Você obtém aquilo que você foca: foque naquilo que você quer, não naquilo que você não quer

Ouvindo o episódio n. 15 do podcast Life Is A Marathon, eu me deparei com uma lição (mais ou menos no minuto 29:00) que a maioria de nós pode muito bem aplicar na vida prática para ter mais realização e sucesso, tanto na vida pessoal quanto na esfera profissional.

E a lição é justamente aquilo que está escrito no título desse artigo: você obtém aquilo que você foca. Portanto, foque naquilo que você quer, não naquilo que você não quer.

Simples, não!? Mas na prática as pessoas muitas vezes se deixam guiar pelos problemas, pelas dores temporárias que as “cegam” na busca de melhores soluções, e acabam fazendo exatamente o contrário daquilo que eu proponho no dia de hoje. Ou seja, em vez de focarem naquilo que querem, gastam sua energia mental se concentrando naquilo que não querem.

A consequência disso é uma só: expandem o problema, ao invés de materializarem a solução para esse problema.

Como diz William Douglas, especialista na área de concursos públicos:

“Aquilo que você foca se expande”.

Solução

Exemplos:

1. Se você é obeso e quer ganhar qualidade de vida, não fique mentalizando o problema: “eu odeio ser gordo”, “eu detesto fazer dieta”, “eu nunca vou conseguir fazer uma corrida”.

Em vez disso, mentalize e foque na solução: “eu quero estar em boa forma física”, “eu vou lutar para melhorar minha saúde”.

Foque naquilo que você quer (“ser saudável”), e não naquilo que você não quer (“odeio ser obeso”).

2. A Madre Tereza não participava de protestos do tipo “Contra as Guerras”, “Contra os Abortos”. Em vez disso, ela sempre optava por celebrações em prol da vida, em prol da paz. Ela focava naquilo que ela queria (“obter a paz”), e não naquilo que não queria (“protestar contra a guerra”). Ela preferia expandir a solução, e não concentrar seus esforços naquilo que não queria.

3. Um amigo recentemente me contou um caso que ilustra com perfeição a mensagem desse artigo.

Ele estava com problemas de vazamento hidráulico em sua casa, que estava ocasionando alagamento dos pisos dos quartos e banheiros. Como ele é apenas o inquilino do apartamento, logo chamou o proprietário para buscarem juntos uma solução.

O proprietário chamou um encanador, e, quando esse disse que seria preciso desmontar os móveis dos banheiros para consertar a tubulação e, portanto, contratar também um marceneiro, o proprietário só ficou reclamando da situação. Falou que esse problema estava lhe tirando o sono, que seria muito difícil encontrar um marceneiro, que os horários disponíveis do marceneiro e do encanador teriam que coincidir para a realização do serviço etc. etc. etc. Ele só ficava reclamando do problema. Ele focava no problema. Consequência? O problema se expandia cada vez mais na mente dele. Ele focava exatamente naquilo que não deveria focar, ou seja, concentrava sua energia mental naquilo que não queria (o problema).

O inquilino, muito mais preocupado em resolver a situação do que o proprietário, durante esse meio tempo, teve um “insight”: “e por quê não chamar logo o marceneiro que havia prestado serviço na casa no mês anterior?”.

Ele propôs telefonar para o marceneiro, e, em menos de 5 minutos, conversaram com ele e o encanador e ajustaram uma data para resolver o problema. Pronto! Simples, prático e eficaz.

Veja que interessante: enquanto o inquilino focou naquilo que queria, na solução (resolver o problema do vazamento), o proprietário ficou mais preocupado em reclamar da situação, o que fez “cegar” seu cérebro para a busca de uma solução que, no final das contas, acabou se resolvendo de forma extremamente rápida.

Suas escolhas devem ser pautadas pelos seus valores

Num artigo muito interessante intitulado Let your values drive your choices, James Clear também adota um raciocínio semelhante, mas sob uma outra perspectiva: não devemos deixar que os problemas norteiem nossas escolhas, mas sim nossos valores.

Isso porque os problemas são temporários, e, se deixarmos que eles guiem nossas escolhas, ao invés de nossos valores, acabaremos sempre adotando soluções paliativas que pouco ou nenhum resultado produzirão a longo prazo.

Exemplo: por um motivo qualquer, você “perdeu a hora” de acordar, e pulou o café da manhã a fim de chegar no horário ao seu trabalho.

Lá pelas 10, para aplacar a fome que está lhe afligindo, você resolve comer alguma coisa.

Se você for guiado pelo problema (“fome”), em vez de ser norteado pelo valor (“saúde”, se esse for realmente um valor caro para sua vida), você tomará um belo copo de 250ml de café adoçado com 4 colheres de açúcar branco refinado, com um pacote de biscoitos de uma marca qualquer, acompanhados de doses generosas de manteiga.

Ok, essa solução pode até ter apaziguado temporariamente sua fome (lembre-se de que todo problema é temporário), mas terá sido péssima para sua vida em termos de longo prazo, pois você não agiu de acordo com seus valores relativos aos cuidados com a manutenção de uma boa saúde.

Dito isso em outras palavras: se suas ações e comportamentos no dia-a-dia não estiverem alinhados com os valores que você acredita que deve seguir, certamente você não estará extraindo o melhor da sua vida. Afinal, de que adianta dizer que professa determinados valores sua vida, se no seu dia-a-dia, na hora do teste, você resolve agir em desconformidade com eles?

Conclusão

Problemas, desafios e situações inesperadas todos nós enfrentamos todos os dias.

Para lidar bem com eles, e buscar soluções que os resolvam da melhor maneira possível, devemos ter em mente dois princípios básicos.

Primeiro, agir concentrando nossa energia mental naquilo que queremos, e não naquilo que não queremos.

E, segundo, e talvez o mais difícil, agir em alinhamento com nossos valores mais profundos, e não buscando paliativos que, se podem resolver o problema temporariamente, só causarão prejuízos se realizados de forma cumulativa a longo prazo.

Você obtém aquilo que você foca. Portanto, priorize a busca de soluções, em conformidade com seus princípios, em vez de ficar remoendo os problemas. Pois, como disse o Mr. Rover em seu blog Projeto Free Lifestyle,

“As pessoas que reclamam tanto geralmente são aquelas que estão cada vez mais se afundando”.

Tenham uma boa semana!

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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16 Responses to Você obtém aquilo que você foca: foque naquilo que você quer, não naquilo que você não quer

  1. Clerton 27 de outubro de 2014 at 10:58 #

    Olá, simplesmente sensacional este artigo, de fato se conseguirmos aplicar o que escreveu o autor, certamente teremos muito, mas muito mais condições de resolver nossos problemas do dia a dia. Por mais que saibamos o que fazer, nunca é demais ler algo tão simples, didático e objetivo, contudo, com muita informação embutida além só do que está escrito. Parabéns.

    • Guilherme 27 de outubro de 2014 at 18:18 #

      Obrigado, Clerton!

      É como você disse: as ideias simples muitas vezes são as melhores e as que trazem mais realização pessoal. 🙂

      Abç!

  2. DiegoBA 27 de outubro de 2014 at 13:46 #

    Surpreendente como a direção dos nossos pensamentos influenciam em acontecer ou não aquilo que desejamos realizar. A força do pensamento positivo e focado é um exercício diário que podemos utilizar em qualquer situação de nossas vidas. Ótimo post como sempre, muito obrigado.

    • Guilherme 27 de outubro de 2014 at 18:19 #

      Valeu, Diego!

      Exatamente: não podemos subestimar o poder de nosso cérebro. Os nossos pensamentos têm grande influência para direcionar nossos comportamentos.

      Portanto, temos que “alimentá-lo” com os nutrientes adequados.

      Abç!

  3. Rayan Ibiapina 27 de outubro de 2014 at 14:31 #

    Olá Guilherme, parabéns pelo artigo. Você e os seus fatores de coincidência em suas escritas com os acontecimentos em minha vida (risos).

    Venho ler esse artigo logo quando estou terminando (pela segunda vez) a leitura de O Segredo de Ronda Byrne. O poder do pensamento positivo e de focalizar aquilo que queremos é surpreendente. Acredito que conhecer essa teoria (no caso, essa Lei) é um grande passo que uma pessoa possa dar na vida. Porém, como sempre, sair da teoria para prática requer um pouco de força de vontade, disciplina, insistência e autoconhecimento. De todo modo, não dá pra dizer que conhecer a teoria não é bom. Mas, como você fala, tem que associar a prática a isso também.

    Novamente, parabéns pelo artigo. Grande abraço e até a próxima! Rumo a vida próspera. 🙂

  4. Guilherme 27 de outubro de 2014 at 18:21 #

    Olá Rayan!

    Acho incrível essa “sintonia de pensamentos” existente entre os artigos do blog e a vida dos leitores. Creio que isso é uma das bases que promovem o sucesso do blog junto ao público leitor. 😀

    O seu comentário foi excelente: treinar a mente pode ter efeitos muito práticos e concretos. Temos que ser pragmáticos e utilizar o cérebro a nosso favor.

    Lembrei agora de uma frase de Nuno Cobra: o cérebro é “burro”. Tudo o que falamos para ele ele tende a acreditar que é verdade.

    Portanto, que possamos sempre reprogramar o cérebro a nosso favor, a fim de termos uma vida próspera e cada vez mais feliz.

    Abç!

    • Rosana 2 de novembro de 2014 at 11:12 #

      Reprogramar o cérebro, ainda mais se consideramos o mundo atual com seus excessos (de informação, de estresse, de ansiedade) é uma excelente solução.
      Como costumo dizer, muitas vezes menos é mais.

      Comecei a ler o livro Ansiedade, de Augusto Cury, que fala também sobre isso.
      Uma das coisas que mais gosto dos livros dele é que são escritos com uma linguagem simples, de fácil entendimento para qualquer pessoa leiga em psicologia/medicina.
      Ele sempre fala que somos treinados desde a infância para dominarmos o mundo fora de nós, mas nunca o mundo interior, no qual somos como crianças, pois não sabemos controlar nossos sentimentos de forma eficiente.
      No palco da nossa própria vida, na maior parte do tempo, somos meros espectadores sentados na plateia, sendo que deveríamos estar no palco. E com isso, os sentimentos dominam nossa vida sem o nosso questionamento, sendo que o ideal seria exatamente o contrário.

      Abraços,

      • Guilherme 3 de novembro de 2014 at 12:57 #

        Olá, Rosana, excelente essa ideia de que não sabemos controlar os sentimentos – mundo interior – de forma eficiente.

        Acredito que isso seja um dos grandes problemas da humanidade, ou melhor, da educação de uma maneira geral: dominar apenas o mundo exterior, sem muitas lições de como dominar o “eu interior”.

        Abç!

  5. Ronaldo Suett 28 de outubro de 2014 at 12:08 #

    Mais um ótimo post…
    Parabéns!!!

  6. Rosana 2 de novembro de 2014 at 10:59 #

    Guilherme,

    Parabéns por esse post, já o considero um dos melhores do Valores Reais. 🙂

    Muitas vezes o foco no problema bloqueia nossa mente e não encontramos a solução por estarmos muito focados (às vezes quase obcecados) no que não deveríamos, no que só vai prolongar (e até complicar) o problema.

    Muito interessante também o trecho sobre as escolhas serem pautadas nos valores. Em um mundo tão corrupto e com valores em extinção, a solução apresentada por você para as escolhas é a mais sábia, coerente e simples que já vi.
    Infelizmente muitas vezes acabamos não tomando a decisão mais acertada principalmente por causa dos nossos sentimentos, que atrapalham o raciocínio e prejudicam a decisão.

    Abraços,

    • Guilherme 3 de novembro de 2014 at 12:55 #

      Olá Rosana, obrigado!

      Realmente, focar nas soluções, e não nos problemas, é bastante difícil para os seres humanos, pois, como você bem destacou, eles são às vezes tomados por sentimentos na hora de agirem, o que acaba prejudicando a decisão.

      Ter “consciência da nossa consciência” é o primeiro e importante passo para conseguir tomar decisões melhores na vida.

      Abç!

  7. Max 2 de novembro de 2014 at 16:39 #

    Ótimo artigo, obrigado por compartilhar!

  8. samara 22 de novembro de 2014 at 9:44 #

    olá guilherme,a minha pergunta não tem haver com o artigo, mas gostaria de uma dica. agora em janeiro termina a ultima parcela de um empréstimo depois de cinco ano, tava louca quando fiz esta divida.enfim, estive pensando em continuar sem esse valor que é de 200 reais, mas não quero colocar na poupança pq sei que na primeira dificuldade pegarei, gostaria de algo que fosse obrigada a resgatar somente depois de algum tempo,dois anos ou três. o que vc me sugere?

    • Guilherme 24 de novembro de 2014 at 16:52 #

      Olá Samara, para criar a disciplina com o investimento, uma boa alternativa é o Tesouro Direto, que tem regras de resgate mais difíceis que a poupança, uma vez que só pode ser resgatado às quartas-feiras.

      Abç!

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