Inversão de prioridades.
As pessoas têm experimentado uma inversão completa de valores quando o assunto é atenção. Muito por conta das tecnologias digitais concebidas para sequestrar o modo como você gasta seu tempo, as comunicações pessoais presenciais têm se desgastado cada vez mais.
Hoje em dia, é comum – muito comum – ver famílias em restaurantes, aeroportos e em outros locais públicos completamente desagregadas. Podem estar presentes fisicamente, mas é uma presença que não se vivencia, que não se materializa na forma de conexões emocionais ou até mentais. Fica cada membro da família absorto em seu mundo particular, geralmente concretizado por meio de um aparelho celular. E isso abrange as crianças e adolescentes: para os adolescentes, um celular na mão pra “sossegar o facho”; para uma criança ou até – pasmem! – um bebê, um tablet bem grande como “sossega mata leão”.
O problema é que essa desagregação social não ocorre apenas em locais públicos, afinal, ela é apenas uma projeção, um reflexo, do que ocorre no ambiente privado e sagrado dos lares residenciais. Hoje em dia, a desagregação começa em cada lar e, o que é pior, no começo de cada dia.
A maioria das pessoas conversa com o mundo antes de conversar com a família. Ao acordar, já ligam imediatamente seus celulares. Não esperam o momento sagrado de conversar com outros membros da família no café da manhã ou nos preparativos para ir ao trabalho ou levar os filhos à escola. Tudo gira em torno desse maldito celular.
As notificações de WhatsApp e redes sociais importam mais que as notificações dos filhos clamando por atenção. Os emails urgentes de trabalho são mais importantes do que a demanda real e presencial dos filhos ou dos cônjuges. As propagandas direcionadas chamam mais a atenção do que um pedido de um filho, de um pai ou de uma mãe (sim, os filhos, por serem mais vulneráveis psicologicamente, tendem a acentuar a inversão de valores por serem pessoas ainda em formação).
Qual é a consequência, a longo prazo, dos jovens darem mais atenção ao mundo do que à sua família? Eles tenderão a ter famílias mais desestruturadas, focadas mais nos outros do que em si mesmas, focadas mais no mundo exterior do que nas próprias famílias. O resultado é desastroso: cada vez mais famílias desestruturadas. Pessoas cada vez mais fracas emocionalmente. Aumento nos casos de doenças mentais. E tudo começa na desestruturação da família.
Conclusão
Antes de dar atenção ao mundo, dê atenção à sua família. Retarde ao máximo desativar o modo avião de seu celular. Conecte-se mais à sua família. Ela sim é merecedora de sua atenção prioritária. Faça disso um valor inegociável. E veja frutos sendo colhidos com o passar dos dias, semanas, meses e anos.
Boa semana!
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