Se você assumiu o controle dos seus gastos, provavelmente já percebeu o surgimento de um pequeno excedente no final do mês. A pergunta de um milhão de reais (ou de alguns milhares, por enquanto) é: o que fazer com ele? Antes de pensar em investimentos complexos ou em aumentar seu padrão de consumo, existe um passo inegociável na cartilha da liberdade financeira: a construção da sua reserva de emergência.
Podemos chamar esse montante de “conta da paz”. Por quê? Porque a verdadeira função desse dinheiro não é deixá-lo rico, mas impedir que você volte a ser pobre quando a vida, inevitavelmente, sair do script.
Imprevistos não são uma questão de “se”, mas de “quando”. O carro quebra, o telhado vaza, uma oportunidade de emprego cessa ou uma questão de saúde exige atenção imediata. Sem uma reserva, qualquer um desses eventos se torna uma catástrofe financeira, empurrando você de volta para o abismo do cartão de crédito e dos juros abusivos. Com a reserva, o mesmo evento é rebaixado de “desastre” para mero “inconveniente”. Essa é a mágica: o dinheiro compra a solução do problema antes que ele se transforme em estresse, noites mal dormidas e brigas conjugais.
A construção dessa fortaleza exige paciência, tenacidade e persistência. O objetivo é acumular entre 6 a 12 meses do seu custo de vida mensal em aplicações de liquidez imediata e baixo risco (como o Tesouro Selic ou CDBs de bancos sólidos). Pode parecer uma montanha inalcançável hoje, mas lembre-se do princípio do esforço que discutimos em vários artigos do blog anteriormente: a construção é tijolo por tijolo.
Não caia na tentação de “investir” esse dinheiro em renda variável ou em oportunidades “imperdíveis” com promessas de retornos altos. A rentabilidade da reserva de emergência é a sua disponibilidade. O “lucro” que ela oferece é a sua tranquilidade psicológica. É saber que, se o mundo desabar lá fora, dentro da sua casa as contas continuarão pagas e sua família estará segura.
Conclusão
Ter uma reserva robusta muda sua postura diante da vida. Você trabalha melhor, negocia melhor e vive com mais leveza, porque deixa de operar no modo de sobrevivência.
O medo de perder o emprego diminui, dando lugar à confiança de quem tem fôlego para recalcular a rota se necessário. Portanto, antes de buscar o próximo degrau de consumo ou sofisticação financeira, garanta o básico bem feito.
Construa sua paz. Afinal, dormir com a cabeça tranquila no travesseiro é o ativo mais valioso que você pode possuir.
Eu ainda preciso aprender a perder o medo… tenho uma reserva que, pro meu custo de vida cobre uns 2 anos já e mais umas 4x esse valor em investimentos. Mas tenho medo de perder o emprego ou de arriscar trocar de emprego pra um melhor e dar errado por que isso significaria andar para trás no meu objetivo financeiro.
Claro, não tenho um medo visceral por conta da reserva, mas tenho sempre medo de comprometer o objetivo, mesmo quando sei que se eu conseguir um salto salarial ajudaria muito a acelerar a meta, porém, se der errado, não creio que posso só voltar para o mesmo trabalho com o mesmo salário quando eu precisar.
Oi Kronos,
Você já tem uma excelente reserva de emergências.
De fato, o medo é um paralisador de ações, mas penso que você está construindo uma fortaleza financeira gigantesca. O que você pode fazer é experimentar mudanças graduais de emprego e fazendo avaliação firme dos prós e contras.
Abç!