As pessoas estão desaprendendo regras básicas de comunicação e cometendo erros crassos.
Certa, estava passando em frente a uma loja de consertos de celulares e, para meu espanto, no cartaz que anunciava os serviços, estava escrito “concertamos celulares”, como se ali houvesse uma orquestra sinfônica regida por aparelhos tecnológicos.
Fui até a dita loja e, claro, as atendentes ficaram abismadas com o banner e os erros crassos de português. Esse pequeno exemplo revela como anda faltando leitura e noções básicas de alfabetização entre as gerações atuais.
Não se trata de mero preciosismo linguístico ou de vestir a farda daquela chata patrulha gramatical que adora apontar o dedo nas redes sociais. O buraco é bem mais embaixo. Estamos imersos em um oceano de telas onde a pressa da resposta simplesmente engole o capricho da escrita.
O corretor automático, que deveria atuar apenas como um assistente discreto, acabou se tornando o cérebro terceirizado de muita gente. Confiamos cegamente no que a máquina sugere e apertamos o botão “enviar” sem uma segunda olhada. O resultado? Uma comunicação anestesiada e automática, onde a diferença entre reparar uma tela trincada e reger uma obra de Bach passa completamente despercebida.
A leitura profunda — aquela que nos exige silêncio e que nos faz internalizar naturalmente a estrutura da nossa língua — foi atropelada pelas rolagens infinitas de feed. Consumimos vídeos de quinze segundos e legendas mutiladas por abreviações. O livro, espinha dorsal da nossa imaginação, perde diariamente a guerra para a gratificação instantânea da internet.
Quando não lemos, nosso vocabulário encolhe. Sem sequer percebermos, vamos perdendo a ferramenta mais poderosa que possuímos para expressar sentimentos, argumentar com fundamentos racionais e entender nuances complexas.
Em suma, o abandono crônico do hábito de leitura nos cobra um pedágio muito mais caro do que o constrangimento de um banner mal escrito na calçada. Esse fenômeno empobrece drasticamente nossa capacidade de interpretar a realidade, deixando as novas gerações reféns de discursos rasos e vulneráveis à desinformação. O escorregão na ortografia é, no fim das contas, apenas o sintoma mais visível de uma sociedade que está deixando o próprio pensamento crítico atrofiar.
Conclusão
Se continuarmos caminhando nessa direção, alheios à precisão e à riqueza do nosso próprio idioma, logo a comunicação humana retrocederá a uma troca de ruídos e símbolos rudimentares.
E, nesse cenário melancólico, o único “concerto” diário que nos restará será a sinfonia desafinada e incessante de notificações apitando em nossos bolsos, tocando a marcha fúnebre das palavras que deixamos de conhecer.
Boa semana!
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