Comprar uma passagem para Paris em 2019 ou oito (passagens) em 2039?

Como havíamos discorrido há alguns dias, atualmente quase ninguém lê jornais ou revistas. Porém, antigamente (e pessoas nascidas do começo dos anos 80 pra trás sabem bem disso) elas eram dois dos nossos principais meios de aquisição de informação e conhecimento.

Pois bem, remexendo as tralhas caseiras, me deparei com um exemplar do remoto ano de 2001 da revista (hoje já extinta) Meu Dinheiro. Comecei a folheá-la e, dentre as matérias que me chamaram a atenção, uma em especial se destacou, a ponto de servir de base para as reflexões do artigo de hoje.

Tratava-se de como juntar dinheiro, mediante corte de gastos, para comprar uma passagem aérea para Paris (ida e volta) fora da alta temporada. O ano, repito, era 2001. 17 anos atrás, portanto. Confiram os valores:

Observem que o preço médio da passagem internacional para a Europa era, em maio de 2001, de R$ 2.031, e, para alcançar esse objetivo, o artigo propunha economizar com jantares fora de coisa, ingressos de cinema e compras de CDs.

De início, várias observações interessantes podem ser tiradas dessa reportagem.

Por exemplo, CDs. Quem hoje em dia compra CDs? Praticamente ninguém. Eles foram dizimados pela Internet, inicialmente pelo Napster, Kazaa e outros serviços P2P, depois pelo iTunes, e agora pelos serviços de streaming – Spotify, Deezer, Apple Music etc. – sobre os quais, aliás, escrevemos recentemente.

Quanto ao cinema, ele continua sendo uma atividade de entretenimento recorrente a muitas famílias brasileiras, embora o preço do ingresso (oito reais à época) pareça não ter aumentado muito nesses 17 anos de intervalo que separam aquela reportagem do dia de hoje.

Já os preços dos restaurantes aumentaram bastante. Hoje em dia acho ser bastante difícil um casal gastar menos que R$ 100 pra comer fora, ao menos num “restaurante estrelado”, como escreve a reportagem.

Mas o que deve saltar aos olhos da maioria esmagadora das pessoas é o preço da passagem em 2001: R$ 2.036 – com a observação de ter sido cotado fora da alta temporada, numa empresa (Varig) hoje também extinta.

A pergunta que muitos leitores devem se fazer é:

“Ué, o preço não se manteve estável? Ou pior, baixou de lá pra cá, já que hoje em dia se consegue achar passagens para Europa por menos de R$ 2 mil, inclusive em alta temporada? Se hoje o preço está até mais barato que em 2001, vale a pena viajar mais vezes por ano pra Europa, afinal, está tudo muito barato!”

É aqui que começam os problemas.

O valor do dinheiro no tempo

O raciocínio “2018 está mais barato que em 2001” está errado porque não se considera, nesse raciocínio, o valor do dinheiro no tempo.

E isso por uma razão muito simples: dois mil reais em maio de 2001 compravam muito mais coisas que dois mil reais compram agora em novembro de 2018, da mesma forma que duzentos mil reais em maio de 2001 compravam muito mais coisas que duzentos mil reais compram agora em novembro de 2018.

O preço do dinheiro da passagem pode ter até se mantido inalterado nesses 17 anos, mas o valor do dinheiro da passagem se alterou profundamente.

E é justamente pela falta de percepção objetiva da diferença entre preço e valor que muitas pessoas não conseguem enxergar a importância de economizar dinheiro: porque focam exclusivamente no preço, esquecendo-se completamente de analisar as variáveis embutidas no valor, isto é, da importância da construção da poupança privada, bem como nos custos de oportunidade que se perdem ao levarem uma vida desregrada e consumista de modo compulsivo.

A diferença é ainda mais gritante quando se analisam os custos dos passivos vs. os custos dos ativos.

R$ 200 mil compravam em maio de 2001 um bom imóvel em praticamente qualquer cidade do país. E hoje?

R$ 2 mil compravam, em maio de 2001, mais de mil ações do Itaú. E hoje? Hoje mal compram 60.

R$ 2 mil compravam uma passagem para Paris em 2001, e com o mesmo dinheiro você compra uma passagem agora em 2018, e provavelmente comprará com o mesmo dinheiro uma passagem daqui a “x” anos.

Ocorre, contudo, que se você economizar esse dinheiro agora, e investi-lo em ativos, poderá comprar muito mais passagens no futuro.

E é aqui que chegamos: no valor do dinheiro no tempo.

O custo invisível da mudança do valor do dinheiro no tempo

Se há alguns dias abordamos os custos invisíveis do tempo, agora é chegada a hora de realçar os custos invisíveis da mudança do valor do dinheiro no tempo.

Usando o mesmo exemplo da reportagem da revista: suponha que você estivesse na situação da reportagem, quisesse viajar para Paris, e tivesse economizado os tais R$ 2.031 e efetivamente viajado para Paris. Imagine agora que você entrasse numa cápsula do tempo e não tivesse gastado os R$ 2.031, mas sim economizado esse valor num investimento bastante conservador, atrelado ao CDI. Quanto você teria de dinheiro hoje?

Usando o app gratuito da Calculadora do Cidadão, do Banco Central, eis os resultados abaixo:

Se você tivesse optado por poupar essa grana, hoje você teria mais de R$ 17 mil (ou, para ser mais realista, um valor entre R$ 13 a R$ 15 mil líquidos, considerando impostos e taxas).

Como o preço da passagem se manteve estável de 2001 pra cá, com o dinheiro economizado lá atrás, em 2001, você hoje teria dinheiro para bancar nada mais nada menos do que oito passagens para a Europa (considerando que hoje é possível comprar passagens para o mesmo local por preços até inferiores a R$ 2 mil).

E isso considerando um investimento conservador em renda fixa.

Tá certo que ninguém é louco de querer ir a Paris praticamente uma vez a cada seis semanas e meia (a menos que você seja realmente louco por Paris).

Tampouco é garantido que, economizando os R$ 2 mil em 2019, você acumule oito vezes mais que isso em 2039, já que as taxas de juros dos últimos 17 anos podem não se repetir nos próximos 20 anos (ainda mais considerando a tendência histórica de longo prazo de diminuição gradual da taxa SELIC no Brasil).

Também não estou propagando a ideia de “parar de viver” para ser um pão duro que deixe de fazer absolutamente tudo – sem jantares fora, sem cinemas, sem CDs serviços de streaming, sem viagens.

Não é nada disso.

A principal ideia do texto de hoje é a de mostrar que muito dinheiro gasto hoje pode significar uma perda de dinheiro muito grande lá na frente, que pode lhe fazer falta. Uma viagem de R$ 2 mil, por ano, pode ser mais do que suficiente. Pra quê duas viagens? 4 viagens? 8 viagens? Uma volta ao mundo? Você realmente tem bala na agulha pra arcar com toda essa gastação de dinheiro?

Talvez o texto do título fosse melhor se fosse escrito assim: “comprar duas viagens para Paris em 2019 ou dezesseis viagens em 2039?”, pois todo dinheiro gasto hoje vai implicar o sacrifício de algum pedacinho de seu futuro. Para seus padrões e suas necessidades de consumo, talvez uma viagem já seja suficiente. Ou uma viagem de menor valor, que não envolvam gastos com passagens aéreas. Gaste, mas de modo controlado. E economize o máximo que puder.

Expandindo o raciocínio.

Vamos expandir as fronteiras da reflexão. Talvez a compra de um carro por década já seja mais do que suficiente. Pra quê comprar 3 carros a cada 10 anos? Por mais que você consiga revender os antigos por um bom preço, você já perde dinheiro na saída do primeiro carro da concessionária, então, qual o sentido de ficar girando patrimônio com veículos nessa frequência toda?

O carro que você quer comprar e que custa R$ 54 mil na verdade não custa R$ 54 mil. Ele custa R$ 500 mil. Escrevemos sobre como transformar R$ 54 mil em R$ 503 mil num artigo de 2015.

Embora as taxas do Tesouro Direto já não estejam tão atrativas quanto naquela época, é o modelo mental que importa mais e que está em jogo: o modelo mental de viver uma vida mais voltada para menos irresponsabilidade no consumo. Uma vida mais simples.

Smartphones: você também é daqueles que gira patrimônio com aparelhos? Vai comprar a versão mais recente do iPhone que custa R$ 100 mil?

Não, você não leu errado. R$ 10 mil é o preço de hoje, novembro de 2018. Você provavelmente já tem um celular, então, se economizar esse dinheiro – os R$ 10 mil – e investi-los numa das inúmeras opções que o mercado lhe oferece (Tesouro Direto, ações, fundos imobiliários), visando o longo prazo, é bastante provável que consiga multiplicar esse patrimônio por 10x em alguns anos – escrevemos sobre isso no blog, inclusive.

O problema é quando você exagera na dose e passa a, só porque aquele que você segue no Facebook, YouTube, Twitter ou Instagram viaja trocentas vezes por ano, compra os smartphones de última geração, veste as roupas mais caras e recém-lançadas, dirige os veículos mais novos, querer repetir os mesmos comportamentos. Tome muito cuidado com a cegueira autoimposta (ainda que inconscientemente) para os custos invisíveis do valor do dinheiro no tempo, pois aquilo que você economiza hoje, poupado e investido de forma incansável, pode lhe render um futuro muito mais tranquilo e poderoso.

Outros podem argumentar que dinheiro bom é dinheiro gasto, e de que adianta economizar se não for para usufruir em prazeres como viagens e lazer? Concordo com as premissas do raciocínio, afinal de contas, uma das mais importantes funções do dinheiro é ser útil nas áreas em que ele se mostrar útil e necessário, e que a vida pode ser feita de momentos para os quais economizar e efetivamente gastar dinheiro são – ou podem ser – bem-vindas.

Porém, o que quero registrar aqui é que todo tipo de gasto deve passar por um filtro racional e objetivo, pois, com as facilidades proporcionadas pela Internet no sentido de maximizar o consumo, não é incomum pessoas, casais e até famílias inteiras exagerarem no consumo de passivos, passivos esse relacionados não apenas a viagens (muito em voga por conta das redes sociais onde as pessoas parecem que viajam para satisfazer os outros e para o resto do mundo, menos para elas próprias), mas também a gastos em excesso com roupas, carros, casas e outros símbolos que possam denotar ostentação, status e/ou luxo.

Vamos ao exemplo tangível do carro, um item que deve ser feito para durar o máximo de tempo possível nas mãos do proprietário.

Hoje, é comum vermos carros sendo vendidos acima de R$ 100 mil – principalmente as SUVs. E tem gente que ainda insiste em trocar de carro a cada 2 anos, 4 anos etc. Imagine o quanto de dinheiro estará sendo perdido de forma irreversível com essas trocas loucas e frenéticas. E tudo isso considerando, é claro, que você consiga bancar os R$ 100 mil à vista, pois, se for financiado, o poder multiplicador da perda fica ainda mais avassalador.

Muitas pessoas perdem a independência financeira porque se escravizam no consumo doentio de passivos como os carros, e outras tantas a perdem pelo consumo desenfreado de um amplo conjunto de passivos comprados desnecessariamente ano após ano.

Se o seu celular ainda dá pro gasto, mantenha-o. Prolongue a vida útil do aparelho o máximo que puder. E o mesmo vale para todos os demais eletrônicos que costumam ser “sugadores de dinheiro”: tablets, televisões, equipamentos de áudio, vídeo etc. “Não ser o mais recente” não significa dizer “não presta”.

Conclusão

Evite comprar um carro de meio milhão de reais. Resista à tentação de comprar um celular de cem mil reais. Não compre uma passagem aérea de R$ 16 mil.

Procure enxergar o preço dos passivos não apenas com os olhos, ou seja, em função unicamente do preço de etiqueta, mas também com a mente, ou seja, sob as lentes do valor que você poderia obter se, ao invés de gastar, tiver a oportunidade de poupar e investir, principalmente se você puder se abster de comprar, seja porque já tem um passivo que funciona e dá conta do recado (por exemplo, um carro ou um celular ainda perfeitamente funcional), seja porque você está querendo comprar mais por ego e vaidade do que por necessidade própria (viagem, roupas etc.).

Pense no poder multiplicador em seu patrimônio – e no salto que você pode ser capaz de dar na qualidade de sua vida, a longo prazo – se você conseguir aliar esses dois pilares na construção de riqueza: frugalidade e autocontenção, nos gastos, combinadas com (= multiplicadas por) inteligência financeira em investimentos que lhe proporcionem ganhos acima da inflação no longo prazo. Essa combinação é matadora. O poder multiplicador da independência financeira atingirá seu grau máximo. O céu passa a ser o limite.

Uma das principais vantagens e benefícios de se acumular dinheiro é isso: ter dinheiro lhe dá opções que a falta de dinheiro nunca lhe dará.

Não pense em poupar e economizar como algo sacrificante, como se tivesse perdendo algo, mas sim como algo libertador, funcionando como um passaporte para um futuro digno e carregado de bem-estar e prosperidade financeiras.

O objetivo de se ter educação financeira não é poupar a qualquer custo, mas sim consumir hoje com responsabilidade, através de um planejamento financeiro que lhe dê possibilidade de viver bem o presente e ao mesmo tempo assegurar a construção de uma aposentadoria digna, confortável e livre de preocupações financeiras.

Viver bem o presente e assegurar o futuro não são atitudes excludentes, como poderia parecer à primeira vista, mas sim complementares e que podem ser realizadas em perfeito equilíbrio e harmonia.

Print Friendly, PDF & Email

29 Responses to Comprar uma passagem para Paris em 2019 ou oito (passagens) em 2039?

  1. Renato C 26 de novembro de 2018 at 1:33 #

    Excelente post!

  2. Simplicidade e Harmonia 26 de novembro de 2018 at 7:37 #

    Guilherme,

    Seu post ficou muito apropriado nessa época do ano, quando o consumo de artigos muito desnecessários costuma falar mais alto, mas como sempre, o equilíbrio é fundamental. Como você disse, não podemos ser pão-duros, mas também não podemos deixar que o consumo nos domine.

    Boa semana!

    • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 8:36 #

      Isso, Rosana, equilíbrio é sempre a peça chave nesse tema!

      Boa semana também!

  3. MJC 26 de novembro de 2018 at 7:48 #

    As vezes eu penso um pouco assim também, mas com valores menores. Eu não multiplico por 10, eu multiplico por 4. Então cada 1 real vira cerca de 4 reais daqui 30 anos. Isso porque eu penso numa taxa de juros de 5% acima da inflação (*). O valor nominal será muito maior, mas esse excesso não conta como dinheiro novo, já que é só atualização pela inflação.

    Entretanto, tento não exagerar muito nisso, pois acho importante dosar o presente e o futuro. Em 30 anos, estarei quase chegando aos 70. Vale mais a pena uma viagem ao exterior hoje próximo dos 40 ou depois, próximo dos 70? Pra mim, no meu caso específico, vale a pena hoje. Então faço hoje.

    Um carro, já acho que vale a pena segurar enquanto estiver dando segurança. Se o cara usa muito um carro e viaja muito nele, é importante priorizar um carro com itens de segurança. Estando com a manutenção em dia, não importa muito se ele tem 1 ano ou 10 de uso, desde que esteja seguro. Daí não vejo porque atualizar o carro só por atualizar.

    O que quero dizer é que não podemos olhar apenas para o crescimento do dinheiro no tempo. Em alguns casos eu concordo totalmente, principalmente em relação a bens de consumo: compre e use enquanto der! Mas em outros casos… Nossa vida é finita e o valor que damos a algumas coisas dependem da nossa idade. Algumas experiências perdem o sentido com o tempo. Por exemplo, se a pessoa gosta de viajar para curtir a natureza fazendo trilhas, ela tem que fazer isso quando tem o corpo adequadamente disponível. Pode ser que, daqui 30 anos, ela tenha o dinheiro pra fazer 10 vezes aquilo mas o corpo não consegue fazer nem 10%.

    Enfim, entendo que meu caso é muito específico pois consigo viver o presente e guardar para o futuro, o que não é o caso de boa parte dos brasileiros.

    (*) 1,005^30 dá pouco mais de 4, mas pra quê complicar no dia a dia? O importante é a ideia.

    • VN 26 de novembro de 2018 at 17:22 #

      Concordo em gênero, número e grau!

    • Raphael 27 de novembro de 2018 at 9:31 #

      Bem colocado. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno. O caminho do meio parece ser o melhor.

      E sim… Claro que você faz parte da minoria da população. Arrisco a dizer que a maioria dos leitores aqui fazem…

      Incrível essa verdade que algumas experiências perdem o sentido de acordo com o tempo… Viajar para farra com amigos solteiros é uma coisa. Viajar em casais é outra, por exemplo.

      E belo exemplo das trilhas. A ideia é se manter saudável sempre, fazendo viagens de aventura na natureza até onde pudermos heheh, mas é um bom ponto.

    • Adriana 27 de novembro de 2018 at 14:08 #

      MJC concordo muito com você, sobretudo no que se refere as viagens. Ficar adiando uma viagem por muito tempo, quiçá por décadas, quando se tem dinheiro suficiente para viajar, é uma ideia perturbadora demais para mim. Porque as viagens são uma experiência de vida e como você bem disse, talvez daqui muito tempo não se consiga aproveitar da melhor maneira. Quando mais velha, talvez eu queira fazer um tipo de viagem muito diferente das viagens que faço agora e talvez não tenha mais condições e nem vontade de fazer algumas viagens mais aventureiras por exemplo (também talvez já tenha família e faça viagens de família ao invés das viagens que faço sozinha atualmente). Viajar muda demais a cabeça de uma pessoa e sua perspectiva de vida, ficar fechado em um mundinho apenas guardando dinheiro talvez agregue menos do que a viagem.
      O que acho que não pode é esbanjar, torrar em viagens um dinheiro que não se tem, se endividar, dar um passo maior que as pernas, essas coisas. Se a pessoa não tem nem uma reserva de emergência, não deveria pensar em viajar. Mas é uma situação diferente ter ou não capital para gastar com viagens. Depende do estilo de vida da pessoa, do “dever de casa financeiro” que ela tenha ou não feito antes e das prioridades, etc.
      Em resumo, para algumas coisas na vida acho que há um “time” exato. Perder esse “time” só por algum tipo de medo do futuro pode ter um impacto muito profundo em nossas vidas, um impacto que talvez o dinheiro acumulado daqui 10 ou 30 anos não conseguirá recuperar. Confesso que eu mesma tenho dificuldades para encontrar esse “time” em alguns aspectos da minha vida e fico adiando alguns planos e decisões que eu acredito que contribuiriam para meu aprendizado e talvez até para minha felicidade, pensando em construir um patrimônio que me dê folga financeira no futuro. No entanto, as decisões de viagem não são adiadas se eu tiver condições financeiras de realizá-las no presente, pois sei que posso estar perdendo um “time” irrecuperável.

      • Renato C 27 de novembro de 2018 at 17:28 #

        Ótimo contraponto!

        Gostei tanto que fui até seguir o blog “Os Ventos do Destino”

        Viajar para Paris foi o meu estímulo número 1 quando não eu tinha nada (nem reserva de emergência) e precisava começar a juntar algo.

        Acabou que juntei dinheiro para a viagem, não a fiz, e prossegui com o hábito da poupança. Por um acaso do destino, acabou que depois eu fiz a tal viagem para Paris… só que de graça! rs

        • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 11:24 #

          rsrs….. belo depoimento, Renato C!

          Se é verdade que a questão do “timing” é importante para aproveitar certas coisas na vida – p.ex., não dá pra uma mulher ter um bebê aos 70, ou um homem querer se tornar tenista profissional aos 50 – não é menos verdade que muitas das coisas que se tornarão obrigatórias lá no futuro dependerão de um controle inteligente do dinheiro no presente – p.ex., dinheiro para custear planos de saúde ou mesmo para bancar as despesas do dia a dia, como mercado, condomínio, luz, água etc. E isso sem contar que imprevistos acontecem, e é muito melhor estar precavido com dinheiro do que desprevenido sem dinheiro.

          Há por aí incontáveis exemplos de pessoas que “aproveitaram a vida” na sua fase de acumulação de patrimônio – que na verdade se tornou uma fase de desacumulação de patrimônio – e hoje vivem na pobreza, sem saúde, e dependendo totalmente de parentes e do Estado.

          Da mesma forma, existem pessoas que se controlaram financeiramente durante a fase de acumulação de patrimônio, e hoje esbanjam vitalidade na terceira idade, curtindo viagens e aproveitando a vida. O exemplo clássico é dos velhinhos norte-americanos em excursões na Europa e na Ásia.

    • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 8:40 #

      Concordo, MJC, com seus argumentos, tanto é assim que dois dos textos que mais gostei de escrever no blog tem uma relação com esse tema:

      http://valoresreais.com/2010/05/03/as-prioridades-mudam-com-o-decorrer-do-tempo/

      http://valoresreais.com/2010/08/10/as-coisas-mudam-de-significado-de-acordo-com-os-contextos/

      Volto a frisar o que eu disse no texto:

      “O objetivo de se ter educação financeira não é poupar a qualquer custo, mas sim consumir hoje com responsabilidade, através de um planejamento financeiro que lhe dê possibilidade de viver bem o presente e ao mesmo tempo assegurar a construção de uma aposentadoria digna, confortável e livre de preocupações financeiras”.

      Abraços!

      • MJC 28 de novembro de 2018 at 8:59 #

        Não me lembrava desses dois textos. Li eles novamente e gostei muito. Esses textos atemporais são muito bons!

  4. Investidor Inglês 26 de novembro de 2018 at 8:00 #

    Perfeita conclusão!

  5. André 26 de novembro de 2018 at 10:18 #

    Perfeito, Guilherme!

    Avaliar o dinheiro no tempo é uma arte que poucos, infelizmente, conseguem praticar. As pessoas não fazem ideia das oportunidades perdidas!

    E, como você escreveu e a Rosana ratificou, equilíbrio sempre é importante para mantermos sempre a relação do resultado e recompensa balanceada mantendo a motivação sempre em alta!

    • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 11:25 #

      Isso mesmo, André!

      Por isso que um planejamento de longo prazo é essencial para conciliar presente e futuro!

      Abraços!

  6. Anônimo 26 de novembro de 2018 at 17:11 #

    Excelente post!

  7. Vania 26 de novembro de 2018 at 18:08 #

    Muito boa essa maneira de avaliar os gastos “atualizando” seu preço para o futuro. Vou adotar,
    Quanto ao equilibrio entre viver e poupar, ainda não achei método melhor que esse que uso: as despesas básicas tem que caber dentro de 50% da renda. Condominio, alimentação, luz, internet, gasolina, celulares, plano de saude, farmácia – tudo isso tem que se encaixar dentro de 50% da renda. Uso 30% para lazer, vestuário, alguma viagem, restaurante, extras – ou seja, coisas prazerosas. E os outros 20% são aplicados, mes após mes.
    Tambem já vi pessoas que adotam quase o mesmo esquema, apenas reduzindo a cota de coisas prazerosas para 20% e aumentando os investimentos para 30%. Logicamernte, sei que essas pessoas andam bem mais rápido na estrada da independência.

    • Renato C 27 de novembro de 2018 at 17:34 #

      Quando não se tem nada, é fundamental economizar uma porcentagem maior do salário – eu diria até que o máximo possível por pelo menos 5 anos.

      Já quando já se tem alguma quantia mais significativa investida, é possível diminuir um pouco a porcentagem do salário economizado. Isto é possível porque o montante anteriormente investido (e nunca mexido) “corre sozinho”, com seus juros a cada mês.

      • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 11:27 #

        Ótimas dicas, Renato!

        Concordo inteiramente com você. Aliás, quem, além de não ter nada, ainda deve, precisa adotar atitudes ainda mais drásticas, pois uma das piores coisas que existe é estar endividado.

    • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 11:26 #

      Ótima estratégia essa, Vania!

      É preciso controlar o orçamento, e não deixar que o orçamento te controle.

  8. Luke 26 de novembro de 2018 at 20:32 #

    Ao que se deve, no caso do exemplo, o preço da passagem aérea permanecer o mesmo preço ao longo dos anos? Será que foi competição, crescimento de mercado consumidor, redução de custos e tecnologia?

    Pois grande parte do preço, deve ser composto por salários e encargos, combustível e outros que acompanharam a inflação ou até a ultrapassaram nesse período

    Esse foi um dos pontos positivos.

    • Pedro 27 de novembro de 2018 at 7:31 #

      Isso é o que menos importa!

      • Luke 28 de novembro de 2018 at 14:42 #

        É o outro lado da estória, embora não seja o assunto principal do artigo, também é de interesse comum ao blog.

        Como o valor, assim como o preço, das coisas pode variar ao longo do tempo

  9. Stark, o Acumulador Compulsivo 30 de novembro de 2018 at 11:33 #

    Olá! Acabei de conhecer seu blog e gostei bastante.
    Essa é uma ótima maneira de repensar sobre nosso consumo desenfreado.
    Eu procuro usar um carro confortável que me atenda. Geralmente troco de carro com o intervalo de 5 anos, não consigo fazer mais que isso pois trabalho com ele, então utilizo muito.
    No entanto, procuro sempre ter carros somente uma categoria acima do popular basicão, pois preciso de um pouco de conforto, já que trabalho bastante viajando.

    Mas a reflexão é extremamente pertinente e veio em ótima hora.
    Parabéns pelo texto.
    Grande abraço! Passa lá pra conhecer meu blog também:

    http://www.acumuladorcompulsivo.com

    • Guilherme 30 de novembro de 2018 at 14:38 #

      Obrigado, Stark, e realmente no seu caso acaba sendo uma ferramenta de trabalho, e com certeza havendo controle e planejamento dá pra segurar bem os gastos nesse item.

      Seu blog é ótimo, vou acompanhar também!!!

      Abraços!

  10. Niko 9 de dezembro de 2018 at 15:40 #

    Legal,
    Vale considerar que a viagem é algo que marca a vida. por mais que seja um custo, é um momento que pode ser único (quem garante que sua esposa, país, irmãos, estão com você daqui a 20 anos).. lembro que fiz uma viagem com meus irmãos para Gramado em 2009, na época éramos todos solteiros, tenho lembrava até hoje.. devo ter gastado uns mil reais.. Investimento nenhum ganharia o retorno emocional que isso me trás ! Nem 1000 ações do Itaú.. isso foi único, não volta mais e não tenho mais a oportunidade de fazer uma viagem assim..

Deixe uma resposta

Powered by WordPress. Designed by Woo Themes