Black Friday 2020: dicas para comprar – ou se abster de comprar ;-)

O quê!? Um blog sobre educação financeira “ensinando” a comprar!?

Calma! Eu explico. 😉

O processo de aquisição de educação financeira não envolve apenas aprender sobre investimentos e planejamento a longo prazo com a compra de ativos para a realização de metas não financeiras. Ele envolve também a aquisição de habilidades específicas para a realização de compras conscientes.

Isso porque o que na verdade gera o endividamento excessivo é a falta de consciência para as compras. Em suma: não apenas gastar mais do que ganha, mas sim gastar bem acima do que ganha, comprando com um dinheiro que não tem, para comprar coisas que não precisa, a fim de impressionar… (complete a frase ;-)).

Ao contrário do que pode parecer, você também precisa se tornar, em alguma medida, um comprador, digamos, “profissional”. Isso porque a sua liberdade financeira será calculada com base na estimativa de seu consumo médio mensal de gastos.

É impossível viver sem ter que gastar. Li isso num artigo do blog Aposente aos 40 (por favor, AA, se puder lembrar o link do texto, agradeço): você terá que projetar gastos com transporte, supermercado, vestuário, Internet, diversão, eletrônicos, coisas para casa etc. E, quanto mais habilidoso você for na hora de realizar esses gastos, mais valor você conseguirá extrair de seu dinheiro – o famoso “mais com menos”, e menos dinheiro você gastará.

As 3 premissas fundamentais para compras de qualidade

Dentro desse contexto, a Black Friday, por incrível que pareça, pode ser uma opção para diminuir seus gastos, desde que seja usada com moderação e, obviamente, ela tenha utilidade prática para a sua vida em particular.

Baseado em minha própria experiência pessoal de consumo, através dos acertos e principalmente dos erros cometidos em Blacks Fridays de anos anteriores, formulei 3 premissas fundamentais que orientam meu processo de compras – e que também podem ser úteis para sua jornada de compras.

Vale ressaltar que essas 3 premissas podem ser utilizadas não apenas durante a Black Friday, mas também em qualquer outro momento de consumo. São uma espécie de guia de princípios para comprar – ou para não comprar também, se for o caso.

1. Necessidade atual

A primeira e talvez a mais importante premissa, válida não só para compras na Black Friday, mas também para qualquer outro tipo de compra: só compre aquilo que você realmente precise, e não compre porque determinada coisa está em “promoção”. É a Black Friday que deve te servir, e não você quem deve servir à Black Friday.

Isso nos remete a um artigo clássico que publiquei em 2013, intitulado Quem controla a sua mente? Você é consumido por aquilo que consome? , em que constatei uma triste realidade de nossos dias: as pessoas são facilmente manipuláveis. Você pode ser facilmente manipulável. Provavelmente você assistiu ou leu um trip report de um sujeito viajando na primeira classe de avião e andando de carro luxo, e quis fazer o mesmo. Provavelmente você viu alguém comendo num restaurante estrelado e quis fazer o mesmo. Provavelmente viu alguém dirigindo um carro mais caro que o seu, e quis comprar tal carro. O seu desejo não partiu de você: ele foi criado em você por terceiras pessoas.

Uma das melhores maneiras de evitar a armadilha do consumo é fazer uma lista, no Excel, das coisas que você precisa, das coisas que você necessita, e os respectivos preços.

Se seu celular está com a bateria acabando muito rápido, e já foi e voltou várias vezes da assistência técnica, então isso pode ser sinal de que você em breve precisará de um celular novo.

Se você gasta muito com combustível (quem não?), então pode ser uma boa aproveitar alguma promoção de descontos em preço de combustível.

O que importa é se a promoção terá utilidade para você, na sua específica situação, consideradas as suas particularidades de consumo e os bens e serviços que você costuma utilizar.

2. Qualidade intrínseca

Mas não basta um produto ser necessário. Para mim, particularmente, o produto tem que ter qualidade, e, para ter qualidade, é preciso que ele tenha, ao menos em relação aos bens de consumo, uma extensa vida útil ou o máximo de valor intrínseco.

Por exemplo, computadores e notebooks – mas essa regra vale para eletrônicos em geral (TVs, geladeiras, fogões, aparelhos de ar condicionado etc.). Você compraria um computador ou laptop baratíssimo, mas de uma marca cuja reputação é ruim ou desconhecida, e a qual você sabe que provavelmente terá problemas no futuro? Dificilmente compraria.

Todos procuramos comprar os melhores produtos com o menor preço possível, e isso ocorre porque normalmente fazemos uma associação entre preço do produto e seu valor, isto é, sua qualidade.

Você pode comprar o amaciante de roupas mais barato disponível na prateleira do mercado, mas poderá ter algum tipo de problema com ele. O ideal seria comprar o melhor amaciante – que geralmente custa mais caro – pelo preço do amaciante mais barato.

De igual modo ocorre com uma televisão, por exemplo. Seria muito bom comprar uma televisão de uma marca reconhecidamente excelente, pelo preço de uma marca desconhecida ou de reputação ruim.

Comprar coisas de qualidade geralmente (mas nem sempre) custa caro, porque no seu processo de fabricação foram utilizados insumos igualmente mais caros. O segredo é tentar utilizar essas datas comerciais para ver se há algo que se encaixe com um bom desconto, ou seja, se é possível você se beneficiar delas.

3. Menor preço histórico

Mas não basta, para você fazer compras conscientes, comprar só o que precisa, e de coisas com qualidade superior. Obviamente o preço é fundamental, e, em promoções como Black Friday, se o preço encontrado não for o menor preço histórico, esqueça. Simplesmente não compre.

É aqui que muitos estabelecimentos comerciais fazem uma armadilha: poucas semanas antes da Black Friday, dão uma aumentada nos preços e, quando chega a Black Friday propriamente dita, diminuem o preço, mas diminuem o preço para o valor normal, e não para um valor com descontos reais. O famigerado “metade do dobro”.

Isso foi tão escancarado em anos anteriores que a Black Friday havia ganho o apelido de Black Fraude, tamanha a quantidade de práticas nesse sentido.

Felizmente, de uns anos pra cá, tem havido uma redução progressiva nas fraudes na manipulação de preços, graças, sobretudo, ao patrulhamento ostensivo dos consumidores, que já não caem mais na lenga lenga das propagandas ilusórias, e botam a boca no trombone em redes sociais, irradiando e publicizando, em escalas cada vez maiores, as lojas que praticam tal tipo de ilícito contra o consumidor.

Tá, e como saber o menor preço histórico?

Por meio do monitoramento permanente dos preços. Normalmente, quando precisamos comprar algo que faz parte da nossa lista de necessidades, já sabemos de antemão o preço médio dele.

Praticamente todos sabemos já previamente, de cabeça, o preço das coisas que mais costumamos comprar: da carne patinho moído ao sabão em pó, do celular à TV, do carro à milha aérea.

A questão é fazer valer essa informação na Black Friday para produzir conhecimento que, de fato, enseje economia de dinheiro.

Black Friday não é doação

Por outro lado, os consumidores também têm que entender que a Black Friday não passa de mais uma data qualquer para o comércio tentar impulsionar suas vendas para o fim de ano.

O consumidor não pode alimentar falsas expectativas, achando que haverá descontos de 70%, 80%, 90% na maioria dos produtos. Tais descontos, quando muito, existirão apenas ou sobre produtos antigos (para limpar o estoque), ou para quantidades limitadas de produtos mais vendidos, apenas com o fim de fazer propaganda e atrair a atenção dos consumidores, para que estes passem a consumir outros produtos ou serviços da loja.

É comum nessa época do ano a imprensa fazer alarde da Black Friday exibindo imagens de pessoas se acotovelando em grandes redes de supermercados e hipermercados, disputando a tapas produtos como TVs.

Contudo, as melhores ofertas acabam ocorrendo mesmo no comércio eletrônico, onde é possível fazer compras sem ter que se desgastar fisicamente “disputando” tais produtos.

Vale lembrar, também, que muitas vezes vale a pena esperar por janeiro, que é um mês tradicionalmente fraco no comércio, onde costumam surgir promoções algumas vezes até melhores do que as praticadas no final do ano anterior.

Conclusão

Faça a Black Friday te servir. Não seja você um instrumento a serviço da Black Friday.

Virou lugar comum comentários como: “aproveite bem a Black Friday. Não comprei nada”. Esse tipo de comentário demonstra que hoje em dia boa parte dos consumidores não caem mais na armadilha das falsas promoções “tudo pela metade do dobro”, e estão mais informados sobre os preços e o valor dos produtos disponibilizados no mercado de consumo.

Paralelamente a isso, é possível tirar proveito dessa data comercial se preenchidas as 3 premissas fundamentais, enumeradas acima.

O mais importante de tudo é que você continue se controlando nas compras, não apenas na Black Friday, mas também em qualquer outra data comercial ao longo do ano (Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças etc.), e se policiando permanentemente, sabendo dar valor ao seu dinheiro, e sobretudo valorizando o que já tem, e sabendo fazer as coisas gastarem. 😉

 

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8 Responses to Black Friday 2020: dicas para comprar – ou se abster de comprar ;-)

  1. Carlos Coelho 9 de dezembro de 2019 at 7:51 #

    Texto muito completo mesmo sobre como comprar. Muito Obrigado e ccontinue assim.

  2. Simplicidade e Harmonia 9 de dezembro de 2019 at 8:36 #

    Guilherme,

    Gostei de ver a necessidade como a primeira premissa fundamental para as compras, pois geralmente esse item raramente é lembrado nessa época.

    Boa semana!

    • Guilherme 14 de dezembro de 2019 at 11:49 #

      Verdade, Rosana, e a necessidade tem tudo a ver com a autocontenção dos gastos.

      Bom final de semana!

  3. André 10 de dezembro de 2019 at 14:52 #

    Perfeito Guilherme! Penso da mesma forma!

    Os recursos que temos hoje para checar o menor preço dos últimos meses é fenomenal. Foi graças a ele que vi que os fones e a smartband que queria comprar NÃO baixaram de preços na BF.

    Resultado: ainda não comprei rsrs

    Abraços!

    • Guilherme 14 de dezembro de 2019 at 11:50 #

      rsrsrs….. realmente, a checagem do menor preço histórico facilita bastante a decisão de comprar ou não comprar.

      Abraços!

  4. Vania 11 de dezembro de 2019 at 21:18 #

    O critério da necessidade tem mesmo que ser o primeiro.
    E, preciso dizer, quão maravilhosa é a sensação da abundância, de que já tenho muito mais que o necessário, e não preciso de nada!

    • Guilherme 14 de dezembro de 2019 at 11:51 #

      Muito bem, Vânia! E você abordou um tema de muita relevância nos dias atuais: a produção de consciência financeira, que só é possível mediante reflexões e o ato contínuo de pensar sobre si mesmo. Parabéns!

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