[Guest post] A importância do longo prazo em nossas vidas

Você já parou para pensar que estamos vivendo numa era em que as pessoas estão cada vez mais ávidas por gratificações instantâneas e imediatas?

Talvez nada espelhe melhor essa ideia do que as redes sociais. Sim, pois, se quisermos saber das últimas atualizações em textos curtos, recorremos ao Twitter e ao Instagram.

Se quisermos o que ocorreu nos últimos 60 segundos em matéria de fotos, recorremos ao Instagram.

Se quisermos saber os vídeos gravados nos últimos 90 segundos, recorremos ao Snapchat.

É claro que as redes sociais têm sua função positiva também de conectar pessoas. Porém, do modo como estão sendo utilizadas, tais ferramentas acabam tirando o tempo e a atenção das pessoas sobre o que de fato importa a elas, pessoas, a longo prazo.

Sim, estamos perdendo a saudável paciência de ler longos livros, folhear longos álbuns de fotos, e de assistir a longos vídeos. No fundo, estamos até mesmo perdendo a paciência de edificar os alicerces sobre os quais poderíamos edificar um futuro mais sólido e mais bem estruturado. Qual foi o último livro completo que você leu? Agora me responda: qual foi a última vez que você acessou o Instagram?

O problema dos textos, fotos e vídeos curtos e imediatos é que eles são fragmentos de informação e conhecimento que muitas vezes não se conectam. A fragmentação da informação leva à fragmentação da concentração; e a fragmentação da concentração nos torna dispersos, cegando os nossos olhos para aquilo que de fato poderia nos proporcionar vantagens duradouras no futuro.

No excelente guest post de hoje, o leitor Pedro Calixto faz um convite à reflexão sobre a importância do longo prazo em nossas vidas. O Pedro é autor de outros memoráveis e épicos textos aqui no blog, e tenho certeza de que esse texto também o levará a repensar o modo como tem conduzido sua própria vida. Aproveitem!

………………………..

Quando falamos de educação financeira sempre nos preocupamos com a aposentadoria e outras questões de longo prazo da nossa vida. O fato é que, nos últimos anos da minha vida, eu tenho tido experiências que me mostram cada vez mais a importância de pensar assim, e como são positivos os resultados, que transcendem a área financeira.

Longo Prazo

Infelizmente, não fomos educados para pensar no longo prazo, às vezes nem tão longo assim – mesmo 5 anos em diante. Pelo contrário, temos uma mentalidade imediatista, e a ausência de resultados de curto prazo é entendida como fracasso. Isso reflete inclusive na nossa relação com os governos: se um governante não entregar nada visível dentro dos 4 anos do mandato, dificilmente sua política terá continuidade, mesmo que ele plante bases para colher os resultados no futuro.

E por que pensar no longo prazo é tão difícil? A resposta é simples, porque pensar no longo prazo implica em abdicar de resultados presentes sem a certeza de que irá usufruir dos benefícios mais adiante, em outras palavras, significa sacrifício.

É difícil porque comprar um carro daqui 5 anos com dinheiro poupado implica em andar de ônibus nos próximos 60 meses, com o risco de usar o dinheiro guardado em outra coisa, por pura falta de disciplina. Imagine então numa aposentadoria daqui 30 anos, onde você sequer pode  estar vivo para usufruir? É tudo uma questão de risco x retorno.

Na ânsia de ter um resultado de curto prazo, o indivíduo pega um empréstimo e paga um prêmio ao credor por isso. No fim de 5 anos, ele tem um carro que vale metade do que ele comprou e desembolsou o dobro do que teria poupado…

Enumero alguns pequenos exemplos recentes na minha vida que demonstram que esse risco vale a pena:

1.    Na igreja da qual faço parte havia uma pequena quantidade jovens, mas uma razoável quantidade de crianças. Ao invés de empreender esforços tentando trazer pessoas jovens, tomou-se uma decisão de investir nas crianças, que hoje já são adolescentes e jovens. A semente que foi plantada lá trás deu resultado.

2.    No condomínio em que eu moro, há 3 anos, um síndico optou por não realizar nenhuma grande despesa, e formar um fundo de reserva. Os outros mantiveram essa política e em meio à crise, o condomínio tem uma situação financeira saudável. Mas a reação de muitos ainda é “que aquele síndico não fez nada”.

3.    Há 4 anos, eu e mais 3 amigos tínhamos vontade de empreender, mas nenhum capital. Formamos então um pequeno fundo, com aportes mensais de cada um, com o mero intuito de formar poupança e termos condições de investir. Ainda estamos nos capitalizando, mas agora com um poder de barganha muito melhor que antes, fato esse que nos permite encontrar boas oportunidades.

São exemplos simples, mas que a cada dia reforçam essa minha forma de pensar. Aqui no blog temos vários exemplos de decisões sábias de impacto no longo prazo, como a história do leitor Camilo que resolveu estudar inglês em vez de trocar de carro; e a história de vida do senhor Vitório que resolveu investir em sua qualificação profissional.

Essa notícia aqui, de um funcionário do Google que mora em um caminhão para poupar 90% de seu salário e pagar as dívidas da faculdade, também me chamou atenção.

Conclusão

Em resumo, posso afirmar de forma categórica que agir pensando no longo prazo é uma opção que vale a pena. Para o nosso país penso o mesmo, uma geração inteira deveria abdicar de alguns resultados imediatos para construir um país sustentável para a próxima geração. Mas parece justamente o contrário que ocorre, quando vemos que a previdência social e o ensino universitário são mais importantes que a educação das crianças, usando os recursos investidos como parâmetro.

Quando você é jovem, tem dificuldades para enxergar assim, e, com o passar do tempo, você se arrepende por não ter pensado assim antes, só que às vezes pode ser tarde, e você trabalhou a vida inteira para sustentar os banqueiros que você tanto odeia. É uma opção, só não reclame que ninguém te avisou antes. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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16 Responses to [Guest post] A importância do longo prazo em nossas vidas

  1. Rodrigo 30 de novembro de 2015 at 10:58 #

    No Brasil eu vejo que poucas pessoas tem o hábito de guardar dinheiro. Isso é um erro grave. Não sabemos o que vai acontecer no futuro. Se não tivermos uma base sólida qualquer problema pode nos derrubar.

    Mas existe o outro lado da moeda. Pessoas que guardam tudo e deixam de viver sua melhor fase na vida. Eu sou da opinião que tem que ter bom senso. Administrar gastos, ter metas, mas jamais abdicar de tudo para atingi-los.

    Abraço e boa semana a todos!

    • Felipe 1 de dezembro de 2015 at 8:14 #

      O bom senso nem sempre é fácil de alcançar. Não dá para achar o equilíbrio logo de cara.

      Prefira guardar o que chega a té você do que não ter dinheiro para gastar.

  2. MJC 30 de novembro de 2015 at 12:28 #

    Deixando a parte do dinheiro de lado e comentando apenas a introdução, já senti na pele essa sensação de que as coisas rápidas acabam “atrapalhando” as demoradas.

    Por exemplo, depois de um tempo assistindo muita série de tv, notei que eu passei a ter dificuldade de ver um filme sem dar uma pausa pra fazer algo no meio. Séries tem 40 minutos e filmes 2 horas. É como se na minha cabeça o novo padrão de tempo pra ver algo fosse de 40 minutos.

    Respondendo as perguntas do post:

    Qual foi o último livro completo que você leu?
    R: Terminei semana passada “A Garota na Teia de Aranha”, volume 4 da série Millennium. Recomendo a série!

    Agora me responda: qual foi a última vez que você acessou o Instagram?
    R: Nunca tive Instagram 😀

    • Guilherme 9 de dezembro de 2015 at 20:27 #

      Olá MJC, interessante essa sensação do “fatiamento” do tempo….

      Boa recomendação de livro, hein!?

      Abraços!

  3. Ramiro 30 de novembro de 2015 at 15:10 #

    Boa tarde.
    Em casa, sempre tive a fama de pão duro.
    Ninguém imaginava que minhas economias eram para salvá-los em caso de necessidades; e foi sempre assim.
    Socorrê-los em problemas de saúde, moradia e outras ocasiões.
    hoje, gozo de uma economia legal. Minhas dívidas estão todas quitadas. Faço=as e as pago à vista. Nunca tive cartão de crédito.
    Vejo com tristeza com está a situação econômica das pessoas. São muito imediatistas.
    Confesso que ser econômico não é tudo de bom.
    Não tenho carro. divirto-me pouco.
    Contudo, vivo feliz e vejo como as pessoas são vulneráveis economicamente, vivendo em um círculo vicioso extremamente desgastante, angustiante.

    • Felipe 1 de dezembro de 2015 at 8:16 #

      É normal pois nem todos possuem a tenacidade para guardar dinheiro. Dirão que você é neurótico e que não aproveita a vida.

      Mais tarde você percebe quem está sofrendo e quem está tranquilo com a condição financeira que tem

  4. Pedro 30 de novembro de 2015 at 17:45 #

    É um prazer participar mais uma vez como colaborador do blog. A visão a longo prazo de faro não se aplica somente a questão financeira, mas a todos os aspectos da nossa vida. Aí está o desafio de se planejar para daqui 5, 10 ou mais anos.

    • Guilherme 9 de dezembro de 2015 at 20:28 #

      Exato, Pedro, é um texto cujas reflexões extrapolam questões meramente financeiras.

      Grande abraço e valeu mais uma vez pela excelente participação!

  5. Paulo 7 de dezembro de 2015 at 15:38 #

    Pensar a longo é muito complicado mas extremamente necessário. Eu me considero jovem (tenho 23 anos) e ver, ouvir e sentir toda essa pressão por imediatismo nos torna um tanto quanto mais sucessível as tentações. O pensar a longo prazo exige muita força de vontade e objetivo para que o processo se torne menos árduo.

  6. Rosana 9 de dezembro de 2015 at 14:50 #

    Muito bom seu post, Guilherme.

    Quase todos, em maior ou menor grau, fazemos parte da geração PAI: Pressa, Ansiedade e Impaciência.

    Se antes as crianças e os mais jovens se destacavam na categoria “não saber esperar”, hoje essa impaciência faz parte praticamente de todas as gerações, o que é muito estranho, pois pelo menos na teoria, quando mais idade, mais sabedoria.

    O marketing e as facilidades de consumo têm muita relação com isso, mas o grande problema é que essa impaciência e ansiedade não se restringem ao consumo, mas abrangem todas as áreas da vida.

    Percebo que esssa situação tem se intensificado cada vez mais, assim como a eterna e infrutífera busca pela juventude, pois vivemos em uma sociedade que não quer envelhecer nunca e tenta negar a passagem dos anos de qualquer forma.
    Acho muito estranho quando fala-se em “jovens” de 40 anos e “adolescentes” de 25, essa elasticidade artificial de fases que não condizem nem com a idade e nem com a realidade.
    Se continuar assim, acredito que daqui à pouco, vai ser considerado idoso somente as pessoas acima de 90 anos…

    Essa segunda parte ficou bem off-topic… rsrsrsrs

    Abraços,
    Rosana

    • Felipe (O Dinheirista) 9 de dezembro de 2015 at 15:43 #

      Isso é uma consequência “natural” do mundo em que vivemos. A falta de criação é ser jogado a sorte!

      • Rosana 13 de dezembro de 2015 at 8:10 #

        Felipe,

        Gostei muito do seu site, parabéns pela iniciativa! Já assinei a newsletter.

        Sucesso!

    • Guilherme 9 de dezembro de 2015 at 20:30 #

      Oi Rosana, excelente comentário!

      Realmente, estão inflando artificialmente as idades, que não condizem com a realidade. Isso é um perigo, pois acaba mascarando a realidade.

      Abraços!

  7. Investidor Maluco 18 de dezembro de 2015 at 15:19 #

    Parabéns Guilherme, vc é um exemplo pra mim.

    Estou seguindo algumas ideias suas, principalmente sobre a saúde. Em busca dos excelentes.

    O longo prazo se mostra muito proveitoso quando bem planejado.

    • Guilherme 7 de janeiro de 2016 at 8:18 #

      Obrigado, IM, pelas gentis palavras!

      Parabéns pelos resultados alcançados, e pelo seu blog! Que você tenha muito sucesso em seus objetivos de vida!

      Abraços!

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