O custo invisível do tempo

Em certa ocasião alguém perguntou a Galileu Galilei:
– Quantos anos tens?
– Oito ou dez, respondeu Galileu, em evidente contradição com sua barba branca.
E logo explicou:
Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.

– Autor desconhecido

Uma das funcionalidades mais interessantes implementadas recentemente no iOS – sistema operacional que equipa os smarpthones e tables da Apple – consiste no recurso Tempo de Uso.

Eis uma breve descrição do serviço (sem destaque no original):

“O recurso Tempo de Uso, novidade do iOS 12, permite que você saiba quanto tempo você e seus filhos passam nos apps, sites e muito mais. Dessa forma, você pode tomar decisões bem informadas sobre como usa os dispositivos. Também é possível definir limites, se desejar”.

Ferramenta semelhante (através de aplicativos de terceiros) também se encontra disponível para quem tem aparelhos Android, e a utilidade desse tipo de serviço reside em dar aos seus usuários uma noção do custo invisível do tempo, tema do nosso artigo de hoje, a fim de que, conforme sugere o desenvolvedor do iOS, você “tome decisões bem informadas” sobre o uso do tempo.

Nos aparelhos da Apple, os relatórios semanais costumam ser enviados às 9 da manhã de domingo, e a primeira vez que o visualizei fiquei um tanto quanto preocupado, pois eu estava usando o aparelho numa quantidade de tempo acima daquilo que eu tinha previsto, projetado ou imaginado.

É impressionante o poder dos celulares para sugar o tempo das pessoas. Não nos damos conta da enorme quantidade de tempo e de atenção mental que passamos com essas telas de vidro. Só vendo (os relatórios semanais) para acreditar.

Mesmo disciplinando ao máximo o uso das redes sociais – p.ex., Twitter só costumo usar uma vez ao dia, emails eu nem olho no celular, e as notícias via RSS e vídeos do YouTube eu prefiro ler e assistir em tablets ou no desktop (por óbvias razões de maior conforto visual) – ainda assim fiquei surpreso com a enorme quantidade de horas que passo usando esses dispositivos portáteis.

É claro que uma boa dose desse tempo é passada em atividades que, em princípio, poderiam soar como menos ofensivas para a produtividade pessoal. Por exemplo, descobri que uso bastante a calculadora do celular, e que ouço bastante podcasts e músicas em segundo plano (normalmente em paralelo a uma outra atividade, como correr, caminhar ou preencher tempo em filas de mercado).

Porém, mesmo assim é surpreendente como as telinhas de vidro ocupam espaço em nossas mentes e em nossas vidas, espaço esse que é tanto mental quanto temporal.

Planejamento de uso das horas

Tempos atrás, abordei no blog que o brasileiro médio costuma passar em torno de 4 a 5 horas por dia assistindo TV, e como isso é nefasto e prejudicial para preencher o tempo de lazer com atividades de maior qualidade.

Também já mencionei, no site, embora de modo superficial, um livro da escritora norte-americana Laura Vanderkam sobre estratégias para aproveitar melhor o uso do tempo.

Uma questão que se coloca de tempos em tempos é essa: temos a cada ano que passa um volume cada vez maior de tarefas, mas o dia continua tendo as mesmas 24 horas que tinha desde o início dos tempos. Como conciliar o aumento frequente de demandas com a cada vez maior escassez (subjetiva) de tempo?

Talvez a resposta para essa questão não esteja localizada propriamente no foco em redução de demandas, mas sim em realizar uma análise crítica sobre como usamos o nosso próprio tempo. E isso por um motivo bastante elementar: nós não sentimos fisicamente o custo do tempo perdido pesar sobre nossas vidas, apesar de frequentemente ficarmos lamentando por ele.

E essa análise crítica deve ser feita não apenas com base no tempo que gastamos (desnecessariamente) com o celular, mas para diversas outras atividades.

Pense, por exemplo, no gasto de tempo estudando ações individuais. Eu sempre defendi que, para o investidor leigo pessoa física que não queira gastar muito tempo de sua vida com isso, o melhor custo/benefício em renda variável é o investimento em fundos passivos de índice.

Sempre defendi essa tese com base na rentabilidade, que em fundos passivos de índice costuma ser superior a uma cesta de ações selecionadas por conta própria.

Agora, é chegada a hora de falar da vantagem dos fundos passivos de índice sob uma outra ótica que ninguém discorre (principalmente as corretoras e agentes de investimento em geral, porque isso é contra o peixe vendido por eles): os enormes custos em termos de gastos de tempo.

Depois da alta que o Ibovespa teve em outubro (+ de 10% num único mês), e logo após ter atingido os 90 mil pontos agora em novembro, uma quantidade bastante grande de pessoas está querendo voltar – ou reiniciar – seu investimento em ações.

Muitas pessoas, então, gastam preciosas horas de seu tempo fazendo trades no home broker, assistindo lives no YouTube, pagando assinaturas caras de relatórios, pagando pequenas fortunas em cursos e palestras etc., tudo para tentar selecionar a “próxima Magazine Luiza ou Unipar” (duas das ações que mais subiram nos últimos anos).

Não são contra tais tipos de atitudes. Pelo contrário, recomendo – a ponto disso se tornar quase um mantra aqui no blog – que se gaste um tempo na aquisição de educação financeira antes de se gastar dinheiro comprando ações.

O problema ocorre quando o custo de tempo gasto em tais atividades acaba superando os benefícios ganhos dessas mesmas atividades. Será que a sua seleção de ações está superando o Ibovespa? Será que suas ações não caíram enquanto o Ibovespa não parou de subir? Será que você não estaria com mais patrimônio acumulado em renda variável – e sobretudo com mais tempo livre para outras atividades – se tivesse investido numa estratégia simples, em ETFs como BOVA11 e PIBB11, ao invés de seguir a “última dica do momento que promete triplicar seu capital em menos de 3 meses”?

Independência financeira não é apenas uma questão de alcançar um patrimônio suficiente para gerar renda passiva: significa também ter tempo livre para fazer aquilo que realmente te importa.

As pessoas acabam não se importando com o gasto excessivo de tempo nessa área, e utilizam como principal argumento o fato de “serem atividades intelectualmente prazerosas”.

Não há dúvida de que estudar ações é uma atividade intelectualmente prazerosa, ocorre, porém, que se pode obter os mesmos resultados (e até resultados melhores), gastando-se muito menos tempo estudando e principalmente operando.

Mas o planejamento do uso das horas não se restringe apenas ao campo dos investimentos. Aplica-se a praticamente qualquer outra atividade de nossas vidas.

O exemplo do gasto de tempo discutindo política talvez seja ainda mais emblemático, ainda mais por conta das recentes eleições gerais. Você conseguiu dosar bem o gasto de tempo nessa área? Você conseguiu auferir benefícios, para a sua vida em particular, proporcionais ao tempo em que gastou consumindo esse assunto nos últimos meses?

Ou você poderia ter gasto esse tempo de outra forma, mais relacionado a atividades diretamente dentro de seu círculo de influências, como mais estudo, mais cuidados com a sua saúde, mais descanso, mais foco em como melhorar seu trabalho?

Gasto zero de tempo, rentabilidade máxima

No livro O milionário mora ao lado, Stanley e Danko provaram com números que a maioria dos milionários americanos não construiu patrimônio com investimentos predominantemente em ações. A maioria deles chegou ao milhão de dólares baseado no simples superávit orçamentário, ou seja, no acúmulo constante e disciplinado de sobras decorrentes de uma vida baseada em frugalidade e na maioria das vezes oriunda de seus negócios no âmbito do empreendedorismo (empresários), atividades autônomas (profissionais liberais como engenheiros, advogados, médicos, arquitetos etc.), e rendas como empregado altas (executivos de grandes corporações) ou mesmo baixas (professores) – combinadas, é claro, com frugalidade.

Resumindo isso em poucas palavras: aportes. Investimentos. Só aporta quem gasta menos do que ganha. Só investe quem tem absoluto domínio de seu orçamento doméstico.

Logo, é uma ilusão o sujeito achar que vai conseguir independência financeira se conseguir montar uma carteira de ações que bata o Ibovespa consistentemente por mais de 10% de diferença ao longo dos próximos 20 anos se ele não gastar menos do que ganhar.

Mas o pior mesmo é saber que ele poderá conseguir uma rentabilidade em renda variável muito melhor se gastasse tempo zero estudando e operando ações individuais – como, aliás, eu consegui em 2017 (post aqui).

Pode parecer paradoxal conseguir esse resultado, mas não é. É fruto de conhecimento e estudo (bem como prevenção) das armadilhas que o ônus invisível do tempo acaba provocando.

O custo invisível do tempo em redes sociais

Mas voltemos ao problema dos celulares. Experimente ficar um final de semana sem redes sociais. Sem ver emails. Desligue as notificações. Vá ler um livro. Vá ao parque. Viaje. Desconectado.

Ou então faça um desafio a si mesmo, de baixar, nessa semana, o tempo de uso de celulares e tablets, em comparação com a semana passada. Desafie-se a gastar o tempo de forma intencional, e não de forma aleatória e descompromissada.

Experimente as sensações de poder se ver livre das intermináveis notificações que pipocam em sua tela.

Se você tiver nascido do começo dos anos 80 pra trás, pare e analise: como é que você conseguia viver sem telas de vidro antes? Sem YouTube, sem blogs (aham), sem Twitter, sem Snapchat, sem emails….?

Não estou dizendo que os apps, celulares, tablets e computadores em geral devem ser deixados de lado, nem que a tecnologia em si – a ferramenta – é ruim. Longe disso.

O que quero dizer é que os dispositivos tecnológicos devem ter seu uso controlado e devidamente disciplinado, pois o tempo que eles estão roubando de você é precioso demais para continuar sendo desperdiçado. 😉

O problema, no final das contas, não são as ferramentas, mas o seu uso excessivo. Em outras palavras: o ônus invisível e quase imperceptível do tempo.

Conclusão

Analise o invisível. Analise o seu tempo, ou melhor, como você tem gastado seu tempo. As atividades. Será que os benefícios estão compensando os custos? Será que não há alternativas mais baratas em termos de tempo, que não tomem tanto tempo de você?

Já parou para contar quantas horas por semana você passar usando seu celular? 28 horas por semana (4 horas por dia)? 42 horas por semana (6 horas por dia)? Tanto tempo gasto assim está fazendo a qualidade da sua vida dar um salto a cada semana que passa?

Nos preocupamos demais com coisas que nos importam de menos. Essa é a verdade.

Vale para o custo invisível do tempo em excesso em redes sociais e celulares, vale para o custo invisível do tempo em excesso gasto em operações de investimentos, vale para o custo invisível do tempo em atividades que poderiam simplesmente ser eliminadas, liberando muito espaço de tempo em sua vida para outros tipos de ações, tarefas ou atividades, mais conectadas aos seus valores pessoais e aos seus objetivos de vida.

Em última análise, o que você quer não é ser sócio de uma empresa maravilhosa que vá se tornar líder de seu nicho de mercado. O que você quer é ganhar mais dinheiro do que obteria se ainda estivesse 100% em renda fixa. Se o fim importa mais que o meio, é preciso analisar se não existe um outro meio otimizado para fazer você gastar menos tempo, e menos recursos de atenção para atingir o mesmo fim.

Em última instância, o que você quer é ter uma vida menos sobrecarregada mentalmente de preocupações com o que os outros vão pensar de você, ou com o que você vai pensar dos outros. Aposto que há uma luta interna dentro de você para se livrar do jogo que aparências que caracteriza a nossa sociedade.

Se esse é seu objetivo, ficar mais tempo prendendo a atenção na tela de vidro do celular vai te aproximar ou te afastar desse objetivo?

A vida era tão mais simples antes dos vícios em distrações mentais se popularizarem entre nós que parece que quem viveu a era da pré Internet viveu em outra vida.

Uma coisa é certa: se você não fizer as reflexões adequadas sobre o modo como tem conduzido sua vida, ao menos no que tange ao sábio uso do tempo, você continuará arcando com os custos invisíveis dele por muitos e muitos anos.

Que esse artigo, portanto, que, aliás, está se encerrando agora, abra a você essa nova perspectiva de análise, e que sirva como ponto de partida para começar tal tipo de reflexão. 😉

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33 Responses to O custo invisível do tempo

  1. Simplicidade e Harmonia 19 de novembro de 2018 at 7:12 #

    Guilherme,

    Seu post tem muito a ver com o que penso: a internet consome muito tempo, sendo em tablets, smartphones ou desktops. Ou melhor, nós é que nos deixamos levar através do uso excessivo. O problema não está na tecnologia, mas sim em nós, que a utilizamos.

    Interessante esses apps. Em pouco tempo de uso parece que são muito bons para mostrar a dimensão do problema de gasto de tempo de forma improdutiva na internet.

    Em relação ao livro “O milionário mora ao lado”, infelizmente quem tem baixa renda no Brasil não se aplica aos exemplos citados. Por mais frugal que a pessoa seja, o salário mensal – tomemos como exemplo o salário mínimo – não dá nem para as necessidades básicas de uma pessoa, quanto mais de uma família. Nesses casos, muitas vezes as pessoas são frugais por falta de opção mesmo. Mas para que ganha um pouco mais, a frugalidade é sem dúvida uma opção – e aí sim, ela faz toda a diferença.

    Boa semana!

    • Guilherme 20 de novembro de 2018 at 17:52 #

      Oi Rosana!

      Sim, de fato, é o uso desmedido das ferramentas que ocasionam tantos problemas.

      Quanto à questão da renda no Brasil, concordo, a nossa realidade infelizmente obriga as pessoas a buscarem rendas melhores, em face do alto custo de vida que há no Brasil.

      Boa semana também!

  2. André 19 de novembro de 2018 at 9:45 #

    Perfeito Guilherme! A tecnologia é excelente, como comentou a Rosana acima, mas nós acabamos usando a ferramenta e forma inadequada, privilegiando muitas vezes o que apenas nos “distrai” e não nos “edifica”. Ou seja, “tempo” mal usado…

    Vou dar uma olhada nesses apps e me avaliar nesse aspecto. E claro, sugerir para algumas pessoas rsrs.

    Em relação ao tempo investido na análise de ações x outras prioridades, concordo contigo. Hoje escrevi que a análise em si, apesar de importante, não é o que mais importa. Desenvolvi a ideia de forma diferente da sua, colocando o rebalanceamento de ativos como peça fundamental para o crescimento do portfólio. Mas concordo que sob outra ótica, simplificar os investimentos (ETFs) e prezar pelo básico do controle financeiro são fundamentos primordiais na otimização do custo-benefício.

    Falando por mim, eu estou aos poucos, priorizando mais o tempo do que a rentabilidade da minha carteira. Talvez seja a idade pedindo mais racionalidade para aproveitar mais a vida, uma vez que os juros compostos estão fazendo sua parte e exigindo cada vez menos rentabilidade para mantermos nosso padrão de vida.

    Você tem acompanhado os testes de rentabilidade dos robôs de investimento que venho fazendo. No fundo, é uma avaliação de quanto está compensando o tempo que tenho gasto nas análises do mercado. É possível que, com um histórico maior de resultados positivos eu comece a transferir valores maiores para os melhores gestores. E com isso, liberando ainda mais tempo para a vida que realmente importa.

    Grande abraço!

    • Guilherme 20 de novembro de 2018 at 17:54 #

      Oi André!

      Gostei bastante do seu depoimento, principalmente porque exemplifica um caso real de uma pessoa que pode priorizar melhor o uso do tempo através das novas funcionalidades da tecnologia aplicada aos investimentos, aliado, é claro, ao estudo do gerenciamento de risco como pilar fundamental para construção da carteira.

      Estou acompanhando com bastante curiosidade essa jornada dos robôs de investimentos!

      Abraços!

  3. Fernando 19 de novembro de 2018 at 9:47 #

    Caro Guilherme,

    Este ano tomei uma pequena atitude com relação aos aplicativos de mensagem: eliminei praticamente todos os avisos de novas mensagens, especialmente em grupos. Na prática, meu celular só toma minha atenção de forma imediata (toca ou vibra) com aqueles que realmente importam: minha família e alguns contatos profissionais que eu não posso deixar de atender. O restante é silenciado, vejo apenas uma vez por dia.

    O efeito foi impressionante. Parece que ganhei várias horas “extras” no dia, minha produtividade aumentou.

    Também busco fazer isso durante viagens de férias: celular no silencioso.

    Recomendo a todos experimentar a sensação! É libertadora!

    Boa semana!

    • Guilherme 20 de novembro de 2018 at 17:55 #

      Olá Fernando, ótimo seu depoimento, é uma prova eloquente do poder libertador de não se deixar consumir, em termos de tempo e de atenção, às telinhas dos celulares.

      Abraços!

  4. Luke 19 de novembro de 2018 at 11:12 #

    Qual a indicação de app semelhante para android? Alguém ja testou?

    • MJC 19 de novembro de 2018 at 12:35 #

      Eu uso o QualityTime.

    • Henrí Galvão 28 de novembro de 2018 at 14:28 #

      Já há algum tempo uso o RescueTime como extensão para Google Chrome (não sei se está disponível para outros navegadores) e, mais recentemente, como app no smartphone (disponível tanto para iOS quanto para Android).

  5. Investidor Inglês (@investidorIn) 19 de novembro de 2018 at 13:46 #

    Tema interessantíssimo Guilherme!

    Depois vou procurar um app para meu android e descobrir o tanto de tempo perdido em joguinhos rs

    É, eu jogo fora um tempo com games de celular. Interessante que há dias que isso me irrita, ao ver o tempo que desperdicei brincando. Quando isso acontece consigo diminuir seu uso e gastar o tempo com coisas mais úteis.

    É bom prestarmos atenção. Hoje muita coisa tenta roubar nosso tempo. E as coisas que realmente deveriam te-lo acabam ficando para trás por não nos atentarmos.

    Serve de alerta

    Abraço!

    • Guilherme 20 de novembro de 2018 at 17:56 #

      Olá II!

      Gostei do seu depoimento! Ao lê-lo, logo me veio à mente uma frase marcante do David Allen: “prestar atenção naquilo que interfere em nossa atenção”.

      Abraços!

  6. Yuyo 19 de novembro de 2018 at 21:02 #

    Guilherme, obrigado pelo texto. Prego por uma maior qualidade de tempo, mas as vezes esqueço 🙂 É bom uma puxadinha de orelha de vez em quando.

    Uma vez perguntei para um amigo (argentino) que é dono de uma sorveteria quais os investimentos que ele prefere. Se renda fixa, variável, açoes, etc. Queria descobrir se lá tem os mesmos tipos de investimentos que aqui, e se tinha alguma estratégia para driblar o sobe e desce que é economia argentina. A sua resposta foi: “nunca sobra dinheiro, eu invisto sempre na minha empresa”.

    Fiquei surpreso. Mas depois pensei, “ele esta super certo!”. Afinal, a empresa dele é a que ele melhor conhece. Tem informação privilegiada. Depois de tantos anos conhece e sabe prever o mercado como ninguém. Sabe aquilo que falta e sobra. Porque iria investir na bolsa de valores? Empresas que não conhece? Que não domina?

    Complementando os ditos do livro mencionado, empresario investe na própria empresa.

    • Guilherme 20 de novembro de 2018 at 17:57 #

      Excelente depoimento, Yuyo!

      É como você bem disse: as pessoas conseguem a autossuficiência financeira investindo naquilo que elas têm mais controle!

      Abraços!

  7. rick 19 de novembro de 2018 at 21:10 #

    putamerda, parabéns!

  8. Antonio I Vending Machines 20 de novembro de 2018 at 7:06 #

    Também me assustei um pouco quando usei o recurso pela primeira vez! Realmente gastamos muito tempo. Se fizermos o raciocínio de nosso custo/hora (estimando através de salários ou outros rendimentos) e multiplicarmos pelo tempo gasto no celular podemos ter uma ideia de quanto dinheiro deixamos ali……é claro que esse cálculo precisa levar em consideração que parte deste tempo usado no celular é um tempo de trabalho, seja respondendo e-mails, whatsapp e etc…..o trabalho, lazer e perda de tempo hoje em dia se confundem muito no celular.

    • Guilherme 20 de novembro de 2018 at 17:58 #

      Verdade, Antonio!

      É difícil separar e classificar o que é produtivo e o que é de lazer/entretenimento no celular. O tempo às vezes se mistura no uso dessas distintas atividades.

      Abraços!

  9. Economista Visual 20 de novembro de 2018 at 20:44 #

    Fala Guilherme,

    Po, nem sabia dessa função, estava postergando a atualização do IOS mas já coloquei fazer para usá-la.

    Ultimamente tenho refletido bastante em como as redes sociais são um paraíso para procrastinação e perda de tempo, e é assustador perceber o quanto isso afeta nossa vida.

    Muito bom artigo, abraço!

    • Guilherme 22 de novembro de 2018 at 12:06 #

      Valeu, EV!

      Eu também tenho refletido bastante sobre isso, sobretudo a partir da seguinte pergunta: “eu ganhei alguma coisa seguindo tal ou qual pessoa?”

      Sendo a resposta negativa, já deixo de gastar meu tempo com isso.

      Abraços!

  10. Raphael 22 de novembro de 2018 at 12:52 #

    Mais uma vez parabéns, Guilherme! O seu blog e “Pensamentos Financeiros” são os que mais gosto de ler, pois estão na mesma vibe do que eu. Também ando querendo viver mais no presente, largar vícios, ter uma vida com melhor qualidade, etc.

    Instalei o app que indicaram aqui para Android e gostei muito dele. Não gostei nada do meu hábito. Ontem eu desbloqueei o celular 70 vezes e fiquei 50 minutos no WhatsApp e 30 minutos no YouTube. Nada de tempo “produtivo”.

    Li uma vez que redes sociais são formas de entretenimento. Concordei. Agora eu busco transferir esse tempo para entretenimentos que eu considero de maior qualidade: filmes, livros, HQs, música, etc…

    Continue o bom trabalho. Abraços!

    • Guilherme 24 de novembro de 2018 at 14:53 #

      Olá, Raphael, obrigado pelas palavras e pelo comentário!

      Realmente, as redes sociais são muito sugadores de tempo. E ainda bem que há apps que nos ajudam a monitorar melhor esse gasto de tempo, nos permitindo reflexões mais ponderadas.

      Abraços!

  11. Wolner Bergamaschine 27 de novembro de 2018 at 8:51 #

    Olá. Venho acompanhando o blog há alguns anos, porém, nunca havia comentado um artigo.

    O artigo de hoje gera bastante reflexão sobre o nosso uso do tempo. Concordo com boa parte do artigo, exceto pelo uso de ETFs.

    Como investidor desde 2013, entendo a importância e a estratégia por trás dos ETFs, porém, não vejo eles como a melhor forma de investimento, pelo menos para mim.

    No meu caso específico, tenho algumas ressalvas. Tanto morais como éticas. Sou vegetariano, e possuo algumas interpretações diferentes sobre a vida e o comércio como um todo. Por isso, investir em ETFs consequentemente, estaria investindo em empresas que não estão de acordo com minha moral e ética, como empresas produtoras de proteína animal (carne) ou tabaco, como também, empresas de armamento.

    E eu estou dizendo isso, pois muitos educadores tentam fazer uma fórmula mágica para os seus leitores, para os seus educandos, dizendo que uma das melhores opções são os ETFs. Mas talvez não sejam. =)

    Tudo isso depende de ética, moral e objetivos de cada um, por isso os investimentos devem ser personalizados.

    Agora, voltando ao assunto do artigo, eu consegui reduzir o meu tempo de análise fundamentalista de ações e FIIs investindo em relatórios. E fazendo matematicamente as contas, o dinheiro pago (1 real por dia) no tempo economizado do relatório em minha vida, compensa demais!

    É obvio que devemos contabilizar também a questão de valores pagos por corretagem e etc, mas para mim tem funcionado bem.

    No mais, uso Android e vou analisar o meu tempo gasto no celular, como também pretendo ficar de olho no tempo gasto no computador também!

    Artigo excelente!

    • Guilherme 28 de novembro de 2018 at 11:29 #

      Olá Wolner, excelente resposta!

      Exato, cada investidor tem seu perfil e suas características, que devem ser levadas em conta na montagem de um portfólio.

      Não há receita de bolo universal, mas sim diferentes métodos, adaptáveis para diferentes pessoas em função de suas características, nível de conhecimento e tempo para estudo.

      Obrigado!

  12. Henrí Galvão 28 de novembro de 2018 at 14:33 #

    Além da temática principal do texto, gostei muito da sua reflexão sobre investimentos. Isso me lembrou do porquê do seu blog ser um dos que mais gosto, visto que se alinha bastante com a filosofia do Bastter – que é, basicamente, a de acumular patrimônio através do trabalho, para então investir o que foi poupado, focando mais nos juros compostos (“taxa não ganha de tempo” é um dos seus mantras)

    Em tempo: obrigado pela dica recente daquele episódio do podcast Radical Personal Finance. Achei realmente muito bom pra quem tem um nível de inglês de intermediário pra cima. E em relação ao conteúdo em si, achei particularmente pertinente a crítica feita a Mark Zuckerberg (mas não só ele, é claro).

    • Guilherme 30 de novembro de 2018 at 14:28 #

      Oi Henrí, obrigado!

      Sim, patrimônio se ganha através do trabalho, sendo o estudo dos investimentos um fator complementar para turbinar e preservar os ganhos.

      Acerca do RPF, concordo que esse é um dos pontos fortes dele: a independência. Em episódios mais antigos, ele questionou e apontou falhas nos pensamentos de Mr. Money Mustache e no livro do Tony Robbins sofre finanças, de modo bastante articulado e claro.

      Abraços!

      • Henrí Galvão 1 de dezembro de 2018 at 12:53 #

        Interessante! tendo a não ouvir podcasts de investimentos que não sejam do Brasil (já que algumas particularidades do mercado americano não se aplicam a nós), mas acho que vou investigar um pouco mais o RPF

        • Guilherme 2 de dezembro de 2018 at 9:22 #

          Sim, Henrí, eu também prefiro, em matéria de finanças e investimentos, ouvir podcasts brasileiros, como os do Mauro Halfeld na CBN.

          Adicionalmente, ouvir podcasts estrangeiros, pelo menos em temas que possam ser aproveitados para nós, é um exercício bastante didático de aprendizado.

          Uma série que particularmente me impressionou foi essa: You Don’t Have to Be Smart to Become Financially Independent…But You Can’t Be Stupid disponível em: https://radicalpersonalfinance.com/category/podcast/

          Vale a escuta!

          • Henrí Galvão 3 de dezembro de 2018 at 13:19 #

            Obrigado pela dica novamente! O título me pareceu ótimo, e certamente vou ouvir todos esses cinco episódios.

          • Henrí Galvão 4 de dezembro de 2018 at 15:23 #

            Muito bacana a série do RPF. Talvez a parte de contenção de despesas não seja tão simples de se colocar em prática por aqui, já que no Brasil algumas categorias de despesas (como as relativas a ter um carro, ainda que popular) são consideráveis. Mas no geral gostei muito da filosofia do Joshua, e o lembrete sobre evitar catástrofes é algo que sinto que me falta levar mais a sério.

            • Guilherme 4 de dezembro de 2018 at 16:58 #

              Concordo, Henrí.

              Um aspecto particular do Joshua é a ênfase que ele às vezes coloca na questão das proteções de patrimônio, talvez até pelo fato de ter trabalhado como corretor de seguros no passado, mas também pelo fato de morar numa região – Flórida – que de vez em quando sofre com furacões e tempestades.

              O planejamento financeiro, visto de modo global, não se resume apenas a gastar menos, ganhar mais e investir a diferença, mas também em proteger e preservar aquilo que já se conquistou.

              • Henrí Galvão 5 de dezembro de 2018 at 14:34 #

                Bom saber dessas coisas sobre o Joshua. Vou levar isso em conta na próxima que vez ouvi-lo falar sobre o que quer que seja.

                Gostei muito da forma com que você entende o conceito de planejamento financeiro. Me ajuda a perceber não só o quanto me falta progredir, mas também o quanto o meu paradigma ainda é um tanto limitado.

                • Guilherme 7 de dezembro de 2018 at 15:27 #

                  Grato, Henrí! Acho muito válida essa troca toda de conhecimento, pois nos permite avançar e melhorar na capacidade de controlar e evoluir bem nas finanças pessoais.

                  Abraços!

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