A importância do “olhar de fora”

Há alguns meses, eu fui até uma nutricionista para avaliação de meu plano alimentar, tendo em vista que, conforme expliquei nesse artigo, eu estava praticando esportes e, como tal, necessitava de uma dieta que me fornecesse os nutrientes adequados para que eu pudesse realizar as atividades físicas sem comprometimento de minha saúde e, em última análise, de minha própria qualidade de vida.

Quando você faz uma avaliação nutricional, normalmente o profissional lhe pede os dados dos alimentos que você normalmente consome para, então, fazer um cardápio que não seja tão destoante, na medida do possível, daquilo que você já come.

E foi com bastante curiosidade que percebi que, apesar de eu estudar por conta própria a função de vários alimentos, algumas coisas – ou melhor, alguns alimentos – que eu nem cogitava de incluir na minha dieta acabaram sendo incluídos.

Fiz o “teste de validação”nas primeiras semanas após a elaboração da nova dieta e percebi que, de fato, esse novo plano alimentar estava me proporcionando um rendimento maior na prática de esportes, coisa que eu dificilmente alcançaria se continuasse a me alimentar seguindo meus próprios conhecimentos, que, assim como de qualquer outra pessoa não formada em nutrição, são conhecimentos de pessoa leiga.

Aonde eu quero chegar com essa pequena história?

Simples: que, muitas vezes, e em muitas áreas de nossas vidas, é essencial ter “um olhar de fora”, uma “voz exterior”, para lhe orientar a respeito dos rumos que você deve tomar.

E essas necessidades são de várias áreas do conhecimento humano. Às vezes, essa “voz exterior” é mesmo quase indispensável, como, por exemplo, uma consulta odontológica para saber como solucionar aquela dor de dente que vive lhe incomodando; ou uma consulta médica para resolver uma dor nas costas.

Porém, muitas vezes negligenciamos muitas outras áreas de nossas vidas em que “achamos” que podemos, por conta própria, resolver os problemas ou corrigir as distorções, pelo simples fato de determos algum tipo de conhecimento sobre tal assunto.

Ter ajuda dos outros e buscar ajuda dos outros pode fazer a diferença na busca por uma vida melhor, ainda que essa ajuda não seja tão bem vista aos olhos de outras pessoas.

Por exemplo, a colega blogueira Maria Bufunfa havia comentado outro dia no blog dela que faz consultas regularmente com a psicóloga dela. Num certo mês em que a psicóloga não havia lhe atendido, muitos leitores questionaram a “necessidade” de ela recorrer a esse tipo de serviço, dizendo que esse dinheiro poderia ser economizado e investido em outras coisas. E ela respondeu que precisa de uma psicóloga por “n” motivos, e ilustrou sua necessidade com um pensamento de Michel Foucault:

Foucault

Só a Maria, sabe a importância que esse “olhar de fora” faz para a vida dela, assim como muitas pessoas que conheço que também fazem terapia, e igualmente aprovam as sessões de terapia que fazem.

Uma das coisas mais fáceis do mundo é criticar alguém por fazer algo que você acha que não presta, e, por isso, não devemos dar lá muita importância a críticas de pessoas que não sabem nada de sua vida.

Além das necessidades no plano espiritual, também temos as necessidades no plano financeiro, claro.

Muitas vezes, buscar uma “voz exterior” pode lhe ajudar a refletir melhor sobre o problema que lhe aflige, fornecendo-lhe subsídios para tomar uma decisão mais esclarecida, sobretudo acerca das consequências daquilo que você pretende fazer ou deixar de fazer.

O colega blogueiro Investidor Casado tinha uma dúvida a respeito do que fazer com as dívidas que ele tinha acumulado, e resolveu então publicar essa dúvida no seu blog. As respostas dos leitores – inclusive uma minha – lhe “abriu a mente” para tomar decisões mais esclarecidas a respeito de sua situação financeira.

O Mauro Halfeld certa vez comentou na coluna dele na rádio CBN sobre a importância de ter alguém mais experiente do que você na área de finanças pessoais para criticar, de forma construtiva, claro, seu plano de investimentos.

Por quê isso? Porque a crítica poderia lhe “abrir os olhos” para problemas e situações que poderiam lhe passar despercebidos, te ajudando, assim, a aprimorar e aperfeiçoar sua estratégia de investimentos.

Numa área tão sensível quanto as finanças pessoais, quando mais conhecimento você puder agregar e adicionar à sua vida, maiores serão os subsídios para tomar uma decisão que possa estar mais ajustada e mais compatibilizada com seu estilo de vida. E para isso, muitas vezes, é indispensável um “olhar de fora”, uma “voz exterior”, que te ajude nesse processo de amadurecimento financeiro.

Conclusão

O objetivo de buscar ajuda externa é muito simples: melhorar a qualidade de nossa vida. Seja no plano físico, seja no plano espiritual, seja ainda no plano financeiro, a meta é sempre corrigir aquilo que está ruim, ou melhorar aquilo que já está bom e pode ficar ainda melhor.

Nunca despreze a importância do “olhar de fora”, fazendo julgamentos precipitados antes de efetivamente experimentá-los. Ter um “pré-conceito”, ou preconceito, das coisas não vai adiantar nada.

Faça o teste da validação e veja se funciona. Afinal, experimentar faz parte do processo. 🙂

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8 Responses to A importância do “olhar de fora”

  1. Mônica 13 de outubro de 2014 at 20:01 #

    Boa noite, Guilherme!!
    Excelente texto!! Li pra vários amigos meus! Rs! Meta: melhorar sempre…em todos os sentidos! Obrigada

    • Guilherme 13 de outubro de 2014 at 21:54 #

      Boa noite, Mônica!

      Muito obrigado!

      É isso mesmo: melhorar sempre em todas as áreas possíveis!

      Grato por compartilhá-lo com seus amigos!

      Abç!

      • Paula 3 de novembro de 2014 at 15:24 #

        Guilherme, adorei o texto. Sou psicólogo e tudo o que você escreveu é muito verdadeiro. Muitas pessoas tem preconceito, outras resistem, quando na verdade, o melhor é ir em busca de ajuda, de auto desenvolvimento.
        Assim, te peço permissão para divulgar este seu texto, com os créditos e link, é obvio.
        Um abraço

        • Guilherme 5 de novembro de 2014 at 20:51 #

          Obrigado, Paula, sinta-se à vontade para divulgar o texto!!!!

          Abç!

  2. Ítalo Almeida 14 de outubro de 2014 at 16:40 #

    Excelente artigo!

    Eu estava tendo esse problema. Tudo começou quando procurei alguns profissionais para me ajudar em minhas finanças. Porém eles eram ineficientes e incapacitados. Acabei desistindo de procurar profissionais e passei a tentar eu mesmo fazer o que tinha de ser feito.

    Só agora percebi que não podemos fazer tudo sozinhos. Obrigado.

    • Guilherme 14 de outubro de 2014 at 19:32 #

      Obrigado, Ítalo!

      Ter um ponto-de-vista diferente nos ajuda a “enxergar” pontos que poderiam passar despercebidos.

      Abç!

      • Rosana 23 de outubro de 2014 at 13:24 #

        No caso específico de finanças citado pelo Ítalo, eu acho que a internet pode ajudar muito, pois existem sites excelentes sobre o assunto.

        E quando o assunto não é totalmente esclarecido em um site, podemos procurar outro ou fazer perguntas, que geralmente são muito bem respondidas.

        Eu acho que a “visão de fora” que conseguimos nesses sites é infinitamente superior aos “excelentes” investimentos que os gerentes de bancos nos indicam e que, quando não temos conhecimento, acabamos aceitando, com a crença de estarmos fazendo ótimos negócios, mas que, com o tempo vamos percebendo que não eram tão bons assim.

        Em todas as áreas, o “olhar de fora” é muito importante, pois é através dele que nossa visão se amplia e nos ajuda a não cometermos os mesmos erros que já foram cometidos por outras pessoas antes.

        Geralmente não damos muita – ou nenhuma – atenção às pessoas mais velhas, ao que elas têm a nos dizer em termos de vivência e experiência. Mas um dia, acabamos aprendendo a ouvi-las e vemos o quanto perdemos por não termos feito isso antes.

        Abraços,

        • Guilherme 25 de outubro de 2014 at 9:53 #

          Perfeito, Rosana!

          As finanças são um excelente campo para exercitar o “olhar de fora”, sendo a Internet um meio fantástico para adquirirmos conhecimento de qualidade provindo de fontes “certificadas”, que passam no “teste de validação”, ou seja, que proporcionem aos leitores a possibilidade de melhorias práticas em suas vidas financeiras, de maneira bem mais eficiente do que as famigeradas “dicas” de empregados de bancos, como você bem disse.

          Sobre conversas com pessoas mais velhas, essa é outra excelente fonte de conhecimento, pois aprendemos importantes lições com pessoas que têm muito a nos ensinar.

          Abç!

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