Lições da história de um sujeito que pagava 66 mil dólares (~ R$ 264 mil reais) por *MÊS* de prestação de financiamento imobiliário… e da sua antítese perfeita ;-)

Riqueza não é o que você gasta. É o que você acumula.

Eu não imaginava frase melhor para começar esse texto do que a que está estampada aí em cima.

Renda alta não é sinônimo de alto patrimônio. Nunca foi. Deixe-me contar duas histórias diametralmente opostas sobre finanças pessoais. Uma tinha tudo para dar errado, mas… não deu. 🙂 E outra tinha tudo para dar certo, mas… você já deve pensar o que deve ter acontecido (isso mesmo, não deu também).

Antes de mais nada, registro o agradecimento ao leitor Anderson, que me enviou a matéria base para esse artigo.

A história de Grace Groner

Vou inverter a ordem natural das coisas, e começar pela antítese: a história da norte-americana Grace Groner.

Grace ficou órfã aos 12 anos. Ela nunca casou. Nunca teve filhos. Nunca dirigiu um carro. Ela passou a maior parte da vida dela morando em um apartamento de um dormitório, e durante sua vida só teve um emprego: secretária.

Amigos próximos relatam que ela era uma pessoa adorável, e humilde ao mesmo tempo.

Ela viveu bastante: morreu aos 100 anos de idade, em janeiro de 2010.

Apesar de ter vivido uma vida simples, quando morreu ela deixou uma fortuna de 7 milhões de dólares (~ R$ 28 milhões de reais, arredondando pra cima) para a caridade. USD 7 milhões? Trabalhando como secretária, ou seja, como uma assalariada? Como assim?

O que ela fez foi basicamente investir as sobras do salário no mercado de ações, reinvestir os dividendos recebidos, e deixar os juros compostos fazerem seu trabalho – durante mais de 80 anos. Dá pra imaginar o poder dos juros compostos trabalhando a seu favor durante mais de 50 anos de investimentos?

Dá. Grace Groner não apenas aprendeu sobre como investir no longo prazo: ela efetivamente fez valer o longo prazo.

A história de Richard Fuscone

Semanas depois da morte de Grace, uma outra história envolvendo finanças pessoais chegou à mídia americana. Era a história de Richard Fuscone.

Richard graduou-se em Harvard e completou seus estudos na Universidade de Chicago.

Ele alcançou o topo do universo corporativo ao se tornar um executivo de alto escalão do poderoso banco  Merrill Lynch. Certamente ganhava seus milhões de dólares por mês de trabalho assalariado.

Richard tornou-se tão bem-sucedido na indústria de investimentos que se aposentou – alcançou a tão sonhada independência financeira – aos 40 anos, para “buscar interesses pessoais e caridosos”.

Mas ele torrou tudo o que tinha acumulado com empréstimos pesados e investimentos ilíquidos – e mal sucedidos.

No final das contas, ele teve que declarar falência pessoal, lutando contra a execução hipotecária de duas casas, uma das quais tinha quase 2 mil metros quadrados, e que lhe tirava USD 66 mil por mês de prestação de financiamento imobiliário (!!!).

Por que as finanças pessoais são um campo tão interessante?

O propósito desse texto não é que você deva agir como Grace e evitar ser como Richard, mas sim realçar que não há nenhuma outra área da vida em que essas histórias sejam mesmo possíveis.

Como diz brilhantemente o texto original (traduzido):

“Em que outro campo alguém sem educação, sem experiência relevante, sem recursos e sem conexões supera em muito alguém com a melhor educação, as experiências mais relevantes, os melhores recursos e as melhores conexões? Nunca haverá uma história de Grace Groner realizando cirurgia cardíaca melhor do que um cardiologista treinado em Harvard. Ou construir um chip mais rápido que os engenheiros da Apple. Impensável.

Mas essas histórias acontecem nos investimentos.

Isso porque investir não é o estudo das finanças. É o estudo de como as pessoas se comportam com dinheiro. E o comportamento é difícil de ensinar, mesmo para pessoas realmente inteligentes. Você não pode resumir o comportamento com fórmulas para memorizar ou modelos de planilhas a serem seguidos. O comportamento é inato, varia de pessoa para pessoa, é difícil de medir, muda com o tempo, e as pessoas tendem a negar sua existência, especialmente quando se descrevem”.

Esse é o ponto. A mensagem que eu quero transmitir aqui é que você não precisa ser rico para construir riqueza. Construção de riqueza depende muito mais daquilo que você faz com sua mente do que aquilo que está no seu bolso.

Para ter as finanças equilibradas, ou para ter uma aposentadoria confortável, não basta intelectualizar o conhecimento: é preciso praticar o conhecimento. Taí a Grace que não nos deixa mentir. 😉

E disso tudo decorre outra lição bastante interessante: talvez nenhum outro campo do conhecimento gere benefícios tão evidentes para os autodidatas quanto o campo financeiro. Isso porque aqui aprendizado e vivência prática se entrelaçam e se combinam a tal ponto que vivência prática acaba sendo mais importante que o aprendizado.

Você pode saber tudo sobre o mercado de ações, derivativos e instrumentos financeiros de alta complexidade, mas esse conhecimento todo só terá alguma utilidade se você, além de colocá-lo em prática na montagem de sua carteira de ações, conseguir também ter a disciplina necessária para formar patrimônio, evitando que atos de consumo excessivo torrem essas sobras para investimentos.

Dá pra melhorar o comportamento no âmbito das finanças pessoais? É evidente que sim. Um pouco de conhecimento oriundo de livros, blogs, vídeos, cursos e palestras, associado a ações práticas e efetivas direcionadas à formação de hábitos positivos nas finanças, fazem milagres financeiros na casa de qualquer família que esteja disposta a dar uma guinada em sua situação financeira particular.

Conclusão

Preste atenção nos seus comportamentos relacionados às finanças: consumo, investimentos, controle de orçamento doméstico etc. Eles estão te conduzindo a um futuro financeiro mais tranquilo? Ou eles estão tirando a sua liberdade e, por conseguinte, escravizando seu futuro junto, por exemplo, a bancos e construtoras, tal como no caso do financiamento imobiliário de Richard Fuscone, que arcava com uma prestação mensal de inacreditáveis 66 mil dólares?

Adquirir conhecimento financeiro de boa qualidade é um pré-requisito fundamental para ter finanças pessoais mais saudáveis, mas ela fica incompleta se não houver o exercício diário, contínuo, consciente e progressivo de adotar comportamentos que estejam alinhados a esse conhecimento financeiro.

Como a história de Grace deixa bem claro, não é preciso ter renda alta para desfrutar de uma boa vida e cumulativamente formar patrimônio.

E, como a história de Richard também deixa evidente, de nada adianta ganhar milhões de dólares de salário todo mês se a mente não for devidamente orientada para evitar dívidas e construir ativos.

A escolha é integralmente sua, pois dela depende seu futuro. E, é claro, seu presente. 😉

Créditos da imagem: Free Digital Photos

 

 

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23 Responses to Lições da história de um sujeito que pagava 66 mil dólares (~ R$ 264 mil reais) por *MÊS* de prestação de financiamento imobiliário… e da sua antítese perfeita ;-)

  1. Simplicidade e Harmonia 6 de agosto de 2018 at 7:26 #

    Guilherme,

    “Riqueza não é o que você gasta. É o que você acumula.”
    Exatamente. No Brasil é muito comum a ostentação, como se isso fosse o ideal supremo da riqueza. E como quase tudo atualmente leva a atitudes nesse sentido, é muito importante nos conhecermos e sabermos quais são nossos reais interesses e objetivos. Caso contrário, o consumismo acabará nos dominando.

    Interessante ter postado 2 exemplos praticamente opostos. Eles mostram bem como prudência e simplicidade são importantes. Sempre com equilíbrio, claro.

    No 2º caso, investimentos mal sucedidos foi uma das causas da falência. Por isso é fundamental conhecermos muito bem os produtos nos quais investimos. Há alguns exemplos de corretoras que fecharam de uma hora para outra, fundo imobiliário suspenso…

    Boa semana!

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:39 #

      Oi Rosana, bem isso mesmo, é fundamental conhecer aquilo que se investe. Aprendizado contínuo é pré-requisito essencial para progredir no mundo das finanças.

      Abraços!

  2. MJC 6 de agosto de 2018 at 8:16 #

    Olha, eu concordo com a conclusão de que “não é preciso ter renda alta para desfrutar de uma boa vida e cumulativamente formar patrimônio”, mas não acho que a estória da Grace deixa isso muito bem claro não. Pelo contrário, não tem nada no artigo que indique que ela teve uma boa vida.

    O que foi dito é que ela ficou órfã muito cedo (via de regra, isso pra mim tá longe de ser sinônimo de boa vida), nunca casou ou teve filhos (ok, decisão de cada um, não significa que é bom ou ruim), nunca dirigiu um carro e morou em um apartamento de 1 quarto (decisão de cada um também, não significa que é bom ou ruim).

    Sinceramente, pra mim soa muito estranho ficar fazendo conta dos mínimos centavos, dinheiro do cafezinho, pra no final deixar tudo pros outros e não usufruir de nada. Acredito no meio termo. Guardar algo entre 20% a 30% do salário líquido ao longo da vida profissional já vai ser suficiente pra ter uma boa aposentadoria.

    Por isso, acho que o o contra-exemplo do Richard deveria ser o da pessoa que foi, trabalhou a vida inteira, abriu mão de certas coisas, mas não de tudo, aposentou e continuou aproveitando a vida da forma que aproveitava. Morreu, deixou pouco dinheiro pra frente. Esse cara sim fez conta certa. Não desperdiçou muito esforço.

    • rafael 6 de agosto de 2018 at 9:54 #

      bom análise. parece mais interessante assim tambem.

    • Vania 7 de agosto de 2018 at 11:05 #

      Tambem acredito no meio termo. Garantir o futuro, sem deixar de viver o presente.

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:37 #

      MJC, é curioso notar a facilidade com que julgamos os outros baseados nas lentes dos nossos próprios conceitos sobre o que é “viver uma vida boa” e, a partir daí, começamos a fazer inferências do tipo “pô, a senhora acumulou e não gastou nada, deve ter levado uma vida bem abaixo daquilo que poderia ter vivido”, e assim por diante.

      O viés confirmatório acaba sendo crucial na análise da vida de outras pessoas: se elas não fazem aquilo que eu faria, então não valeu a pena; se elas fizeram aquilo que EU faria, ah, então elas agiram “corretamente”.

      Com todo o respeito que eu nutro por você, pelo fato de você ser um dos leitores mais antigos do blog, mas eu acho que você se apegou a um detalhe insignificante do texto em detrimento da mensagem principal que eu pretendi transmitir com o antagonismo das duas histórias: a de que construção de riqueza depende da formação de hábitos comportamentais, do que propriamente aquisição de conhecimento intelectual.

      A propósito, eu não acrescentei no texto (porque não agregaria à mensagem principal), mas é claro que eu dei uma googlada nas 2 histórias a fim de checar as informações que estavam no texto original e formar minha opinião sobre elas.

      De acordo com essa fonte: https://www.businessinsider.com/an-old-ladys-three-60-shares-from-1935-are-now-worth-7-million-2010-3 verificamos que ela aparentemente usava, sim, parte do dinheiro que acumulou para doações para pessoas carentes, além de prestar serviços voluntários na igreja local (e certamente dava alguma contribuição financeira), e ajudar os outros com bolsas de estudos.

      Ora, isso não é viver uma vida boa? Será que realmente ela economizou os centavos do café para ajudar os carentes de sua comunidade local?

      Ok, isso deveria ter sido colocado no texto, para deixar mais explícita a afirmativa de que ela teria vivido uma “vida boa”, mas não seria de se pressupor que alguém que fez fortuna também não tivesse condições mentais de buscar outras formas de felicidade, além do gasto puro e simples de dinheiro?

      Como o Rodrigo brilhantemente disse depois aqui nos comentários, a questão não é o exercício das escolhas que o dinheiro proporciona, mas a simples *existência* de escolhas que o dinheiro proporciona. Grace foi feliz ao seu modo, e devemos respeitar tais escolhas de vida, por mais “desequilibradas” que elas pareçam aos nossos próprios olhos.

      Abraços!

      • MJC 7 de agosto de 2018 at 19:32 #

        Oi Guilherme,

        Inicialmente, quero deixar claro que o respeito é mútuo. Acesso seu blog há muitos anos já, desde a época que tinha mais de um post por semana. E o faço porque considero que tem um conteúdo muito bom. Inclusive, acho que você faz um ótimo trabalho de educação financeira.

        Assim, se gasto meu tempo comentando aqui, é sempre no sentido de contribuir com a discussão. As vezes concordo, outras discordo. Normal. Independentemente disso, saiba que o respeito é mútuo!

        Enfim, eu conconrdo com você que a gente não pode julgar baseado nos nossos próprios conceitos. Tanto é que, quando comentei, ainda disse: “ok, decisão de cada um, não significa que é bom ou ruim” (sobre casar e ter filhos) e “decisão de cada um também, não significa que é bom ou ruim” (sobre morar em apartamento de 1 quarto).

        Como eu só tinha as informações do texto aqui do blog, fiz meu comentário, como havia reforçado num outro comentário abaixo, de que “não sabemos se ela tinha liberdade ou se ela passou do ponto e virou escrava do dinheiro. E não saberemos com os dados que temos.”. Ou seja, não dava pra saber se ela tinha vivido uma boa vida ou não.

        De qualquer forma, com essa nova informação que você trouxe, parece que sim viveu uma boa vida, ajudando pessoas, que era o objetivo dela. O que é ótimo, pois desperdiçar uma vida é muito triste.

        E aqui entra a questão de fazer conta dos mínimos centavos. A minha intenção era mais no sentido de alertar (adimito que ficou bem bagunçado no meu comentário original), pois tenho visto em alguns blogs um apelo gigantesco a frugalidade pela frugalidade. Economizar o máximo do presente para gastar tudo em um futuro. Acho essa ideia meio danosa pra maioria das pessoas. Acho que pro assalariado padrão, buscar um padrão de vida digno durante a vida inteira funciona melhor, aproveitando o presente sem abrir mão do futuro.

        Grande abraço!

        • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 20:44 #

          Olá, MJC!

          Compreendi agora o contexto em que você quiser passar em sua mensagem, e com a qual a Vânia inclusive havia concordado.

          Quanto às suas ponderações finais, eu também estou de acordo, existe um apelo grande realmente na blogosfera pela frugalidade a qualquer custo, talvez inspirado nos blogs norte-americanos, onde se consegue fazer isso de uma certa forma com mais tranquilidade, haja vista que lá a qualidade de vida é bastante superior na média.

          Acho que no final todos saímos ganhando com as discussões e debates, pois isso também me permite ser mais cuidadoso na revisão final dos posts, acrescentando dados que outrora passariam despercebidos.

          Como eu disse antes, e agora reafirmo, ter leitores do quilate de você, e de outros antigos que por aqui colaboram de vez em quando, como o Renato C, o Douglas, o Swine, o Heavy Metal, o Frugal, e tantos outros, é um grande agregador de valor, pois dessas discussões geralmente saem ideias muito proveitosas para todos!

          Abraços!!!

  3. SrIF365 6 de agosto de 2018 at 9:46 #

    Particularmente achei que em nenhum dos dois casos o principal objetivo da IF foi atingido, liberdade… pra mim tanto morrer milionário (a) ou perder tudo acaba dando no mesmo se a vida não foi vivida, seja por extrema frugalidade ou pq não teve competência par administrar o dinheiro.

    Sr. IF365

    Blog do Sr.IF365 | Acompanhe meus últimos 365 dias antes da IF e Aposentadoria Antecipada
    http://www.srif365.com

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:40 #

      SrIF, no caso da Grace, acho que sim, ela atingiu a liberdade, pois passou a utilizar o dinheiro para fins de caridade, ainda quando estava viva.

  4. Funcionário Público Investidor 6 de agosto de 2018 at 10:04 #

    Mais um excelente texto Guilherme.
    Realmente comportamento é tudo.
    Esses tempos escrevi também sobre a importância da constância na vida ( https://funcionariopublicoinvestidor.blogspot.com/2018/06/constancia-voce-esta-agindo-assim.html ). Como seu texto mostrou, não basta intensidade, é preciso também constância.

    Sucesso
    Abc

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:41 #

      Excelente, FPI, consistência é uma das qualidades importantíssimas para o investidor de sucesso!

  5. Longe do Limite 6 de agosto de 2018 at 10:19 #

    Excelente artigo, Guilherme!

    De fato, existem dois grandes aprendizados quando estudamos finanças pessoais:

    1- como alcançar meus objetivos de curto, médio e longo prazo?

    2- o que (não) fazer para sustentar estes objetivos depois de alcançá-los?

    Os dois exemplos apresentados no artigo demonstram que, quanto maior o aporte, mais rápido você alcança seus objetivos de longo prazo. Ainda assim, um aporte menor conseguirá alcançar os mesmos objetivos, num prazo de acumulação mais longo.

    O importante é não perder o foco e seguir com o plano.

    Com relação ao segundo questionamento, penso que um meio-termo entre os dois exemplos seja o ideal: uma vida menos reclusa e menos privativa de um lado; uma vida sem extravagâncias e novas dívidas de outro.

    Assim, é possível viver bem em ambos os períodos.

    Abraço!

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:42 #

      Ótimas inferências, LL!

      Questionar-se constantemente é fundamental para conseguir evoluir junto com os planos.

      Abraços!

  6. Adri 6 de agosto de 2018 at 11:58 #

    Como em quase tudo na vida, nem 8 nem 80.

  7. Rodrigo 6 de agosto de 2018 at 15:41 #

    Vi alguns comentários aqui falando que a Grace não “aproveitou” a vida… Pessoal, não está claro como ela gastava seu dinheiro, mas o ponto principal é o seguinte: ela tinha LIBERDADE de escolha. Se quisesse gastar ou não, era uma decisão única e exclusivamente DELA! Simples assim! Só quem tem liberdade de escolha sabe o que é poder aproveitar da forma que quiser! Abraços!

    • MJC 6 de agosto de 2018 at 16:59 #

      Meu comentário foi de que não teve nada no artigo que indicava que ele teve uma boa vida.

      Sobre seu comentário, não sabemos se ela tinha liberdade ou se ela passou do ponto e virou escrava do dinheiro. E não saberemos com os dados que temos.

      Em tempo, em nenhum dos comentários o pessoal falou pra viver a vida e esquecer do futuro. Só pregou um meio termo. Isso não tira a liberdade também…

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:48 #

      Excelentes comentários, Rodrigo!

      Você captou a essência do comportamento de Grace: independentemente de como ela decidiu suas escolhas de vida no plano do cotidiano, uma coisa é incontroversa e livre de quaisquer embates: o de que ela criou para si liberdade de escolhas.

      O exercício efetivo dessa liberdade não interessa ao caso, pois isso não muda o ponto crucial: o de que comportamentos financeiros positivos criam possibilidades de escolha.

      O fato de o artigo não trazer elementos indicativos de uma “vida boa” de Grace não deve, na minha visão, desmerecer o restante do artigo.

  8. Dinheiro Investimento e Lazer 6 de agosto de 2018 at 21:35 #

    Essas duas historias lembram o livro “O Milionário mora ao lado”. Em que o grande segredo é viver um ou dois degraus abaixo do seu padrão de vida, para assim acumular patrimônio, e ativos geradores de renda.

    Abraço e bons investimentos.

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:49 #

      Viver bem abaixo de suas possibilidades de renda é de fato um dos pilares para construção de patrimônio.

      Ótima lembrança, DIL!

  9. John 7 de agosto de 2018 at 13:21 #

    Lembro do Buffet. Ele tem uma vida simples demais, não precisaria nem de uma fração desses US$66 mil mensais. Ele tem liberdade, equilíbrio? Precisa de bilhões pra levar a vida como leva? O problema é que todos entendem o modo de vida do Richard, não precisa explicar. Mas a Grace, que loucura, não pode, como conseguiu?

    Além desse detalhe, há muita coisa interessante, curiosidade. Pq aposentar aos 40? Ela não fez nada da vida? Pra que se afundar numa casa de astro de Hollywood? Quem é doido de comprar ações a vida inteira? Grace viveu pra juntar US$7 milhões ou gastou alguns milhões nessa vida longa?

    Ontem saiu uma matéria que os acima de 65 anos possuem metade do volume de ações na B3 em relação a todas as outras faixas etárias.

    Acho que não é uma boa glamourizar as finanças pessoais. O Richard era fera nos investimentos e na formação, a Grace usou o tempo a seu favor (constância como o colega disse acima).

    Matéria de hoje sobre contas na nossa realidade. Pega R$ 1 milhão e investe, taxa de 0,5%am, descontado impostos e inflação. Se for gastar 5 mil por mês, corrigindo os saques pela inflação, dura indefinidamente. Se for sacar 20 mil por mês, dura… 5 anos!

    • Guilherme 7 de agosto de 2018 at 15:52 #

      Excelentes observações, John!

      As perguntas denotam quão governados somos por padrões de comportamento pré-concebidos. Não conseguimos entender como alguém que viveu uma vida modesta acumulou tanto, e outro que ganhava um salário gigantesco preferiu viver uma vida nababesca e se perdeu completamente em sua própria ignorância financeira.

      E tudo isso só vem a reforçar uma coisa: por mais intelectualizado que seja o conhecimento, é na hora do vamos ver, ou seja, no dia a dia, nas atitudes diárias, que poderemos inferir se tal ou qual pessoa terá prosperidade a longo prazo.

      Abraços!

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