Crise econômica ou crise de valores?

É inegável que hoje o Brasil vive mergulhado numa profunda recessão econômica. Afinal, a cada dia vemos novos indicadores socioeconômicos mostrando a piora do cenário em que nós vivemos: inflação fechando 2014 com a maior alta dos últimos 7 anos, vendas no comércio varejista registrando seu pior resultado em mais de 10 anos, enfraquecimento do PIB, aumento dos índices de criminalidade, aumentos (surreais) do preço do combustível…

Porém, essa crise econômica não veio por acidente, pois, por trás dela, se esconde uma profunda crise moral, em virtude da inversão de valores que o atual governo federal promoveu e está promovendo, à vista do que estamos todos assistindo em relação à apuração dos casos de corrupção envolvendo a Petrobras; em relação às contradições entre o que o governo diz e o que acaba fazendo, minando sua já deteriorada credibilidade etc.

Essa desarticulação do poder político reverberou para os campos sociais e econômicos, pois, mais preocupados com o incentivo à corrupção do que com o incentivo ao desenvolvimento das estruturas básicas da sociedade, no que se refere aos setores da saúde, educação, segurança, transportes públicos e infraestrutura básica, o quadro que acabou se desenhando foi catastrófico: ausência completa de capacidade de garantir à população o abastecimento dos insumos mais básicos de infraestrutura – água e energia elétrica – enquanto se revelava e se desarticulava uma quadrilha formada por políticos e empresários, ambos corruptos, que pensavam mais em enriquecer mais o próprio bolso do que tutelar o interesse público.

Céu

Ausência de credibilidade do governo reeleito, estagnação econômica e altos índices de criminalidade estão provocando efeitos em praticamente todos os setores vitais da economia (veja que o Ibovespa está hoje com uma pontuação menor do que em 2007, há oito anos; e a Apple sozinha hoje vale mais que um IBovespa inteiro), e, por conta dessa combinação de fatores, muitas pessoas já deixaram o Brasil, ou estão fazendo planos de deixar esse país, e outras tantas já estão investindo em imóveis e empresas nos Estados Unidos e nos países da União Europeia.

IBOV Apple

É isso aí, folks: a Apple sozinha vale um IBovespa inteiro. E a Petrobras óóó……… (créditos: blog do uÓ Investimentos)

Além disso, a corrupção e a falta de uma visão clara sobre as reais necessidades do país produzem frutos bem ambíguos: de um lado, uma riqueza extrema ostentada por poucos, o que é exemplificado pelo caso do petrolão, cujo esquema, segundo se apurou nas investigações mais recentes de que se tem notícia, um desvio de mais de USD 200 milhões em prol de um único partido político.

E, de outro lado, produziu uma pobreza extrema, onde, só a título de exemplificação, e mesmo com políticas inclusivas, não se consegue chegar a 1% o percentual de alunos afrodescendentes em cursos como o de Medicina.

Uma pobreza que, por óbvio, produz violência, já que o Brasil é o líder mundial no ranking de assassinatos em números absolutos: mais de 60 mil por ano.

E aqui vem a pergunta da minha estimada leitora, escritora e amiga Bárbara (que sugeriu inclusive essa pauta para blog):

“É possível construir um pais desenvolvido e culto nestas circunstâncias? Como votar, como ser um cidadão consciente? Para quê andar cercado de boçais em todas as locomoções?”

Será que um dia os mandatários desse país agirão como alguns de seus pares se comportam no exterior? Por exemplo, eu soube, através da leitora Bárbara que, na Holanda o primeiro-ministro vai sozinho de bonde para o trabalho… Em Israel a primeira-ministra Golda Meir recebia políticos e ministros em sua cozinha para lhes oferecer chá.

A resposta, infelizmente, será: “provavelmente não’…

Conclusão

A atual recessão econômica que vivemos é subproduto de uma verdadeira crise de valores que permeia boa parte das estruturas de poder da sociedade, institucionalizando práticas de corrupção que, por evidente, produzem danos de grave repercussão em todos os setores da sociedade.

Sabemos que, no “jogo da vida”, não estamos vivendo nas circunstâncias ideais, isto é, tudo seria mais fácil se tivéssemos nascido nos Estados Unidos, por exemplo. Por outro lado, também não estamos vivendo em algum país da África, onde as condições de vida, de um modo geral, são bem piores. Estamos, assim, num nível, digamos, “intermediário”.

O que nos cabe fazer é agir apesar de todas essas circunstâncias desfavoráveis. Não obstante todos os problemas que por aqui existem, é fato que há oportunidades e espaço para crescimento para quem quer empreender e viver uma vida melhor, ainda que essa vivência seja no exterior (ou principalmente por causa dessa oportunidade).

Devemos agir edificando as sementes dos valores reais em cada um de nossos comportamentos, provando que, sim, vale a pena ser honesto, dizer “não” à corrupção, agir com lealdade, respeitar as leis e as regras, e buscar o melhor dentro dos parâmetros de uma sociedade civilizada.

Como disse Flavio Augusto, do blog Geração de Valor:

“Você não é igual a ninguém neste planeta. Você é único. Não aceite ser padronizado e considerado um a mais nessa multidão ofuscada pelo coletivismo. Preserve sua identidade e sua individualidade. Cultive seus sonhos e trabalhe por eles. Saia do anonimato, acredite em seus talentos e destaque-se”.

Boa semana!

Créditos da primeira imagem: Free Digital Photos

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53 Responses to Crise econômica ou crise de valores?

  1. Douglas 16 de fevereiro de 2015 at 1:01 #

    Boa Noite Guilherme!

    Esse seu post tem muito haver com este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=32FYksyXa0E

    No entanto, acredito que o problema não é apenas das instituições do governo (que são feitas de pessoas e políticos) mas da sociedade em geral. Lembro quando eu trabalhava na universidade federal, a corrupção é aberta. A certeza da impunidade é tão grande que não existe sequer a necessidade de se esconder o que se faz de errado. As pessoas estão tão acostumadas que é “normal”.

    As pessoas gostam de reclamar dos políticos, mas será que não somos corruptos no dia a dia? https://www.youtube.com/watch?v=LsNUrhZkp3Q

    Lembro de um escândalo que houve sobre o uso dos cartões de crédito do governo para compra de itens em um sex shop. O funcionário do governo que fez esta compra é corrupto, e o que dizer do atendente/dono do sex shop que aceitou o pagamento? Claramente feito com o cartão do governo? Não deveria ser punido também? Ele também não participou?

    Aqui em minha cidade escuto frequentemente que o hospital público tem equipamentos avançados de diagnóstico que não são usados, e que os pacientes são encaminhados para um clínica particular para fazer o exame, pois o diretor do hospital é dono da clínica. Ou seja, o SUS tem o custo de pagar pelo exame sendo que já foram adquiridos os equipamentos para fazer o exame dentro do hospital. E porque EU estou ouvindo isto dos funcionários e os próprios funcionários não fizeram uma denúncia no ministério da sáude? Eu fiz a denúncia, que é anônimo pelo site do ministério e sem resultado, uma vez que alegaram falta de informações precisas. Claro, eu não tenho informações precisas. Os funcionários do hospital que estão sendo coniventes com a corrupção, que deveriam denunciar, e se não o fazem, também são culpados.

    Em um segundo tópico, o Brasil realmente está em uma situação e caminhando para uma situação que não trará um bom futuro; mas achar que lá fora é melhor, é ilusão. Basta ver os vídeos no youtube do canal que você mostrou e outros como Realidade Americana, e são todos focados em compras. Nos EUA é melhor pois as coisas são mais baratas, você pode ter uma BMW. Outra inversão de valores, uma vez que a vida feliz não é feita de compras. Porque não decidem morar na Alemanha? Na França? Porque lá as coisas também são caras, o custo de vida é alto e o salário é razoável. Os europeus são felizes? Talvez. Muitos nunca sequer dirigiram um carro e nunca vão dirigir e muitos nem tem vontade. Você pode viajar e ficar na casa de alguém que nunca viu na vida, ou pegar carona na estrada sem medo. Mas trabalham duro e o imposto é altíssimo. A maioria vive de aluguel pois jamais terão dinheiro para comprar um casa. O melhor país para morar é aquele que se encaixa com os seus valores. Apesar de eu já ter morado nos EUA, na Alemanha e na Índia, eu não troco o Brasil por nada. Eu valorizo minha família, valorizo a facilidade que se tem em iniciar uma conversa com um desconhecido. Várias vezes lá fora as pessoas se sentiam invadidas pelo fato de eu pergunta a hora, ou pedir direção.

    E sobre o outro tópico, para mim a questão da Apple valer mais que a Bovespa inteira só mostra como o mercado financeiro precisa de por os pés no chão. O mundo financeiro está drogado, sem rédeas, como os funcionários da Stratton Oakmont. Isso não é certo e não indica nada na minha opinião. Da mesma forma que pagar 19 bilhões pelo Whatsapp é ridículo, sendo que uma empresa como a Motorola que produz algo real, tem fábricas ao redor do mundo, milhares de funcionários trabalhando duro, patentes de pesquisa que revolucinaram a indústria de telefonia e centros de pesquisa pelo mundo, vale 2 bilhões. Como isso é possível? Isso sim é inversão de valores.

    • Rosana 16 de fevereiro de 2015 at 10:07 #

      Douglas,

      Muito bom seu comentário.
      Eu concordo com você: a corrupção tomou conta de todas as classes sociais, mas felizmente ainda existem pessoas honestas, o que também está em extinção.
      Em relação ao whatsapp, é uma questão de mercado: os valores estão absurdamente invertidos para que tenhamos chegado ao ponto de uma realidade tão desconectada com as reais necessidades humanas.

      Abraços,
      Rosana

    • Guilherme 16 de fevereiro de 2015 at 10:09 #

      Bom dia, Douglas, excelentes comentários!

      Você tem razão: a corrupção existente nos níveis governamentais é tão somente um reflexo da podridão da sociedade brasileira de maneira geral. A falta de respeito a regras e valores está enraizada nas entranhas da sociedade, desde o motorista que fura o sinal vermelho se achando o tal até o presidente de uma empresa pública que faz manobras com o dinheiro público, passando por todos os “níveis sócioeconômicos” existentes entre ambos.

      Realmente, lamentável que o hospital de sua cidade tenha gestores tão ruins. É por essas e outras que de fato a malandragem e o jeitinho brasileiro acabam prevalecendo, deixando às moscas a população que mais precisa desses serviços públicos.

      Gostei de sua afirmação quando diz: “O melhor país para morar é aquele que se encaixa com os seus valores”.

      Quanto ao mercado financeiro, concordo também. Aparentemente, há uma bolha nos EUA quanto às ações da Apple, que vende produtos descartáveis e cujo ciclo de vida útil é sequer medido em meses. E as transações envolvendo compras de apps – WhatsApp, Instagram etc. – demonstram bem que os preços são irreais.

      Abç!

    • Ronaldo Suett 19 de fevereiro de 2015 at 15:06 #

      Perfeitas suas colocações, tenho esse mesmo pensamento, nos protestos de 2013 publiquei um post para meus amigos exatamente igual ao seu raciocínio, segue abaixo:

      EU troquei meu voto por uma bolsa na faculdade, mesmo sabendo de quem se tratava.
      Então cheguei a conclusão de que também tenho culpa nisso tudo, acho que você também conhece alguém fez isto né?
      Ou você acha que aquele cafezinho que oferecemos ao policial que nos pegou sem cinto de segurança não é corrupção?
      Aquela ligação que você faz ou recebe, “não conhece alguém que possa contornar pra mim não? quebra essa.” Vai dizer que você nunca ouviu isso?
      Você que compra produtos piratas, acha que não tem milhares de pessoas corrompidas até chegar o produto a você?
      Você que se acha esperto em receber o bolsa família sem precisar, muito bom né? todo mundo pega, porque não posso pegar também.
      Ou talvez, quem sabe você funcionário público que adora um feriado para poder emendar a semana e continuar recebendo normalmente, e ainda incentiva seus filhos a entrarem para a vida pública por que trabalha pouco e não tem ninguém para cobrar.
      Ou você que votou em um candidato porque ele te prometeu um emprego ou disse que ajudaria alguém da sua família.
      E você que usou o púlpito de uma igreja e seu cargo de líder para induzir o povo a votar em seu protegido, você também não tem culpa?
      Tudo isso só irá mudar quando eu e você tivermos caráter, seremos exemplo para os nossos filhos e no meios deles surgiram pessoas honestas que governarão nosso país, pois todos os que estão lá governando fomos nós que elegemos, e você achava que seria diferente? claro que não né, afinal nós fizemos um trato, eu te ajudo, você me ajuda!

      Forte abraço Guilherme e a todos os leitores do blog.

      Ronaldo Suett

      • Guilherme 20 de fevereiro de 2015 at 8:48 #

        Excelente post, Ronaldo!

        Assino embaixo de cada palavra sua.

        Abç!

    • Kelven Rocha 20 de fevereiro de 2015 at 7:46 #

      O Whats APP vale muito, pois fazem mineração de dados como no Facebook. A lógica é quando algo é de graça você é a mercadoria. O facebook vende as informações para outras empresas, está tudo nas entrelinhas quando você marca ” Aceito os termos do contrato”, na hora de instalar, por isso vale muiiito essas empresas que oferecem esses softwares de graça ou bem barato, suas informações são vendidas.

      • Guilherme 20 de fevereiro de 2015 at 8:48 #

        Olá Kelven, gostei dessa frase: “A lógica é quando algo é de graça você é a mercadoria.”

        Realmente, informação vale ouro nessa era da tecnologia digital.

        Abç!

  2. Rosana 16 de fevereiro de 2015 at 9:57 #

    Guilherme,

    Muito oportuno o seu post, ainda mais em uma época de feriado prolongado, após o qual não sabemos qual será o “pacote de maldades” planejado.

    Gostei muito da sua argumentação, você foi ao cerne da questão:a falta de valores em todos os âmbitos da sociedade, no qual o hedonismo, o egoísmo e os interesses pessoais são predominantes, transformando-se até em algo patológico em alguns casos. Mas isso não aconteceu de uma hora para outra. A semente foi semeada há tempos e agora colhemos seus frutos.

    É surpreendente, assustador e triste ver que a Apple vale mais do que o Ibovespa inteiro. Chega a ser surreal.
    No gráfico que postou, é lamentável ver a situação da Petrobrás, uma das empresas que já foi uma das maiores do país, a qual pagava uma das maiores PLR’s do país, talvez a maior.

    Todos os indicadores do país está péssimos: não temos segurança, transporte, saúde, escolas públicas dignas e realmente eficientes.
    Nos exemplos que citou da Holanda e de Israel, a impressão que dá é que os políticos de lá têm consciência de que são pessoas como as outras, totalmente oposto do que vemos aqui.

    “Sabemos que, no “jogo da vida”, não estamos vivendo nas circunstâncias ideais, isto é, tudo seria mais fácil se tivéssemos nascido nos Estados Unidos, por exemplo. Por outro lado, também não estamos vivendo em algum país da África, onde as condições de vida, de um modo geral, são bem piores. Estamos, assim, num nível, digamos, “intermediário”.”
    O problema é que o país está sempre no nível intermediário, nunca sai disso…

    Gostei da indicação do site com o video “Por que eu não vivo no Brasil?”, depois verei.
    A conclusão do post ficou muito boa, ela proporciona uma certa esperança – através da ação – em um cenário tão desolador.

    Considerando tudo o que disse, você acha confiável continuar investindo em títulos do Tesouro Direto?

    Parabéns pelo post!

    Abraços,
    Rosana

    • Guilherme 16 de fevereiro de 2015 at 10:19 #

      Olá Rosana,

      Você bem disse: toda consequência tem uma causa. A sociedade brasileira, ou boa parte dela (a parte mais visível) está se degenerando a olhos vistos, e as consequências são tudo isso que estamos vendo, desde casos de corrupção entranhados nas altas esferas dos setores públicos até o sujeito que não é idoso sentando na cadeira reservada a idosos em ônibus de transporte público.

      Não é à toa que muitas pessoas, quando visitam países do chamado primeiro mundo, ficam chocados com a diferença em termos culturais, econômicos etc.

      Apesar dos pesares, continuo achando que vale a pena e é confiável investir no Tesouro Direto, pois o Brasil precisa se manter confiável para atrair investimentos externos, e honrar os empréstimos é um desses requisitos essenciais.

      Abç e obrigado!

      • Rosana 19 de fevereiro de 2015 at 14:39 #

        Guilherme,

        Agradeço pela resposta em relação ao TD.
        Os comentários dos leitores do Valores Reais estão excelentes nesse post.
        Gostei do blog do Corey. Eu concordo que quem tiver possibilidades e condições de sair do Brasil, deve fazê-lo pelos motivos que todos conhecemos bem. Talvez um dia esse país se torne decente – daqui a uns mil anos, com sorte…
        Muitos falam que o Brasil é o “quintal” dos Estados Unidos. Em minha opinião, é uma pena que não é um “quintal” em todos os sentidos, como acontece com as Ilhas Falkland ou com a Guiana Francesa.

        Abraços,

        • Guilherme 20 de fevereiro de 2015 at 8:49 #

          Oi Rosana, de nada.

          Concordo com você, uma pena não ser “quintal” no sentido mais amplo do termo.

          Abç!

    • Laércio 16 de fevereiro de 2015 at 13:38 #

      Rosana,

      Do ponto de vista financeiro o Tesouro Direto continua sendo uma excelente modalidade de investimento, pois garante um ótimo retorno com baixíssimo risco e ainda com boa liquidez realmente parece o investimento ideal.

      Mas eu, por questões de valores pessoais não invisto mais em títulos públicos, não vou mais emprestar dinheiro para esse governo perdulário que se endivida de forma irresponsável com uma dívida que só cresce tanto em termos absolutos como em indicadores como dívida/PIB. Esse descontrole orçamentário só penaliza a sociedade com altos impostos para pagamento dos juros dessa dívida e vai penalizar mais ainda as novas gerações, visto que os nossos governantes não se preocupam em reduzir gastos mas somente em aumentar impostos quando a conta não fecha.

      Na renda fixa no momento só invisto em LCI, LCA e Debentures incentivadas, pois garantem um ótimo retorno e são isentas de imposto de renda (pelo menos por enquanto) apesar da liquidez extremamente reduzida e do risco de calote principalmente das ultimas, eu invisto mesmo assim, estou ciente desses riscos e sou recompensado por eles com rendimentos muitas vezes acima do CDI. Até mesmo o colchão de segurança migrei para fundos de investimento de crédito privado que contam com liquidez diária e tem histórico de conseguir 100% ou mais do CDI de rentabilidade, liquido de custos mas não de impostos.

      Na renda variável encerrei posição em empresas com controle estatal, pois entendi que essas empresas não visam o que deveria ser o objetivo de todas as empresas que é o lucro, muitas delas são usadas, a contra gosto dos próprios empregados, para execução de políticas públicas inúteis com finalidades claramente eleitoreiras e muitas vezes como caixa dois para servir à corrupção.

      • Guilherme 16 de fevereiro de 2015 at 15:50 #

        Muitos grandes investidores pessoas físicas – além de grandes fundos de pensão – também optam por constituir uma carteira totalmente independente e livre de empresas sob controle estatal, justamente pelos motivos citados pelo Laércio.

      • Rosana 19 de fevereiro de 2015 at 14:57 #

        Laércio

        Agradeço por sua resposta.

        “não vou mais emprestar dinheiro para esse governo perdulário que se endivida de forma irresponsável com uma dívida que só cresce tanto em termos absolutos como em indicadores como dívida/PIB.”
        Você tem toda razão. Eu ainda não havia pensado dessa forma.
        Eu comecei a investir em LCI exatamente para não ter que pagar mais impostos, para não ser obrigada a dar mais dinheiro para esse governo que perdeu a noção do que é um governo ético e que sabe controlar bem o binômio receitas e despesas.

        Pagamos imposto de renda sobre o salário (que não é renda, é salário).
        Depois tem mais impostos sobre a renda dos investimentos.
        E depois ainda, mais impostos sobre os produtos que compramos com esse dinheiro pelo qual já pagamos impostos 2 vezes!
        Eu realmente não consigo entender isso…

        Realmente é muito fácil aumentar impostos em vez de cortar gastos, que é o que se espera de um governo decente.
        Para quê tantos deputados, senadores, vereadores e ministérios?

        “Até mesmo o colchão de segurança migrei para fundos de investimento de crédito privado que contam com liquidez diária e tem histórico de conseguir 100% ou mais do CDI de rentabilidade, liquido de custos mas não de impostos.”
        Esse fundo de investimento que citou não tem custos, taxa de administração? Me interessei. Se possível, poderia postar o nome desse fundo?

        “Na renda variável encerrei posição em empresas com controle estatal, pois entendi que essas empresas não visam o que deveria ser o objetivo de todas as empresas que é o lucro, muitas delas são usadas, a contra gosto dos próprios empregados, para execução de políticas públicas inúteis com finalidades claramente eleitoreiras e muitas vezes como caixa dois para servir à corrupção.”
        Mais uma vez eu concordo com você e achei sua decisão muito sábia, pois não dá mesmo para dar credibilidade da forma como as coisas são conduzidas nesse país.
        Muitas empresas estatais são controladas pelos interesses políticos através da troca de favores e acordos entre os partidos, o que é de uma imaturidade absurda. Várias vezes a mídia noticia que tal partido ameaçou não votar uma tal emenda se o governo não der para ele algo em troca. Parece até história de pré-escola….

        Abraços,
        Rosana

        • Laércio 19 de fevereiro de 2015 at 23:25 #

          Rosana,

          Acho que ficou meio confuso mesmo o que escrevi, o fundo que invisto cobra sim taxa de administração mas a sua rentabilidade histórica já considerando o pagamento das taxas é em média e em alguns meses até maior que a taxa CDI, lembrando que os fundos de renda fixa são tributados de 22,5% a 15% de acordo com o prazo de aplicação.

          Só não me sinto muito confortável de te indicar por que se trata de fundo de crédito privado que são considerados de maior risco, posso te dizer que há muitas opções na corretora XP que é a que uso, você pode procurar o seu banco ou corretora e se informar das opções.

          Abraços

          Laércio

          • Guilherme 20 de fevereiro de 2015 at 8:52 #

            Oi Laércio,

            Assim como a Rosana, achei interessante você ter como colchão de segurança um fundo de crédito privado com liquidez diária.

            Embora haja maiores riscos, exatamente pelo fato de ser constituído por créditos privados, o fato de ter liquidez diária é um ponto positivo.

            Abç!

          • Rosana 20 de fevereiro de 2015 at 11:17 #

            Laércio,

            Agradeço por sua resposta e compreendo não ser confortável indicar fundos de maior risco. E até te agradeço nesse sentido, pois meu perfil é mais conservador.
            Agradeço pela dica, vou olhar os fundos no site da XP. 🙂

            Abraços,
            Rosana

  3. Rafael 16 de fevereiro de 2015 at 14:05 #

    Esse blog já viu dias melhores.

    • Anselmo 16 de fevereiro de 2015 at 15:48 #

      Petralha detected!

  4. Ana Paula 16 de fevereiro de 2015 at 15:39 #

    Só digo uma coisa, leiam Olavo de Carvalho!!

  5. Ursula 16 de fevereiro de 2015 at 16:21 #

    Concordo com Laércio “Mas eu, por questões de valores pessoais não invisto mais em títulos públicos…” Está na hora da sociedade parar de aceitar calado. Sou empresária e hoje sou escrava deste governo corrupto, pago um carro por mês para o governo e não tenho dinheiro para trocar o meu, pois tenho responsabilidades que não me deixam investir na minha vida pessoal. Fui a um encontro de empresários e ninguém quer e não tem condições de abrir mais nada. Agora o governo lançou o livro 3, que é Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque alguém tem noção do que é abrir e fechar uma fábrica todos os dias e ter que informar diariamente a receita tudo que produziu, tudo que gastou e qual o seu estoque em tempo real. A questão é que além da grande burocracia que vai importar, nestas informações deverão constar os insumos que fazem parte da fabricação dos produtos. Ou seja, a “receita” de cada empresa para a elaboração do produto, e que faz com que ele seja a diferença no mercado.
    A pergunta é: E a Coca Cola vai entregar a “receita” de seu refrigerante? Vai informar o segredo mais bem guardado do mundo?
    Acha que é fácil alguém entrar na internet, comprar uma passagem e mudar de país? Tem noção do que é fechar uma empresa hoje?

    • HEAVY METAL 16 de fevereiro de 2015 at 17:12 #

      Ursula,

      Sei que não é fácil. Mas talvez seja a solução para os que tem juízo e vergonha na cara. Para os que se cansaram desta corja de vagabundos corruptos que dominaram todas as empresas estatais e esferas dos poderes do Brasil.

      É inadmissível o IPVA de um SUV 2014 custar menos de 40 dólares em Miami e no Brasil custar 3.300,00 reais. Pagar 50% de média de imposto em tudo aquilo que compramos aqui e ainda pagar 27,5% de IR para receber em troca: bala perdida, SUS falido, médicos cubanos, estradas destruídas, trânsito caótico, corrupção, petistas milionários, polícia desestruturada e corrupta tbm, escolas públicas um lixo, estádios para copa do mundo superfaturados e sem real utilidade para o povo. A máfia da FIFA recebeu isenção de IR, vc sabia disso? Nunca outro país fez isso numa Copa do Mundo. Pelo menos meu time ganhou: Alemanha! Adorei o 7×1.

      Meu planejamento para ir para fora do Brasil já começou.

    • Rosana 19 de fevereiro de 2015 at 15:05 #

      Ursula,

      Fiquei horrorizada com o que disse sobre esse novo livro de registros obrigatório. Parece que o governo quer ter mais controle do que deveria, algo que me lembra muito Cuba, o país queridinho do governo brasileiro.

      “Acha que é fácil alguém entrar na internet, comprar uma passagem e mudar de país?”
      Ah, se fosse fácil, acho que pelo menos 1/3 da população já teria ido embora.

      “Tem noção do que é fechar uma empresa hoje?”
      O governo e a mídia sempre divulgam que é fácil abrir uma empresa. Mas manter, com tantos impostos e despesas fixas é algo bem complexo nesse país. Fechar então, nem se fala. Há pessoas que passam anos tentando fechar e não conseguem.
      Além disso, para se manter um funcionário, até para isso, tem que se pagar! Não seria muito mais justo pagar-se um salário melhor ao empregado do que metade para ele e metade para o governo?

      No final, acho que todos viramos escravos desse governo corrupto…

  6. HEAVY METAL 16 de fevereiro de 2015 at 16:55 #

    Leia o Blog do Coronel… Melhor blog anti-petralha do Brasil. Um país precisa de líderes para serem exemplos para seu povo. Você se identifica com Dilma? Lula? Zé Dirceu? Sarney? Renan Calheiros? Sei que não temos muitos exemplos de bons politicos no nosso país, mas estes ai são a escória da escória… da escória! São corruptos, mentirosos e incompetentes de carteirinha! Eu não deixaria nenhum deles perto da minha carteira.

    Além disso, o povo brasileiro tem uma enorme culpa nisso tudo que estamos vivendo. É a soma da fome com a vontade de comer… da semente do mal encontrando solo fértil para crescer, dos corruptos cientes da impunidade junto com um povo metido a esperto… mas que vota como asnos e que se comporta igual seus políticos. Afinal, quem os elegeu? A minoria (mesmo que sejam 49%, ainda são minoria) que pague a conta!

    • Guilherme 16 de fevereiro de 2015 at 19:08 #

      Ótimo comentário, HM! Legal te ver por aqui!

      Abç!

  7. Ursula 16 de fevereiro de 2015 at 17:03 #

    Infelizmente quem os elegeu foi a maioria analfabeta do país. Os únicos que me causaram revolta foram os professores, estes sim os elegeram em causa própria, principalmente os de Minas Gerais, fizeram campanha descarada contra o candidato do outro partido.

    • HEAVY METAL 16 de fevereiro de 2015 at 17:15 #

      Ursula,
      Não foram só analfabetos… Isso é o pior. Médicos, juízes, advogados, bancários, professores, estudantes… Sei de cada um destes grupos votando e de muitos outros. Sei de um desembargador que defende e vota em Lula. Uma vergonha.

  8. Ursula 16 de fevereiro de 2015 at 17:12 #

    Sugiro “O antagonista” com Diogo Mainardi e Mario Sabino, muito bom!

  9. Martín 16 de fevereiro de 2015 at 18:42 #

    Guilherme,

    parabéns pelo texto. Gostaria de contribuir com um comentário.

    Eu acho que indignação atual com a corrupção podia ser melhor utilizada. Ao invés de motivar a atual polarização política, poderíamos usá-la para algum trabalho voluntário. Por exemplo, escrevendo um blog como este e promovendo educação financeira de modo a que as pessoas se tornem mais críticas com o uso do dinheiro público.

    Eu ainda não faço trabalho voluntário mas tenho pensado muito no que eu poderia contribuir quando eu voltar a morar no Brasil. Provavelmente busque uma ONG anti-corrupção.

    Abraço,
    Martín

    • Guilherme 16 de fevereiro de 2015 at 19:09 #

      Obrigado, Martín!

      Excelente ideia: o trabalho voluntário é uma ótima forma de exercer a cidadania e contribuir para a conscientização pública de um País melhor.

      Abç!

  10. Rock 16 de fevereiro de 2015 at 18:43 #

    Gosto muito deste blog, pra mim um dos melhores do Brasil. Sou empresário e pequeno investidor. Acompanho essa onda de indignação com a corrupção e apoio totalmente a apuração completa e punição exemplar aos culpados. O que me entristece é ver matérias onde os petistas são acusados de transformar o Brasil no país da corrupção. Ora bolas, não há nenhuma diferença entre PT e psdb… Nenhuma! Pra você que acredita que o PT criou esse modelo, veja as declarações de um tucano graúdo http://app.folha.com/#noticia/490169
    Segundo ele nos anos 70 a propina era de 10%, No governo Fernando Henrique Cardoso baixou para 5% e no governo petista acomodou em 3%…
    O que está acontecendo agora me fez lembrar de uma velha canção que dizia, “se aderirmos aos jogos políticos, seremos críticos da massa falida”.
    Vejo todos os dias na imprensa, ladrões pedindo punição para os outros ladrões, e a imprensa tem o dever de informar ao público, caso contrário estaremos apenas trocando um ladrão por outro.

    • Guilherme 16 de fevereiro de 2015 at 19:11 #

      Excelente depoimento, Rock!

      A corrupção sempre existiu no Brasil (e no mundo) e sempre existirá, independentemente da bandeira que está no poder.

      Especificamente em relação ao momento atual, o que espanta é o nível de envolvimento da máquina pública, bem como os valores envolvidos.

      Abç e obrigado pelas palavras!

  11. patricia 17 de fevereiro de 2015 at 0:08 #

    As indicaçoes de leitura (olavo de carvalho, diogo mainardi) são de arrepiar! Estão falando sério ou é alguma piada de carnaval?

    • HEAVY METAL 21 de fevereiro de 2015 at 11:55 #

      MAV petista detectada… Vamos ler então Marx, Sarney, Gramsci, o livro de Tarso Genro… Piada foi sua pergunta.

      • Ursula 21 de fevereiro de 2015 at 18:51 #

        Karl Marx, recomendo a leitura, até para entender o comunismo, seria como ler Freud para entender os princípios da Psicanálise. Mas alguém que compara Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho a piada de carnaval, não deve ter noção do que está acontecendo na nossa economia, mas com certeza deve conhecer todas as musas da Sapucaí. Por isto chegamos aqui e vamos caminhar para o pior, acha que o PT está interessado que a população tenha acesso a informação. Nossas faculdades estão virando um caos, o sistema de cotas está deixando várias vagas ociosas, estamos pagando 100% para sair no máximo 50% de pessoas graduadas. Isto já foi matéria da The Economist uns dois anos atrás, nossas federais vão se equiparar ao nosso ensino público. Está na hora de acordar povo brasileiro…..A questão já não é PT?PMDB? PSDB? A questão é….estamos na mão de um bando de incompetentes, ladrões e mentirosos, uma gentalha burra, ignorante, mas com enorme poder de persuasão.

  12. Carlos 18 de fevereiro de 2015 at 9:17 #

    Belo ponto de vista. Só estragou quando citou Flávio Augusto pois durante a copa escreveu em sua página que quem a criticava fazia um “discurso moralista e pseudo-intelectual-social-político”. E isso é totalmente contraditório com “Não aceite ser padronizado e considerado um a mais nessa multidão ofuscada pelo coletivismo”.

  13. Corey 18 de fevereiro de 2015 at 22:15 #

    Boa Noite Guilherme!

    Grata surpresa achar um link para meu blog em seu site, que acompanho desde antes de criar o meu. Você está absolutamente correto, esse é o maior motivo, a crise moral que estamos passando, pelo qual desejo e estou planejando a saída do Brasil. Não dá pra viver nessa sociedade apodrecida. Dinheiro a gente ganha pra viver na maioria dos lugares, mas … e segurança, respeito, cidadania?

    Grande abraço!

    Corey

    • Guilherme 20 de fevereiro de 2015 at 8:45 #

      Boa tarde Corey!

      Obrigado pelas palavras! Seu blog é referência em empreendedorismo, e sempre vale a pena citá-lo, ainda mais em questões como as descritas no texto.

      Grande abraço!

  14. Danilo Muniz 19 de fevereiro de 2015 at 17:36 #

    Muito bom o post Guilherme, como sempre claro 🙂

    Eu sempre repito o refrão de uma música que ouvi a algum tempo atrás na televisão e me fez refletir como nunca antes:

    “Ninguém respeita a constituição, MAS TODOS acreditam no futuro da nação, que país é este?”

    É muito triste colhermos algo que não plantamos. No individual, colhemos o que plantamos, mas como nação, colhemos como povo. Temos colhido o que muitos tem plantado a anos, corrupção e roubo.

    Enquanto cada um não fizer a sua parte, como você mesmo disse, não iremos para frente como país. O “jeitinho brasileiro” deveria sumir para sempre do nosso vocabulário e das nossas atitudes.

    Abraços

    • Guilherme 20 de fevereiro de 2015 at 8:46 #

      Olá Danilo, obrigado!

      Esse refrão da canção é ótimo, pois espelha a situação da coletividade brasileira.

      Concordo com você, o “jeitinho brasileiro” deve sumir pra sempre.

      Abç!

  15. Flavio 24 de fevereiro de 2015 at 17:17 #

    “Em Israel a primeira-ministra Golda Meir recebia políticos e ministros em sua cozinha para lhes oferecer chá.”

    O primeiro primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, acreditava que o deserto que ocupa mais da metade do território daquele país era uma fonte de oportunidades e não um estorvo. Quando deixou a política, em 1970, foi viver em um kibutz no meio do deserto, para dar o exemplo daquilo em que acreditava. Faleceu em 1973 e lá foi enterrado.

  16. Daiana 15 de março de 2015 at 16:11 #

    Olá Guilherme,
    Há um tempo que não comento aqui no blog, embora acompanhe as postagens semanalmente via email. Confesso que li cinco vezes esse post e fiquei refletindo nos últimos três dias sobre o mesmo antes de decidir comentar. Mérito seu por instigar a reflexão acerca de um tema tão importante.
    Como leitora do Valores Reais desde 2010 percebo este post como o mais controverso. Explico. A sua abordagem é interessante e discordo de poucos pontos. Primeiro, a crise econômica não se reduz ao Brasil, mas atinge o mundo. A China registrou a maior queda nos investimentos dos últimos 10 anos no primeiro bimestre de 2015, a zona do euro vive momento sensível de negociações difíceis com Ucrânia e Grécia o que tem contribuído para a valorização do dólar em escala global.
    Segundo, o problema com a corrupção também não é privilégio brasileiro. Vide a recém matéria publicada no The Economist sobre os escândalos de corrupção por toda a América Latina: http://www.economist.com/news/americas/21646272-despite-epidemic-scandal-region-making-progress-against-plague-democracy
    A matéria apresenta inclusive pontos importantes como a criação de ferramentas de combate ao problema. A corrupção é tampouco exclusividade de nossos tempos ou das esferas políticas, como muito bem apontado nos comentários lúcidos ao post e na matéria referida. Para entender melhor a estrutura política brasileira sugiro a leitura da obra ‘Raízes do Brasil’ do historiador Sérgio Buarque de Holanda, se vamos trocar aqui dicas de leitura.
    Por último, mas não menos importante discordo diametralmente da citação de Flávio Augusto. Não acredito que mais individualismo seja a solução, ao contrário individualismo em excesso é o que alimenta a corrupção. É o não pensar no coletivo que leva políticos e empresários a encherem os próprios bolsos às custas do dinheiro público.
    E é esse mesmo individualismo que resulta nos piores comentários que já li neste blog. A princípio eu fiquei decepcionada, pois sempre li aqui tanto textos como comentários enriquecedores para quem almeja uma vida com qualidade. E me é absolutamente aterrador o tom raivoso nos comentários. E essa raiva não é direcionada somente ao PT, à figura da presidenta e ao problema da corrupção, mas a qualquer pessoa que apresente um ponto de vista diferente com a imediata classificação dessas pessoas como ‘petralhas’. Tal classificação é prejudicial ao debate dado o completo desrespeito ao posicionamento alheio e considero particularmente ultrajante taxar alguém de canalha por pensar diferente.
    Aliás, gostaria de esclarecer que não sou petista, não voto no PT e acredito sim que os governantes tem que ser criticados, independente da legenda. Concernente a isso: segurança pública, saúde, educação, saneamento são atribuições dos governos estaduais e municipais cabendo ao governo federal o repasse das verbas a serem administradas por essas outras esferas. Portanto, cobrar do governo federal ações com relação a esses problemas é procurar solução no lugar errado.
    As manifestações classistas nos comentários também me incomodaram. Sério que em uma democracia não se consegue respeitar que o outro faça uma escolha diferente da nossa? Que para além dos 51 milhões que votaram no seu candidato está uma massa de analfabetos?
    Voltando à corrupção. É mais que válido ficar indignado, é esperado que se fique. Mas sobra alguma indignação para o tremsalão do PSDB? Para perceber que o mensalão envolveu, dentre outros partidos, também o DEM e o PMDB? Para o cartel dos trens em São Paulo? Para os 8.667 sonegadores de impostos envolvidos no escândalo HSBC? Ou se limita apenas ao corrupto PT e suas políticas afirmativas para a entrada nas universidades? Para o assistencialismo do Bolsa Familia?
    De minha parte tenho horror à várias ações do PT que dá o Bolsa Familia com uma mão e manda o exército exterminar indígenas na Amazônia com a outra, que desapropria ribeirinhos em volta de seus ‘grandes projetos’. Mas queremos mesmo reclamar dos 175 reais mensais gastos com famílias vivendo em extrema pobreza? Queremos reclamar da ajuda à pessoas MORRENDO DE FOME?! Crianças morrendo de FOME, aqui longe da África, que sim está muito pior. O problema é que agora esses miseráveis tem escolha além de passar fome e não ter acesso à saúde?
    Depois da decepção com toda a insensibilidade que li nos comentários a este post eu fiquei assustada. De verdade, é isso que nos resta? Em oposição à falha de caráter dos políticos estão classismo, desrespeito ao outro, cinismo social, individualismo?
    Eu não compartilho de nenhum desses valores. E não, isso não me torna automaticamente ‘petralha’. Me torna alguém capaz de refletir para além do próprio umbigo e capaz de se sensibilizar com os problemas coletivos.
    Com tristeza admito que talvez eu não seja mais público para o blog.

    • Guilherme 15 de março de 2015 at 18:54 #

      Olá Daiana, realmente, o post é polêmico, mas fique à vontade para continuar ou não seguindo o blog.

  17. Carlos Manoel Marques 27 de março de 2015 at 16:50 #

    Guilherme,

    Acho que eu sou um contador de histórias. Coisas da idade… hehehe… Vou reforçar o que a Bárbara falou a respeito do primeiro ministro da Holanda.
    Fui assinante do jornal “Gazeta Mercantil nos anos 80. Lá para o final destes, um empresário da época, do qual não recordo-me mais o nome (deveria ter guardado aquele recorte de jornal), contou o seguinte fato que tinha acontecido com ele por aquela época.
    Ele estava em Genebra na Suíça num mês de Abril ou Maio (lembro-me que era primavera). Ele sentado em um banco virado para uma avenida, praça às suas costas, e uma parada de bonde a sua frente. Disse que ao lado dele sentou-se um senhor de meia idade, terno, chapéu e guarda-chuva pendurado em um dos braços. Como ele estava lendo um jornal brasileiro, este senhor, educadamente, perguntou a ele se era brasileiro. Ele respondeu que era e começaram uma conversa agradável que durou uns 5 minutos. Passado este tempo, o Sr. de cidadania suíça, despediu-se pois disse que via ao longe o bonde dele se aproximando e que ia trabalhar. Trocaram cartões. Ele esperou o Sr se afastar e tomar o bonde. Quando o bonde se ia, ainda trocaram um aceno de mãos. Após a partida do bonde ele olhou para o cartão e estava assim escrito: O nome do Sr. e abaixo um indicativo funcional assim grafado “Ministro de Estado… (não recordo-me de que pasta). Pois é… outro mundo. 🙂

    • Guilherme 28 de março de 2015 at 12:36 #

      Olá Carlos!

      Adoro ouvir histórias de pessoas como você, que tem mais experiência! 😀 Aliás, já deve ter percebido que o blog está cheio de guest posts sensacionais de pessoas assim: Bárbara, Rui etc.!

      Gostei demais dessa história ocorrida na Suíça. Demonstra bem quão distantes estamos desses países, em vários níveis: social, econômico etc.

      Abç! 😀

      • Flavio 6 de abril de 2015 at 17:39 #

        Muito boa essa história!

        Trabalho em um órgão público federal. De 2 em 2 horas mais ou menos vem um garçom nos servir cafezinho. Durante as reuniões ele sempre vem, trazendo café e água.

        Anos atrás participei de um seminário em Washington organizado pelo Department of Justice americano, órgão mais ou menos equivalente ao nosso Ministério da Justiça. Havia café, água e suco de laranja à vontade, em uma mesa no fundo da sala, para quem quisesse pegar.

        É uma diferença de mentalidade que parece pequena mas que tem implicações profundas na sociedade. O americano, quando quer algo, vai e faz. O brasileiro espera que alguém faça para ele.

        • Guilherme 9 de abril de 2015 at 11:41 #

          É bem por aí mesmo, Flavio!

          Abç!

        • Douglas 9 de abril de 2015 at 22:33 #

          É isso mesmo. Não só o americano mas também o europeu. Trabalhei na Alemanha e o meu chefe jamais me pediu para trazer café para ele, ou tirar um xeror (eu era estagiário) o mais baixo dos baixos.

          Só me dava tarefas úteis e com sentido. Inclusive a chefe dele, uma vez me pediu para tirar cópia de vários documentos (enquanto ele estava de férias no natal) e quando voltou me perguntou se ela me pediu alguma coisa. Falei das tarefas que ele me pediu (complexas e com sentido) mas também falei da cópia de documentos (mas nem me importei com a tarefa, até falei que não tinha problema) e ele ficou possesso e foi lá e falou com ela (A CHEFE DELE, vejam só) e ela nunca mais me pediu nada do gênero.

          Ou seja, é uma mentalidade totalmente diferente. Cada um faz a sua parte e já está em um nível de achar absurdo delegar aos outros o que você não quer fazer. Imagine então uma pessoa exclusiva pra servir água e café, nem sequer passa na cabeça dos europeus que esse tipo de realeza ainda exista em 2015.

          • Guilherme 10 de abril de 2015 at 13:21 #

            Ótimo comentário, Douglas!

            No Brasil, as pessoas parecem exigir mais das outras do que de si mesmas, quando é o contrário que deveria ocorrer.

            No Brasil ainda impera a mentalidade do século XVI…

            Abç

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