É fato que a Copa do Mundo, a cada ano que passa, vai se tornando cada vez menos interessante, como escrevemos em 2022 (link).
Esse fenômeno pode ser explicado por uma multiplicidade de fatores, e hoje eu destaco uma que tem especial relevância no contexto do Brasil: a diminuição cada vez maior das TVs como fonte principal de entretenimento.
O mundo mudou. As comunicações mudaram. A forma como as pessoas se relacionam se modificou de forma substancial. No começo, era o cinema. Depois, foi o rádio. Em seguida, a TV. E, acompanhando tudo isso, a comunicação via imprensa (jornais e revistas).
Era uma forma de comunicação e entretenimento passiva: os consumidores apenas recebiam os conteúdos. Nesse formato praticamente monopolizado por alguns poucos grupos empresariais, grandes eventos esportivos que passassem na TV eram cercados de expectativa e ansiedade. E é nesse contexto que as sucessivas edições da Copa do Mundo ganhavam escala e popularidade.
Porém, o tempo foi passando e as comunicações foram se tornando mais participativas. Consumidores não apenas recebiam conteúdos: eles também os criavam. No começo da Internet, eram os blogs e sites pessoais, que depois foram migrando para as redes sociais.
As formas de entretenimento multiplicarem-se em quantidade e, com isso, tornaram-se mais difusas. Em razão disso tudo, a Copa do Mundo foi se tornando cada vez mais secundária.
Quem não se lembra das épocas em que as grandes redes de varejo aproveitavam o auê em torno da Copa para venderem mais televisões?
Hoje em dia, nem os jogos da Copa são objeto do monopólio dela – a televisão. Celulares, tablets e monitores de computadores passaram a receber os jogos da Copa, tornando dispensável a compra de uma TV.
Ainda há um pretexto da Copa para reuniões de família, amigos etc., porém, a Copa em si foi perdendo a importância que outrora tinha. Era o centro das atenções. Hoje, não mais.
Tudo isso resgata um ponto central – e de certa forma escondido nessa diminuição da importância da Copa do Mundo como fonte de entretenimento. E o ponto central é esse: muitas pessoas passaram a perceber a relevância de elas guiarem suas próprias escolhas de entretenimento. Quem ganha ou quem perde a Copa, isso não faz diferença. Não vai mudar a vida de ninguém que não esteja diretamente relacionado ao evento.
Ganhamos, no mundo transformado e renovado de hoje, múltiplas opções de lazer e entretenimento, muitas das quais podem de fato nos satisfazer de forma direta, como passar férias em família, ler bons livros ou apenas descansar e recarregar as baterias distantes das distrações do mundo moderno.
E é com essa mentalidade e com esse espírito que devemos agir: com a consciência de que, atualmente, a Copa do Mundo é apenas um capítulo da vida moderna, que pode ou não ser interessante, que pode ou não ser dispensável.
Boa semana!
A oferta exagerada de Copa pode acelerar essa perda de importância. A Fifa só quer faturar alto, mas aparenta desespero.
Concordo, john.