Comprar uma mega TV para assistir a Copa ou investir em ações? A escolha é sua…

Com R$ 8 mil em caixa, em 2006, o investidor poderia comprar uma TV de plasma de 42 polegadas. Ou 400 ações da Petrobras. Passados 4 anos, se ele tivesse comprado a TV, qual seria o custo da oportunidade? É o que veremos nesse artigo.

Com a Copa do Mundo se aproximando, é cada vez maior a quantidade de pessoas que se vêem tentadas a comprar uma TV nova para assistir os jogos. Mas até que ponto vale a pena fazer esse tipo de compra? Já assistimos esse filme antes: em 2006, com a novidade representada pelas TVs de plasma, as vendas desses equipamentos eletrônicos estavam explodindo, conforme atestam duas matérias veiculadas, na época, na mídia, uma da Folha Online, e outra do Portal Terra.

Naquele ano, as vedetes eram as TVs de Plasma de 42 polegadas. No decorrer desses 4 anos, novas tecnologias foram incorporadas às TVs, e hoje também temos as opções das televisores de LCD e de LED. Os preços, naturalmente, também caíram. Aliás, já vinham caindo desde 2005, conforme atesta a reportagem da Folha:

“A forte queda no preço das TVs de plasma vai se acentuar após a Copa do Mundo. Quem puder aguardar deve economizar. De janeiro a dezembro de 2005, o produto de 42 polegadas baixou de R$ 19.999 para R$ 9.999. Hoje [30/04/2006, data da reportagem], já custa menos de R$ 8 mil. Vão acontecer novos cortes no preço –de até 50% no segundo semestre–, apurou a Folha.”

Gente, oito mil reais por uma TV? Surprised Hoje, fiz uma rápida pesquisa pela Internet, e pude constatar que o preço delas caiu de maneira drástica, se situando na faixa de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil.

A pergunta que vem à mente é: vale a pena comprar uma TV nova só para assistir os jogos da Copa? Você não tem TV em casa? Bom, se você não tiver TV em casa, e pretende assistir a Copa em casa, esse é um momento adequado para comprá-la, ainda mais se você tiver dinheiro em caixa. Mas… e se você já tiver uma TV em casa, e também tiver dinheiro em caixa livre para gastar ou investir? O que valerá mais em 2014: um patrimônio de mil reais armazenado na sala de estar, ou um patrimônio de mil reais investidos numa empresa (ou pacote de empresas) com administração profissional e lucros consistentes?

Um retrospecto histórico

Vamos voltar no tempo. Em 17 de maio de 2006, o sujeito tinha R$ 8 mil na conta-corrente, tinha TV em casa, e queria porque queria comprar uma TV de plasma nesse exato valor. Ele foi lá na loja, e a comprou. Feliz da vida pela compra da nova TV, viu o Brasil fazer uma campanha pífia na Copa, e a TV, com o transcurso do tempo, foi se desvalorizando e perdendo valor. Ele não precisava comprar a TV, afinal, ele já tinha uma boa televisão em sua casa. Está na cara que ele comprou um desejo, e não uma necessidade.

Perguntinha básica: e se ele tivesse investido os mesmos R$ 8 mil em ações?

Resolvi tirar essa dúvida e fazer uma pesquisa: busquei a cotação histórica de 4 ações e de um fundo de ações, respectivamente: Petrobras (PETR4), Vale (VALE5), ALL (ALLL11) – empresa de logística que integra a carteira teórica do IBovespa, e Cosan (CSAN3) – empresa produtora de açúcar e álcool combustível, que era uma das vedetes da Bolsa em 2006, e que também integra o índice. Eis os resultados:

Clique na tabela para ampliação e melhor visualização.

Vamos exemplificar com um caso prático extraído da tabela acima.

Com oito mil reais, a pessoa, ao invés de gastar na compra de uma TV de plasma, porque não precisava, resolveu comprar ações da Petrobras no home broker. Em 17 de maio de 2006, essa ação – PETR4 – estava cotada a R$ 20. Pois o nosso amigo comprou 400 ações da PETR4, o correspondente a 4 lotes. Mantendo as ações durante esses 4 anos, a PETR4 apresentou valorização de aproximadamente 50%, o que significa que seus oito mil reais iniciais teriam se transformado em cerca de R$ 12 mil. E isso sem contar os recebimentos de dividendos e juros sobre o capital próprio, que não foram considerados nessa simulação – fazendo um cálculo mental sobre os valores distribuídos pela Petrobras nesses últimos 4 anos, a título de lucros aos acionistas, seria mesmo possível comprar a TV, agora em 2010, sem vender ação alguma…

Ou seja, o investidor não só teria multiplicado seu capital, como também poderia se utilizar de parte dele para custear a aquisição de uma TV nova de 42 polegadas… por cerca de 1/4 do preço de 2006. Metade da metade. R$ 1.999,00, que é o preço cobrado por algumas lojas sobre uma TV desse porte. Esse foi apenas um exemplo que demonstra o tamanho do custo da oportunidade de quem optou por gastar o dinheiro, ao invés de aplicá-lo.

Mas o investimento deve ser feito com cuidado.

Isso porque, conforme podemos observar na tabela comparativa, se esse mesmo investidor tivesse aplicado os R$ 8 mil na Cosan, ele veria seu valor despencar em cerca de 60%.

Nessa pesquisa, utilizei somente 4 empresas, mas poderia ter usado muito mais, dando exemplos de empresas que tanto fariam o capital investido se multiplicar de forma muito mais surpreendente, quanto cair de forma abissal, até virar pó. Por isso, se o investidor tem dúvidas sobre quais empresas aportar seu dinheiro, a aplicação num fundo diversificado ainda é a melhor opção.

Na tabela, vemos que o PIBB11 foi um investimento menos arriscado, e apresentou uma ótima valorização.

Outro alerta importante para os leitores: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Não há garantia alguma de que, aplicando o valor de R$ 2 mil – valor aproximado de uma TV de 42 polegadas hoje – em ações da PETR4 ou VALE5, ou ainda em cotas do PIBB11, daqui a 4 anos, ou seja, em 2014, às vésperas da Copa do Mundo, esse valor seja multiplicado. Conforme já dissemos em ocasiões anteriores, nada no mercado é para sempre – lição que vale inclusive, aliás, principalmente, para as blue chips. Além disso, o crescimento da economia – PIB – tem correlação *NEGATIVA* com o retorno no mercado de ações.

Diante de tantas incertezas quanto ao futuro, podemos ao menos ter fé e otimismo quanto aos anos vindouros. Dentro dessa perspectiva, e considerando a Bolsa como um investimento a longo prazo, no qual é preciso agir com prudência, paciência e cautela, e sem colocar na renda variável o dinheiro que paga as contas, é razoável acreditar que os investimentos em empresas capitalizadas na Bovespa constituam uma alternativa bastante viável para a construção de patrimônio do investidor.

Dessa forma, a minha opinião é de que aportar o dinheiro na Bolsa, ao invés de aportá-lo em uma TV, pode significar ganhos futuros para o investidor.

Conclusão

Como o Conrado Navarro sempre gosta de alertar nos artigos que escreve no Dinheirama, e com o qual eu concordo integralmente, respeite o seu dinheiro. Ele é o produto de muito esforço e trabalho duro. Você troca boa parte de suas horas de vida pelo pagamento de uma remuneração. Dentro desse contexto, o que fazer com ele deve ser resultado de planejamento e consciência.

Se ele for utilizado para o gasto, para a compra de passivos, ótimo. Mas que não seja uma compra feita por impulso, parcelada em 36 prestações, uma vez que o seu salário provavelmente não cresce na mesma proporção de suas dívidas, conforme destaquei em outro tópico. Uma compra mal feita é aquela em que a emoção toma o lugar da razão, e os prejuízos para o bolso são maiores ainda quando se trata de compras de equipamentos caros, como televisores.

E, se o dinheiro for utilizado para investimentos, que eles sejam realizados de forma também consciente, uma vez que, conforme visualizamos na tabela acima, investir em empresas “da moda” pode resultar em séria dor de cabeça para o investidor. Assim como no caso dos passivos, dedique tempo para pesquisar e estudar a respeito do melhor investimento para seu dinheiro, tendo em conta seu grau de tolerância ao risco, horizonte de aplicação e – o mais importante de tudo – os seus objetivos não-financeiros com o investimento.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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7 Responses to Comprar uma mega TV para assistir a Copa ou investir em ações? A escolha é sua…

  1. Denis Storti 18 de maio de 2010 at 9:30 #

    Muito bom.

    Considerando os JCP e dividendos da petrobras de 2006 a 2009 temos um total de R$2102 que já paga a TV de 42′ do nossso amigo, mantendo assim seus praticamente 12 mil reais intactos.

    Valeu Guilherme.

    Obs: Meu pai comprou uma TV de 40′ esse mes, ele não está nada bem nas dívidas, aii aii. Preciso de um plano de restruturação financeira lá em casa.

  2. Guilherme 18 de maio de 2010 at 9:52 #

    Ôpa, obrigado pelo cálculo, Denis. 🙂

    Qto ao plano de reestruturação financeira em sua casa, desejo boa sorte e sucesso!! Livrar-se das dívidas é o primeiro passo para voltar a conquistar o equilíbrio financeiro.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. puigllum 18 de maio de 2010 at 18:09 #

    Prezado Guilherme:

    Considero muito válidas as suas reflexões sobre o mal-uso do dinheiro, quando se canalizam todos os recursos para o consumo inconsciente, ao invés de em investimentos que possam reverter em benefícios no futuro.

    Se eu estivesse na mesma situação que o personagem da sua fábula, não agiria com o mesmo impulso: não compraria uma televisão de plasma de 42 polegadas, o que é um exagero, se com uma de 20 ou 25, de LCD, poderia, sem nenhuma falsa modéstia, resolver a minha «angústia» por ver alguma coisa mais límpida do que a imagem que se tem usualmente com um aparelho convencional.

    Vale ressaltar que considero legítima a «necessidade» de se ter um bem material que traga satisfação pessoal, e que aquela bem-sucedida propaganda da Mastercard («isso não tem preço») é sempre pertinente. No entanto, como consumidor consciente que tento ser, deixaria uma parte daquele montante de lado, para aplicações que me pudessem permitir a satisfação doutros privilégios, no futuro.

    Lembro-me agora duma reportagem a que assisti, sobre o terrível destino de pessoas que tiveram a sorte (?) de ganhar na loteria, em épocas passadas. Essa espécie de documentário revelava a triste realidade duma grande parcela daqueles que haviam enriquecido subitamente e que voltaram, num escasso lapso de tempo, à situação em que viviam antes, por absoluto desconhecimento de como administrar a sua nova condição de endinheirados. Que eram pessoas que gastavam os seus recursos com absoluta falta de critério, em festanças desproporcionadas, viagens em épocas desfavoráveis, compra de bens de qualidade questionável, enfim, sem perceber, o dinheiro se lhes escapava das mãos, com a mesma rapidez com que viera.

    Por outro lado, tenho um conhecido que, não sei se por avareza ou outra razão, segue à risca a recomendação do artigo que V. nos menciona, publicado na Folha de S. Paulo, no sentido de (sempre) aguardar melhores tempos para ter acesso à alta tecnologia. Mas o tempo vai passando, passando rapidamente, e o sujeito ainda não comprou o seu primeiro leitor DVD, porque ele soube que logo vai aparecer o Blu-Ray e vai baixar o preço dos outros, porque sim, porque sim e porque sim. Bem, ele já apareceu e o seu preço também está baixando: hoje, com R$ 500,00, é possível comprar um leitor de Blu-Ray de boa qualidade. E os outros, os convencionais, custam até R$ 80,00, num supermercado.

    Nos dias de hoje, sendo tão acessíveis certos bens, sobretudo os eletrônicos, acaba por ser prejudicial ao próprio equilíbrio, à estabilidade emocional, um estoicismo absoluto, situação em que a pessoa não se concede pequenos prazeres que poderiam ser valiosos, talvez até para abrandar as tensões cotidianas, como a satisfação do desejo de ter um televisor de tela plana, com certo número de polegadas.

    Saudações,

    puigllum

  4. Henrique Carvalho 18 de maio de 2010 at 20:43 #

    Ótimo texto!

    É o custo-oportunidade na prática!

    Muito boa essa reflexão: “Está na cara que ele comprou um desejo, e não uma necessidade.”

    Não há nenhum mal em gastar. Mas devemos gastar BEM. Em algo que melhore NOSSA qualidade de vida e não comprar algo para “impressionar” os outros.

  5. Guilherme 19 de maio de 2010 at 10:24 #

    puigllum, como sempre, excelentes suas reflexões acerca de temas como consumismo, má gestão do dinheiro, e vida frugal. O que falta às pessoas são: (i) conhecimento, que lhes impede de usufruir com sabedoria os ativos e os passivos; e (ii) equilíbrio, uma vez que o dinheiro deve ser visto como um meio para conseguir outros bens, e não como um fim em si mesmo.

    Henrique, vc está com a razão. Aliás, isso que vc falou constitui uma dica de economia certa, dada pelo Dominguez e pela Robin: “pare de impressionar os outros”.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Willy Fog 5 de outubro de 2010 at 14:14 #

    Muito interessante este artigo.
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    Pesquisando no buscape o preço mais em conta que achei foi de R$ 1530,00 aproximadamente 1/5 do valor que custava em 2006.
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    http://compare.buscape.com.br/proc_unico?ordem=prec&id=2852&kw=tv+plasma+42
    .
    Abcs

  7. Guilherme 5 de outubro de 2010 at 15:08 #

    A queda de valores é impressionante! Vamos ver quanto custará uma TV 3D daqui a 4 anos… 😀

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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