Controlar as despesas é preciso, viver… não é preciso

Já estamos no segundo dia de 2012, sendo esse o primeiro dia útil do ano. Maaasss… você já parou para pensar nos gastos que já teve nesse ano? Já contabilizou em seu orçamento doméstico aqueles R$ 2,50 da água de côco ou sorvete da praia que tomou enquanto assistia a queima de fogos no Reveillon, ou então aqueles R$ 10 da revista que você comprou na banca no domingo de manhã bem cedinho, ou ainda aqueles R$ 40 da refeição que fez naquele restaurante às 2 da tarde? Onde estão registrados os gastos que você já realizou nas primeiras horas dessse ano de 2012!?

Créditos da imagem: Free Digital Photos

Como eu disse no título desse texto, controlar os gastos pessoais é preciso, pois só assim você saberá se gasta mais ou menos do que você ganha. Não se iluda tentando adiar uma tarefa que é simplesmente inadiável: se você não controlar seu dinheiro, é o dinheiro quem acabará controlando você. E o primeiro e mais importante passo para assumir o controle de sua vida financeira é realizar um registro preciso (e que, com o passar do tempo, se tornará precioso) de cada ato de consumo que você realizar. Rastreie seus gastos nos centavos, e então saberá para onde estará indo seu suado dinheiro, ganho com tanto esforço.

Como eu já tive oportunidade de escrever em outra ocasião, Por que as pessoas não gostam de fazer um orçamento doméstico, controlar as receitas e despesas?, muitas pessoas não gostam de fazer um orçamento doméstico porque a realidade que vivem não coincide com a realidade que gostariam de viver. Em uma palavra: elas têm medo. Medo de se defrontarem com uma realidade que não é nem um pouco confortável. Você sabe que gasta muito, vale dizer, em excesso, com coisas que não estão te trazendo felicidade em excesso, mas sim problemas em excesso, e essa é a questão: muitos gastos com roupas, muitos gastos com eletrônicos, muitos gastos com comida fora de casa, muitos gastos com bebidas, muitos gastos com tarifas bancárias, muitos gastos com trocentas compras parceladas (putz, mal começou janeiro e você já deve R$ 735 em 18 compras parceladas!?), muitos gastos com financiamentos infelizes contratados em momentos só aparentemente felizes… é preciso encarar a realidade de frente, meu caro(a). Mas só se encara a realidade de frente na medida em que ela, a realidade, for devidamente identificada, e a melhor maneira de identificar a realidade de seu orçamento doméstico é saber em que tipo de coisas seu dinheiro está sendo gasto.

Um dos artigos mais recorrentes no último mês do ano passado foi [via Fabiano Calil] Planilha de orçamento doméstico, o que é um ótimo sinal, aliás, um excelente sinal, pois é um forte indício de que mais pessoas estão assumindo o compromisso de tomarem as rédeas de sua própria vida financeira, decidindo controlar seus gastos de uma vez por todas, seja por meio de utilização de planilhas Excel, seja por meio de outras ferramentas de controle financeiro, algumas inclusive disponíveis gratuitamente na Internet.

Seja qual for o instrumento que você utilizará para registrar seus gastos, é importante que o faça sem delongas. Não procrastine, não adie, não retarde. Anote. Registre. Detalhe. Se tiver dificuldades em fazer as coisas acontecerem, a dica de produtividade pessoal consistente na regra dos dois minutos [GTD] pode lhe ser bastante útil. O importante é começar. Não amanhã. Hoje. Agora.

Mas registrar é apenas o primeiro passo. É preciso ir além, e fazer uma reflexão crítica sobre os gastos que você realizou e devidamente registrou em seu orçamento doméstico. E isso por uma razão bastante simples: tudo o que é medido é melhor controlado.

Reflexões críticas são tanto melhor conduzidas quanto mais organizadas foram suas planilhas de gastos. E uma das melhores formas de organizar seus gastos é classificar e agrupar suas despesas em categorias, tais como habitação, transporte, vestuário etc. Assim, você terá uma noção mais refinada e, portanto, mais precisa, de quanto de seu orçamento doméstico é reservado para cada grupo de itens. Por exemplo, é perfeitamente aceitável enquadrar seus gastos do mês com Internet fixa, Internet 3G, conta de telefone fixo, e celular dentro do grupo ou categoria “Conectividade”. Você mantém um registro individualizado de cada item, ou seja, marca quanto gastou com cada uma dessas despesas individuais, mas também tem a exata noção de quanto gasto nessa categoria, ao englobar todos esses gastos numa categoria própria.

Da mesma forma, é importante anotar quanto você gastou em cada ida a diferentes restaurantes durante o mês – até para o efeito de saber em qual deles se localiza a melhor relação custo x benefício, ou se os preços em determinado restaurante estão aumentando com o decorrer do tempo – mas tão importante quanto isso é saber quanto você gastou na categoria “restaurantes” ou “refeições fora de casa”.

Dessa forma, ao manter um registro preciso de cada despesa, e de cada grupo de despesas (categorias), você poderá perceber a evolução mensal de seus gastos pessoais, e concluir em qual mês gastou mais ou menos do que o “permitido”. É importante você estabelecer igualmente um teto, ou seja, um limite que seja razoável, de gastos dentro de cada categoria, e viver de acordo com esses limites, baseados em sua estimativa média de gastos nos meses anteriores. Por exemplo, suponha que você gaste R$ 40 mensais com telefone celular. Estabeleça um teto de R$ 50 como limite máximo a ser gasto com esse item, e faça o registro minucioso, mensalmente, de quanto você desembolsou com telefone celular, a fim de verificar se essa quantia está adequada ou não com sua faixa de renda ou seu perfil de consumo.

Outro detalhe muito importante – mas geralmente negligenciado pela grande maioria das pessoas – é pensar as despesas em termos anualizados. Isso porque há despesas que, por serem debitadas mensalmente, podem parecer insignificantes, mas que, se tomadas em seu valor anualizado, podem representar um item de grande dispêndio em seu orçamento doméstico.

Exemplo: suponha que você gaste R$ 40 mensais com uma mensalidade de cesta de serviços bancários, e que gaste também cerca de R$ 500 mensais em compras no supermercado. Ora, será que gastar esses R$ 40 mensais realmente valem a pena? Será que não seria melhor aderir a um pacote de serviços essenciais, que tem custo zero, e economizar essas 40 pilas?

Sim, porque R$ 40 mensais podem parecer insignificantes à primeira vista, mas, pensados em termos anualizados, representam um gasto anual de R$ 480. É um mês de compras no mercado gasto numa despesa totalmente inútil, que poderia muito bem ser melhor consumida numa despesa totalmente útil, que é a despesa de mercado. Um mês de mercado está indo pelo ralo em tarifas bancárias. Isso realmente vale a pena?

Finalmente, ao começarmos ao fazer um detalhado registro de nossas despesas, é comum querermos economizar até o talo. Isso é normal e faz parte mesmo do processo de educação financeira. Porém, é preciso estabelecer limites para o corte de despesas no orçamento doméstico, a fim de que você não economize como se estivesse prendendo a respiração debaixo d’água. Trocando em miúdos: encontrar um ponto de equilíbrio é fundamental.

A elaboração de um orçamento doméstico deve ser não um instrumento limitador de sua qualidade de vida (embora isso pareça à primeira vista). Pelo contrário: ele deve estar associado à demarcação de metas, isto é, de sonhos, que você pretenda conquistar por meio do dinheiro. Para esse fim, ter uma visão criativa e diferente de um orçamento baseado em metas, pode funcionar como um elemento de motivação para que você consiga trabalhar seu orçamento doméstico da melhor forma possível, a fim de que ele seja uma ferramenta que te auxilie na conquista de seus sonhos e metas não financeiras. 😀

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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14 Responses to Controlar as despesas é preciso, viver… não é preciso

  1. Daniel 2 de janeiro de 2012 at 9:14 #

    Olá
    Gostaria de compartilhar no Facebook esse excelente artigo, mas não há um botão “Compartilhar” ou “Curtir”…

  2. Camilla Albani 2 de janeiro de 2012 at 15:03 #

    Guilherme,
    Estou mega sintonizada com seu post! Hoje eu já lancei na minha planilha os 6 reais da água de coco q tomei na praia!!!
    Realmente o que nos faz desistir de fazer uma analise detalhada e o medo de ver nossa real situação, principalmente quando já sabemos que ela nao vai bem! Por isso acho uma boa iniciar logo no começo do ano quando a maioria das pessoas ainda tem um resto do decimo terceiro e a situação nao esta tão feia! Alem de incluir nos objetivos para o ano novinho que esta a nossa espera! 😉
    Obrigada pelo excelente texto!

  3. Jônatas R. Silva 2 de janeiro de 2012 at 18:16 #

    É Guilherme, de real em real se gasta muito.
    Abraço e boa semana.

  4. Renato C 3 de janeiro de 2012 at 16:22 #

    Olá Guilherme,

    Não dá para negar que rastrear detalhadamente assim dá trabalho e, além disto, isto gera um custo (não financeiro, mas de trabalho, psicológico, de energia).

    Acho, sinceramente, que este rastreio mega detalhado acaba não sendo para todos, é o ideal, mas não serve para todo mundo. Isto pode gerar um pouco de chateação, é chato fazer o processo.

    O que eu gosto de fazer é manter meus custos mensais num mínimo e calcular quanto posso gastar por dia (por exemplo, determinada quantia de um orçamento mensal… dividido por 30 dias… pronto.. eis sua cota diária de gastos).

    Isto ajuda (já é alguma coisa) e não precisa ficar anotando tudo, basta a cada dia não gastar mais do que aquela cota. Se surge algum gasto maior a ser feito, economize alguns dias para fazê-lo depois com este dinheiro economizado.

    Óbvio que isto depende também da sua rotina de gastos, para alguns é o ideal, para outros nem tanto… acho que cada um pode pensar no que é melhor para si individualmente, reconhecendo suas características.

    Para casos mais extremos e de educação financeira, trabalhar por algum tempo apenas com o dinheiro vivo também é uma experiência, pois você “sente” mais o dinheiro sendo gasto e percebe a dimensão dos seus gastos de uma forma mais acentuada. O dinheiro virtual ilude muito a sensação de gastar, não parece que você está gastando.

    Acho que o controle exato e minucioso dos gastos perturba a mente de quem simplesmente não gosta de ser 100% certinho assim, pessoas mais relaxadas (no bom sentido)… que não querem se preocupar muito com isto.

    Abraços, Renato C

  5. Guilherme 3 de janeiro de 2012 at 18:50 #

    Daniel, botões adicionados! 😀

    Camilla, realmente você está super sintonizada com o post! Fico feliz por isso!

    Jônatas, valeu!

    Renato C, você abordou um ponto bem importante: o que eu compartilho no blog são apenas esquemas, modelos, que, exatamente por serem “molduras gerais”, podem não se adaptar a determinados perfis de pessoas. Cabe a cada um averiguar qual é a melhor forma e o melhor sistema de controle de gastos. Independentemente do sistema adotado, o importante é estar no controle da situação, e evitar gastar mais do que se ganha. Seu sistema particular, bem como suas dicas, podem funcionar para uma grande variedade de pessoas. Gostei do seu comentário, abre outras “vias” a serem exploradas nessa delicada questão do orçamento doméstico.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Júlio 4 de janeiro de 2012 at 12:36 #

    Guilherme.

    Acompanho o blog faz tempo, mas não tenho o hábito de comentar os artigos. Os textos estão muito bons, e são bem legais esses links com textos antigos.

    Há anos adio planilhar o orçamento, mas comecei no 1º dia do ano. Além da sua insistência sugestão, outro motivo foi que economizei em 2012 um quinto do que economizei em 2011.

    Parabéns pelo blog.

    Júlio.
    P.S. Seu blog foi muito útil, pra que eu me decidisse e investisse em debentures.

  7. Thiago Dias Quintino 4 de janeiro de 2012 at 14:53 #

    Exlecente artigo Guilherme. É sempre muito bom começar o ano lendo reflexões como as suas.

    Um grande abraço.

  8. Pablo 5 de janeiro de 2012 at 19:56 #

    Há cerca de um ano faço planilha de gastos, procuro ser bem detalhado, tive uma grande surpresa pois tinha uma idéia errada de meus gastos, eu até me achava uma pessoa “econômica”, triste decepção. Recomendo que todos tenham a planilha pois sem conhecimento não existe mudança. Parabéns pelo artigo Guilherme.

  9. Guilherme 6 de janeiro de 2012 at 17:20 #

    Júlio, obrigado pelas palavras! Realmente, o primeiro passo é um dos mais importantes. O caminho está traçado, basta prosseguir nele!

    Thiago, obrigado!

    Pablo, concordo, uma planilha permite a gente enxergar onde estão os grandes gastos. Darei continuidade a esse palpitante assunto na semana que vem. Valeu!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  10. Valney Ribeiro Júnior 6 de janeiro de 2012 at 21:41 #

    Já há algum tempo adquiri o hábito de registrar minhas finanças pessoais e há uma ferramenta que me ajudo no momento que acho muito boa, é um software para aqueles que possuem android chamada e-finan, tendo o mesmo no celular consigo ser mais fiel nos registros pois na mesma hora que realizo os gastos faço o registro. Sobre o post, é muito bom poder contar com uma lembrança acerca da nossa responsabilidade com as finanças, não há como fugir disto se quisermos ter tranquilidade nesta área.

  11. Guilherme 7 de janeiro de 2012 at 21:37 #

    Parabéns pela disciplina e determinação, Valney! E grato pela sugestão do app para Android!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  12. Cadu 2 de fevereiro de 2012 at 23:43 #

    Uso o gerenciador financeiro pessoal do BB há 8 anos. A grande dificuldade é realizar a análise e fechar a torneira onde se está havendo desperdício. Dicas de análise do orçamento e alternativas para redução dos gastos?

  13. kafran 4 de fevereiro de 2012 at 14:25 #

    Altera o texto e adiciona estas duas super úteis ferramentas 😉

    http://aurelio.net/moneylog/
    http://www.organizze.com.br/

    Deixa as planilhas para outras coisas ^^

  14. Rafael Pereira 23 de fevereiro de 2012 at 19:29 #

    Bom,são ótimas dicas,mas eu não concordo com a parte que diz ´Viver não é preciso` porque gastar um pouco sem esbanjar não vai prejudicar.
    Por exemplo,ir a um restaurante com a esposa uma vez por mês ( sem gastar horrores de dinheiro,óbvio ) é muito gratificante e pode melhorar muito a interação do casal 😉

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