[Guest post] Os nove desafios do planejamento financeiro – Parte 1: Desafios 1 a 3

O blog Valores Reais orgulhosamente apresenta mais um guest post vindo de um de seus qualificados leitores.

Trata-se da série “Os nove desafios do planejamento financeiro”, escrito por uma pessoa especialista na área, o Luiz Paulo Guimarães.

Em tempos em que a propalada Reforma da Previdência ganha cada vez mais espaço no noticiário e nas mesas de debates, torna-se indispensável que o leitor adquira e cultive uma educação financeira orientada sobretudo ao seu planejamento de vida.

Com isso em mente, os nove desafios escritos pelo Luiz na verdade bem podem ser considerados como um verdadeiro mini curso grátis de finanças pessoais, discutindo questões bem presentes na vida de todos, e apontando caminhos a serem seguidos.

Essa série de artigos terá sua importância reforçada principalmente para aqueles que estão agora, nesse ano de 2019, iniciando sua jornada de educação financeira. Por isso, se você tiver algum conhecido que precisa ler esse artigo, compartilhe o texto, e comente sobre a relevância de cuidar de suas finanças o quanto antes.

Boa leitura!

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“Tenho escrito bastante sobre planejamento financeiro ou educação financeira, sempre focando o lado prático, o comportamento do consumidor. É uma forma  micro de analisar o assunto: o que fazer para equacionar nossas despesas ao quanto ganhamos; como elaborar um orçamento mensal; como evitar o consumo compulsivo; como lidar com o crédito; como diferenciar e escolher entre as alternativas de investimento.

Desta feita, vamos abordar “os nove desafios”, fatores externos ao comportamento dos consumidores, mais importantes até do que os comportamentos individuais, e que condicionam nossa qualidade de vida ao exercício de um planejamento financeiro.

Desafio 1: Estamos prontos para viver mais de 90 anos?

– Cientista acredita que seres humanos poderão viver mais de mil anos; ideia não é levada a sério por muitos cientistas, mas há outros que acreditam nessa possibilidade.

– Eles já estão entre nós. Os primeiros seres humanos a passar dos 150 anos de idade já nasceram, segundo pesquisadores e futurólogos; estão entre as crianças e os jovens de hoje.

– O Japão, país com o maior número de centenários do planeta, quer prolongar ainda mais a vida e com saúde; para viver mais, teremos que descobrir as doenças antes mesmo de sentir o primeiro sintoma.

– Pesquisadores da Universidade de Kanazawa, cidade localizada na província de Ishikawa (Japão), criaram um apartamento modelo – protótipo da casa do futuro – com a capacidade de indicar os indícios de uma doença. Dentro dele, a pessoa tem a saúde monitorada o tempo todo, já sendo possível realizar 14 exames médicos. A banheira funciona como um aparelho de eletrocardiograma; basta colocar as duas mãos dentro da água para ter uma ideia de como está o coração. A privada faz seis exames; ela mede, por exemplo, a pressão do jato da urina, podendo diagnosticar nos homens o início de um câncer de próstata; ao sentar, um sensor encostará  na perna do morador para medir a pressão. Outros exames serão feitos durante o sono; a cama tem sensores que medem o batimento cardíaco, a distribuição do peso no corpo, a respiração e até o ronco. Todos esses dados vão para um computador que identifica se há alguma variação preocupante e informa ao médico, que poderá estar a muitos quilômetros de distância.

– No futuro, a cura poderá vir de forma invisível aos olhos. No Centro de Pesquisa de Micromáquinas Médicas da Universidade de Tóquio, o Professor Koji Ikuta e seus alunos estão inventando os “microrrobôs”, equipamentos que, daqui a alguns anos, poderão entrar no nosso corpo para curar doenças e recuperar pedaços danificados.

Com tantos avanços da ciência, alguns futurólogos questionam: algum dia será possível rejuvenescer em vez de envelhecer? Impossível?

Se jamais pensou nisso, dê uma olhada nos números abaixo.

O Brasil está entre os países com maior nível de envelhecimento do mundo. Se continuarmos neste ritmo, em 2040 nossa população com mais de 50 anos será maior que a de idade compreendida entre zero e 30 anos, segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA).

O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE)  nos remete à mesma direção: a expectativa de vida média da população brasileira, que era de 67 anos em 2000, saltou para 73,5 anos em 2010; atualmente, 13% dos brasileiros têm mais de 60 anos, dos quais 23.760 já passaram dos 100!

Esse aumento da longevidade é algo extremamente positivo e mostra que estamos usufruindo dos avanços da ciência, da tecnologia e do desenvolvimento econômico.

Entretanto, nem tudo é romântico nesta história. O fato de vivermos mais significa que precisaremos de mais recursos financeiros para nos manter quando deixarmos de trabalhar ou reduzirmos o ritmo profissional.

A programação das finanças precisa ser alongada. Estamos preparados?

Quem está na faixa dos 30 anos precisa considerar a possibilidade de viver até os 100 anos. Para viver dos 70 anos aos 100 anos com uma renda fixa mensal em torno de R$ 15 mil é preciso acumular um patrimônio financeiro de R$ 1,5 milhão.

Considerando uma rentabilidade média de 1% ao mês, quem, aos 35 anos, realizar um investimento exclusivo para o centenário terá de poupar mensalmente R$ 230,00; aos 40 anos, esse valor já sobe para R$ 420,00.

Não hesite, portanto, na reformulação de seu planejamento de vida, especialmente o financeiro.

Afinal, é na faixa de 30 a 40 anos que você pode escolher qual o tipo de velhice vai ter.

Desafio 2: O peso físico e financeiro do envelhecimento compartilhado com um menor número de filhos

Do total de pessoas aposentadas pelo INSS, cerca de 21 milhões recebem o benefício mínimo, equivalente a um salário mínimo (R$ 998,00), e cerca de 9 milhões o benefício máximo (R$ 5.839,45).

Quem recebe o benefício mínimo não tem condições de arcar com os gastos básicos decorrentes da velhice, como medicamentos, idas ao médico e a laboratórios particulares para fazer exames e, mesmo quem recebe o benefício máximo, pode ter dificuldades e precisar recorrer ao Serviço Único de Saúde (SUS).

Na verdade, a situação dos aposentados brasileiros não é nada animadora: do total de aposentados, apenas 3%  são independentes financeiramente; 25% têm necessidade de continuar trabalhando, 26% estão em uma situação muito difícil e 46% dependem dos filhos para conseguir ter uma vida digna.

Cabe ressaltar que, ao longo das últimas décadas, a estrutura familiar vem sendo alterada tanto pelo aumento da longevidade quanto pela redução do número médio de filhos, causada pela queda sistemática da fecundidade. Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%, sendo que, entre os 20% mais pobres, a queda registrada foi de 15,7%.

Essas mudanças implicam uma verticalização das relações familiares, ou seja, a convivência de várias gerações e a diminuição da rede familiar.

A longevidade faz crescer as preocupações familiares, uma vez que, com o passar dos anos, os idosos tendem a apresentar maior número de doenças crônicas e degenerativas, tornando-se mais dependentes de ajuda física e financeira.  Com isso, a carga per capita de auxílio físico e financeiro com os idosos será maior, pois estará concentrada sobre um menor número de “cuidadores”, em geral, os filhos.

Desafio 3:  É hora de pensar na aposentadoria

Do desafio 2 é fácil concluir que depender financeiramente dos filhos e demais parentes não deve ser o caminho sonhado do idoso; por melhor que sejam os “cuidadores”, ele perde, integral ou parcialmente, a autonomia.

Diante dessa perspectiva, que tal pensar desde cedo na aposentadoria?

Pessoas jovens não costumam pensar muito em aposentadoria, o que é um erro.  Sem um planejamento financeiro adequado, já vimos que o aposentado poderá descobrir que sua renda não será suficiente para custear suas despesas.

Não existe uma idade padrão para começar a planejar a aposentadoria, mas quanto antes melhor.

Assim, mesmo jovens que ingressaram há pouco tempo no mercado de trabalho podem começar a reservar parte dos ganhos para o futuro.

Como em qualquer planejamento financeiro, é importante definir aonde se deseja chegar, ou seja, pensar em quando se aposentar e no padrão de vida que se deseja ter durante a aposentadoria. Se você pretender se aposentar mais cedo, terá menos anos para economizar e conseguir a reserva financeira necessária; se não estiver disposto a reduzir o seu padrão de vida, terá que planejar uma reserva maior.

A partir disso, será mais fácil calcular quanto será necessário poupar mensalmente.

Para quem se aposenta pelo INSS, o ideal seria pensar na aposentadoria via Previdência Social como sendo apenas parte (no máximo 30 a 40%) da renda a desfrutar durante a aposentadoria.

Quais as principais alternativas para complementar a aposentadoria?

1)  Planos de previdência privada, também conhecidos como previdência complementar, podem ser uma boa opção para quem não tem muito tempo ou conhecimento para administrar investimentos financeiros.

Nesse caso, é importante:

a) verificar a credibilidade e solidez no mercado da instituição administradora do plano (lembre-se que você estará fazendo um investimento de longo prazo);

b) verificar qual o plano que mais se adapta ao seu caso, se o PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) ou o VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres);

c) comparar as taxas cobradas pelas instituições financeiras;

d) não acompanhar o seu plano como sendo um investimento de curto prazo; porém, ano a ano, pedir ao seu administrador para reavaliá-lo, considerando as contribuições efetuadas e a rentabilidade auferida no período;

e) saber que você pode usar a portabilidade e mudar o plano, obedecidas as regras da portabilidade.

Os planos de previdência oferecem,  normalmente, diversos tipos de renda e/ou de benefícios de risco. À vista das características de cada modalidade, os possíveis interessados poderão verificar a que melhor se adapta aos seus objetivos.

Tipos de Renda

Renda Vitalícia: Pagamento mensal de renda ao participante enquanto ele viver. O benefício termina e é cancelado quando o participante morre e não há qualquer devolução de “possíveis” saldos.

Renda Temporária: Pagamento mensal de renda ao participante durante um prazo determinado no contrato. A renda cessará se o participante falecer antes do final do prazo.                                                                                        

Renda Vitalícia Reversível ao Beneficiário: Pagamento mensal de renda ao participante enquanto ele viver; após seu falecimento, ocorrerá a reversão desta renda vitalícia, isto é, um único beneficiário, nominado em contrato, continuará recebendo um percentual da renda do participante (definido em contrato) enquanto viver.

Renda Vitalícia com Prazo Mínimo Garantido: Pagamento mensal de renda ao participante enquanto ele viver; dentro do prazo determinado em contrato, há a garantia de reversão da renda para um beneficiário, no caso de falecimento do participante.

Benefícios de Risco

Pecúlio por morte: Pagamento à vista de valor monetário ao(s) beneficiário(s) determinados no contrato, em caso de falecimento do participante.

Pensão a filhos menores: Pagamento de renda mensal, em decorrência da morte do participante, ao(s) filho(s) ou dependente(s)  econômico(s) menores até que cada um destes complete  21 anos de idade.

Pensão por prazo certo: Pagamento de Renda ao(s) beneficiário(s) por um prazo determinado em contrato em decorrência da morte do participante.

Renda por invalidez com prazo mínimo garantido: É uma renda vitalícia concedida ao participante em decorrência de sua invalidez, mas com a garantia de que o(s) beneficiário(s) continuará recebendo o benefício, no caso de falecimento do participante, dentro do prazo mínimo garantido. Vale dizer, que se o participante vier a falecer após o prazo mínimo garantido, a reversão não ocorrerá, nem mesmo devoluções de qualquer espécie.

Pensão ao cônjuge ou companheira (o): Renda mensal paga apenas a este único beneficiário na ocasião da morte do participante; se o beneficiário falecer antes do participante, o benefício será cancelado.

Os planos permitem a mudança do benefício contratado durante todo período que você estiver acumulando reserva, até o momento imediatamente anterior ao início do gozo do mesmo.

Há no mercado planos que conjugam os benefícios de renda com os benefícios de risco;  o objetivo é proteger os seus dependentes de algum acidente que lhe possa ocorrer durante o período em que você está, ainda, acumulando reservas.

Nota: sobre as vantagens da previdência privada do tipo PGBL, vale a pena ler os guest posts do leitor SwineOne: parte 1 e parte 2.

2) Investir em renda fixa e/ou variável, por conta própria (se você é conhecedor do assunto) ou com a assessoria de um consultor financeiro (de sua confiança), de forma a totalizar uma reserva (com valor preestabelecido) para complementar sua aposentadoria.

Em ambos os casos, para que você defina seu objetivo, algumas perguntas devem ser respondidas:

– com que idade você quer iniciar seu plano de previdência privada ou sua reserva para complementar a aposentadoria?;

– com que idade pretende se aposentar?;

– qual a renda total quer ter ao se aposentar – ou – qual a renda mensal quer ter ao se aposentar? ;

– quanto você pode poupar hoje?

De posse das respostas o futuro administrador do seu plano poderá estimar o valor da contribuição mensal necessária para alcançar o benefício desejado.”

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Na segunda parte dessa série especial de artigos, abordaremos os desafios 4 a 6, que abordarão assuntos como desemprego, reserva de emergências e cuidados com o crédito. Não percam!

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Sobre o autor: Luiz Paulo Guimarães: “Morei nos EUA de 1988 a 1990. Minha filha iniciou a cursar o high school em Washington-DC e, no primeiro mês de aula, fui surpreendido. Compunha a grade curricular uma disciplina Financial Education, até então estranha aos meus ouvidos. Passei a acompanhar, passei a gostar. De volta ao Brasil, outras atividades, outras prioridades. Em 2010, após a realização de diversos cursos sobre o assunto, elaborei o Projeto Educação Financeira e iniciei a ministrar palestras e cursos. Infelizmente, ainda há no Brasil um vácuo de conhecimento sobre o assunto, vilão responsável pelo alto nível de endividamento de nossa população. Em 2012 o primeiro livro, Educação Financeira em 3 Capítulos, sonho finalmente realizado. Sou Oficial da Reserva Remunerada da Marinha do Brasil (MB). Por mais de trinta anos, no Brasil e no exterior, exerci diversos cargos de gerência e direção, nas áreas de logística e finanças. Com formação e pós em Administração de Empresas, mestrado em Ciências Navais, fui durante oito anos Diretor Administrativo-Financeiro de empresa estatal (NUCLEBRAS S/A), além de ter dirigido, posteriormente, duas empresas privadas (MULTIIMAGEM LTDA e LBT SINALIZAÇÕES LTDA). Atualmente, sou Palestrante em Cursos de Educação Financeira em empresas, instituições de ensino e na MB”.

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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23 Responses to [Guest post] Os nove desafios do planejamento financeiro – Parte 1: Desafios 1 a 3

  1. MJC 25 de fevereiro de 2019 at 6:34 #

    Duas dúvidas sobre o item 1: Que tipo de consideração foi feita para concluir que 1.5 milhão vão gerar uma renda mensal de R$15k por 30 anos?

    E, no exemplo, 1% a.m. não seria uma renda alta demais? Afinal, temos que considerar o rendimento líquido, acima da inflação. Não há investimento hoje de risco baixo que dá esse retorno.

    • MJC 25 de fevereiro de 2019 at 8:17 #

      Acho que entendi a consideração pra 1.5 milhão gerar um renda mensal de 15k por 30 anos. Está considerando nesse caso, também, 1% ao mês né? Aí consideraria que tiraria apenas o rendimento e ficaria sempre com os 1.5 milhão na conta.

      Acho que esse valor é um pouco irreal. Se considerarmos um rendimento líquido acima da inflação de 4% a.a. (um pouco mais do que um título longo de TD paga hoje), com R$ 1.5 milhão poderíamos tirar pouco mais de R$ 7k mensais em 30 anos, zerando toda a reserva no final do período. Ou poderíamos tirar pouco mais de R$ 4.9k sem zerar o principal.

      Não é uma renda ruim, ainda está muito boa. Mas está muito longe de R$ 15k.

      Eu acho que uma fonte de decepção muito grande são as expectativas irrealistas. E, em se tratando de segurança financeira, é muito mais seguro errar estimando algo pra baixo do que pra cima. Além de gerar ansiedade, a pessoa pode ser incentivada a correr muito mais riscos do que ela pode suportar.

      No mais, discussão interessante. Parabéns.

      • Guilherme 28 de fevereiro de 2019 at 16:13 #

        Bem lembrado, MJC.

        Acredito que as explicações do Luiz mais abaixo tenham sido esclarecedoras sobre o ponto.

        No mais, é bom mesmo ser mais conservador nas projeções, a fim de sempre poder trabalhar com uma margem de segurança.

        Abraços!

  2. Investidor Solitário 25 de fevereiro de 2019 at 12:27 #

    Acho lamentável pessoa que autointitula-se EDUCADOR FINANCEIRO afirmar que pra viver 30 anos (dos 70 a 100 anos) com uma renda de R$ 15 mil é necessário juntar APENAS R$ 1,5 milhão.

    Não é trivial conseguir 1% a.m. LÍQUIDO, fora que ele ignorou completamente os efeitos da INFLAÇÃO.

    Eu até entenderia se fosse um texto voltado para o “povão”, mas como estamos na blogsfera de finanças, onde o pessoal tem conhecimentos financeiros elevados, acho completamente fora de propósito.

    Abraços,
    investidorsolitario.com.br

    • Guilherme 28 de fevereiro de 2019 at 16:13 #

      Realmente, os números devem ser trabalhados de forma mais conservadora.

      Grato pelo aviso!

  3. André 25 de fevereiro de 2019 at 12:46 #

    Fala Guilherme!

    Um grande apanhado geral para mostrar a importância de se pensar a aposentadoria. As premissas gerais estão corretas, precisamos pensar em não depender dos demais, seja governo ou filhos.

    Uma pena que poucas pessoas pensam nisso, mesmo em dias de hoje, com tanta informação disponível na net.

    No mais, concordo com os amigos acima. 1% ao mês é totalmente irreal atualmente rsrs.

    Abraços!

    • Guilherme 28 de fevereiro de 2019 at 16:14 #

      De fato, André, o objetivo central dessa primeira parte foi a de se pensar em termos de busca de autonomia e não dependência de terceiros para o custeio de vida na fase da velhice.

      E, quanto aos 1%, o Luiz conseguiu explicar satisfatoriamente mais abaixo.

      Abraços!

  4. LUIZ PAULO GUIMARAES 25 de fevereiro de 2019 at 18:08 #

    Agradeço as boas vindas e os comentários, todos pertinentes e bem fundamentados matematicamente, ainda que pudesse considerá-los pontuais, considerando os valores históricos da SELIC e a rentabilidade bruta dos meus investimentos ao longo de muitos anos (notem que no meu artigo eu não falo em rentabilidade líquida).
    De qualquer forma, povão ou experts em finanças, entendam que o propósito maior do texto foi chamar a atenção para a importância de se constituir uma reserva financeira, o que não é percebido por boa parte de nossa população.

    • Vania 26 de fevereiro de 2019 at 19:55 #

      POis o objetivo foi plenamente atingido, de forma encadeada e lógica. Parabens pelo texto!

      • Vania 26 de fevereiro de 2019 at 20:00 #

        Dito isso, confesso que fiquei surpresa com a abordagem do artigo a respeito dos Planos de Previdencia, vistos assim como renda vitalícia.

  5. Michael 25 de fevereiro de 2019 at 23:38 #

    Ola Guilherme!

    Acredito o artigo bem fundamentado sobre os desafios demograficos do pais, e sobre a importancia do planejamento financeiro do povao.

    Concordo com os meus colegas acima do que uma SWR (safe withdrawal rate; em portugues; TSR: taxa seguro de retiro) de 12% por ano eh simplesmente insustentavel matematicamente. Ate a metade disso seria considerado um pouco agressivo para o objetivo expressado no artigo; geralmente especialistas na blogosfera aqui consideram uma SWR de 4% – 6%, e la no exterior, com juros reais bem menores, no maximo, 4%.

    Contudo, acredito que o maior erro seria para os seus leitores aceitarem a conversao do patrimonio nos planos privados de Previdencia numa Renda. Hoje em dia, tais planos sao bem mais competitivos, com taxas menores, e rentabilidades maiores, e tambem poderiam contribuir para o planejamento sucessorio. Porem, convertir em Renda eh simplesmente uma cilada e poderia resultar num golpe tanto para a sua aposentadoria quanto para os seus sucessores. Voce acaba cedendo o seu principal para a Seguradora, para uma renda garantida a ser baixa, frequentemente mais baixo do que poderia receber no mercado, mesmo mantendo o controle do seu capital. Existem tipos de renda onde os seus beneficiarios poderiam continuar com a renda, apos o falecimento do titular, como mencionado no artigo, mas sao pouco oferecidos no mercado hoje – e quando houverem, com renda ainda pior. Apenas as seguradoras/bancos se beneficiam com tais propostas.

    Ate os meus gerentes de dois “bancoes” admitiram para mim que eles nunca recomendam esta opçao de Renda, porque prejudicaria demais os seus clientes.

    Uma decada atras, as tabuas atuariais na previdencia para Renda foram (um pouco) mais favoraveis para os clientes, mas sofreram alteraçaoes, justamente por causa da longevidade articulada no artigo, para reduzir o risco das proprias seguradoras. Se tiver um plano antigo, neste respeito, poderia analisar, MAS tais planos tambem sofreram na epoca de taxas de administraçao e de carregamento altissimas, cancelando os beneficios eventuais de Renda.. Hoje, os planos sao bem melhores, mas com propostas de Renda irrisorias.

    Se contratar um plano de previdencia, muito melhor para voce (e para os seus sucessores) gerenciar o patrimonio dentro do plano. Tal gerenciamento tem o beneficio de nao sofrer tributaçao nas realocaçoes entre categorias de investimento como RF e RV, um dos maiores beneficios. Quando precisar de utilizar os recursos na aposentadoria, simplesmente efetua resgates.

    • Guilherme 28 de fevereiro de 2019 at 16:17 #

      Excelentes aportes contributivos, Michael!

      Realmente, hoje em dia acho que quase ninguém optaria por conversão em renda nos planos privados.

      Um mínimo de conhecimento financeiro nessa área já é suficiente para conseguir administrar melhor o patrimônio resultante.

      Abraços!

  6. MARCOS ARCANJO AGOSTINHO 26 de fevereiro de 2019 at 19:47 #

    Ótimas ponderações no artigo e comentários

  7. Breno Medeiros 27 de fevereiro de 2019 at 11:23 #

    Bom dia, Guilherme e Luiz!

    Luiz, parabéns pelo texto! Independentemente de qualquer valor que esteja fixado ou informação repassada, o mais importante é a discussão saudável e as sementes para a educação financeira que estão sendo plantadas.

    Temos que ficar felizes porque a realidade da remuneração de 1% líquida ao mês (que em muitos momentos já durante o Plano Real foi bem superior a isso, sim!) não existe mais no Brasil. Espero que nunca volte porque significa inflação mais alta, taxas de juros mais caras para a população, para os empresários e para a dívida pública brasileira.

    Torço para que a realidade seja de juros cada vez mais baixos e pela perspectiva de migração da Renda Fixa para a Renda Variável. Com isso, deveríamos nos “preocupar” em aprender a analisar a qualidade e o preço das empresas que negociam na Bolsa de Valores para nos tornarmos sócios delas. Empresas boas que remuneram ao longo do tempo com os seus dividendos e com a valorização dos seus preços devido ao reinvestimento dos próprios lucros.

    Abraços!

    • Guilherme 28 de fevereiro de 2019 at 16:18 #

      Ótimas perspectivas de análise, Breno!

      Concordo com você, tomara que as taxas de juros reais fiquem em níveis mais baixos, para incentivar a formação de poupança privada via investimento produtivo, ações etc.

  8. Breno Medeiros 27 de fevereiro de 2019 at 11:24 #

    Quanto à Previdência Privada, enxergo muito mais desvantagens do que vantagens. Um ponto interessante a se observar é a sua limitação enquanto patrimônio familiar. A pessoa junta dinheiro durante a sua vida laboral, mas se começar a receber a renda ou o benefício estes valores não serão repassados aos herdeiros ou irão até no máximo a próxima geração, depois se esgotam.

    Já quando se constrói um patrimônio por meio dos próprios investimentos, a tendência de longo prazo é o crescimento do bolo financeiro. Por outro lado, isso também acende uma luz de alerta para a necessidade da educação financeira familiar e para o planejamento sucessório de forma antecipada, incluindo aí uma “disciplina” de educação financeira aos herdeiros. Até porque não seria nada legal verificarem após a morte do(a) patriarca/matriarca a dilapidação do patrimônio construído com tanto sacrifício por falta de conhecimento e comportamentos inadequados.

    Abraços!

    • Guilherme 28 de fevereiro de 2019 at 16:19 #

      Verdade, Breno.

      Também prezo e defendo a construção de um patrimônio próprio via investimentos e, no caso da previdência privada, resgates totais para investimento por conta própria.

  9. Semeador Financeiro 28 de fevereiro de 2019 at 18:30 #

    Gosto de pensar em não depender de aposentadoria estilo INSS. Acredito que devemos através de poupança, economia e investimentos, fazer nosso próprio “pé de meia” para nossa velhice.

    É assustador depender unica e exclusivamente de uma previdência ameaçada…melhor sofrer um pouco agora do que ter surpresas depois!

    Semeador

  10. Mauro Amado 5 de março de 2019 at 16:09 #

    Quanto a converter em renda a previdência privada, de fato é desvantajoso do ponto de vista financeiro. A pessoa perde dinheiro fazendo isso.

    Mas olhando por outro ângulo, uma pessoa que recém se aposenta, com seus 60 anos idade, digamos, ainda tem todas as suas faculdades mentais saudáveis, mas isso vai diminuindo, a pessoa vai ficando desatualizada, algumas sofrem de demência ou alzheimer ou simplesmente ficam velhas demais para lidar com suas finanças. Normalmente um filho ou uma filha passa a cuidar dessas coisas por ela.

    Levando isso em consideração, não é interessante ter uma renda mensal que vai entrar na conta da pessoa todos os meses faça chuva ou faça sol sem que ela precise fazer nada?

    Hoje a previdência privada faz isso, mas se acharmos outra forma de fazer com que o dinheiro que a pessoa acumulou durante a vida se transforme em renda de uma outra forma seria válido também. Meu ponto não é defender a conversão em renda de previdências privadas, só atentar para não esbarrarmos a matemática financeira numa realidade que pode sobrepô-la.

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