segurança ou investir em determinado objetivo de consumo.

Trocando em miúdos: elaborar um orçamento doméstico lhe permite visualizar as áreas de sua vida onde estão ocorrendo gastos desnecessários, ao mesmo tempo em que lhe dá a chance de se motivar para construir reservas financeiras para a conquista de metas específicas.

Quais são seus objetivos de consumo a curto e médio prazo? São a realização de uma viagem de férias, a renovação da assinatura de jornal, a troca do computador…? Tudo ficará mais fácil a partir do momento em que você estimar o custo real desses objetivos, e utilizar o orçamento com uma dupla finalidade: não só como a ferramenta para verificar em quais áreas de sua vida você está gastando de forma desnecessária, fazendo com que o dinheiro até então gasto vá para comprar aqueles sonhos de consumo, como também para que você se discipline a poupar uma quantia periodicamente a fim de ser colocado nessa conta de “investimento-despesa”.

Mas vá por partes. Lembre-se de gastar menos do que você ganha, afinal, sem poupança não há sonho de consumo que possa ser realizado de forma consciente e, sobretudo, sem endividamento. E, além disso, foque sua atenção em uma ou duas áreas de despesas de cada vez, a fim de que você não se veja na incômoda situação de economizar como se estivesse prendendo a respiração debaixo d´água.

Bom orçamento! 🙂

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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6 Responses to Construindo um orçamento doméstico baseado em metas

  1. Vida Boa Investimentos 15 de setembro de 2010 at 18:26 #

    Disse tudo Gui!!

    A única coisa que tem valor num orçamento doméstico é o quanto você vai investir ou quitar dívidas grandes.

    Qualquer gráfico ou analise profunda não tem sentido se as metas não estiverem sendo cumpridas!!

    Abraço e parabens pelo post!

  2. Guilherme 15 de setembro de 2010 at 22:06 #

    Valeu, VB!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Fabio 15 de setembro de 2010 at 23:06 #

    Estou virando um leitor assíduo dos seus comentários. Parabéns. Gostaria de saber sua opnião em relação a investimentos conservadores. Tenho um dinheiro aplicado e planejo utilizá-lo como renda complementar a partir de 2020. Oque me aconselha para ter um ganho real, associado a boa rentabilidade: Cdb nos bancos, NTN-F ou NTNB- principal? Agradeço a atenção.

  4. Guilherme 15 de setembro de 2010 at 23:13 #

    Fábio, obrigado!

    Bem, quanto à sua dúvida, vamos lá, vejo duas estratégias a considerar:

    – Tesouro Direto: metade nos prefixados – NTN-Fs – e outra metade na NTN-B Principal, para assegurar um ganho real acima da inflação;

    – CDBs: só se for de bancos de primeira linha, que paguem 100% do CDI, para pelo menos fica próximo da rentabilidade de 10% a.a., o que não é fácil (conseguir a taxa de 100%), nem tão seguro qto o TD. Ainda tem a agravante de, se a tendência de queda de juros se confirmar nos próximos anos, vc ainda ter menos ganhos reais do q se estivesse investindo nos títulos públicos.

    Só opte pelo CDB se vc precisar muito de liquidez, o q vejo não ser muito o caso, pois seu plano é de longo prazo, visando a garantir uma renda complementar. E renda complementar, como todos sabemos, tem que se valorizar acima da inflação.

    Logo, minha recomendação primária vai para TD, desde que seja escolhida uma corretora com taxa de corretagem barata (pelo menos 0,5% a.a., o ideal é conseguir uma que tenha pelo menos 0,2% a.a. ou até menos).

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Fabio 15 de setembro de 2010 at 23:26 #

    OK, eu hj estou alocado em CDB a taxa de 101% no bradesco, mais pela liquidez; mas a partir de agora direcionarei mais aos TD pois a corretora a que me associei (Banif) tem taxa zero de corretagem. Obrigado e tenha certeza que vc está ajudando a muitos com este seu site.

  6. Guilherme 15 de setembro de 2010 at 23:43 #

    Fábio, melhor ainda! 🙂

    Diminuição de custos combinado com maximização de ganhos = essa mistura vai turbinar seu plano de construção de riqueza. Boa sorte e obrigado!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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