[Guest post] O futuro da educação no Brasil

O Valores Reais tem a honra de apresentar hoje mais um guest post de um leitor e participante assíduo do nosso blog, o Pedro Calixto, que inclusive já colaborou com um artigo há exatos 4 anos, no dia 10.05.2011 (que coincidência, hein, Pedro?), com o texto Dica do leitor Pedro Calixto p/ economizar nos 6,38% de IOF: reserva de hotéis pelo Hoteis.com.

No excelente artigo de hoje, o Pedro nos brinda com profundas e brilhantes reflexões sobre o panorama geral da educação no Brasil, intercalado com exemplos pessoais daquilo que ele vivenciou nessa área, tudo para mostrar que essa é uma pauta que não se resolve com soluções paliativas, como aumentar o salário dos professores, mas envolve toda uma mudança de mentalidade coletiva de nossa sociedade, que infelizmente ainda trabalha com padrões ultrapassados de resposta para esse tipo de situação. Não percam! 🙂 (os destaques sublinhados no texto ficaram por minha conta).

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Estamos passando por um momento em que o lema do Governo Federal (grato ao leitor Flavio pela correção!) é a “pátria educadora”, ao mesmo tempo em que enfrentamos inúmeras greves de professores no país. De um forma superficial, chegamos à conclusão de que, para resolver o problema, basta aumentar o salário dos professores e “tcharam”! O problemas está resolvido!!!

Ledo engano, a questão da educação do nosso país é tão complexa e envolve tantos atores para resolver essa situação, que talvez tenhamos resultados (ou não) em décadas, mas o fato é que se não pensarmos a longo prazo não teremos melhoras por décadas.

Educação Brasil

Vejo que evoluímos muito pouco em 30 anos (meu tempo de vida), e vejo que minha geração foi praticamente perdida em termos educacionais. Digo isso pois, salvo exceções, não vejo muitas mudanças na educação de hoje comparada com a que eu tinha anos atrás, e vejo a minha geração cometendo os mesmos erros do passado. 

Resolvi enumerar alguns equívocos que, na minha opinião, estamos cometendo. Esse é um texto recheado de (pré)conceitos e clichês, mas que se fazem necessários a fim de realizar uma leitura mais abrangente possível da situação educacional em nosso País.

1. Achar que educação é obrigação exclusiva do Estado

Esse é talvez o maior erro cometido pela nossa sociedade. Literalmente, os pais terceirizaram essa função e não participam da educação dos filhos. Não se trata de ajudar com o dever de casa, mas sim de ser um educador no sentido de tornar seu filho um agente transformador da sociedade. A questão é que a escola pode até tentar, mas valores primários da sociedade são transmitidos em casa, e pouco é possível fazer se isso não é valorizado no lar; aliás, muitas vezes, o convívio escolar tende a piorar a situação.

Me lembro que, quando eu era criança, uma vez, a professora corrigiu uma prova e me deu uma nota maior daquela que realmente eu tinha tirado. Eu fui até ela e pedi que diminuísse minha nota. Rapidamente, fui chamado de “nerd”, “trouxa” e outros adjetivos típicos da vida escolar, não tendo recebido nenhum elogio. Mas fiz aquilo porque era o que me ensinaram em casa, e não fazê-lo me causaria profundo incômodo.

O resultado dessa ausência da presença de pais na educação dos filhos é uma geração de idiotas, arrogantes, sem respeito ao próximo e cheio de preconceitos. As crianças não são incentivadas a debater e a questionar; qualquer coisa próxima disso é encarado como “rebeldia”.

Hoje, com a mudança da nossa estrutura familiar, a escola integral é uma demanda crescente, mas ocorre que, na verdade, para os pais, é muito mais um alívio em ter onde deixar o “moleque” durante o dia, do que realmente uma preocupação com a sua educação. Ainda não sou pai, tampouco sou o atalaia dos valores morais, mas entendo que é importante rever essa atuação que na minha opinião é a base da educação de toda a sociedade.

2. Não priorizar a educação dos filhos

Ainda na questão familiar, temos um outro ponto em questão. Considerando que vivemos uma sociedade de consumo, em que o sucesso é traduzido na construção de patrimônio e aquisição de bens, não é raro uma situação em que uma geração de família inteira foi construída na base dos bens materiais, e uma outra geração acaba por viver simplesmente para dilapidar o patrimônio do seus pais.

Isso, pra mim, é um caso evidente de que a educação não foi priorizada, e vemos essas pessoas replicarem vícios de uma sociedade doente e fracassada. Esse foi um erro de uma geração que cresceu com a mentalidade de que “eu vou dar para os meus filhos tudo aquilo que eu não tive condição de ter”, só que se focou somente em patrimônio, e deixou a educação de lado.

Quando meu pai morreu, eu tinha 14 anos de idade. Ele deixou muito pouco em bens materiais, passamos por momentos difíceis, com minha mãe tendo que alimentar uma casa com 5 pessoas, sendo ela a única a trabalhar, mas a educação sempre foi prioridade máxima lá em casa. E minha mãe com muita luta deu continuidade a essa filosofia e que eu acredito que deu certo.

Um exemplo, dentre vários que eu tenho, foi quando, em 1997, ao me mudar para Ipatinga, cidade do interior de Minas Gerais, meus pais me matricularam em uma escola pública, pois eles não teriam condições de pagar uma mensalidade. Porém, uma semana depois, meu pai chegou para mim e disse que me colocaria em uma escola particular, mas que não teria condições de comprar uma bicicleta pra mim.

O que eu vejo hoje é justamente o contrário, pais apertados com a prestação do carro, cartão de créditos e outras prioridades de consumo, mas deixando de lado educação dos filhos. Quem sou eu para julgar os desejos de cada um, e ainda não sou pai, mas entre trocar de carro e pagar um curso de inglês para o filho, pretendo escolher a segunda opção. Se nossa sociedade pensar assim, priorizando a educação, vemos que já é possível começar uma revolução na educação partindo de dentro de casa.

3. Achar que o salário dos professores resolverá a educação

Isso é uma grande falácia que tem se tornado uma verdade quase dogmática quando tratamos do tema. Eu considero isso muito perigoso, na medida em que você valoriza com uma mesma medida todos professores, os bons ou ruins. Ser professor é uma vocação, muito mais que um profissão, digo isso porque fui um dia, e vi o quanto é difícil exercer esse papel, e muitas vezes me vi num papel de vendedor de conhecimento, muitas vezes valendo pouco, comparado ao preço que me estavam pagando por aquele momento. E não tem preço que pague você ver um aluno seu se desenvolvendo, e também não há preço que valha o desgaste em encarar uma turma desinteressada.

Em toda minha vida eu tive bons e péssimos professores, do ensino básico ao mestrado. Uma professora me disse que eu seria um ninguém na vida, tive professores que são referências até hoje para mim. E aí, como definir uma remuneração igual para todos eles? O que os sindicatos propõem como alternativa a isso, ou o que eles podem oferecer a mais como contrapartida a uma remuneração melhor aos professores? Ou: que incentivos podem ser criados para incentivar os professores a darem uma aula melhor e se atualizarem?

Pouco disso é discutido, e a impressão é que nunca será, e vamos repetindo a mesma ladainha. Não temos maturidade sequer para pensar alternativas, pois tudo acaba se resumindo a PETRALHA e REAÇA, fruto de uma geração criada lá atrás que não sabe debater e refletir de forma madura construindo com ideias divergentes um futuro melhor para nossa sociedade.

4. Achar que educação se resume às disciplinas “tradicionais”

Educação não é só português, matemática, ciências e as demais disciplinas tradicionais. As nossas aulas de educação física são meras recreações, e nunca valorizamos as artes, o empreendedorismo, a educação financeira, e outros temas que são relevantes na nossa formação como ser humano. Depois de muito tempo, eu pude enxergar como isso faz a diferença na nossa vida de adulto, muito mais do que saber quantas ligações tem um átomo de carbono; o quanto essa formação complementar pode te tornar um adulto saudável, criativo, inovador, competitivo, educado financeiramente e que saiba trabalhar em equipe.

Pelo que eu percebo, a educação no Brasil pouco mudou nesse aspecto nos últimos anos. Esse é um país com uma imensa riqueza artística e cultural, mas da qual boa parte da população simplesmente ignora, porque faltou esse tipo de incentivo na educação de base.

Tudo se resume a ter conhecimento suficiente para passar em uma prova, e daí “zerar” todos seus conhecimentos e começar de novo, enquanto outros países valorizam essa multiplicidade de disciplinas até mesmo na universidade. Enquanto isso, eu vejo gente discutindo reforma curricular defendendo a volta da disciplina “moral e cívica” nas escolas – ora, isso é pra matar qualquer esperança de mudança!

5. Confundir “educação” com “escolaridade”

Educação e escolaridade são coisas completamente distintas. Existem PhD’s muito mal educados e iletrados que não são exemplos de uma boa educação (obrigado ao leitor Bruno pela correção!). Ter um diploma é apenas um símbolo de que você concluiu todas as etapas formais para obtenção de um título, e, convenhamos, nem sempre é uma tarifa árdua. Mas como eu fui professor em faculdades privadas e públicas, muitas vezes eu percebi que era isso o que o aluno buscava. “Vale nota?”, “Cai na prova”, “É pra anotar?”, são frases que traduzem esse modelo centrado na avaliação, o que para muitas pessoas é até compreensível, visto que a conquista de um título é sinônimo de orgulho para toda família, mas nem sempre é traduzido em um aluno preparado para encarar o mercado de trabalho.

Então, é necessário que o aluno compreenda também o quanto aquela educação que ele está recebendo pode transformar a vida dele e que o diploma é só um papel sem significado se não for traduzido em ações práticas na vida dele .

Conclusão

Educação

Em suma, o problema da Educação no país não é um problema exclusivamente estatal, é muito mais que isso. Começa pelos pais, passa pelos professores, passa pelo Estado, e, inclusive, depende também dos próprios alunos.

Se não houver um engajamento de todos esses atores em prol da educação, não haverá mudanças na educação; agora, não adianta esperar dos políticos a iniciativa de mudanças nesse aspecto.

Eu defendo a tese de que nossa educação é ruim propositalmente para que os políticos que atualmente se encontram exercendo mandatos eletivos se perpetuem no poder subjugando o povo.

Logo, cabe à sociedade cobrar mudanças efetivas, e mais que isso, começar já em casa a realizar as mudanças na educação que o país precisa, não esperando cair do céu qualquer mudança radical, pois elas não vão acontecer espontaneamente.

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36 Responses to [Guest post] O futuro da educação no Brasil

  1. MJC 11 de maio de 2015 at 8:14 #

    Esse post vai ficar pra história do valores reais. Excelente!

    Vou comentar os tópicos individualmente, pra ficar mais fácil.

    1. Achar que educação é obrigação exclusiva do Estado

    Tenho uma filha no auge dos seus 3 anos e preocupo muito com a educação dela. Não apenas a formal (que eu valorizo muito), mas também aquela que vai permitir que ela viva em harmonia com a sociedade.

    O problema é que é muito difícil fazer isso hoje em dia, porque o resto da sociedade não coopera. Vou dar alguns exemplos de coisas que aconteceram recentemente comigo. Tenho vários exemplos, mas vou citar apenas um pra não ficar grande: No nosso condomínio tem um jardim, com a placa de proibido pisar a grama. Expliquei pra ela que nem toda grama é de pisar, que tem algumas que não pode etc e tal. Mas um monte de gente fica pisando a grama, mesmo com os pais do lado olhando, sem que ninguém chame a atenção. Apesar de todos os exemplos errados contrários, acho que isso ela já aprendeu. Um dia uma mãe estava pisando a grama e minha filha mostrou-lhe a plaquinha rs. A mãe pediu desculpas e saiu da grama.

    Educação formal é importante, mas a educar os filhos pro mundo também é. Então temos que pensar: você gosta de andar pisando em cocô de cachorro? Se tem um cachorro, explique pros seus filhos que tem que recolher as fezes dele. Você gosta que furem a fila que você está? Explique pros seus filhos que não pode furar fila. Você gosta de uma cidade suja? Explique aos seus filhos que papel a gente joga no lixo. Não tem lixo perto? Coloque o lixo no bolso até encontrar um.

    2. Não priorizar a educação dos filhos

    Temos um grupo de amigos muito grande, e noto em alguns deles (ainda bem que não na maioria) exatamente esse comportamento que você citou. Alguns deles, quando alfabetização se aproximou, optaram por colocar os filhos em escolas sem nenhuma referência em alfabetização, mesmo podendo pagar por uma escola que fosse referência em alfabetizar crianças. E fizeram isso pra manter a rotina de sair pra comer em um ótimo restaurante (200~400 reais por casal) de 1 a 2 vezes na semana. Alfabetização é uma das etapas mais importantes da vida escolar do filho. Vai arriscar isso pra comer uma carne? Uma alfabetização mal feita vai ter impacto no futuro. Sempre é possível recuperar uma etapa ruim, mas isso vai custar muito tempo, esforço e dinheiro. Não priorizar a educação é um tipo de economia porca.

    4. Achar que educação se resume às disciplinas “tradicionais”

    Achei interessante sua abordagem. Quando eu era menino comecei a estudar programadores. Meus pais sempre incentivaram. Depois de uns anos, um dia meu professor de karatê me perguntou porque que eu me dedicava tanto à isso e se eu tinha a intenção de trabalhar com isso no futuro. Disse que não, que eu estudava aquilo porque gostava do assunto. Ele disse que achava que eu tinha que fazer algo que eu fosse usar no futuro, que então eu estava perdendo meu tempo. Pois bem, o tempo passou, acabei trabalhando como programador/analista de sistemas por uns anos (depois voltei pra engenharia). Acabei usando muito do que estudei por conta própria pra resolver alguns dos problemas do meu doutorado. E uso programação até hoje. No meu trabalho, as vezes tem algumas coisas da rotina do meu trabalho que eu percebo que eu consigo automatizar, gasto uns dias fazendo aquilo e facilito minha vida. Podia ter parado aí, mas o fato é que até hoje, 20 anos depois que comecei a ler sobre o assunto, ainda leio sobre as novidades da área. Porque? Porque é divertido, e educação nunca é demais. Pra que parar de estudar se a gente pode aprender um pouco todo dia?

    Por fim, quero apenas fazer um comentário sobre as aulas de educação física, que era uma coisa que eu nunca valorizei. Segundo o curso “Learn how to learn” do coursera, existem 2 modos de aprendizado: o focado e o difuso. No primeiro você está efetivamente estudando, lendo e tentando encontrar o raciocínio necessário pra resolver o problema. Nesse modo, as pessoas conseguem trabalhar com poucos pedaços de informação. O outro modo, o difuso, é ativado quando a pessoa está mais relaxada, sem ficar pensando naquilo que é o objeto de estudo (tomando um banho, correndo, fazendo sua academia, dormindo etc: existem inúmeras formas de ativar o modo difuso). Nesse modo, o cérebro trabalha para juntar as informações adquiridas no modo difuso de forma que você possa acessá-las rapidamente. Além disso, ele tenta formar novas conexões pra descobrir novos conhecimentos/resolver problemas pendentes.

    O que eu quero dizer com isso? Que a atividade física, mesmo como recreação, é muito importante. Todo mundo sabe que é importantíssimo pra saúde, mas também é muito importante pro cérebro/aprendizado. Devemos também dar valor à isso.

    • Carlos Manoel Marques 11 de maio de 2015 at 11:34 #

      MJC,

      Penúltima frase do parágrafo numerado como “4”: Por que é divertido…
      Lembrou-me o Linus Torvalds quando lhe perguntaram porque ele criou o Linux. Ele também deu uma resposta parecida, algo como, “programação é uma diversão”.
      Infelizmente são poucos os vocacionados, embora eu creia também que o ensino possa ser devidamente estimulado de uma maneira tal ao aluno gostar de determinada matéria. Digo isto com conhecimento de causa. No final dos anos 60, matemática era uma matéria temida por todos de minha geração. No entanto, tive um professor de matemática (no equivalente hoje ao sexto ano do ensino médio) um professor “diferente”. Certa vez um aluno perguntou-lhe, pela forma estranha que com que ele expunha suas aulas, o porque do jeito discursivo que este tinha ao expor a matéria. Ele respondeu mais ou menos assim: “Ah sim.. é que eu sou advogado”. O aluno retrucou: “Mas se o senhor é advogado por que dá aula de matemática”? O professor respondeu: “O meu ganha pão é a advocacia criminalística. No entanto eu dou aula de matemática pois amo essa matéria”. Em um primeiro momento a classe ficou congelada. Podia-se ouvir o zunido de um inseto. ALguns segundos depois, a classe inteira ficou de pé e aplaudiu o professor. Sabe o que aconteceu aquele ano? De 46 alunos na classe de aula, ficaram para exame de fim de ano apenas uns 4. Enfim… um educador estimulado pelo amor àquela matéria, acabou por “contaminar” uma classe inteira.

      • Guilherme 11 de maio de 2015 at 18:13 #

        MJC, excelente depoimento!

        E os exemplos pessoais vivenciados e narrados por você enriquecem ainda mais os debates!

        Abç!

      • Guilherme 11 de maio de 2015 at 18:14 #

        Carlos, inesquecível esse exemplo!

        Certamente o professor em questão vivia em estado de fluxo ao lecionar Matemática. 🙂

        Abç

  2. Investidor Internacional 11 de maio de 2015 at 8:57 #

    O problema é justamente querer que a escola forme “agentes transformadores da sociedade” no estilo Paulo Freire.

    Escola é sim para aprender as matérias básicas como história, geografia, matemática , português, educação física , artes, etc.

    Educação vem de casa e o ensino se aprende na escola. Não motivos para ficar divagando além disso.

    Abçs!

    • Rosana 11 de maio de 2015 at 10:20 #

      Algo que também considero grave em relação a educação é o fato das escolas públicas (de ensino fundamental) priorizarem mais as refeições na escola do que a educação em si. Governos fazem mais propaganda sobre a quantidade de refeições do que sobre a qualidade do ensino oferecido.
      Coisas de Brasil…

  3. Pedro 11 de maio de 2015 at 10:39 #

    Sobre Paulo freire, não conheço muito, mas não acho que a discussão se resume a isso.

    Sobre refeição nas escolas, eu tive a oportunidade de viver no interior do Pará, muitas vezes a refeição é o único alimento no dia na vida daquela criança. Diferente da realidade dos grandes centros.

    • Rosana 14 de maio de 2015 at 15:03 #

      Pedro,

      Isso que você disse, infelizmente descreve a situação precária do nosso país, no qual um dos principais objetivos da escola pública é a merenda escolar e não o ensino em si, de qualidade, que realmente faria a diferença no futuro daquela criança.

      No final das contas, parece que responsabilidades dos pais como educação (no sentido de educar os filhos a serem bons cidadãos, com valores etc) e alimentação passaram a ser da escola. Como a Anna disse em seu comentário: os valores dos jovens estão deturpados e isso era coisa de ser aprendida no lar, pois na escola nunca será.

      Abraços,
      Rosana

  4. Carlos Manoel Marques 11 de maio de 2015 at 11:56 #

    Pedro e Guilherme,

    Sobre a frase final do item 5…

    …o diploma é só um papel sem significado se não for traduzido em ações práticas na vida dele .

    Em Janeiro de 1994 fui aos EUA receber uma “transferência de tecnologia” de um processo industrial de produção de alguns químicos da classe de “poliamida” (usada para formulação de tintas, vernizes e adesivos). Conheci o seguinte perfil de pessoa: Um técnico aposentado de origem húngara que emigrou ainda criança para os EUA. Aposentado, ele ainda dava consultoria na empresa em que trabalhavamos. Era muito querido e respeitado por todos. Um dos motivos, fora a sua docilidade como pessoa: Ele escreveu um livro sobre suas pesquisas e criações de poliamidas diversas desde os primóridos de sua primeira criação. Desse livro houveram apenas 5 impressões sendo que esta numeradas. Um ficava na “casa Matriz” em Dusseldorf, Alemanha, outra com o vice presidente da unidade que visitei, a terceira com o presidente da empresa nos EUA, a quarta com o autor, e a quinta impressão veio às minhas mãos para que eu entregasse ao Diretor de Tecnologia de nossa empresa no Brasil. O livro ainda era uma pré edição limitadíssima pois todos processos descritos eram segredo industrial àquela época. Enfim… Tudo isto para dizer que o conhecimento adquirido, e aplicado, depende somente de amor e dedicação.

    • Guilherme 11 de maio de 2015 at 18:15 #

      Perfeito seu exemplo, Carlos!

      E você disse tudo:

      “… o conhecimento adquirido, e aplicado, depende somente de amor e dedicação.”

  5. Diego Andreasi 11 de maio de 2015 at 13:38 #

    Parabéns, excelente texto!

  6. Anna Monteiro 11 de maio de 2015 at 15:05 #

    Muito bom o texto! =) E eu ainda sou uma “suspeita” para falar,pois eu trabalho justamente nesse ramo. Não como professora (por enquanto),mas estou diariamente ao lado de alunos adolescentes. E ano passado,tbem estava ao lado de crianças. A 1a vez em que pisei de novo numa escola foi em 2009 (estágio para a Licenciatura),e como me assustei! os valores desses adolescentes estão totalmente deturpados hoje em dia. Em NADA se compara ao nosso dia a dia escolar, no convívio com professores e outras figuras de autoridade. Estou repetindo algo que praticamente todo mundo já sabe, mas é outra coisa vc estar ali dentro com eles,e eles simplesmente agirem como se nós,adultos,fôssemos “Gasparzinhos” e vc comprovar através da experiência. Ninguém mais se intimida com ma educação, com palavrões e frases de baixo calão,ofendendo, agindo como preconceituosos ou racistas e gritos enquanto uma outra pessoa fala.E isso em escola particular.

    AGORA, a esta altura da vida,eu posso falar tendo provas,e já alertei a algumas pessoas que tem filhos: cuidado: seu filho pode NÃO ser a mesma pessoa que é em casa. Eu vejo isso pessoalmente. Não tem mais essa de “ouvi falar” ou “vi no Jornal Nacional.”.E o pior é vc ouvir pais alegando que os professores é que são injustos, e que vão deixar traumas no filhos deles: “tadinho,vc está vendo como ele está aqui com a gente? Ele não faz nada! Ele está quietinho,fazendo dever,estudando,colaborando com os mais velhos e as crianças,etc. Esses professor que criticou meu filho não saber é ser professor.Não tem um pingo de didática. Se fosse assim,meu filho seria criticado por todo mundo com quem ele convive” (esse exemplo aconteceu mesmo; e eu, tendo que ouvir muda,sendo que flagrei repetidos atos de desrespeito desse aluno ao professor,apesar das advertências,das broncas e dos pedidos implorando por disciplina).

    Esse caso do consumismo tbem vejo acontecer direto,e é assustador tbem: Vejo adolescentes que não sabem ler direito,nunca usam o caderno, mas cadê que os pais investem nisso,numa melhora,buscam,lutam pelo filho? Eles faltam à reunião de pais, porque “estão muito ocupados” ou “reunião de pais é chato demais” e semanalmente,vejo os alunos com o último Iphone ou então viajando com toda a família pro exterior – e não é sempre nas férias,não.pode acontecer tbem DURANTE O ANO LETIVO. Até com aluno especial, que precisa de uma fonoaudióloga, de uma fisioterapeuta, vejo isso acontecer: a viagem pro Nordeste,pro exterior ou a compra de um carrão novo foi a prioridade. Mais uma vez: não tem como eu dizer “eu ouvi falar”,poque as fotos dessas viagens estão nas redes sociais, as faltas dos alunos estão ali,visíveis pra mim, e os carrões chegam trazendo o aluno/a no portão do colégio.

    Quanto à importância das disciplinas,eu tbem vejo que muita coisa poderia ser descartada. Primeiro,pelo grau de importância que muita informação dali NÃO tem; e em segundo lugar, pelo fato de aulas tradicionais serem cada vez mais, maçantes,entediantes e na minha opinião, estes jovens de hj estão externalizando essa frustração da decoreba e da percepção da inutilidade com violência,displicência e dando de ombros no que se refere ao aprendizado. Não,eu nunca poderia dizer que tem uma parcela de culpa dos pais em comportamentos errados serem tão repetitivos.Eu penso que é um conjunto de coisas que faz a Educação ser assim, como é hj. Nem tanto ao mar,nem tanto à terra.Tem professor que tbem sofre por não poder trazer uma novidade pras suas aulas,pois “o método construtivista desta instituição não permite”.E aí recaímos no tradicionalismo… Aqui,lembro da transdisciplinariedade que a Finlândia adotou na Educação deste país. (http://rescola.com.br/finlandia-sera-o-primeiro-pais-do-mundo-a-abolir-a-divisao-do-conteudo-escolar-em-materias/). Mas como geralmente os pais se interessam menos do que antigamente no assunto Educação, “o fato do cotidiano escolar assim é culpa do professor.Claro!” E fica na discussão de mesa de bar.E para por aí.

    Agora,eu sinceramente não consigo entender como é que justamente esses pais,que viveram uma realidade tão diferente(e um pouco melhor) da que vemos hj, não orientam e lutam para que ou isso continue na vida dos filhos ou então melhore.

    São poucas as famílias que graças a Deus, escapam do meu relato.

    Gente, eu juro que queria que tudo isso q eu relatei fosse enquadrado no “ouvi dizer”. Mas é como falei: ninguém me conta. Eu VEJO. E como dói!

    Para amenizar meu discurso ,o próximo post que trago abaixo deste será (é) a a opinião sobre Educação brasileira,do Flávio Augusto da Silva,o empreendedor que comprou um time dos EUA e que postei ontem aqui,o que falava sobre a compra e a troca de carros na Inglaterra.

    Abraços!

    • Guilherme 11 de maio de 2015 at 18:19 #

      Excelente depoimento, Anna!

      De fato, vivenciar o tema da educação permite tirar conclusões como as que você e o Pedro tiveram.

      A conscientização pública é o primeiro passo para uma mudança de rumos. É preciso reconhecer erros – que muitos atores não reconhecem – e depois ter a coragem de empreender mudanças.

      Abç!

    • Rosana 14 de maio de 2015 at 15:08 #

      Anna,

      Concordo com o Guilherme: seu depoimento ficou excelente. E ao mesmo tempo assustador, pois a educação que deveria ser a prioridade é relegada à segundo plano quando colocada ao lado de viagens e carros novos, algo que eu desconhecia. Pensei que só casos graves, como funerais, acidentes e doenças eram coisas justificáveis para faltas. E se os próprios pais estão dando esse exemplo, imagine os netos como serão…

      Abraços,
      Rosana

  7. Anna Monteiro 11 de maio de 2015 at 15:07 #

    “QUESTIONAR É PRECISO – por Flávio Augusto da Silva

    AVISO – texto longo e disruptivo com reflexões polêmicas que requerem uma grande capacidade de abstração e um desprendimento dos modelos vigentes. Estou avisando antes pra você não perder o seu tempo caso você ache que está tudo certo no mundo.

    Por que uma criança deve estudar?

    Para ser formada como cidadão que terá um papel na sociedade, trabalhando para ter o seu sustento, para realizar os seus sonhos e para colaborar com os menos favorecidos.

    O estudo não tem um fim em si mesmo, do tipo, o estudo dignifica o homem. Não, o trabalho dignifica o homem. Ou seja, o que você realiza dignifica, o que você é capaz de produzir lhe agrega mais dignidade para sua vida. Logo, numa determinada fase de sua vida você supostamente deveria se preparar para numa outra fase, produzir e gerar valor.

    O estudo sem propósito é perda de tempo. Esta afirmação soa quase como uma heresia escandalosa aos ouvidos de quem por anos foi condicionado a pensar no estudo como atividade fim e não como meio. Estudar por estudar é típico de alguém que ainda não encontrou o seu propósito e por isso continua fazendo as coisas por fazer.

    No entanto, o ato de estudar, ou seja, participar de uma classe a fim de adquirir informações sobre as disciplinas definidas pelo governo está muito longe de ser o suficiente para preparar alguém para adquirir esta relevância na sociedade. Até porque, a definição do currículo escolar foi feita há quase um século. Porém, o mundo mudou, as necessidades mudaram, as ferramentas são outras e a quantidade de informação as quais nossos jovens são expostos é muito maior. Não é por acaso que, como consequência desta realidade, testemunhamos o aumento brutal no diagnóstico de TDAH – Transtorno de Défict de Atenção por Hiperatividade, o que fez com que drogas como a Ritalina tenha encontrado no Brasil o seu segundo maior mercado consumidor do mundo. Nossas crianças é que estão doentes ou seriam as nossas escolas?

    Aquela escola que tem o papel de transferência de conteúdo, a cada dia se torna mais insignificante, num mundo onde as informações estão acessíveis a todos a distância de apenas um clique.

    Por isso, o modelo educacional vigente está falindo e definhando a cada ano. Isso acontece sem que muitos envolvidos neste processo estejam percebendo. Até porque, este modelo está associado `as formas mais convencionais de sustento de um cidadão que é o EMPREGO. Por sua vez, o emprego tradicional, da forma que conhecemos, perde valor a cada dia, enquanto outras formas de produção ganham mais espaço no mundo. Marketing multinível, produção de conteúdo na internet, micro-franquias, vendas diretas, marketing digital, dentre outros modelos que têm crescido em todo mundo e que já contam com milhões de pessoa dedicando-se a eles.

    Não quero entrar no mérito de discutir sobre cada um desses modelos, mas a existência deles e o seu crescimento é a maior prova que as pessoas estão cansadas de se sentirem escravas, de terem suas agendas tomadas e não terem tempo para desfrutar da família e da vida em troca de um salário sobre o qual não tem controle.

    Com o aumento do trânsito nas grandes cidades, das filas intermináveis e engarrafamentos de desafiarem os nervos, aliado ao aumento da violência urbana, tem provocado um aumento nos casos de síndrome do pânico. Como resultado, o consumo de educação pela internet, por exemplo, não para de crescer.

    Por que alguém vai pegar um carro, dirigir por minutos ou horas, correndo riscos de ser assaltado, gastando com estacionamentos cada vez mais caros, para ir numa faculdade? Ele estuda online, gasta menos, com qualidade e ainda sobra mais tempo para trabalhar, construir os seus projetos, fazer outras coisas que gosta ou simplesmente viver a vida.

    Vamos agora falar sobre conteúdo. Eu vejo muito, mas muito valor na pré-escola. É o momento em que a criança tem uma de suas primeiras experiências sociais, desenvolve suas habilidades cognitivas, coordenação motora e é alfabetizada. É uma educação altamente produtiva.

    da 1ª a 4ª séries, a concentração em português, matemática e ciências, traz um conteúdo interessante e importante para a base da educação desta criança. O problema é que o formato falido da educação vigente já começa colocar a cabeça pra fora. Estou falando de uma sala enfileirada, a maldita prova que induz a decoreba e a busca por notinhas na média começam aparecer nesta fase. Uma pena, pois apesar deste formato nojento, o conteúdo desta fase é bem importante.

    Da 5ª série até o último ano do ensino médio é quando tudo desanda. Ou seja, entre os 11 e 17 anos. Algum pedagogo infeliz definiu este conteúdo a ser despejado no cérebro dos jovens. A quantidade de informações inúteis, desnecessárias e irrelevantes é impressionante.

    Nesta fase, seria imensamente importante a preparação para vida. Não me refiro a preparação para o emprego. Não! Falo de preparação para a vida mesmo.

    Até hoje, sou capaz de montar no mínimo 70% de uma tabela periódica, com os elementos químicos e suas posições organizadas em grupos. Não vou recitar o nome deles aqui para não ficar chato. Até hoje não esqueci e não me pergunte a razão. O fato é que esta informação ocupa um espaço valioso em meu cérebro que não me serve para nada. Talvez se eu trabalhasse com farmácia ou química industrial tivesse algum valor, mas não para 99% das pessoas. Se é inútil para 99% das pessoas, por que perder tempo com isso na escola?

    Para não detalhar muito entrando em muitos detalhes, para resumir, eu me atrevo a dizer que mais de 70% do que se estuda entre a 5ª série e o 3º ano do ensino médio não tem sentido algum e ficará no esquecimento. Sou exceção que me lembro de pelo menos 70% da tabela periódica e do nome dos elementos químicos dos principais grupos. É o seu caso? Você se lembra dos nomes dos elementos químicos que fazem parte do grupo dos metais alcalinos? Se a resposta é não, você não está perdendo nada. Se você se lembra, desde a 8ª série, que este grupo é formado por Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Césio e Frâncio, como eu acabei de me lembrar, aconselho procurar um médico.

    Pense comigo. Não seria mais importante que os nossos jovens estudassem e fossem treinados para:

    1. Falar em público – Estatisticamente, falar em público é o maior medo das pessoas. Elas não tem boa oratória, o que é muito importante para o crescimento profissional e liderança. Como alguém passa quase mais de 15 anos participando de uma educação que não o preparou para ter uma boa oratória? Foi falta de tempo? Não. Você estava ocupado estudando as briófitas, as mitocôndrias ou decorando os gases nobres.

    2. Direito – Não me refiro ao direito estudo por quem deseja ser um advogado, mas ao direito de cada cidadão. As regras do jogo. Quer jogar o jogo sem saber as regras? Falo em direito do consumidor, direito civil, direito tributário, direito comercial…
    3. As taxas de obesidade crescem em todo mundo. Nutrição é algo que deve ser estudado todas as semanas.

    4. Finanças pessoais – O nível de endividamento, cálculo de juros para financiamentos, negociação, gestão de seu patrimônio etc. É inacreditável que se perca tanto tempo numa escola sem aprender a gerir a sua própria vida.

    5. Inteligência emocional – Como reagir a situações adversas, aprender a perder pra ganhar, saber se colocar no lugar dos outros, empatia, de novo liderança, saber trabalhar em grupo, como lidar com a ansiedade, com as frustrações, com o medo etc…

    6. Empreendedorismo – Não apenas na forma de se ter uma empresa, mas também como empreender numa carreira profissional, empreender com a mesada, estímulos para startups na internet, blogs, conteúdo no YouTube e redes sociais com o foco na criação de audiências.

    7. Esporte em alta performance – O esporte traz consigo ensinamentos importantíssimos para a vida. Foco, trabalho em equipe, inteligência emocional, determinação, trabalho em grupo… O esporte é riquíssimo para o desenvolvimento dessas habilidades.

    8. Primeiros socorros e principais conhecimentos sobre o atendimento de jovens velhos e crianças.
    9. Política e sociologia de forma isenta e não doutrinária.

    10. Serviço social e trabalho voluntário em comunidades carentes. Além da experiências valiosíssima de lidar com os mais necessitados, a abordagem humana e ter acesso as contradições da sociedade trariam questionamentos valiosos para os futuros pensadores.

    11. Ter inglês como disciplina estudada em todas as escolas e apenas 3% da população dominar o idioma é mais uma prova do fracasso do modelo educacional vigente. É inaceitável que menos de 100% de nossos alunos cheguem ao final do ensino médio não falem no mínimo 3 idiomas. Tem tempo pra isso, mas a competência das escolas atuais passa longe.

    12. Na língua portuguesa, interpretação de textos e redação. Uma atividade a ser desenvolvida todos os dias. Treinando a forma e desenvolvendo pensadores que se expressam muito bem, tanto de forma oral como escrita. Experimente pedir para um grupo de 100 jovens recém formados numa universidade para eles escreverem uma redação pra você ver o nível baixíssimo de anos estudando neste sistema vigente.

    13. DENTRE MUITAS OUTRAS NECESSIDADES REAIS

    O governo é responsável por este modelo pouco produtivo de educação. O MEC é quem regula isso e impõe as escolas este currículo. Ou seja, se uma escola decidir ensinar tudo o que disse acima e abolir a tabela periódica, por exemplo, essa escola, mesmo privada, poderá ter o seu registro cassado e seus alunos terão um diploma não reconhecido.
    Até o ano passado, fui sócio de um grupo educacional expressivo com mais de 1800 escolas de ensino médio e fundamental no Brasil que tem mais de 500 mil alunos. Conheço bem o que digo. Vendi para o fundo soberano do Governo da Cingapura.
    Meus filhos, 15, 13 e 4 anos de idade, sabem tudo o que penso a respeito deste assunto e por dois anos ficaram fora da escola. Estudaram em casa, enquanto moramos na Espanha e Inglaterra. Aqui em Portugal, eles voltaram para uma escola convencional, mas educação deles não pertence a esta escola, ainda que seja considera uma das melhores da Europa. Eles aprenderam a jogar o jogo e nos dedicamos a prepará-los dentro de outros paradigmas, muito longe de alguns conceitos ensinados lá dentro.
    Talvez um dia eu realize o sonho de construir uma escola que contrarie tudo isso, que peite este esquema, que ignore a falsa importância de um diploma e que forme pessoas para serem relevantes na sociedade com todas as habilidades acima, em vez de uma manada de seres humanos padronizados em busca de um diploma pra arranjarem um emprego para pagarem as suas contas. Agem assim, porque foram ensinados assim, treinados assim e adestrados deste jeitinho.”

    • Guilherme 11 de maio de 2015 at 18:23 #

      Excelente texto, Anna!

      O modelo de ensino atual é incompatível com as necessidades da atual sociedade.

      Abç!

    • Alencar Alberto da Silva Westin 12 de maio de 2015 at 9:13 #

      O texto do Pedro Calixto é atual e excelente. Valeu Guilherme!
      Gostei muito tambem do texto “QUESTIONAR É PRECISO – por Flávio Augusto da Silva que a Anna nos presenteou.
      Desde criança nunca consegui me conformar com a forma que o ensino nos é imposta. Os 12 parágrafos sugerem pautas interessantíssimas que realmente deveriam ser inseridas na formação dos nossos jovens. Existem outras como política, religião, culinária, manutenção doméstica com noções de hidráulica e mecânica e de eletricidade, enfim, muitas coisas úteis e necessárias em nosso dia-a-dia. Tudo ficaria inserido em uma matéria que poderia se chamar VIVENCIAS E CONHECIMENTOS GERAIS. Mas ninguem pode dar aquilo que não tem. Os responsáveis pela educação como um todo são retrógrados e os pais em sua grande maioria não têm esse tipo de preocupação. Um passa a bola para o outro só esperando o tempo passar tambem. Parece que o objetivo de marcar o gol não existe. Só o tempo mesmo! Eu mesmo tenho grande dificuldade de conversar sobre esse assunto com alguem. Mesmo entre pessoas da família que deveriam ser interessadas na educação das nossas crianças o interesse é praticamente nulo. Triste!
      Finalizando, faltou apenas destacar que a individualidade de cada criança deveria ser respeitada desde o início. Os caminhos deveriam ser opcionais desde o início.

      • Guilherme 12 de maio de 2015 at 21:25 #

        Olá, Alencar, excelente depoimento o seu!

        Gostei particularmente de sua última frase, que tomo a liberdade de destacar aqui:

        “…a individualidade de cada criança deveria ser respeitada desde o início. Os caminhos deveriam ser opcionais desde o início….”

        Abç!

  8. Pedro Calixto 11 de maio de 2015 at 19:32 #

    Guilherme, obrigado pela oportunidade de compartilhar e que coincidência isso acontecer 4 anos depois. Nesse meio tempo tem um outro post que eu participei também! Temos que sair um pouco da zona comum, temos muito o que evolui no assunto e não adianta usarmos exemplos escandinavos se não temos coragem aqui para romper com o modelo de ensino em que fomos como o colega disse acima “adestrados”.

  9. Maria 12 de maio de 2015 at 11:31 #

    Excelente texto, Guilherme! Sempre é um prazer ler teus textos. 🙂
    Outro dia li o discurso que a jovem Malala fez em 2013 na ONU. Nossa, fiquei arrepiada!!!!… É incrível como uma menina tão jovem tem uma maturidade tão grande quanto ao entendimento do que é educação e para que serve educação. A precisão, a sensibilidade dela em definir o que é educação me arrebatou.
    Que possamos compreender o poder radical e transformador da educação o quanto antes!
    Para quem quiser ler o discurso da Malala, segue o link:
    http://www.ikmr.org.br/dia-malala-discurso-onu/
    Abraços,

    • Guilherme 12 de maio de 2015 at 21:27 #

      Olá Maria!

      Concordo com você, a jovem Malala realmente merece um destaque especial nesse debate, já que a pauta é a educação atual.

      Obrigado por compartilhar esse texto conosco!

      Abç!

  10. Jônatas R. Silva 13 de maio de 2015 at 10:30 #

    Pedro e Guilherme, parabéns!!!
    Foram tocados em pontos nefrálgicos que poucos tem coragem de abordar. Para mim a educação é um tripe (pais, professores e Estado), mas o problema é que sempre um dos lados se esquiva de sua responsabilidade e empurra o problema para o outro. Ainda pretendo escrever um livro abordando este tripé.

    Trabalho integralmente com educação há muito tempo e corroboro com o que o Pedro diz logo no início do texto: a educação no Brasil é um problema complexo que envolve muitos atores e que a solução é de longo prazo (décadas).

    Abraço!

    • Guilherme 13 de maio de 2015 at 18:41 #

      Obrigado pelas palavras, amigo!

      Ainda mais sabendo que você vivencia integralmente essa área.

      Abç!

  11. Renato Rocha 13 de maio de 2015 at 19:07 #

    olá Pedro,

    parabéns pelo seu texto, concordo com partes generesoas dele, mas não consigo concordar com o item 3. ‘Achar que o salário dos professores resolverá a educação’ que ainda não foi discutido aqui. Por isso resolvi escrever.

    Acredito que melhorar o salário faça parte da solução para a melhoria da educação em nosso país. Ainda que não seja condição suficiente para tal acredito que seja uma condição necessária. Uma vez que, oferecer melhores salários é um indício que o empregador (seja iniciativa privada ou pública) valoriza o profissional. Você sabia que em média, o salário de um professor no ensino básico é metade do salário médio de outras profissões que também exige curso superior? Isso não me parece muito justo. Listo pelo menos 2 efeitos negativos da baixa remuneração: 1) fuga de profissionais qualificados para outras área – quem realmente poderia se tornar um bom professor tende a migrar para outras carreiras em que consegue obter um melhor rendimento; 2) quem persiste em continuar na área, muitas vezes precisa trabalhar até 60h/semana para conseguir pagar suas contas no final do mês – para isso completa a jornada de trabalho em mais de uma instituição, muitas vezes nos três turnos. Tantos outros motivos podem ser pensados a partir da baixa remuneração da profissão. Assim, pode-se alegar que o professor sabia de todas essas dificuldades que a carreira iria lhe impor, e por que não escolheu outra área? Nesse ponto entre em questão a vocação que você mencionou. No entanto, há de se ter cuidado para essa dita vocação não se torne um sacerdócio.

    O que pode acontecer com isso? Os profissionais que buscam qualificação (mestrado, doutorado) acabam indo trabalhar no ensino superior pois estes pagam melhores salários. Enquanto isso o ensino básico sofre com uma falta de profissionais e as instituições acabam preenchendo o quadro profissionais temporários que não possuem a muitas vezes a qualificação tampouco o mesmo comprometimento com o ensino.

    Você parece acreditar que a melhora do salário deve ser acompanhada de um critério meritocrático. Em princípio, não sou contra esse tipo de critério, desde que haja um salário inicial atrativo para a carreira. No ensino superior isso parece funcionar bem de algum modo com as bolsas de produtividade em pesquisa. Mas considero muito ruim o fato de profissional ter que ficar a espera de um bônus para poder cumprir as suas necessidades financeiras de seus profissionais.

    • Pedro Calixto 18 de maio de 2015 at 11:04 #

      Olá Renato, brilhante colocação. É raro hoje em dia, alguém colocar com coerência pontos como o seu sem apelar para rótulos e outros afins que estamos acostumados nas redes. É um ponto bem polêmico e não acredito que há uma fórmula exata. É daqueles dilemas do tipo, quem veio primeiro o ovo ou a galinha? Ou melhores professores vão fazer com que recebam melhores salários ou melhores salários vão atrair melhores professores? É difícil, por isso eu acredito que a mudança não venha de um lado só, a questão é que hoje qualquer aumento, vai beneficiar bons e maus professores, visto que o critério de seleção para o ensino básico nada mais é que saber questões de uma prova. Didática e outros pontos importantes são desprezados.

      Por outro, no setor público de uma forma geral não há a cultura de demissão de maus profissionais por incompetência, somente pela má fé e ainda se o caso for muito grave. Você citou os professores do ensino superior, pelo menos os meus professores da Federal sempre são muito bem remunerados, mas tive excelentes professores e outros bem medíocres. Você pode consultar o salário deles no http://www.transparencia.mg.gov.br. Ou seja, não significa que bons salários garantem bons professores.

      Então é muito complexa a fórmula, mas a forma como é tratada hoje, pelo menos na minha parca visão, não há nenhum interesse coletivo dos professores (e seus sindicatos) em melhorar a educação, usam desse argumento para melhorar sua renda e ponto. E aí caímos em discussões acerca da motivação, até onde o dinheiro é capaz de motivar.

      Sinceramente é um ponto muito delicado, mas acho que pelo menos o caminho que estamos o seguindo é manco, não é só melhorar a remuneração, também não é só contar com a vocação de alguns e nem exigir que passem fome para educar os outros.

      No fim das contas eu acho, que eles podem fazer mais de forma organizada, por desconhecimento mesmo eu não sei, mas há alguma iniciativa por parte dos sindicatos em rever o conteúdo, envolver os pais na vida escolar e outros pontos que consideramos importantes para educação? O que eu vejo são iniciativas isoladas e alguns mártires clamando no deserto, uma realidade hoje na ação coletiva no país, onde tentam maximizar seus benefícios enquanto grupo e pouco agem para influir no bem da sociedade. Posso estar errado, mas é assim que eu penso hoje.

  12. Anna Monteiro 13 de maio de 2015 at 20:05 #

    Realmente o item 3 não melhora por si só a educação no país. Mas daria um gás muito maior para o profissional se motivar a trabalhar , desanimando menos e inclusive, a buscar por formação continuada. Não podemos realmente achar que só o item salário bastaria porque, como já foi citado, a educação tem um tripé:pais, profs e Estado. Se um dos pés do tripé bambeia, algo não sairá tão bem quanto poderia.

  13. Marcos 16 de maio de 2015 at 14:43 #

    Parabéns pelo seu site, permita-me adicioná-lo, na minha página de parceiros que estou criando.

    • Guilherme 17 de maio de 2015 at 13:39 #

      Olá Marcos, obrigado, fique à vontade para adicionar o meu blog no seu blogroll! E parabéns pela iniciativa de criar um blog!

      Abç!

  14. Flavio 3 de junho de 2015 at 12:45 #

    “Estamos passando por um momento em que o lema do Brasil é a “pátria educadora””

    Esse lema não é do Brasil mas sim do Governo Federal. Não vamos confundir pátria com governo.

    Se é que o Brasil tem uma lema, este é “ordem e progresso”, que está cristalizado em nossa bandeira, símbolo de nossa pátria, independente do governante eleito ou do partido que o elegeu.

    • Guilherme 3 de junho de 2015 at 20:17 #

      Obrigado, Flavio, pela correção, já fiz a alteração no texto, com os devidos créditos!

      Abç!

  15. Rodrigo - Chave do Sucesso 5 de junho de 2015 at 21:58 #

    Olá!

    Grande texto e muito bem formulado!

    Na minha opinião vai ser sempre o assunto mais polemico do Brasil, e também a resposta da maioria de nossos problemas…

    Eu vejo que acontece muito o que você falou de “Confundir “educação” com “escolaridade””…

    As pessoas criam uma forte mentalidade que só existe educação dentro de uma escola, e como você falou…. ficam focados somente em assuntos que vão cair em provas e trabalhos que vão render alguma, e não em como isso pode acrescentar em suas vidas!

    Eu escrevi um artigo que fala justamente sobre educação tradicional vs Educação continua..e de como existem muitas HABILIDADES que você não vai conseguir da faculdade ou no seu MBA…

    Segue o link do artigo que comentei..

    >>>>> http://goo.gl/yxKSW8

    • Guilherme 5 de junho de 2015 at 22:48 #

      Olá, Rodrigo, ótimo comentário também!

      Seu artigo está excelente, e complementa com ideias muito boas o que está descrito no post e nos comentários dos demais leitores. Parabéns também!

      Abç!

  16. Adriana 23 de julho de 2015 at 14:42 #

    Olá a todos, discussão muito interessante. A notícia boa é que existem sim modelos alternativos (raros, mas existem). Vocês já ouviram falar da Escola da Ponte? Em SP existe uma tentativa semelhante: o Projeto Âncora. Vejo que as crianças são tratadas como objetos, ninguém tem paciência ou tempo para considerá-las indíviduos que precisam de condução mas também precisam ser ouvidos desde cedo, em uma democracia. Outro dia vi uma propaganda de um canal a cabo que dizia: “Tem crianças em casa? Tem que ter o canal tal.” Reflete bem o que queremos: robôs entretidos, pois educar dá trabalho e requer repetição, argumentos, um milhão de conversas, teste de estratégias, etc. Em geral preferimos comprar um livro do tipo “filhos geniais em 7 passos”…

    http://www.educacao.rs.gov.br/dados/edcampo_texto_rubem_alves_a_escola_com_que_—_existir.pdf

    http://educacaointegral.org.br/experiencias-internacionais/escola-da-ponte-radicaliza-ideia-de-autonomia-dos-estudantes/

  17. Mateus 5 de dezembro de 2016 at 9:05 #

    Excelente texto! Achar que educação é obrigação exclusiva do Estado é sem dúvidas o maior dos equívocos, vejo pouquíssimos pais assumindo a responsabilidade da educação dos filhos.

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