Atos de investimento, atos de consumo, atos de trabalho ou educação

Não há dúvida de que você deve gastar menos do que ganha, ter uma reserva de emergências e aplicar bem seu dinheiro, para alcançar sonhos em que o dinheiro constitui um meio necessário. Investir bem seu capital é requisito, portanto, indispensável para que aqueles sonhos se concretizem. Porém, buscar uma rentabilidade superior, digamos, ao CDI, na renda fixa, ou ao IBovespa, no caso do mercado de ações, pode às vezes dar muito trabalho, e você pode acabar ficando “bitolado” com tanta coisa para estudar e acompanhar, para, no final das contas, nem ter a certeza de que de fato seus investimentos em renda fixa ou em renda variável ultrapassem o benchmark estabelecido.

E isso por uma razão muito simples: por mais que você queira investir na Bolsa quando ela está derrapando, por mais que você queira aplicar em títulos públicos quando esses apresentem taxas de juros mais atrativas (ainda mais atrativas que o normal, em face das naturais oscilações de mercado), por mais que você queira investir em fundos imobiliários que estejam com uma cotação historicamente baixa, você só recebe o salário uma vez por mês (se for assalariado), e, ainda assim, não poderá investir todo o salário, haja vista a necessidade de ele ter que ser utilizado para cobrir as despesas do mês (pagamento de aluguel, compras de mercado, contas de consumo etc.). Dessa maneira, você não terá condições de ficar investindo várias vezes ao longo do mês, não só porque o recebimento do dinheiro necessário para os investimentos ocorre num instante de tempo, como também porque, ao ficar investindo várias vezes ao longo do mês, maiores são as probabilidades de você fazer algo errado e, assim, arruinar seu plano de investimentos.

Em outras palavras: é muito mais sensato, do ponto-de-vista do gerenciamento das finanças pessoais, você ocupar seu tempo estudando sobre as melhores alternativas de investimento, do que propriamente executando operações de investimento.

Porém, mais importante do que ficar estudando e operando no mercado financeiro é você prestar atenção aos seus atos de consumo. Por quê? Porque no dia-a-dia você não estará lidando obrigatoriamente com operações de investimento (em face da escassez de recursos para tal), mas certamente estará sendo exposto a muitos e diversos atos de consumo. Em nosso cotidiano, a exposição ao consumo é muito maior do que a exposição aos investimentos, e você deverá ter as habilidades necessárias de modo a fazer com que seu consumo seja racional, consciente e equilibrado. Se você faz um registro diário de suas despesas, facilmente verificará que gastará dinheiro em praticamente todos os dias do ano. Todo dia você executa um ato de consumo: pagamento de aluguel, mensalidade do plano de saúde, conta da TV a cabo, do plano de Internet banda larga, padaria, supermercado, farmácia, restaurante, tarifa de banco, banca de revistas, sorvete, café, energia elétrica, passagem aérea, presente, papelaria, roupa, táxi, ônibus, ingresso de cinema, farmácia de novo, supermercado de novo, padaria de novo, DVD, diarista, recarga de celular pré-pago, pastel na feira, combustível, livraria, supermercado de novo etc. etc. etc.

É batata: todo santo dia você estará exposto a um ato de consumo, mas nem todo dia você estará exposto a um ato de investimento. Não quero aqui menosprezar a importância dos investimentos para a construção de um patrimônio financeiro familiar sustentável, mas, se você quiser ter uma vida financeira saudável, deverá prestar atenção aos seus gastos diários, bem como a modos de fazê-los diminuir com o passar do tempo. Afinal, de nada adianta sua carteira de investimentos ter rendimentos ótimos, se seu padrão de gastos continua elevado. É preciso repensar o ciclo de vida útil dos produtos que você consome, bem como averiguar se não existem hábitos que na verdade já estão virando vícios, e, portanto, lhe impedindo de conquistar uma “folga” em seu orçamento doméstico. Exemplos práticos: suponhamos que você tenha um iPad. Será que é tão necessário assim comprar o iPad 2? Você já tem um smartphone. Será que é tão necessário assim ter o lançamento mais recente? Você é dono de um bom carro. Será que você precisa se “recompensar” com outro carro, modelo mais recente? Você tem todos os ingredientes, legumes, frutas, pacotes de arroz, feijão etc., em casa. É necessário mesmo jantar no restaurante mais badalado da cidade?

Cuidado com seus atos de consumo: se não forem planejados, ou, ao menos, repensados, eles poderão tirar de você a chance de ouro de conquistar a tão sonhada liberdade financeira. Você pode até não ter a melhor rentabilidade nos seus investimentos, mas experimente levar uma vida de ostentação, que a conta da escravidão financeira aparecerá logo logo…

Porém, existem certos atos ainda mais importantes para seu caminho rumo à prosperidade financeira: são os atos de trabalho e de educação. E isso ocorre não só porque eles serão a fonte geradora de renda necessária para suprir e abastecer seu plano de investimentos, mas também – e principalmente por causa disso – enquanto você estiver trabalhando ou estudando, você não estará consumindo. Então, qualificar-se profissionalmente, dedicar-se ao seu trabalho com o máximo de energia e disposição, e estudar visando a uma escalada nos ganhos salariais, apresenta a dupla vantagem de potencializar sua capacidade de gerar renda, e ainda ocupar seu tempo de modo produtivo. É como se você utilizasse seu tempo para construir ativos (= aquilo que põe dinheiro no seu bolso, como um curso superior), em vez de utilizar esse mesmo tempo para gerar passivos (= aquilo que tira dinheiro de seu bolso, como comprar perfumes).

E quando falo de educação, não estou me referindo apenas à educação formal, mas sim a todas aquelas demais atividades que te permitem acumular conhecimento visando à transformação de comportamentos negativos em comportamentos positivos. Gastar seu tempo lendo bons livros, lendo bons blogs, participando de palestras – ainda que sejam fora de sua área de especialização etc., constituem ótimas medidas que farão adicionar qualidade ao gasto de seu tempo. Você descobrirá que existem ótimas alternativas para melhorar a qualidade de sua vida, tais como a prática de exercícios físicos, no lugar de ficar a esmo na Internet; passar o final de semana em parques e jardins públicos, no lugar de ir ao shopping (só para ver vitrines e, assim, potencializar seus atos de consumo); ler bons livros em casa, no lugar de assistir programas fúteis de TV (os quais expõem você a uma quantidade inimaginável de atos de consumo).

A essa altura da leitura do texto, você já deve ter percebido a mensagem central que está por trás das linhas acima transcritas: independência financeira é uma questão que tem muito mais a ver com o modo como você gerencia seu tempo, do que com o modo como você gerencia seu dinheiro. Procure gastar seu tempo com atividades que lhe permitam ter uma atitude positiva e proativa diante das circunstâncias que estão ao seu redor. Utilize seu tempo de forma produtiva: esforce-se para transformar aquelas velhas ideias em projetos concretos, aprenda idiomas, faça uma pós-graduação, pense em meios e métodos de melhorar os processos produtivos de sua empresa, faça seu tempo render mais e com mais qualidade no consultório/clínica/instituição onde trabalha… Não perca tempo com devaneios, confusões, situações e pessoas sem importância, as quais desviam seu foco do principal. Mantenha o foco naquilo que é importante e naquilo que verdadeiramente importa para melhorar a qualidade de sua vida.

Trabalho duro, estudo com afinco, desejo de ser um dos melhores em sua área, e, finalmente, dedicação à educação financeira, são pilares fundamentais não só para que seus investimentos rendam mais, mas também para que seus atos de consumo sejam mais condizentes com uma vida menos materialista e mais significativa. A escolha só depende de você. E então, vamos começar?

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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20 Responses to Atos de investimento, atos de consumo, atos de trabalho ou educação

  1. joao 30 de maio de 2011 at 8:12 #

    Que ótimo texto! Obrigado!

  2. Henrique Carvalho 30 de maio de 2011 at 10:40 #

    Muito bom Guilherme!

    “Gastar seu tempo lendo bons livros, lendo bons blogs, participando de palestras – ainda que sejam fora de sua área de especialização etc., constituem ótimas medidas que farão adicionar qualidade ao gasto de seu tempo.”

    Sábia frase amigo.

    Grande Abraço!

  3. Jônatas 30 de maio de 2011 at 10:54 #

    Ótimo reflexão para começarmos a semana Guilherme,
    A excelência é um hábito. Hábitos são cultivados. E seu texto nos mostra alguns bons hábitos a serem adquiridos. Parabéns.

    Abraço e boa semana.

  4. fox 30 de maio de 2011 at 10:56 #

    excelente! excelente mesmo!

  5. Jane 30 de maio de 2011 at 15:01 #

    Guilherme,

    Excelente reflexão que vc faz nesse texto, muito, muito pertinente…Eu estou me educando financeiramente não porque pretendo ser milionária, mas principalmente para levar uma vida mais simples, sem me escravizar com as atitudes de consumo cada dia mais crescentes…Hj tudo tem que ter, tem que comprar, tem que isso e aquilo.
    …”mas também para que seus atos de consumo sejam mais condizentes com uma vida menos materialista e mais significativa. A escolha só depende de você.”

    Vc fechou com chave de ouro. Obrigada pelo texto!

  6. Ricardo Borges 30 de maio de 2011 at 15:44 #

    Parabéns Guilherme!
    “A feleicidade reside em coisas simples.” Podemos levar uma vida simples sem futilidades, ganância, ou excesso de humildade. As pessoas devem adquirir bem que são importantes para elas, sem terem que ostentar luxo ou beleza. Afinal, com todo o respeito pelas opiniões contrárias, as pessoas que se rendem ao consumismo exarcebado estão com a auto-estima baixo, vivem para os outros e não para si mesmas. Nós somos o reflexo de nossas escolhas e não do que temos.

  7. Ricardo Borges 30 de maio de 2011 at 15:46 #

    corrigindo:
    “… as pessoas dever adquirir bens que seja importantes para elas…”

  8. EvertonRic 30 de maio de 2011 at 18:19 #

    Grandioso texto Guilherme,
    O ato de consumo deveria incluir o dizer não, ou melhor, saber dizer não na hora certa. Antes mesmo de efetuar a compra, esperar alguns segundos ou 2 minutinhos e analisar com calma a futura aquisição. Porém nos dias de hoje, a vida contemporânea está cheia de imediatismo (consumo imediato), equívocos e egoísmo.
    Um grande abraço!

  9. Rony Melo 30 de maio de 2011 at 21:14 #

    Nunca fui um consumidor compulsivo, mas comigo aconteceu e está acontecendo algo muito estranho, por assim dizer. Sou aluno de Dr em engenharia, moro com meus pais, não tenho carro, Ipad, smartphone ou o ultimo modelo da Dell, ou seja, consigo poupar 50% de toda a minha renda(a bolsa de Dr) e o ato de poupar começou a se tornar um tanto quanto compulsivo a ponto de querer ganhar mais grana somente pra investir mais(????)….Sorte que percebi isso a tempo, pois sim, acho isso ruim, e comecei voltar com velhos hábitos de ler bons livros, assistir todos aqueles velhos filmes que sempre quis e não “achava” tempo. Em resumo, concordo que o foco deve ser a eficiência do gerenciamento do seu tempo, não somente para evitar o consumo, mas sim a qualquer coisa em excesso.

    não sei se fui claro….

    • Fernando H Rosa 7 de junho de 2011 at 19:23 #

      Excelente artigo Guilherme. Muito inspirador.

      Entendo bem seu dilema Rony. Uma maneira de escapar de um escravismo do trabalho ou dinheiro é tentar achar algumas maneiras saudáveis de se “auto-enganar” e conseguir relaxar/se distrair, mas ao mesmo tempo continuar aprendendo/estudando/acrescentando algo a você. Eu faço pausas regulares durante as horas de estudo ou trabalho e encaixo pequenos seriados de curta duração (15 a 20 min) em inglês/alemão/espanhol, sem legendas, ao longo do meu dia. Faço o mesmo no trânsito: sempre tenho uma coleção de músicas em outros idiomas as quais ciclo durante o trajeto de ida e volta de maneira que mesmo nas horas ‘mortas’ estou me distraindo/relaxando, mas ao mesmo tempo estou sempre fazendo algo que gera valor (no caso, estudando).

  10. Andreia 30 de maio de 2011 at 23:43 #

    Valeu Guilherme , muito bom!
    Parece mesmo que quando a pessoa começa a se interessar por finanças pessoais, quer logo aprender tudo sobre investimentos e colocar em prática o mais rápido possível. Mas pelo que percebo, investimentos correspondem a uma etapa da nossa educação financeira. Primeiro, pagar as dívidas; segundo, reorganizar as finanças e fazer com que sobre algo e só depois investir. É isso mesmo?
    Eu acabei de ler um post do QFR que combina direitinho com esse seu! Ah, e o VR é sempre um ótimo investimento! Abraços…

  11. Guilherme 2 de junho de 2011 at 19:12 #

    João, Henrique, Jônatas, Fox, Everton, Ricardo, obrigado!

    Jane, parabéns pela postura decidida de levar uma vida mais simples! Isso só tende a tornar sua vida mais rica e significativa!

    Rony, você foi claríssimo! Ótimos comentários! Aliás, seu comentário me inspirou a elaborar um rascunho para um futuro artigo. Aguarde!

    Andreia, é isso mesmo! Tudo deve ser feito por etapas, um passo de cada vez! E obrigado pelos elogios!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  12. Investidor Defensivo 5 de junho de 2011 at 15:12 #

    Muito bacana o enfoque nos hábitos de consumo.
    Aconselho além deste hábito, todo mundo ter uma boa planilha de simulação do impacto deste dinheiro poupado mês a mês.
    Isto pq poupar sem projetar o resultado, vc não tem noção se realmente está poupando o necessário para os seus objetivos.
    Vou dar um exemplo que acontecesse comigo. Mesmo se eu poupasse hj os 50% da minha renda líquida, ainda não estou satisfeito com o que estou vendo de acumulado para o futuro. Por isso ando pensando muito em aumento da renda.
    Vi o comentário do Rony:
    “…não tenho carro, Ipad, smartphone ou o ultimo modelo da Dell…” e acho devemos sempre é avaliar se estamos sacrificando muito o presente a favor de um futuro que não está sendo projetado direito e q provavemente não pode ser alcançado com estes cortes presentes. Será que se privar de um Ipad, Smartphone vai te garantir o futuro que vc está esperando ? Coloque na planilha e avalie o impacto da acumulação futura por causa deste gasto presente.

    abs!

    • Fernando H Rosa 7 de junho de 2011 at 19:32 #

      Outra questão é avaliar o custo-benefício e o possível impacto dessas ferramentas na sua vida profissional ou na sua educação/qualificação.

      Eu tenho um smartphone com pacote de acesso à Internet, sincronizado com meus e-mails corporativos e pessoais, assim como agenda corporativa e pessoal, e o ganho de tempo que passei a ter podendo ter acesso às minhas informações de trabalho e pessoais em praticamente qualquer lugar e a qualquer momento foi sensacional.

      Fiquei também muito mais acessível aos meus clientes internos dessa maneira, assim como sempre atualizado com os assuntos da empresa. Isso indiretamente gera um benefício para mim como profissional.

      Além disso, em qualquer momento morto do dia, que seria potencialmente desperdiçado em ócio, posso ir adiantando a leitura de e-mails do trabalho/pessoais, ou melhor ainda, estudar algum tema que me interessa, graças a miríade de aplicativos educacionais disponíveis tanto para as plataformas Android quanto ietc.

  13. Rony Melo 7 de junho de 2011 at 21:30 #

    Investidor Defensivo: eu tento avaliar sim, não desta maneira que você colocou, que por sinal nunca havia despertado. Eu penso simplesmente se a compra daquele objeto vai me trazer algo de útil agora.

    Corroboro com o que você prega Fernando Rosa. Hoje minhas necessidades de tecnologia móvel, tomando-as como exemplo, são supridas porque qualquer aparelho que faça e receba ligações, além do tradicional SMS. E sim, também tento agregar valor estudando nas horas mortas…

    O que eu acho legal nesse blog, é que não é um blog de visitantes esporádicos e os comentários de uns são lido por quase todos. Quando eu crescer, quero ter um blog assim :P.

  14. Guilherme 8 de junho de 2011 at 21:11 #

    ID e Fernando, ótimas dicas, e bem práticas, por sinal!

    Rony, valeu! O público leitor é um dos maiores, senão o maior, orgulho desse blog. Pessoas com inteligência acima da média circulam pelas caixas de comentários, e isso sem dúvida é um diferencial e tanto desse espaço!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  15. Daniel Ishikawa 28 de junho de 2011 at 10:42 #

    Ótimo texto! Parabéns!!
    Esse texto caiu como uma luva nesta fase que estou vivendo!
    Estou aprendendendo a utilizar o tempo de forma consciente, com coisas que nos aperfeiçõem e nos evoluam, tanto profissionalmenete quanto pessoalmente.
    Hoje vejo quanto tempo perdemos com coisas fúteis e banais que nada agregam.
    Há pequenas mudanças de atitudes que acarretam em uma melhoria de vida espetacular.
    E até para os momentos de lazer, buscando atividades que nos trarão maior bem estar.
    E não havia parado para pensar como essa valorização do tempo repercutia no aspecto financeiro.
    É isso, conheci o blog recentemente e gostei muito!!
    Abraços

  16. Guilherme 2 de julho de 2011 at 8:12 #

    Daniel, obrigado pelos comentários! Realmente, controlar o tempo é usá-lo em nosso favor, na construção de experiências positivas.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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