Poupe. Conserve. Multiplique.

Os 3 estágios da construção da riqueza

Para construir uma vida financeiramente independente, harmônica e equilibrada, há um conjunto de 3 atitudes que são absolutamente indispensáveis, e que, sem elas, fica impossível conseguir qualquer grau de independência ou mesmo de estabilidade financeiras.

Essas 3 atitudes estão interligadas, e devem ser cumpridas em ordem sucessiva, ou seja, você só conseguirá realizar a terceira atitude se finalizar a segunda etapa, e essa segunda etapa, por sua vez, só existirá se o primeiro estágio for concluído.

Elas estão todas representadas e devidamente sintetizadas no título desse artigo – poupe, conserve, multiplique -, e eu quero que você as grave na sua memória ao longo de todo esse ano de 2019, a fim de que você consiga manter o curso e ter as finanças equilibradas ao longo de toda a sua jornada.

Mais do que gravar em sua memória, eu desejo na verdade que você as coloque em prática, diuturnamente, pois só fazendo é que você conseguirá desenvolver as habilidades necessárias para a construção de patrimônio.

Sei que mais de 90% dos leitores habituais do blog já sabem de cor e salteado os conceitos que transmito nesse post. Contudo, mesmo assim sempre vale a pena ler de novo, pois esse tipo de conteúdo você jamais irá ver com tanta ênfase sendo abordado num programa de TV ou num canal de rádio.

Além disso, sempre chegam ao blog novos leitores interessados em adquirir educação financeira e, para essa parcela do público, posts como esse são sempre muito bem-vindos. 😉

1. Poupe.

Tudo começa com um ato tão simples quanto esse: economizar dinheiro. Fazer sobrar dinheiro no final do mês. Gastar menos do que se ganha.

Sem sobras financeiras, não há como ter finanças pessoais sustentáveis, pois, sem as sobras, não haverá dinheiro para investir e garantir um forro de segurança ao redor de sua vida e da de sua família.

Por isso, se você não poupou até agora, 2019 está se abrindo como uma excelente oportunidade para que você faça o que provavelmente nunca fez antes: construir um orçamento doméstico.

Sim, pois a maioria absoluta das pessoas que não conseguem economizar é porque têm dificuldades em controlar os gastos. A palavra chave aqui se chama “controle”.

E muito disso se deve à falta de ferramentas que proporcionem o devido controle do dinheiro que entra e do dinheiro que sai.

O ato de poupar será tão mais eficaz quanto melhor você utilizar as ferramentas associadas a esse ato.

E a ferramenta principal para conseguir almejar ter o poder econômico de quem acumula ativos é essa: orçamento doméstico.

No blog, ao longo desses últimos dez anos, publicamos vários artigos sobre a importância de ter um controle dos gastos, que seja eficiente e otimizado para as suas necessidades e suas particularidades:

Hoje, eu volto a frisar a importância de poupar como um hábito absolutamente fundamental para a construção e manutenção da riqueza. Seja uma máquina de fazer sobrar dinheiro no final do mês.

Por exemplo: em supermercados, procure sempre aproveitar as promoções. Se tiver uma promoção imperdível de produtos de limpeza, com descontos fora da normalidade (por exemplo, um galão de sabão em pó líquido concentrado que, em vez de ser vendido por R$ 37, estar anunciado por R$ 15), vale a pena fazer um estoque, pois esses produtos costumam ter um prazo de validade bastante razoável.

Maximize o valor de suas compras, barganhe os descontos possíveis e plausíveis, prolongue o prazo de validade das coisas que você usa etc., que tudo isso contribuirá para você acumular mais dinheiro para investimentos.

2. Conserve.

Mas poupar é só o primeiro passo para ter as finanças devidamente equilibradas.

É preciso ir além, é preciso conservar aquilo que foi economizado. E é aqui que começam os problemas.

Muitas pessoas até conseguem, depois de anos e mais anos endividadas, fazer sobrar dinheiro, por meio da adoção de um orçamento doméstico controlado e bem administrado. Elas até ficam felizes quando veem, tanto na planilha do Excel (ou do app de controle das finanças), quanto na própria conta bancária, um dinheiro sobrando, fruto de muita economia, muita perseverança e muito suor. São R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 20 mil ou até mais, um dinheiro que provavelmente está todo alocado numa reserva de emergências, como um fundo referenciado DI, o Tesouro SELIC ou mesmo a caderneta de poupança.

Mas onde está o problema?

A raiz do problema pode estar localizada em diversos fatores, mas eu destaco particularmente a falta de resiliência, especialmente o esgotamento das reservas da força de vontade.

Explicando melhor: com tanto dinheiro poupado dando sopa, e depois de meses – quiçá anos – de árduos esforços para poupar uma quantia relevante, o sujeito passa a destruir tudo aquilo que conquistou às duras penas. Como?

De diversas formas: comprando carros desnecessários, comprando imóveis desnecessários, comprando viagens acima de seus rendimentos mensais, comprando roupas, relógios e eletrônicos incompatíveis com sua renda mensal etc.

A falta de conservação é ruim por qualquer ângulo que se analise o problema, mas ela é ainda pior porque atinge o dinheiro envelhecido, ou seja, aquele dinheiro poupado com tanto esforço e suor, que, justamente por ser um dinheiro velho, é o dinheiro mais valioso, já que sobre ele os efeitos dos juros compostos são maiores – devido ao fator tempo – e a carga tributária é menor – em função da alíquota decrescente de imposto de renda (para produtos de renda fixa).

Portanto, se você quiser ter um acúmulo de patrimônio consistente e feito de maneira disciplinada e constante, é fundamental conservar as conquistas dos anos anteriores, e não corroê-las adquirindo passivos desnecessários.

Resumindo: o dinheiro poupado precisa ser devidamente conservado.

3. Multiplique.

Seja um agricultor das finanças: plante pés de dinheiro que rendam os melhores frutos possíveis – o que, no caso, significa fazer mais dinheiro com o dinheiro poupado e previamente conservado.

E é precisamente aqui que entra o papel da educação financeira, no seu viés proativo, ou seja, na arte de estudar os investimentos e fazer o dinheiro trabalhar para você.

Nas duas etapas anteriores, você estava criando o dinheiro: juntando e conservando as sementes de sua prosperidade financeira – as sobras do final do mês, as rendas extras decorrentes de horas extras, revenda de produtos, trabalhos freelancer etc.

Nesse último estágio de construção da riqueza, você precisa fazer o dinheiro gerar mais dinheiro, usando a inteligência financeira para fazer com que seu patrimônio acumulado se transforme em mais patrimônio.

É o dinheiro trabalhando por você: a geração de renda passiva que lhe dará os alicerces para ter uma vida financeira o mais independente possível do trabalho ativo.

E multiplicar o dinheiro não significa apenas obter a maior rentabilidade possível, mas sim obter a rentabilidade mais adequada ao grau de risco que você pretende assumir, sempre tendo como norte – além de seus objetivos não financeiros – os cuidados com os vilões dos investimentos: os tributos (custos estatais: impostos, taxas etc.), os custos privados (taxas de administração e de custódia, por exemplo), e a inflação, que é a perda do poder de compra da moeda no decurso do tempo.

Multiplicar o dinheiro é tão importante quanto poupar e conservar, pois quanto mais inteligência financeira você colocar a serviço de seu capital, mais rápido você conseguirá atingir a sua independência ou segurança financeiras.

Conclusão

Construir riqueza é um processo que leva e consome tempo, exigindo de você o desenvolvimento e aprimoramento de bons hábitos que precisam ser praticados diuturnamente.

E esses hábitos não precisam ser necessariamente comissivos: até as omissões intencionais contribuem – e muito! – para você se esmerar na arte de construção de riqueza.

Por exemplo, ao deixar de ir num cinema no final de semana, você poupa dinheiro – que, diga-se de passagem, não é pouco (ingressos do cinema + estacionamento + pipoca + combustível etc.).

No âmbito dos investimentos, a inteligência financeira lhe proporciona também orientações sobre quais ativos não comprar: consegue-se multiplicar o capital não apenas escolhendo os investimentos certos, mas principalmente evitando as “roubadas” (esquemas de pirâmides, ações especulativas etc.).

Acima de tudo, construir riqueza é um processo de caráter permanente, em que você precisará exercitar quase que diariamente os três verbos constantes do título: poupar, conservar e multiplicar. Vamos praticá-los? 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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16 Responses to Poupe. Conserve. Multiplique.

  1. Simplicidade e Harmonia 28 de janeiro de 2019 at 7:10 #

    Guilherme,

    Gostei das 3 palavras chave: poupar, conservar e multiplicar, pois as 3 se complementam.
    Para que a pessoa sejam bem sucedida nesse caminho, acredito que antes de poupar é necessário refletir sobre os hábitos de consumo, pois com frequência é o consumo desnecessário que prejudica as finanças ao longo da vida.

    Boa semana,

    • MJC 28 de janeiro de 2019 at 18:35 #

      Concordo.

      E é bom esse tipo de coisa estar virando moda com questões de arrumação (com o método konMari, por exemplo, que foi pro Netflix recentemente).

    • Guilherme 29 de janeiro de 2019 at 16:17 #

      Excelente, Rosana!

      De fato, sem reflexões bem apuradas, fica difícil estabelecer qualquer norte mais preciso.

      Teríamos, então, 4 verbos a praticar:

      Reflita. Poupe. Conserve. Multiplique.

      Abraços!

  2. André 28 de janeiro de 2019 at 9:37 #

    Muito legal, Guilherme!

    São conceitos primários, mas poderosos. E, muitas vezes, os principais para conquistarmos tranquilidade financeira.

    Muitas pessoas acham que precisa ser gênio, ter nascido em berço de ouro ou deparar-se com uma grande sorte na vida para poder ter IF. Mas no fundo, as atitudes para chegar lá são bem simples. Claro que o prazo para isso depende de outros fatores, mas a direção correta é muito simples de seguir.

    O que não quer dizer que seja fácil para algumas pessoas, como as escravas do consumo como a Rosana citou acima.

    Abraços!

    • Guilherme 29 de janeiro de 2019 at 16:22 #

      Verdade, André.

      Como você bem disse, fazer o “feijão com arroz” muitas vezes é o que garante uma vida financeira mais confortável.

      Abraços!

  3. Marcelo 28 de janeiro de 2019 at 14:54 #

    a simplicidade é o grau máximo de sofisticação.

  4. felipe 28 de janeiro de 2019 at 16:05 #

    Muito bacana!

    Tomo a liberdade em adicionar na palavra conservar, conservar seus bens conquistados,seja aquele veículo que você utiliza para trabalhar ou passear com a família, aquela sua roupa que mesmo que não seja de marca, lhe serve tão bem.

    • Guilherme 29 de janeiro de 2019 at 16:23 #

      Muito bem lembrado, Felipe, até porque são coisas que tiveram um custo para serem adquiridas, então, valorizá-las ao máximo é a palavra-chave!

  5. Vania 29 de janeiro de 2019 at 17:31 #

    Um excelente resumo, bem objetivo, das ações fundamentais para ter tranquilidade financeira.
    Ultimamente, tenho me deparado com muitos casos de falha no Conservar. Pessoas que fazem um orçamento, não tem dividas, conseguem poupar, tudo certo. Mas ficam sempre buscando um uso para o dinheiro poupado.

    • Guilherme 1 de fevereiro de 2019 at 16:30 #

      Obrigado, Vânia!

      Realmente, o estágio da “conservação” é de particular dificuldade para muitas pessoas, sobretudo para aquelas que não conseguem controlar os impulsos de consumo.

  6. Rodrigo 31 de janeiro de 2019 at 14:05 #

    Oi, eu gostaria de fazer um Guest Post para o blog.
    Vou cadastrar o meu aqui para vocês avaliarem e decidirem se posso escrever um artigo para vocês(Artigo de no mínimo).

  7. Loja Novo Estilo 1 de fevereiro de 2019 at 9:22 #

    Otimas dicas! bem explicado amei o post. Abraços

  8. Henrí Galvão 5 de fevereiro de 2019 at 14:04 #

    Mesmo esses textos mais básicos têm muito valor pra mim. Primeiro, porque estou muito longe de alcançar a independência financeira; segundo, porque você estabelece relações entre conceitos que, por mais que eu já tenha na minha cabeça, nem sempre estão tão bem inter-relacionados.

    A maior evidência disso é a conclusão desse artigo, onde você enfatiza a importância não só do que fazer, mas também do que não fazer. Talvez o que evitar seja até mais importante, e daí vem toda a ideia espiritual da via negativa (que Nassim Taleb explora tão bem em Antifrágil).

    • Guilherme 5 de fevereiro de 2019 at 17:36 #

      Obrigado pelos comentários, Henrí!

      Realmente, trabalhar velhos conceitos, interpretando-os por diferentes e novos ângulos, faz nosso cérebro reforçar as conexões neurais do aprendizado, tornando mais rica a absorção desses conteúdos “clássicos” de finanças.

      Abraços!

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