5 coisas em que você deve investir seus “recursos” (financeiros, de tempo, e de foco)

Um blog de finanças pessoais naturalmente aborda e dá dicas sobre onde você deve investir seus recursos financeiros. Afinal, é através dos investimentos que você constrói pontes para o futuro, seja ao planejar e executar um plano de longo prazo, como é a aposentadoria financeira, seja ao ter como meta a compra de um carro para daqui a 5 anos.

Porém, fazer sobrar dinheiro para investir é apenas uma das coisas que você pode fazer com o dinheiro. Sim, pois, se o dinheiro é, na essência, uma ferramenta para melhorar sua qualidade de vida, ele também deve ser utilizado – gasto – em coisas que te proporcionem valor e agreguem qualidade ao seu estilo de vida.

Paralelamente a tudo isso, sabemos que não podemos medir a nossa vida única e exclusivamente pelo dinheiro – apesar de muitas pessoas ainda o fazerem. Devemos ir além, e pensar nas múltiplas dimensões em que nossa vida acontece, principalmente nos aspectos do tempo que gastamos em cada atividade que realizamos, bem como na atenção, ou seja, no foco, que dirigimos em cada uma dessas atividades.

Observe que, assim como o dinheiro, o tempo também é um recurso que nós dispomos de forma limitada: 24 horas por dia. E, por motivos neurobiológicos, isto é, devido à nossa condição de seres humanos, também temos uma limitação na nossa atenção: não podemos prestar atenção, ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, em todas as coisas que acontecem ao nosso redor, bem como nas que não acontecem.

Desse modo, precisamos fazer uma seleção daquilo que para nós é o mais importante, ou seja, fazer uma tarefa. De cada vez.

Portanto, saber ” alocar”, de forma satisfatória, e com a máxima otimização, os nossos limitados recursos de dinheiro, de tempo e de foco é crucial para determinarmos até onde poderemos chegar nessa maratona chamada de vida.

Abaixo, apresento 5 áreas de sua vida em que você deve investir seus recursos – recursos financeiros, recursos temporais e recursos de atenção – para ter uma vida melhor, mais completa e mais empolgante, sob todas as dimensões possíveis.

1. Habilidade em adquirir novos conhecimentos

Se você parou de aprender, você parou no tempo. Nunca desperdice a oportunidade de aprender mais, não apenas em sua profissão, mas também em qualquer outra área em que mais conhecimento possa significar a chance de ter uma vida mais completa, mais autônoma e mais independente.

Estudo

Investir recursos em aprimorar seu capital intelectual é uma constatação um tanto quanto óbvia, como deixei sublinhado no artigo Quanto vale sua força de trabalho? Pensando no seu capital humano como um título de renda fixa. Afinal, quanto maior for o seu conhecimento e a capacidade de executar o que você armazenou em seu cérebro para resolver problemas e entregar soluções, maior tende a ser a sua remuneração.

E não estou falando apenas aqui do conhecimento estritamente acadêmico, aquele que geralmente se aprende em sala de aula, mas também de todo e qualquer tipo de conhecimento que lhe permita gerar renda. Hoje, mais do que nunca, sabemos que o “conhecimento prático” é tão ou mais importante que o meramente acadêmico para a produção de renda e desenvolvimento econômico dos indivíduos e das nações.

Além disso, você deve adquirir, manter e usar os novos conhecimentos não apenas na sua profissão, mas na sua vida de um modo geral. Isso porque, quanto mais esclarecido você for, melhor tende a ser a qualidade de suas decisões, e provavelmente certamente menos dinheiro você gastará em coisas que não te proporcionarão valor algum.

Por exemplo, mesmo que sua área de atuação profissional não tenha a mínima ligação com as finanças (medicina, engenharia, advocacia, serviços públicos de caráter administrativo), é absolutamente essencial que você tenha um mínimo de educação financeira para que, na hora de investir seu suado dinheiro, você não seja manipulado por gerentes e funcionários de banco inescrupulosos tentando lhe empurrar PGBLs, títulos de capitalização, e produtos de investimentos que são, na maioria dos casos, uma furada total, como produtos estruturados, de tesouraria, fundos de capital protegido etc. etc. etc., que só servem para enriquecer o bolso dos bancos, e não os seus. Quantas pessoas você não conhece que são altamente capacitadas e um sucesso absoluto em seus ofícios, mas que não tem o mínimo traquejo em falar sobre finanças pessoais, e que não resistem a um empréstimo consignado?

Pois é, eu conheço um monte de gente assim: pessoas inteligentes em suas profissões, mas que fazem burradas com o próprio dinheiro. E por quê isso acontece?

Simples: porque ficam naquela zona de conforto “maravilhosa” achando que podem se dar ao luxo de delegar a terceiros decisões e responsabilidades sobre seu futuro financeiro e, quando veem a c***da que fizeram, buscam desesperadamente formas de recuperar o capital perdido.

Logo, o recado aqui é bem claro e direto: seja um eterno aprendiz.

2. Fortalecimento de sua capacidade física

Você deve obrigatoriamente tentar chegar aos 30 com um corpo melhor do que quando tinha 20 anos. Deve chegar aos 40 com a aparência de 30. Deve mirar os 50 com o objetivo de ser melhor e mais forte do que quando tinha 40. E assim sucessivamente.

Saúde

Hoje, com a avalanche de recursos e tecnologias aptos a melhorar nossa saúde física, não há desculpas para aperfeiçoar seu estado físico de saúde. A questão aqui não é apenas estética, mas fundamentalmente biopsicológica: com uma saúde física melhor, você pensa melhor, você raciocina melhor, você toma decisões melhores, você tem menos estresse e mais coragem para enfrentar os desafios que a vida lhe apresenta.

Muitos cuidam da saúde de maneira apenas passiva, isto é: quando se instala uma doença, ou nos exames anuais de checkup. Por não fumarem, não beberem e estarem com o peso “em dia”, acham que está tudo bem.

Porém, isso, por óbvio, não é suficiente, pois há muitas doenças que se instalam de maneira silenciosa e imperceptível dentro do organismo humano. Além disso, ficar na zona de conforto do “eu acho que minha saúde está boa”, lhe impede de tentar tornar melhor aquilo que já está bom.

E qual é a solução para isso? Adotar um comportamento proativo nos cuidados com a saúde. Cuidar dela não apenas para corrigir aquilo que está problemático, mas sim para melhorar e tornar ótimo aquilo que já está no nível “bom”, ou partir para o degrau máximo, tornar excelente aquilo que já está “ótimo”; ou ainda buscar o “extraordinário” daquilo que já está excelente.

Como dizia um atleta numa entrevista para TV: “tem gente que gasta dinheiro com carro, com viagens, com roupas. Eu invisto em mim”.

3. Invista em risadas

Você já parou para pensar por quê existem tantos programas humorísticos na TV, tantas peças de teatro e filmes no cinema do segmento de “comédia”  e tantos livros cômicos?

Você já parou para pensar por quê existem tantos canais de humor no YouTube e tantos sites que fazem sucesso na Web com o objetivo primordial de te fazer rir e dar boas gargalhadas?

Eles existem para responder a uma necessidade fundamental do ser humano, a necessidade de relaxar, de brincar, de dar risadas, de se entreter.

Agora, vem cá, falando sério dessa vez: qual foi a última vez que você se propôs, de modo deliberado, a reservar um tempo para dar risadas? Será que não é esse componente que está faltando em sua vida para você voltar a ter uma vida mais leve e mais equilibrada?

Como dizia uma propaganda de margarina, “leve a vida leve”. Mostre que você também tem a capacidade de se desconectar e ria de vez em quando.

Sempre fiz questão de reservar momentos de diversão no meu “orçamento de tempo”. Atire a primeira pedra quem nunca ansiava pela terça-feira à noite para assistir ao Casseta & Planeta no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Atire a primeira pedra quem nunca deu risadas ao ler a coluna do José Simão no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo.

Felizmente, a Internet apresenta ótimos conteúdos de humor, em que há gente de talento escrevendo – como o Carlos Cardoso no Meio Bit – ou fazendo vídeos no YouTube.

4. Tempo de qualidade nos relacionamentos sociais

Nos top 5 dos arrependimentos no leito da morte, “não ter passado mais tempo com os amigos ocupa lugar de destaque”, e não é difícil imaginar os motivos: é que a vida é feita de relacionamentos.

Amigos

Muitas vezes, no afã de querermos mais destaque no emprego, mais “posição social”, mais “poder”, seja lá o que essas coisas signifiquem, acabamos deixando de lado aqueles que mais nos encarecem: nossas amizades.

Vou transcrever aqui um trecho do artigo que escrevi em 2012, Tenha coragem de viver uma vida fiel ao que você é, e não a vida que os outros esperam de você, abordando exatamente esse tema:

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.

Muitas vezes os pacientes terminais não percebiam os benefícios de ter antigos amigos por perto até a semana da sua morte, e nem sempre era possível encontrá-los. Muitos haviam se tornado tão centrados em suas próprias vidas que tinham deixado amizades de ouro se diluírem ao longo dos anos. Havia muito arrependimento por não dar atenção a essas amizades da forma que mereciam. Todos sentem falta dos amigos quando estão morrendo.

É comum que as pessoas que têm um estilo de vida agitado se esqueçam das amizades. Mas quando você se depara com a proximidade da morte, os detalhes físicos da vida caem por terra. As pessoas querem deixar as finanças em ordem, mas não é dinheiro, nem status, que tem importância real para elas. Querem deixar tudo em ordem para beneficiar as pessoas que amam, mas em geral, estão doentes e exaustas para gerenciar essas tarefas. No final das contas, tudo se resume ao amor e relacionamentos. Repito: tudo o que resta nos dias finais é amor e relacionamentos.

Gaste tempo com seus amigos, mas atenção: que esse seja um tempo de “qualidade”. E o que vem a ser exatamente esse adjetivo “de qualidade”?

Simples: desligue o celular enquanto estiver conversando com eles. Se você não quiser ter amigos pela metade, então não divida sua atenção entre eles e uma tela de aparelho celular.

Não existe coisa mais chata do que ter sua atenção diluída enquanto você conversa com alguém que reparte seu foco com outra pessoa mediante um equipamento eletrônico portátil. Não existe.

5. Curiosidade

– Será que eu conseguiria comprar um fundo imobiliário que me garantisse uma renda mensal de 0,8% a.m. líquido de impostos?

– Qual é o segredo para manter uma taxas de gordura corporal inferior a dois dígitos?

– O que o homem mais rico do Brasil ouviu do homem mais rico do mundo quando se encontraram pela primeira vez?

– É verdade que alguns servidores públicos federais chegam a ter uma dívida de até R$ 600 mil gasto com supérfluos?

Aposto que essas perguntas atiçaram sua curiosidade. E mais, aposto que você ficou bastante propenso a clicar nos respectivos links para saber das respostas a cada uma dessas questões. E tenho certeza de que você terá uma taxa de absorção de conteúdo bastante alta se realmente estiver interessado nos temas que estão por trás de cada uma dessas perguntas.

Curiosidade

Mas por quê isso acontece?

Por uma razão muito simples: a curiosidade prepara o cérebro para um melhor aprendizado.

Num excelente artigo escrito no portal de tecnologia MeioBit, Silmar Geremia comenta sobre uma pesquisa da Universidade da Califórnia, que evidencia que, quando a curiosidade é aguçada, o cérebro muda para aprender mais não só sobre o assunto em questão, mas também sobre qualquer outra informação incidental.

De acordo com essas pesquisas:

“Mentes curiosas têm um aumento significativo de atividade no hipocampo, que tem participação na criação das memórias. De fato, o grau em que o hipocampo e o sistema de recompensa interagem pôde prever a habilidade individual de lembrar das fotos com os rostos. O sistema de recompensa do cérebro parece preparar o hipocampo para o aprendizado. As implicações podem ser múltiplas”.

Ou seja, você aprende mais, retém de maneira mais aprofundado determinado conhecimento, se previamente estiver disposto a aprender mais sobre ele. Um “gatilho” mental é acionado, fazendo você ativar com mais intensidade as áreas cerebrais responsáveis pela formação das memórias.

Se você veio até esse blog por curiosidade em aprender mais sobre algum assunto sobre o qual o Google lhe apresentou um link desse site, pode ter a certeza de que seu grau de fixação do conhecimento que adquiriu por aqui foi maior do que aquela lição de Química que você teve no segundo bimestre da oitava série do ensino fundamental. E isso porque você veio até aqui não por uma imposição “externa”, mas por uma necessidade “interna”, de saber mais sobre certo assunto.

Em outras palavras: você investiu na sua curiosidade.

Investir seus recursos financeiros, de tempo e de atenção em manter uma mente curiosa, portanto, fará com que você se exponha a novas experiências, realize novos projetos e se arrisque em fazer coisas que nem passavam antes pela sua cabeça. Sua mente se amplia, sua vida se amplia. 😉

Conclusão

Excelência

Viva a vida em suas múltiplas dimensões. Seja receptivo a novas ideias, experimente hábitos novos, que façam você ter sede de mais conhecimento e de novas experiências. Não aja passivamente em relação à sua saúde, pois você depende dela para poder usar com sabedoria o dinheiro que ganhou como produto de seu trabalho e o dinheiro que investiu como produto de seu conhecimento de finanças pessoais.

Ria, divirta-se, saia com seus amigos, e não se tranque em viver uma realidade que não lhe fará bem algum.

Lembre-se de que a vida é uma maratona, e que a beleza de se viver não consiste apenas em olhar para trás e dizer que “valeu a pena ter feito isso ou aquilo”, mas sim em aproveitar cada momento, disposto a desfrutar o que ela tem de melhor para nos oferecer. 🙂

Créditos das imagens: Free Digital Photos

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14 Responses to 5 coisas em que você deve investir seus “recursos” (financeiros, de tempo, e de foco)

  1. DiegoBA 20 de outubro de 2014 at 11:08 #

    Muito obrigado pelo conteúdo de qualidade!

  2. Elton 20 de outubro de 2014 at 16:59 #

    Parabéns pelo excelente texto! Abraços

  3. Ronaldo Suett 21 de outubro de 2014 at 11:55 #

    Mais um ótimo texto…

    Parabéns!!!

  4. Djones 21 de outubro de 2014 at 21:42 #

    Seus textos são ótimos! estou compartilhando na minha clínica da secretárias aos Dentistas.
    Obrigado Guilherme!

    • Guilherme 25 de outubro de 2014 at 9:30 #

      Grato por compartilhar meus textos, Djones!

      Abç!

  5. Sergera 21 de outubro de 2014 at 22:44 #

    Carpe Diem com responsa!! seja o dono do teu destino!!

  6. Rosana 23 de outubro de 2014 at 13:15 #

    Excelente post, Guilherme!
    Eu nunca havia pensado na atenção como um recurso que também deve ser utilizado de forma tão sábia e equilibrada quanto o tempo e o dinheiro. Interessante, gostei. 🙂

    • Guilherme 25 de outubro de 2014 at 9:32 #

      Obrigado, Rosana!

      Pois é, a atenção também é um recurso a ser otimizado com o máximo aproveitamento. Eu também não sabia, mas fui aos poucos aprendendo a ter mais cuidado com esse “recurso”, através de várias leituras que fui fazendo ao longo do tempo. 😀

      Abç!

  7. Yon 27 de dezembro de 2014 at 6:07 #

    Excelente artigo. Parabéns pelo Blog Guilherme, com certeza voltarei sempre por aqui.

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