Nunca desperdice a oportunidade de fazer o bem a alguém. Nunca.

Se o tema “dinheiro” ainda é um verdadeiro tabu na sociedade atual, o sub-tema “doação” é maior ainda. Num mundo cada vez mais dominado por sentimentos que vão de egoísmo/egocentrismo exacerbado até a tentação crescente de impressionar os outros/de se gabar/ostentar, é natural que o tema “doações” acabe ficando confinado a setores ligados às religões e a atividades voluntárias.

Fazendo o bem

Créditos da imagem: Free Digital Photos

Mas por quê isso acontece? Afinal, se a educação financeira envolve cuidar bem das finanças pessoais, reservar um espaço para doações não deveria ocupar também uma fatia do orçamento doméstico, e dos blogs ligados à educação financeira?

Deveria.

Mas não é isso que acontece, e por dois motivos principais.

Primeiro, porque as pessoas têm, de um modo geral, uma tendência a serem mais egoístas/individualistas, no sentido de atuarem mais em prol dos próprios interesses, do que no de terceiros, o que é expresso, de uma maneira bem simplificada, no chavão “primeiro o meu, depois o seu”.

E, segundo, porque as pessoas têm, de um modo geral, preconceito de abordar o tema das doações; “pré-conceito” no sentido mais negativo do termo, ou seja, acabam julgando antes de conhecer.

Como esse blog tem uma audiência significativa, o que se traduz em repercussões enormes também, ou seja, tudo o que eu escrevo aqui acaba tendo peso, quer eu queira, quer não, cabe a mim transmitir essa mensagem hoje: nunca desperdice a oportunidade de fazer o bem a alguém.

Já ouviu falar da lei do retorno? Eu acho que já comentei isso aqui no blog alguma vez.

Ela consiste basicamente no seguinte: tudo aquilo que você faz, retorna para você.

Se você faz o bem a alguém, de forma voluntária, partindo de seu coração, você acabará um dia sendo abençoado, sendo recompensado. Ou seja, alguém, em alguma oportunidade, em algum dia da vida dele, normalmente quando você menos esperaria, também lhe fará a mesma coisa, ou seja, praticando o bem a você.

O inverso também é verdadeiro: se você fizer o mal, pode ter a certeza: o mal retornará a você. É uma lei da vida. Eu acredito nisso.

O que é legal é que você poderá praticar o bem não apenas através do dinheiro – primeira coisa que vem à mente quando se trata de finanças pessoais – mas também através de seus talentos, de seus dons. De seu ser.

Você pode fazer o bem por meio da escrita. Se você tem um blog de sucesso, fruto de seu trabalho e de seu esforço, saiba que existem pessoas ansiosas, aguardando seus próximos posts. Você sabe que tem poder nas palavras que escreve. As pessoas se sentem bem quando leem seus artigos. E, se você não publica um post, ou demora para escrever um texto, é como se estivesse faltando alguma coisa na vida dos seus leitores (e, se você chegou a esse ponto, parabéns, pois, para mim, você atingiu o ápice do sucesso como blogueiro).

Logo, você deve praticar essa habilidade, no intuito de continuar servindo. De continuar ajudando.

Você pode praticar o bem também por meio de mensagens de texto, SMS, emails, cartas. Experimente mandar um email para um amigo que você não vê há muito tempo, perguntando como ele está hoje. Aposto que a reação dele lhe surpreenderá. Isso *é* fazer o bem a alguém. E com uma coisa tão simples, não é mesmo? Há poder nas palavras, bem como há poder nas ações que são fruto das palavras.

Você pode ainda fazer o bem por meio de atividades voluntárias. Engajar-se em um projeto comunitário, dedicar algumas horas de seu dia, ou de seu final de semana, para ajudar pessoas com seus talentos e habilidades.

O importante é que você faça alguma coisa. Que você faça esses exercícios de gratidão. Sim, pois, se você tem condições de doar, é porque você teve habilidade de ganhar dinheiro, e você deve ser grato a isso.

Sim, porque, se você tem condições de “estender a mão a alguém”, é porque você tem saúde, inteligência e discernimento no uso prático de suas habilidades.

E você deve ser grato, imensamente grato, por ter tudo isso, e “doar” um pouquinho de tudo que conseguiu, para ajudar outras pessoas a terem uma vida melhor.

Ao praticar o conteúdo da mensagem de hoje, você pode ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, essa oportunidade de fazer o bem a alguém, que você não desperdiçou, retornará para você, mais cedo ou mais tarde, na forma de alguma bondade, na forma de alguma bênção, ainda que disfarçada ou ocorrida de forma totalmente inesperada.

Faça o bem apenas pela gratidão de fazer o bem, e não “em troca de alguma coisa”. Essa troca, não se preocupe, ela virá, quer você querendo, quer não, porque a lei do retorno é intrínseca às coisas da vida.

O importante é que você tenha um coração sincero e uma mente disposta, e que suas ações sejam o espelho de sua identidade como pessoa, e de seus valores morais.

Termino essa singela mensagem de hoje com um vídeo impactante sobre o poder das boas ações, e que resume, de forma inigualável e esplêndida, o conteúdo do post de hoje (grato ao leitor e blogueiro Verken pelo envio do vídeo):

 

Clique aqui para assistir ao vídeo.

Você pode fazer a diferença na vida de uma pessoa. Você pode.

Portanto, nunca desperdice a oportunidade de fazer o bem a alguém. Nunca.

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29 Responses to Nunca desperdice a oportunidade de fazer o bem a alguém. Nunca.

  1. soulsurfer 2 de junho de 2014 at 8:56 #

    Olá, colega!
    Muito sensível o artigo, e o vídeo é de uma beleza incrível.
    Há tanta coisa para comentar e escrever a respeito, que acho melhor escrever artigos sobre o tema no meu blog.
    Porém, como nos dedicamos mais a assuntos financeiros, é importante dizer que a cooperação/solidariedade é talvez essencial para o bom funcionamento econômico de uma sociedade. Há um livro muito bom do genial Eduardo Giannetti “Vícios privados, benefícios públicos?” que trata com profundidade e muita reflexão sobre o tema.
    Como sei que gosta de ler, recomendo. Aliás, recomendo todos os livros deste autor, caso não conheça, creio que com o seu grau de entendimento atual do mundo iria aproveitar muito as reflexões que este pensador proporciona aos leitores.

    Por fim, e ainda vou escrever um artigo sobre isso, meu pai sempre disse que o dinheiro tinha três finalidades : a) evitar a necessidade de cometer atos agressivos em relação a outros; b) a busca do conhecimento desinteressado (é o que eu pretendo precipuamente com a minha IF) e c) ajudar àqueles que precisam,

    Abraço!

    Blog pensamentos financeiros

  2. Clara 2 de junho de 2014 at 11:06 #

    Muito bom!

  3. Bruna 2 de junho de 2014 at 12:15 #

    Que vídeo maravilhoso! Impossível não se emocionar ao assisti-lo. Penso tanto nisso, em doar um pouco de nós para ajudar aqueles que precisam! Tantas vezes estamos olhando tanto para o nosso umbigo que não percebemos que existem pessoas próximas a nós que podem estar passando por algum tipo de dificuldade mas nosso ego não nos permite que vejamos a dor do outro, apenas a nossa.

    Tenho aprendido muito com isso e ultimamente parece que muitos textos que leio tem a ver com esse tipo de assunto. Acredito que é um sinal. Que é pra eu continuar nesse caminho, que é pra me desprender de mim e olhar com mais caridade a quem precisa.

    Obrigada por compartilhar esse texto. Certamente em seu blog encontro muita coisa que levo pra vida. parabéns pela sua generosidade em compartilhar tanta coisa boa conosco.

    • Guilherme 2 de junho de 2014 at 21:11 #

      Olá Bruna, grato pelas palavras!

      Sem dúvida, saber “interpretar os sinais” é uma forma poderosa de chegar à conclusão de que determinadas coisas nos acontecem não por acaso, mas para que tomemos certas atitudes.

      Fico feliz de saber que meu blog tem lhe ajudado na vida!

      Abç

  4. Investidor Casado 2 de junho de 2014 at 13:07 #

    Ótimo post como sempre, Guilherme!

    Eu penso seriamente nisto, porém ainda estou com dificuldades de me organizar e conseguir um orçamento mensal equilibrado e mais previsível.

    Apesar de que, um dos motivos de ter começado a escrever foi justamente o de ajudar outras pessoas na minha situação a dar a volta por cima, trocar ideias, dar apoio e etc. Não deixa de ser uma forma de doação também, conforme você bem colocou no seu texto.

    Pessoalmente, eu procuro fazer pequenas boas ações na rua com frequência. Aqueles ações que todos deveriam fazer, mas na prática quase ninguém faz de ceder lugar, ajudar a carregar peso, este tipo de auxílio. Por ser tão raro este tipo de ajuda a “estranhos”, a expressão de gratidão e incredulidade das pessoas chega a ser engraçada!

    Um dia desses corri para devolver 20 reais que vi uma pessoa deixar cair pouco antes de chegar a estação do trem. Ela quase morreu do coração quando a chamei, pois achou que era assalto. Infelizmente estamos chegando a este ponto…

    • Vania Lacerda 2 de junho de 2014 at 16:42 #

      Conceitos tão importantes, e tão pouco lembrados… Parabens pelo belo post!

    • Guilherme 2 de junho de 2014 at 21:14 #

      Grande Investidor, é por aí mesmo, meu caro, um blog é uma ótima forma de ajudar outras pessoas, de “doar” seu tempo e seu conhecimento para ajudar outras pessoas.

      Aliás, seu blog tem uma particularidade que é bastante rara – para não dizer única – na blogosfera financeira brasileira: trata do empenho de sair das dívidas. Isso o torna ainda mais especial de acompanhar!

      Você tem razão nas boas ações na rua. Eu ia até citar uma no texto do blog, mas acabei não lembrando: são aqueles pequenos gestos como dar preferência para pedestres, ter paciência com um motorista idoso que vai à sua frente, e por aí vai.

      Seu último exemplo mostra como os pequenos gestos de ajuda têm sido esquecidos hoje em dia…

      Abç

  5. Arthur - RJ / Santa Cruz 2 de junho de 2014 at 20:57 #

    Excelente post Guilherme, realmente a gratidão/compaixão ao próximo infelizmente tem ficado mais apagado do que de costume. Olha que engraçado, eu tenho tido algumas ideias para um futuro projeto de instituição carente, (para daqui alguns anos) que se Deus quiser, vai sair do papel e ajudar muita gente!!!
    Aprendo muito com as suas palavras!
    Abç!

    • Guilherme 2 de junho de 2014 at 21:15 #

      Muito legal esse projeto, Arthur!

      Tomara que dê certo, pois multiplicará o bem de forma exponencial.

      Valeu pelo apoio!

      Abç

  6. Dirlene Gomes 3 de junho de 2014 at 8:14 #

    Post lindo. Adorei. Você fala a minha língua. Parabéns!!!

    • Guilherme 3 de junho de 2014 at 20:48 #

      Muito obrigado pelas palavras, Dirlene!

      Abç!

  7. Rosana 5 de junho de 2014 at 10:42 #

    Guilherme,
    Infelizmente o bem está se resumindo a atividades voluntárias.
    Muitas vezes é esquecido que as pequenas coisas podem fazer uma diferença enorme na vida das pessoas, como saber ouvir, que é algo que está em falta hoje em dia. É mais fácil perceber o quanto as pessoas não tem paciência, não tem tempo para ouvir, devido a tanta correria – que no final das contas não leva à lugar nenhum.
    Fazer o bem pode ser algo muito mais próximo e mais rotineiro do que a maioria das pessoas pensa. Você não precisa ir em uma ONG para fazer um trabalho voluntário. Que tal passar uma hora por semana com aquela vizinha solitária que não tem com quem conversar? Ouvir suas histórias do passado, ouvir o que ela tem a dizer. Isso faz um bem enorme para ambos!
    E como você disse: de uma forma ou de outra, o retorno vem.
    E aquele sentimento de satisfação por ter feito algo bom à alguém não tem preço.

    Abraços!

    • Guilherme 6 de junho de 2014 at 8:50 #

      Exatamente, Rosana, pequenos gestos fazem toda a diferença!

      Saber ouvir está ficando cada vez mais relegado a segundo plano.

      Exemplos práticos: alguns médicos, alguns advogados, alguns psicólogos, e alguns outros prestadores de serviços que dependem fundamentalmente da qualidade e da profundidade das informações recebidas de seus respectivos clientes, e que deveriam, portanto, prezar por escutar com paciência, atenção e com o tempo necessário, até para fazerem o melhor diagnóstico possível e buscar a melhor solução possível para seus clientes, optam por reduzir ao máximo o tempo de escuta, o que acaba prejudicando o serviço e, claro, os clientes.

      Não são todos, obviamente, mas existem profissionais desse tipo, em todas as áreas.

      E mesmo nas atividades de cunho estritamente privado e social, saber ouvir, como no exemplo relatado por você, faz, com certeza, enorme diferença!

      Abç

      • Rosana 8 de junho de 2014 at 14:54 #

        Infelizmente muitos profissionais não dão muita atenção mesmo aos clientes, pois o que importa é a quantidade de atendimentos e não a qualidade desses atendimentos…

  8. Wallace Alves 5 de junho de 2014 at 19:54 #

    Boa noite a todos!

    Realmente o texto é interessantíssimo, e de grande valia, nos faz refletir para valores importantíssimos, e que as vezes nos esquecemos no dia a dia, alguns destes valores.

    O vídeo mostra de forma muito forte a questão da lei do retorno, que também acredito fielmente. Ótimo texto, realmente o seu blog é uma das grandes descobertas da minha vida….

    Parabéns e um grande abraço.

    • Guilherme 6 de junho de 2014 at 8:51 #

      Muito legal, Wallace, saber que o blog é uma das grandes descobertas da sua vida!

      Abç!

  9. Micro Investidor Nerd 6 de junho de 2014 at 8:59 #

    Vou comentar a mesma coisa que comentei no blog pensamentos financeiros.

    Me lembro do meu primeiro emprego pós-faculdade. Ganhava mal pra caramba (+- 700), mas ajudava uma proterora de cães aqui da minha cidade. Só conhecia ela pelo Orkut, mas as histórias que ela contava dos cães que ajudava eram tristes e bonitas ao mesmo tempo.

    Ela, além de contar como ia o tratamento e a vida dos cães que ela resgatava, ainda prestava contas! Descrevia cada gasto, quanto saiu do bolso dela e quanto ela recebeu e gastou das doações.

    Depois, com a transição do Orkut para o Facebook acabei perdendo o contato com ela e nunca mais doei dinheiro para nada, pelo menos não que eu me lembre.

    Até gostaria de doar mais, só que é difícil achar uma instituição, ONG, coisa que o valha, na minha cidade, que seja confiável e que me de vontade de ajudar e sim, faço questão que seja na minha cidade.

    • Guilherme 6 de junho de 2014 at 9:27 #

      Olá Micro Investidor Nerd, bastante comovente seu depoimento!

      Realmente, transparência é um dos itens que considero importantes na questão da doação, e a protetora de cães em referência era um exemplo nesse quesito!

      Bom, é possível encontrar possibilidades de doações em sua cidade através de institutos dedicados aos cuidados de crianças órfãs e idosos desamparados.

      Procure na Secretaria de Educação de sua cidade uma lista com as instituições aptas a receber doações do FIA. Escrevi um pouco sobre o tema aqui: http://valoresreais.com/2009/12/09/destine-parte-do-imposto-de-renda-para-ajudar-criancas-e-adolescentes-carentes/

      É um caminho para que você encontre uma instituição confiável. 😉

      Abç e parabéns pelo blog!

  10. Maria Bufunfa 10 de junho de 2014 at 0:31 #

    lembrei desse vídeo

    https://www.facebook.com/photo.php?v=254811958057259

  11. priscila 10 de janeiro de 2016 at 12:53 #

    Obrigada. .
    Me fez um bem danado ler isso.

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