[Guest post] A importância de construir uma carteira previdenciária própria para não depender do INSS

No excelente guest post de hoje do Tiago Reis, da Suno Research, será abordada a temática do planejamento financeiro a longo prazo para ter, dentre outros objetivos, a liberdade financeira, ou seja, não ficar preso ao modelo de aposentadoria pública custeada pelos cofres estatais.

A discussão sobre o tema está na pauta do dia, diante da recente aprovação da Reforma da Previdência. Vista sob um contexto maior, a construção de uma carteira previdenciária pode até mesmo fazer parte de um planejamento visando ao FIRE (independência financeira, aposentadoria antecipada), que foi o cerne de um grande debate dentro da blogosfera financeira, a partir dos posts do e do Corey, que provocou uma avalanche de excelentes textos dentro da finansfera, como esse do Viagem Lenta, do amigo André, e esse do AA40.

Se você, portanto, não quiser depender do INSS – e a essa altura do campeonato, ninguém quer – veja as alternativas que se colocam diante de seus olhos, no texto abaixo.

Confiram!

………………………………………

“Nos últimos tempos, um dos temas que mais repercutiram entre os brasileiros foi a Reforma da Previdência. Por sua importância, o assunto foi discutido e analisado com exaustão pelos meios de comunicação, principalmente pelo fato da previdência representar um déficit considerável e crescente para as contas do governo.

Além disso, um fator que agravou esse debate foi o desconhecimento da população quanto às medidas existentes na reforma, especialmente nos pontos que tocam o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por isso, essa questão acabou tomando uma proporção muito grande perante a opinião pública — não só pelo aspecto político da reforma, mas principalmente pelos seus efeitos econômicos.

Porém, após aprovada a reforma, uma coisa parece ter ficado clara para todos: a partir de agora, toda pessoa que quiser se garantir uma boa renda no futuro não poderá contar apenas com a aposentadoria tradicional. Ou seja, além de planejar melhor as suas finanças pessoais, será importante também que cada um saiba construir alternativas de renda que não dependam da previdência pública.

Alternativas à aposentadoria convencional

Dentre as alternativas de aposentadoria e fontes de renda futura que a população pode ter para não depender exclusivamente do INSS, três opções costumam ser as mais lembradas:

  • Previdência privada;
  • Previdência complementar;
  • Carteira de investimentos em longo prazo.

Mas para saber dessas opções é a melhor para se investir com foco em uma futura aposentadoria, é preciso conhecer os detalhes, características e pontos fortes e fracos de cada uma.

Previdência privada

Tirando o INSS, a alternativa mais conhecida do brasileiro para garantir sua aposentadoria é investir em uma previdência privada ao longo da vida como trabalhador.

Por meio de aportes periódicos, o aplicador de um plano privado vai formando um montante investido, que se reverterá em rendimentos no longo prazo. No geral, a renda proveniente deste investimento serve, principalmente, como complemento ao valor da previdência social.

Quando se fala de previdência privada, existem basicamente dois tipos de planos: o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) Apesar de serem parecidos, ambos possuem algumas diferenças consideráveis, principalmente quanto a forma de tributação dos rendimentos que eles proporcionam.

Apesar da popularidade e comodidade que esse tipo de previdência oferece, o que poucos sabem são as desvantagens que os planos de previdência privada possuem. Isso fica ainda mais evidente quando a comparação é feita com outras formas de investimento no longo prazo.

Dentre os pontos negativos dos planos de previdência privada, é possível destacar os seguintes:

  • Baixo rendimento em relação a outros produtos e ativos financeiros,
  • Cobrança de variadas taxas (taxa de administração, de carregamento, de saída, entre outras),
  • Ausência de garantia e cobertura contra quebra da instituição administradora do plano
  • Existência de carência em caso de resgate antecipado.

Logo, todas essas questões somadas fazem com que os planos de previdência privada sejam, na maioria das vezes, uma opção pouco benéfica para o investidor.

Previdência complementar

Outra alternativa ao INSS é a previdência complementar, que serve como um fundo para acrescentar ou, até mesmo, substituir a previdência social.

Este investimento é dividido de duas formas: a previdência fechada e a aberta.

A previdência complementar fechada, mais conhecida como fundo de pensão, é uma opção cedida por empresas públicas ou privadas para seus funcionários. Nesse caso, o fundo administra, investe e rentabiliza o dinheiro destinado a aposentadoria de seus prestadores de serviço.

Já a previdência complementar aberta pode ser utilizada por todos. No geral, essa modalidade é composta por fundos de investimentos que tendem a trabalhar no longo prazo e utilizados por quem busca renda futura.

Um dos benefícios deste tipo de previdência é poder escolher a forma de resgatar o montante investido — sendo que é possível tanto retirar tudo de uma vez, quanto parcelar em forma de renda.

Carteira previdenciária

Porém, dentre as três alternativas listadas, construir uma carteira de investimentos e ativos focada no longo prazo está entre uma das interessantes para quem quer garantir bons rendimentos para uma fase futura.

É relativamente comum que investidores com maior experiência criem uma carteira previdenciária pensando em deixá-la como principal fonte de renda para quando chegar o momento de se aposentar.

Nessa lógica, entre as diversas opções existentes no mercado financeiro, investimentos de renda variável e que geram proventos tendem a atender melhor pessoas que buscam opções mais rentáveis que os planos de previdência.

Isto porque, além de se valorizarem com o tempo, esses ativos oferecem remunerações periódicas para seus detentores, podendo se tornar uma forma de renda passiva (ou seja, uma renda obtida sem que o beneficiário precise trabalhar).

Outra vantagem deste tipo de investimento é a possibilidade de ter este dinheiro sem que seja necessário grandes aportes iniciais.

Nesse sentido, entre os investimentos que são ideais para uma carteira previdenciária estão duas classes de ativos: os fundos imobiliários e as ações pagadoras de dividendos.

Fundos imobiliários

Uma forma de investimento interessante para formar carteiras para a aposentadoria são os fundos imobiliários (FII’s). Com eles, o investidor pode se tornar sócio de um ou vários empreendimentos imobiliários ao mesmo tempo, através da simples compra de um ativo negociado na bolsa.

Ao comprar um fundo imobiliário, o investidor adquire o direito de receber parte dos aluguéis cobrados pelos imóveis que pertencem ao fundo. Além disso, os rendimentos mensais proporcionados pelos FIIs possuem isenção fiscal – ou seja, não são tributados.

Dessa forma, quem investe nesse tipo de ativo pode construir uma fonte de renda recorrente, podendo assim ser uma excelente alternativa a previdência para o momento da aposentadoria.

Ações pagadoras de dividendos

Outra opção para uma carteira previdenciária é investir em ações de empresas que, tradicionalmente, pagam bons dividendos – ou seja, empresas que distribuem parte dos seus lucros para aqueles que possuem suas ações.

Normalmente, algumas companhias repassam uma parcela maior dos seus lucros para os acionistas do que outras. Logo, essas empresas passam a ser vistas pelo mercado como boas pagadoras de dividendos, em detrimento das demais que não adotam essa prática.

Dessa forma, o “investimento em dividendos” consiste em buscar as empresas que pagam os maiores proventos aos seus investidores. Essa informação pode ser encontrada ao se comparar o dividend yield de cada empresa. Esse indicador  representa a porcentagem do dividendo distribuído sobre a cotação da empresa.

Salvo exceções, a distribuição de dividendos de uma empresa ocorre duas vezes ao ano. Ou seja, possuir ações de uma empresa que distribui bons dividendos também proporciona uma possibilidade de renda recorrente para seus investidores.

E assim como os fundos imobiliários, os dividendos distribuídos também são isentos de tributação — já que se trata do lucro da empresa após a mesma ter sido tributada.

Tal situação, juntamente com o ganho de capital que o preço da ação pode ter com o tempo, faz com que esse tipo de empresa também seja uma boa alternativa para uma carteira previdenciária.

Investir será cada vez mais importante para garantir o seu futuro

Diante dessa elucidação a respeito das  desvantagens dos planos de previdência e das vantagens dos investimentos em renda variável que geram renda, fica claro que existem muitas opções mais rentáveis e atrativas para construir uma carteira previdenciária interessante. Porém, para quem não possui um conhecimento relevante do mercado financeiro, o primeiro passo fundamental é buscar se informar sobre o assunto e, principalmente, iniciar um bom planejamento financeiro de longo prazo.”

Sobre o autor: Tiago Reis é formado em Administração de Empresas pela FGV e tem mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research, casa de análise de investimentos independente voltada para investidores individuais.

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17 Responses to [Guest post] A importância de construir uma carteira previdenciária própria para não depender do INSS

  1. MARCOS ARCANJO AGOSTINHO 3 de fevereiro de 2020 at 6:46 #

    Bom artigo.
    Obrigado

  2. MJC 3 de fevereiro de 2020 at 8:34 #

    A ideia central do artigo é boa. Tenho apenas algumas considerações:

    Eu tendo a considerar que qualquer investimento fora do INSS faz parte da carteira previdenciária. Isso inclui a previdência privada e complementar.

    Em relação às desvantagens da previdência privada apontadas no artigo, a questão não está tanto na categoria (previdência privada) e sim em produtos específicos. Cobranças de várias taxas não são exclusividade de previdência privada: o que não falta por aí são FIAs cobrando 2% ou 3% a.a. de taxa de administração + 20% de performance. Ano passado acharam até um fundo de renda fixa cobrando ~4% a.a.! Hoje já há fundos disponíveis com taxas relativamente baixas. Esses dias mesmo vi um PGBL passivo 70% ibovespa (os outros 30% é RF) cobrando 0,35% a.a. de taxa de administração. Se considerarmos o benefício fiscal vemos como isso é muito mais vantajoso que uma carteira 70% BOVA11 + 30% Tesouro Selic.

    Sobre o ponto “Ausência de garantia e cobertura contra quebra da instituição administradora do plano”, queria perguntar como isso funciona. Inicialmente tinham me informado que o fundo é uma pessoa jurídica separada da administradora. Se a administratora fizer merda com o fundo, ok, o fundo quebra. Mas se a administradora quebrar, o patrimônio do fundo seria separado. Isso não procede? Em que aspecto um fundo de previdência privada é diferente de um FIA nesse sentido? Essa última parte também tem um paralelo em comprar direto ativos na B3. A gente pode simplesmente escolher empresas erradas que vão quebrar no futuro. Podemos escolher fundos imobiliários que o administrador vai fazer algo errado (inclusive ano passado aconteceram alguns casos assim. Teve até caso de administrador querendo vender imóvel pra ele mesmo por um preço mais baixo, prejudicando os cotistas).

    Enfim, concordo com a parte central do artigo: “Investir será cada vez mais importante para garantir o seu futuro”. Mas não concordo muito que o foco deve ser apenas na compra de ativos diretos que geram dividendos/rendimentos.

    Acho que devemos buscar um portfólio previdenciário diversificado. Se a pessoa encontrar alguma pechincha no mercado imobiliário de sua cidade, coloque um imóvel físico na carteira. Se há alguns fundos que dá pra comprar como PGBL aproveitando o benefício fiscal, porque não aproveitar? Se há bons FIAs que batem o benchmarking seguidamente há mais de 15 anos, porque não aproveitar? Se há empresas ainda em crescimento e boas na bolsa e que distribuem um dividendo pífio, porque não aproveitar? Na fase de acumulação de capital os dividendos não fazem muita diferença, até porque eles deveriam ser reinvestidos. E quando chegar a aposentadoria, não vai interessar muito se o dinheiro vem de dividendos ou da venda do papel.

    • Guilherme 8 de fevereiro de 2020 at 12:22 #

      OI MJC, excelentes comentários, como sempre!

      Seu pensamento central é também aquilo que eu defendo: em linhas gerais, havendo crescimento patrimonial, não importa muito a fonte dela, podendo vir de ativos tão diversificados quanto a compra de um imóvel em um leilão quanto os dividendos provenientes de um bom fundo imobiliário.

      Talvez o foco do artigo tenha sido mais para o investidor, no sentido de evitar ter uma atitude muito passiva, e procurar incentivá-lo ao estudo e a assumir mais o papel de protagonista de suas escolhas.

      Achei bem interessante esse PGBL passivo indexado ao IBovespa. Qual é a administradora dele? A Icatu?

      Valeu!

  3. André 3 de fevereiro de 2020 at 10:29 #

    Olá Guilherme!

    Obrigado pela citação!

    Eu concordo que a maioria dos planos previdenciários não compensa, mas de uns dois anos para cá, tem aparecido muitos com uma taxa de administração bem baixa. Acredito que o “olhar” a esses produtos deve ser atualizado com essas novas alternativas.

    Acho interessante sempre quando comparamos algo, falar das vantagens de ambas as opções. Além das vantagens tributárias (seja no abatimento de declaração do PGBL, seja na ausência do come-cotas), os planos de previdência possuem algo que nenhum dos demais ativos possuem: facilidade extrema na sucessão patrimonial.

    Se o titular morre, todo o valor vai, sem burocracia, para seu beneficiário. Sem taxas, sem advogado, sem espólio, sem demora. Só que já passou por uma sucessão com pode dizer como é um abacaxi receber uma herança com outros ativos. Os planos de previdência facilitam bastante isso.

    Mas é claro, tem de saber escolher bem.

    Abraço e boa semana!

    • Guilherme 8 de fevereiro de 2020 at 12:23 #

      Verdade, André, ótimos contrapontos sobre os planos de previdência privada, demonstrando a vantagem deles também.

      Abraços, e bom final de semana!

  4. Adri 3 de fevereiro de 2020 at 11:24 #

    Bom dia. Tudo se resume em possuir ótima ‘Educação Financeira’ e capacidade de poupar.
    Alem dos investimentos citados, existem muitos outros na RV e na RF com boas rentabilidades, ainda mais se tiver acesso a produtos que um IQ ou IP tem.
    Pode também, se puder, por ex. comprar um terreno bem localizado e construir uma ou duas moradias para venda, o ganho vai ser muito, mas muito superior a aplicações financeiras.

    • Guilherme 8 de fevereiro de 2020 at 12:24 #

      Ótimos exemplos adicionais, Adri!

      Isso é verdade: aquisição de conhecimento somada com altas taxas de poupança tendem a render excelentes frutos!

  5. Adri 3 de fevereiro de 2020 at 14:20 #

    Acho que é mais uma questão de gestão de negócio e depois de educação financeira. Se por ex. comprar um terreno bem localizado e construir 2 moradias na venda terá ganhos muito maiores que a maioria ou de todos produtos financeiros?
    Depois entra a educ financeira de cada um.

    • Vinicius 4 de fevereiro de 2020 at 19:35 #

      Construir moradias é algo que demanda um conhecimento específico e trabalho pra coordenar a construção, comprar materiais, aturar a enrolação de pedreiros… Tudo isso irá consumir tempo que você deixará de se dedicar a outras atividades. Não é como colocar o dinheiro em um produto financeiro que você não tem trabalho nenhum.

      • Adri 10 de fevereiro de 2020 at 8:18 #

        Pois é Vinicius, construir imóvel para vendastru é como aplicar e não ter trabalho como vc falou. Exatamente por isso que se ganha muito mas muito mais. Conhecimento para construir tb se adquire.

  6. Samuel 4 de fevereiro de 2020 at 20:26 #

    É preciso cuidado quando falamos em déficit da Previdência, pois se formos analisar os valores das arrecadações dos tributos/impostos em 2018 para custear a Previdência é possível observar que a soma de dois deles (Receita Previdência = R$ 423 bi + Cofins/PIS-Pasep = R$ 311 bi = R$ 734 bi; Fonte: http://receita.economia.gov.br/dados/receitadata/arrecadacao/relatorios-do-resultado-da-arrecadacao/arrecadacao-2018/dezembro2018/analise-mensal-dez-2018.pdf) garante com tranquilidade o valor gasto com a Previdência (R$ 716 bi, segundo o gráfico apresentado no texto). Não está incluso nesses valores a CSLL pois não localizei o valor individual arrecadado pela União.
    Entendo e apoio que devemos cortar benefícios exagerados na Previdência (Juízes que se aposentam ganhando o teto; militares que se aposentam em um cargo acima do que contribuíram; senadores e governadores que se aposentam trabalhando 4/8 anos). Também é uma discussão válida o quão altos são os impostos para custear essa Previdência. Porém sabemos que a reforma não irá alterar os benefícios, tampouco reduzir os impostos.
    Sabemos que as casas de análises de investimento adoram pregar o caos quando falam da Previdência, pois assim conseguem vender seus fundos e planos de previdência privada. Por óbvio, não sou contra a realizarmos um planejamento financeiro para o futuro. Porém, devemos analisar o real motivo de vermos certos discursos.

  7. Anonimo 7 de fevereiro de 2020 at 16:22 #

    Eu não consigo confiar nos planos de previdência privada no Brasil.

    Além da questão de regras e tributações que podem mudar no futuro, tem a questão que se a instituição quebrar, você entrar no bolo dos credores.

    Pessoalmente, acho muito mais prudente montar o seu patrimônio, com renda fixa, renda variável e imóveis. Você determina e compra e venda como e quando quer.

    Os planos PGBL e VGBL eu vejo como algo engessado, com ilusões de benefícios tributários futuros e que você tem uma ilusão de segurança futura, com simulações daqui a 20, 30 anos, simulações que não são calcadas na realidade, porque qualquer simulação para daqui a 20 ou 30 anos é mera futurologia, ainda mais no Brasil.

  8. Anonimo 7 de fevereiro de 2020 at 16:22 #

    Eu não consigo confiar nos planos de previdência privada no Brasil.

    Além da questão de regras e tributações que podem mudar no futuro, tem a questão que se a instituição quebrar, você entrar no bolo dos credores.

    Pessoalmente, acho muito mais prudente montar o seu patrimônio, com renda fixa, renda variável e imóveis. Você determina e compra e venda como e quando quer.

    Os planos PGBL e VGBL eu vejo como algo engessado, com ilusões de benefícios tributários futuros e que você tem uma ilusão de segurança futura, com simulações daqui a 20, 30 anos, simulações que não são calcadas na realidade, porque qualquer simulação para daqui a 20 ou 30 anos é mera futurologia, ainda mais no Brasil.

  9. 9 de fevereiro de 2020 at 23:22 #

    Oi Guilherme!! Excelente post!! Chegou na hora exata em que estou me preparando para entrar na renda variável, e justamente tenho interesse em dividendos. Tenho lido e estudado sobre o assunto, mas, você teria algum curso ou ebook para recomendar (pago ou gratuito) sobre o assunto? Abraços!

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