O CDI ainda continua útil como métrica de rentabilidade de investimentos?

Semana passada a especialista financeira Luciana Seabra publicou em seu Twitter a seguinte notícia:

Antes de comentar propriamente sobre o tema principal do texto de hoje (CDI), não se pode deixar de notar a contradição existente no corpo da própria mensagem.

Afinal de contas, a conclusão de não julgar um fundo multimercado pelo curto prazo contradiz a sua fundamentação, que se apoia justamente num julgamento realizado no curto prazo, ao considerar a rentabilidade de apenas os últimos 12 meses do fundo.

Feita essa ressalva, passemos ao tópico principal do post de hoje. 😉

Quem não entende nada de investimentos poderia, ao ler uma notícia dessas, pensar, de forma equivocada: “uau, o dinheiro triplicou (rendeu 200%) em um ano!“.

Se eu mesmo tivesse lido essa notícia há uns 15 anos, essa seria minha primeira impressão, conforme comentei em relação a uma notícia de um CDB que pagava 85% do CDI – achando que rendia 85% sobre… o capital investido (post aqui).

Mas temos que entender o seguinte: o fundo em questão não rendeu 200% sobre o capital investido. Rendeu 200% sobre o CDI.

E afinal de contas, quanto rendeu o CDI nos últimos 12 meses?

Se estivéssemos lá pelos idos de 2015 ou 2016, quando a taxa SELIC (e o CDI) estava em estratosféricos 14,25%, 200% de 14,25% equivaliam a 28,50%. Logo, acumular quase 30% de ganhos em um período de 12 meses poderia ser considerado algo muito bom – embora o ganho real não fosse exatamente esse (30%), em virtude da necessidade de descontar a inflação do período, que também estava em estratosféricos 10% a.a.

Porém, contudo, todavia…… estamos em 2019. Mais precisamente, em outubro de 2019. E a quantas anda a taxa SELIC atual?

Sim, no menor patamar da história. 5,5% a.a. Ela vem caindo consistentemente nos últimos meses, e já se projetam números ainda mais reduzidos até o final do ano.

Logo, no acumulado dos últimos 12 meses, o retorno do CDI ficou em aproximadamente 6,28%.

Desse modo, 200% sobre o CDI acumulado nos últimos 12 meses não significa retornos de 20%, tampouco 30%, e muito menos retornos de 200%. É…. algo em torno de 12%.

Nos últimos 12 meses, o ganho nesse fundo de investimentos foi de 12%. Quem tinha R$ 100 mil no fundo Verde, viu o patrimônio aumentar, no prazo de um ano, não pra R$ 200 mil, ou pra R$ 130 mil, mas sim para… R$ 112 mil. Quem tinha R$ 50 mil investido no fundo, viu o patrimônio crescer para R$ 56 mil. Quem tinha hipoteticamente R$ 10 mil investido, depois de um ano ficou com R$ 11,2 mil, e não com R$ 13 mil, tampouco R$ 20 mil.

200% sobre um CDI de cerca de 6% significa ganhos de uns 12%.

Portanto, o retorno do fundo mencionado na mensagem não foi assim algo tão espetacular, em termos de retornos absolutos, como dá a impressão à primeira vista.

E isso não passou despercebido pelos outros usuários que leram a mensagem da Luciana. Tais leitores criticaram a maneira como a mensagem foi publicada:

Vale lembrar, só a título de exemplo, que o IBovespa, nos últimos 12 meses, teve um ganho acumulado de mais de 20%, o que daria mais de 300% do CDI.

Assim, o fundo Verde, se por um lado rendeu 200% do CDI, por outro, rendeu pouco mais de 60% do Ibovespa no mesmo período. E agora? Será que esse ter investido nesse fundo foi tão espetacular assim?

A dificuldade de avaliar a rentabilidade dos investimentos nos tempos atuais

Como disseram lá no Twitter, o CDI é uma verdadeira jabuticaba brasileira. Acostumados com juros altos no Brasil, gestores que conseguiam ganhos bem acima do CDI eram celebrados pelo mercado, já que era uma missão bastante árdua ganhar da renda fixa com uma SELIC que pagava tão bem e, ao mesmo tempo, com uma Bolsa que decepcionava a cada ano, num ambiente econômico marcado por estagnação, volatilidade e baixo crescimento.

Era muito mais fácil e mais confortável para o investidor aplicar pura e simplesmente num fundo referenciado DI, que chegou a render 1% ao mês em determinados períodos – embora essa rentabilidade fosse um tanto quanto ilusória, haja vista a inflação de dois dígitos que então vivenciávamos.

Porém, hoje os tempos são outros.

Com uma SELIC cada vez menor, e uma Bolsa em bull market, a rentabilidade de praticamente qualquer investidor que tenha renda variável na carteira consegue bater o CDI na janela dos últimos 12 meses. Essa pode ter sido, inclusive, uma das estratégias daquele fundo que rendeu 200% do CDI.

Logo, é preciso buscar outras métricas de rentabilidade para avaliar o desempenho das carteiras de investimentos.

Como disseram no Twiter, o debate precisa evoluir, e os gestores e investidores precisam mostrar os retornos absolutos de seus investimentos, a fim de terem uma ideia mais clara da performance de suas carteiras de ativos.

Como eu disse lá em cima, falar que sua carteira rendeu 150% do CDI nos últimos 12 meses não quer significar muita coisa, pois resultaria numa rentabilidade de cerca de 9% nos últimos 12 anos. A Bolsa, como afirmado, rendeu mais de 20% no mesmo período.

Não adianta os gestores de fundos mascararem a realidade e tentarem vender uma imagem de vencedor para o público de investidores. Um fundo multimercado ou outro fundo de gestão ativa qualquer que entrega 110% do CDI, mas cobra 2% de taxa de administração, e mais 20% de taxa de performance sobre a fatia que superar o CDI, na verdade estará entregando muito pouco ao seu cotista/investidor.

Você, como investidor pessoa física, deve prestar sempre bem atenção a esses números, e exigir não apenas a rentabilidade frente ao CDI, mas sobretudo o retorno em termos percentuais totais, do investimento almejado.

Por exemplo, a Luciana, no post acima, poderia ter logo escrito qual foi a rentabilidade em termos percentuais, para o leitor poder firmar uma base de comparação não apenas com o CDI, mas também com outras classes de ativos, como IBovespa, IFIX, dólar etc.

Conclusão

Os investidores brasileiros precisam expandir horizontes quando se trata de avaliação de carteiras de investimentos.

O CDI continua útil como métrica para avaliação de rentabilidade de investimentos?

Respondendo à pergunta do título, ele talvez ainda tenha serventia para evidenciar fundos de investimentos que cobram caro e entregam pouco. Por exemplo, como dissemos acima, para evidenciar os fundos de gestão ativa que cobram uma miríade de taxas – 2% de administração, 20% de performance etc. – mas entregam 110%, 120% do CDI.

Porém, em tempos de SELIC em baixa, e Bolsa de Valores em alta, é preciso realmente pensar em outras métricas de aferição de rentabilidade, considerando ainda um terceiro fator a ser analisado: tendência história de diminuição dos juros reais.

Até bem pouco tempo atrás, era comum vermos títulos do Tesouro IPCA pagando inflação + uma taxa prefixada de 6% a.a. Ou seja, os juros reais oscilavam em patamares bastante elevados, na casa dos 5% a.a. ou mais.

E o que temos para hoje? Tesouro IPCA 2024 pagando IPCA + 2,43%. Isto é, está cada vez mais difícil ganhar juros reais, fazer o dinheiro render acima da inflação, apenas aportando o dinheiro na renda fixa (em títulos pré ou pós-fixados).

É preciso diversificar melhor os investimentos, em outros ativos que possam produzir resultados mais consistentes, e, ao mesmo tempo, deixar um pouco de lado essa métrica do CDI como fator determinante na escolha dos investimentos.

Como o tema é propício para muitos debates, deixo em aberto a caixa de comentários, para que os leitores comentem como têm feito para avaliar seus próprios investimentos. Alguns buscam crescimento patrimonial absoluto, digamos, 10% a.a. como meta. Outros buscam como meta ganhos reais, p.ex., têm como meta 6% a.a. acima da inflação.

E você? Como tem enfrentado essa questão da análise de investimentos? Qual referencial tem usado? CDI? IBovespa? Dólar? Juros reais? IMA-B?


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13 Responses to O CDI ainda continua útil como métrica de rentabilidade de investimentos?

  1. Renato C 14 de outubro de 2019 at 2:11 #

    Discordo de alguns aspectos.

    1) O CDI (ou SELIC, tecnicamente não é a mesma coisa, mas é quase como se fosse) é o chamado “preço do pão”, isto é, o custo de oportunidade do dinheiro. Não é algo que temos controle (isto que quero dizer como “preço do pão”). É um dado do mercado para um investimento conservador. Ponto. Ele é o que é.

    Sempre que se quiser uma rentabilidade acima do CDI se estará incorrendo em risco. Esta é uma baliza importante do mercado ao meu ver.

    2) O CDI é uma medida histórica, está aí há décadas em sua medição. Não é porque ela está baixa que iremos tirar uma métrica e perdermos toda sua cronologia como benchmark importante. A rentabilidade dele, em termos absolutos, pouco importa. O que importa são os juros reais, e já tivemos situações tanto em que os juros reais estavam baixos pq a selic estava alta e a inflação também como a situação de agora (juros baixos e selic baixa). Embora, é claro, agora os juros reais talvez nunca tenham estado tão baixos.

    3) (Minha opinião) Esta situação de juros baixos faz parte de toda uma conjuntura internacional e faz parte do roteiro de uma grande crise internacional que está por vir. Juros negativos, por exemplo, como se observam em alguns títulos públicos europeus, é algo insustentável. Estamos apenas vivendo um período específico. Os juros baixos NÃO vieram para ficar. A dívida brasileira nem comporta isto – temos altos gastos públicos e fixos – tudo aqui é moroso e dificultoso pra se mudar politicamente e economicamente. Somos dependentes de capital externo para a economia engrenar, etc.

    Ao contrário do que é propagado aos 4 cantos, não axo que devemos mudar um perfil de investimento que temos apenas “porque os juros estão baixos”. O mercado não está nem aí se os juros estão altos ou baixos, se você está ganhando ou não está, o mercado é o mercado. Lide com ele tal como ele é. Devemos nos guiar para investimentos de maiores riscos apenas e tão somente se for do nosso perfil de investidor. O perfil de investidor não muda porque “os juros estão baixos”.

    Quem é conservador que continue na renda fixa, quem é moderado que continue com uma boa alocação de ativos e quem é agressivo que continue na bolsa.

    Vejo a situação atual como temporária, pode haver grandes colapsos financeiros e os juros (principalmente os brasileiros) voltarão no futuro ao seu patamar “normal”. Os juros baixos atuais, relativamente, podem ser grandes lucros perto de prejuízos futuros da bolsa.

    Aliás, a bolsa brasileira não está num certo pico histórico (em número de pontos)? Assim sendo, pode estar cara, nunca esteve tão caro se investir na bolsa… logo, analogamente, deveria haver indicativos para NÃO se comprar na alta (assim como ñ se investir mais na renda fixa pq “os juros estão baixos” – é o mesmo raciocínio). Não é pra investir na baixa e colher na alta? Por que se aplicar no pico na bolsa? Só porque os juros estão baixos? Não faz sentido…

    Existe um grande problema no noticiário econômico que já observei: as coisas do “hoje” são tratadas como se fossem para sempre. Tudo vira um “novo paradigma” nas manchetes, quando, na verdade, os mercados são e sempre foram cíclicos – as pessoas parecem ignorar isto.

    Abraços, Renato C

    • MJC 14 de outubro de 2019 at 5:59 #

      De acordo!

      Só faço um complemento em relação a bolsa de hoje: comprar porque vai subir pra sempre ou vender porque estamos em topo (em valores nominais)?

      Eu diria para seguir a estratégia de sempre (que também foi o que você disse nos itens anteriores). Uma vez definida a porcentagem que a pessoa dorme tranquilo, vai aportando de forma a manter aquela porcentagem e rebalanceando a carteira quando a porcentagem de cada classe sai muito do que se deseja para ficar tranquilo.

      Dolar Cost Average junto com rebalanceamentos de tempos em tempos ainda é uma boa estratégia.

      • Guilherme 14 de outubro de 2019 at 8:07 #

        Perfeito, MJC.

        A técnica dos aportes constantes + rebalanceamentos de tempos em tempos é o velho feijão com arroz do investidor inteligente, uma maneira de aproveitar as fases de alta e baixa dos mercados.

        Abraços!

    • Guilherme 14 de outubro de 2019 at 8:05 #

      Olá, Renato, excelentes comentários. Inclusive, dão “pano pra manga” para um futuro guest post. 😉

      O fato de a renda fixa e os juros reais estarem em patamares tão baixos não constitui motivo, por si só, para o investimento em ativos de risco, conforme eu disse recentemente, no artigo: http://valoresreais.com/2019/09/09/a-dificuldade-de-ganhar-dinheiro-com-a-renda-fixa/

      “A mudança de comportamento não precisa necessariamente vir no campo dos investimentos, até porque nem todos têm perfil e estômago para investir em ações ou em outras classes de ativos de maior risco.”

      Inclusive, achei bem interessante seu posicionamento em relação à Bolsa: investir mais justo quando ela está (supostamente) em seu pico histórico? Não faz sentido.

      O que ressaltei no artigo foi, dentre outras coisas, a necessidade de o investidor não olhar o CDI como a principal referência para medir a rentabilidade e, consequentemente, fazer a escolha de certos investimentos. Não é porque um fundo esteja rendendo 200% do CDI que ele deve ser visto como “a” escolha, principalmente porque, no mesmo período, ele rendeu pouco mais de 60% do IBovespa.

      Precisamos ampliar a mente e fazer uma alocação de ativos que tenha mais “imputs” de conhecimento na tomada de decisões.

      O investidor médio ficou muito acostumado em analisar os investimentos somente em face do CDI. Isso tem seus méritos na questão do custo de oportunidade, mas é preciso buscar outros parâmetros na avaliação dos investimentos.

      Você bem abordou a questão da economia ser cíclica, e isso também que ser levado em conta na análise dos investimentos. Historicamente, a SELIC sempre ficou acima do IPCA, de modo que não tivemos (penso eu) juros reais negativos. Inflação alta quase sempre significa SELIC alta, a questão é ver se o gap entre o IPCA e a SELIC vai voltar ao patamar de 4% a 6% de outrora, ou se vai estabilizar na faixa dos 1% a 2%.

      Abraços!

    • Ilze Astrid N. Capella 22 de outubro de 2019 at 21:48 #

      Muito bem colocado, Renato. Ando muito desconfortável com essa quase “obrigação” em migrar parte da minha carteira para a renda variável, dado o cenário atual. Fica aquela sensação que estou desatualizada ou andando na contra mão. Mas sou conservadora e ponto. Prefiro ficar onde estou.

  2. Adri 14 de outubro de 2019 at 9:53 #

    Bom dia.
    Qualquer Fdo Inv. MM ou FIA se não render muito, mas muito mesmo acima do CDI com bolsa em alta, só se o gestor for muito ruim. Pois todos tem uma boa parte aplicada em ações aqui ou no exterior.
    Nos anos 2014 a inicio de 2016 quantos desses fundos renderam bem? Poucos.
    O fundo Verde é muito bom, mas sua propaganda da rentabilidade ‘acumulada desde o inicio’ se baseia na rentabilidade conseguida em 1999 quando ganhou com a max desvalorização do real.
    Nos últimos anos muitos outros fundos MM e FIA rentabilizaram também muito bem e muito mal nos anos da baixa da bolsa.
    Existem Fundos de Credito Privado, alguns só para ‘IQ’, que rendem 200% do CDI com baixa volatilidade, sem desce e sobe, e bom índice de sharpe, a liquidez nesses fundos é que é baixa.
    Aliás, os fundos estão na hora de enxugarem seus custos, ou diminuírem sua margem, pois pagar de 2% a 3% em aplicação em Fdos MM e receber, no caso 200% do CDI, percentual que chegará em breve a ser entre e 7,5% a 8% líquidos de IR, é taxa de admin. muita alta.
    Imagine aqueles fundos que rendem abaixo de 200% do CDI com taxas de admn de 2%
    Corretoras e bancos já eliminaram algumas taxas nos investimentos em títulos públicos, na compra de FIImob, custodia, e está na hora dos Fundos de bancos e independentes começarem a diminuir a tx de admin. para o investidor.
    Defendo que se um fundo der negativo no mês, ele não deve receber a tx de administração, ou se receber, seria menor nesse mês, pois trabalhou mal, ainda que isso possa ser uma estratégia para lucrar a frente, quando ele então receberá mais, pois todos tem a taxa de performance também.
    Fiz aplicações em RFixa em CDB PRÉ a 3 anos, quando os sinais eram de redução da Selic, rendem 13,25% aa isso dá muito mais de 200% do CDI . mesmo na média dos anos aplicados, e sem qualquer risco e com FGC.
    Se estivesse em Fdo MM ou RV poderia ganhar mais ou também perder.
    Essas aplicações estão vencendo esse ano, e o que tenho feito é direcionar pouco para RV, maioria para Debentures incentivadas e CRA com Rating minimo ‘A’ que pagam IPCA + 4% de jrs real, isentas de IRenda, outra parte para Fdo Credito privado e para FI Imobiliários de ‘tijolos’..
    Nos FII possuo fundos cuja cota valorizou em 1 ano entre 20% a 30%, os Tit. Públicos com a MaM também valorizaram mais de 25% nesse ano. Porem como sou rentista não vou fazer trade com essas aplicações e manter como reserva.
    Conclusão: è questão de visão no futuro, diversificar e se proteger para quando e se vier um anti ciclo, aumento dos juros, e atualmente os economistas falam que virá uma crise devido a valorização excessiva dos ativos no exterior pela injeção de dinheiro pelos bcos centrais na crise de 2008, não sei se afetaria a nossa taxa de juros, a B3 creio que sim..

    • Guilherme 16 de outubro de 2019 at 17:05 #

      Caramba, Adri, excelente estratégia!

      Você abordou um ponto bem importante: quem sabe agora com a queda da SELIC os gestores dos fundos de gestão ativa diminuam os percentuais de taxas cobradas, que na maioria das vezes não justifica o trabalho de gerenciamento dos ativos de risco.

      Quanto à diversificação que vc está fazendo, está muito boa, principalmente nesses títulos que pagam IPCA + 4% a.a. e rating A.

      Vamos acompanhar de perto os efeitos do próximo ciclo de recessão, e de como isso influenciará os investimentos.

  3. Anônimo 14 de outubro de 2019 at 16:56 #

    Muito bom conteúdo.

  4. André 15 de outubro de 2019 at 13:33 #

    Perfeita a provocação, Guilherme!

    No post que eu comparo a rentabilidade das carteiras com os robôs, eu estou colocando, junto com o IBOV e o S&P500, o CDI, mas já faz uns 3 meses que estou pensando em mudá-lo, mas ainda não decidi como lidar com isso.

    O que o Renato disse acima sobre o benchmark de consenso é relevante: sou uma pessoa que preza pelos dados históricos para efeito de comparação. Mas tendo a concordar que o CDI pode não ser tão relevante hoje como foi no passado.

    Isso porque ele pode ser manipulado pelo governo, como a Dilma fez quando abaixou-o à força. Naquele tempo, com inflação alta e Selic baixa, seria muito melhor ter um indicador atrelado ao IPCA. Definiria melhor o ganho real.

    Outro ponto que sempre achei sacanagem nessas divulgações é que para as pessoas que pensam matematicamente como eu, 200% é um número associado automaticamente com 3x mais. Quando eles alardeam 200% de rentabilidade, não é 200% sobre o CDI, e sim 200% do CDI. Ou seja, o dobro, não o triplo. Concordo que é o padrão, mas eu, particularmente, sempre vi isso como uma forma de “inflar” visualmente os rendimentos rsrs.

    Mas retornando, já pensei em colocar um novo indicador na minha comparação de rentabilidade, algo como IPCA + 5%, garantindo que os fundos multimercados deveriam entregar, ao menos, um juro real de 5% acima da inflação anualmente. Outras pessoas pensam nos juros dos títulos de longo prazo, mas esses também podem ser manipulados pela política monetária.

    Uma vez acreditando na metodologia da inflação, acredito que deveria ser sobre ela uma nova alternativa.

    Abraço!

    • Guilherme 16 de outubro de 2019 at 17:08 #

      Excelente, André.

      Também penso na utilidade do CDI em virtude de seu valor histórico, principalmente num país que aprendeu a não conviver com inflação baixa.

      Essa questão dos 200% realmente é um truque de ilusão, na forma como é exposta, pois, como vc bem disse, faz as pessoas pensarem no triplo, quando na verdade é o dobro.

      Finalmente, também tendo a considerar um benchmark atrelado a juro real como o mais adequado, ou o menos imperfeito, na comparação de rentabilidade.

      Abraços!

  5. MARCOS ARCANJO AGOSTINHO 18 de outubro de 2019 at 13:24 #

    Ótimo artigo
    Obrigado
    Deve-se atentar também vim questão de usar CDI como métrica de comparação de investimento com riscos diferentes.
    Comparar um retorno de 100% cdi de um CDB com retorno de um multimercado pode esconder os riscos que cada produto está exposto.

  6. Michael 19 de outubro de 2019 at 15:59 #

    Bem relevante o seu desabafo Guilherme!

    Na verdade, ja existem dois benchmarks de desempenho para esta classe de ativos em questao, o fundo Multimercado.

    Entao, a tal especialista de investimentos do Twitter nao deveria ter utilizado um dos seguintes?

    1. IHFA. O Indice de Hedge Funds Anbima. Desenvolvido pela Associaçao Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.

    2. IFMM, O Indice de Fundos Multimercados. Desenvolvido pelo BTG.

    Abraço!

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