Saneamento básico financeiro: aprenda a fazer a faxina dos “restos de dinheiro” com esses 7 passos simples, porém eficazes

O dinheiro tem basicamente três utilidades: serve para comprar, serve para doar e serve para investir.

Consumo, doação e investimento são, portanto, os três pilares em torno dos quais gira a função do dinheiro, os modos pelos quais ele está sendo empregado de forma, digamos, “produtiva”.

Saneamento básico financeiro

Logo, se o seu dinheiro não está sendo usado para consumo, para investimento ou para doação, isso significa que ele não está sendo “produtivo”, isto é, não está sendo empregado numa finalidade apropriada. E é aqui que entra precisamente o conceito de “saneamento básico financeiro”.

Como esse blog recebe continuamente, a cada semana, e praticamente a cada dia, um grande fluxo de leitores iniciantes no mundo da educação financeira, considero de grande valia destacar alguns conceitos que, para outra parcela significativa dos leitores, podem soar como repetitivos, mas que são de grande importância para a manutenção de uma saúde financeira em perfeito estado.

Ter uma educação financeira de qualidade não requer apenas gastar menos do que se ganha, investir em aplicações com custos reduzidos ao máximo, e ter um orçamento doméstico baseado em metas.

Requer outras habilidades, dentre as quais se situa essa: a de fazer uma boa faxina com os seus “restos de dinheiro”.

Mas o que vem a ser “restos de dinheiro”?

Como você já deve ter intuído, são aqueles valores monetários que ficam “parados”, não empregados em nenhuma “finalidade produtiva”, tais como investimentos, consumo ou doações. Vou explicitá-los abaixo, bem como dar dicas de como resolver melhor os problemas em cada uma das áreas identificadas.

1. Dinheiro parado em conta-corrente bancária.

Esse é o exemplo clássico de um dinheiro, ou melhor, de um “resto de dinheiro”, que não está sendo empregado em finalidade alguma e que, portanto, deve ser o alvo n° 1 de sua faxina financeira, pois, no mínimo, o dinheiro que está ali parado está sendo corroído pela inflação. Pode ter a certeza de que os R$ 189,45 que estão “parados” em sua conta-corrente hoje comprarão menos coisas daqui a 3 meses, pois, até lá, os preços das mercadorias e dos serviços terão subido de valor.

A solução? Simples: aplicá-los em investimentos com baixa automática, isto é, aplicações financeiras cujo saldo seja utilizado para cobrir o déficit da conta-corrente, no lugar do famigerado cheque especial. Todos os grandes bancos oferecem esse tipo de serviço, tais como o Banco do Brasil (que apresenta o maior leque de opções de priorização de resgate automático, embora não sejam exatamente as melhores aplicações disponíveis no banco), Bradesco, Itaú (cujo investimento de baixa automática não recomendo, pelas elevadas taxas aplicadas e pelas constantes queixas dos leitores de que muitos gerentes fazem a aplicação sem autorização expressa do cliente, o que constitui, inclusive, infração financeira), e Santander (a chamada ContaMax).

Contudo, recomendo que não sejam deixadas grandes quantias nesse tipo de aplicação financeira, uma vez que a rentabilidade desses investimentos costuma ser baixíssima.

2. Dinheiro parado em conta-corrente de corretora.

Esse é outro problema bastante comum: você transfere R$ 2 mil para a sua conta da corretora, gasta R$ 1.789,45 para comprar alguns lotes de BOVA11 a R$ 46,23 (alguém aí aproveitou essa oferta?), e sobram na conta da corretora R$ 210,55.

Você vai fazer o quê com esses R$ 210? Deixar “a ermo” na conta da corretora, mofando lá? Não, né!? Assim que for possível, que normalmente se dá em D+3 (tempo necessário para a liquidação da ordem de compra, ou venda), transfira imediatamente o valor restante de volta para a sua conta bancária – e trate de aplicar essas sobras num investimento, com ou sem baixa automática, mas não deixe-o parado na conta-corrente!

Dessa forma, você estará dando uma destinação útil e produtiva para um dinheiro que, em princípio, ficaria “mofando” na conta da corretora, perdendo, no mínimo, para a inflação.

3. Dinheiro em excesso na carteira ou em gavetas.

Hoje em dia, ter uma pequena quantia em espécie, em cash, é necessário para pequenas compras (padaria, p.ex.), gorjetas, pagamentos de alguns serviços profissionais etc.

Porém, você não precisa se precaver em excesso, sacando no caixa automático uma quantia exagerada de dinheiro “vivo”.

Além de potencialmente perigoso, isso te deixará mais pobre, pois os excessos de papel moeda poderiam gerar, se estivessem investidos numa boa aplicação financeira, “outras cédulas de papel-moeda”, no fenômeno muito bem conhecido dos juros compostos, que faz a alegria daqueles que administram bem suas finanças pessoais – ou seja, provavelmente a maioria dos leitores do blog.

Minha experiência pessoal: o que eu faço sempre é calcular uma estimativa de quanto eu precisarei naquela semana ou naquele período, e sacar o valor correspondente. Dessa forma, eu evito tirar do banco mais do que o necessário, ao mesmo tempo em que evito ir ao caixa automático mais vezes do que o necessário. Simples assim. 😉

4. Papel-moeda estrangeiro que sobrou da última viagem, e VTMs (cartões pré-pagos) com “sobras”

Se sobrou dinheiro “vivo” de sua última viagem ao exterior, e se os seus cartões pré-pagos, como Visa Travel Money (VTM), voltaram ainda com alguns “restos” em dólares, euros ou libras, faça um favor a você mesmo: troque esse dinheiro por real, transfira os respectivos valores para sua conta bancária, e aplique-os num investimento financeiro com reduzida taxa de administração.

Dessa forma, você estará garantindo “sobrevida” ao seu dinheiro não utilizado no exterior, e fazendo com que tais papéis-moeda gerem outros papéis-moeda, através do fenômeno conhecido como juros compostos, garantindo uma correta aplicação do dinheiro que sobrou das últimas viagens.

Se o dinheiro que sobrou foi muito pouco – algo na casa das dezenas de dólares, ou algumas simples moedas (ou muitas moedas, já que o troco em moedas é efetivamente valorizado no exterior, ao contrário do que ocorre por aqui) – você pode simplesmente guardar esses trocados para uma futura viagem – e aposto que vários leitores usam essa estratégia.

Isso porque, numa viagem futura, você estará “garantido” com aquelas pequenas despesas que normalmente não são pagas em cartões de crédito ou débito, tais como passes de transporte público, gorjetas, lanches etc., e para as quais não é conveniente usar cédulas de valores altos (imagine não ter uma nota de um ou dois dólares para pagar uma gorjeta ao funcionário do hotel que carregou suas malas até o quarto).

5. “Estoques” de produtos de higiene, limpeza e comida

Tudo bem que a inflação está voltando a dar o ar de sua graça, mas não chegou ao ponto (ainda) de você precisa comprar “toneladas” de produtos perecíveis para armazenar na despensa de sua cozinha ou lavanderia.

Quando você compra produtos de mercado em quantidade maior do que a que vai efetivamente utilizar, você não estará dando uma utilização adequada ao seu dinheiro “de consumo”, não só porque você estará antecipando a compra de um item que não utilizará de forma eficiente, como também estará retirando um dinheiro que estava rendendo juros compostos na aplicação financeira.

E é exatamente aqui que entra o poder das listas de compras do mercado, porque elas te permitem otimizar a ida ao mercado, fazendo compras de modo eficiente e de uma maneira mais controlada.

6. Recargas excessivas de crédito no celular

Fazer uma recarga de R$ 50 todo mês no celular, se você usa apenas R$ 18 mensalmente é, sim, um desperdício de dinheiro, uma vez que você estará pagando por um serviço que não utilizará em toda a sua plenitude.

Da mesma forma, se você for usuário de um plano pós-pago, não faz sentido pagar R$ 89,90 mensais por um plano que lhe dá 80 minutos de ligação grátis para fixo e outros celulares, torpedos SMS ilimitados e 2 GB de Internet 4G, se basicamente você se comunica com pessoas que utilizam a mesma operadora, faz a comunicação por textos via WhatsApp e ainda por cima utiliza o WiFi de sua casa ou de seu escritório para acessar a Internet a partir do celular (com uma conexão 10 vezes mais rápida e mais estável, né TIM?).

Aliás, plano de Internet no celular é um serviço que você só deve pagar em caso de extrema necessidade, isto é, se no local em que você utilizar a Internet no smartphone não houver rede WiFi disponível, seja em casa, seja no trabalho.

Por isso que um dos posts mais úteis do blog trata exatamente desse assunto: Dica de economia doméstica: transforme despesas fixas – contas pós-pagas – em despesas variáveis – serviços pré-pagos.

7. Pacotes “premium” (TV, Internet, telefone fixo) em que só se usa o “basic”

Faz parte do saneamento básico financeiro você também fazer uma “limpa” nos pacotes de serviços de telecomunicações que utiliza. Afinal, se o único tempo que lhe sobra para assistir TV é à noite e nos finais de semana, e, se nesses horários, você prefere ficar na Internet, ler livros, enfim, fazer qualquer outra coisa no lugar de assistir TV (que fica sendo, então, sua última opção), não faz sentido pagar R$ 349,99 mensais por aquele Pacote HD TOP DIAMOND MAX ULTRA, com 537 canais, que sua operadora oferece.

Da mesma forma, se você já gasta uma grana considerável com Internet fixa, não faz muito sentido pagar outro plano pós-pago de Internet para celular, a menos que seja uma necessidade inadiável você utilizar Internet no celular em locais em que não haja ponto WiFi disponível.

O telefone fixo também é outro caso “sério”: se você o utiliza basicamente para receber chamadas, pense na possibilidade de utilizar um pacote “mínimo do básico do essencial”, em que você só paga por chamadas que realizar (praticamente toda operadora tem um pacote desses). É o meu caso: nos 4 primeiros meses desse ano, a soma total dos meus custos com telefonia fixa foi de exatos R$ 4,58. A estratégia? Simples: substitui uma despesa fixa por uma despesa variável.

CONCLUSÃO

Realizar o saneamento básico financeiro não requer prática nem habilidade, mas apenas um conjunto simples de comportamentos destinados a, primeiro, identificar os pontos de vazamento de suas finanças, ou seja, os locais em que o dinheiro não está sendo alocado de forma produtiva, e, depois, consertar esses mesmos pontos de vazamento, seja por meio de aplicação dos valores “parados” em investimentos com reduzidas taxas de administração, seja por meio de corte ou cancelamento de produtos e serviços que você não estava utilizando ou estava sub-utilizando.

Dessa forma, você estará ganhando benefícios em dobro. Primeiro, seus investimentos estarão sendo reforçados, fazendo aumentar o poder dos juros compostos a seu favor, e aumentando, consequentemente, seu patrimônio financeiro.

E, segundo, seu orçamento doméstico estará ficando mais enxuto, na medida em que você estará organizando melhor suas rotinas de consumo, dando um uso mais consciente ao seu dinheiro.

E você, conhece outras técnicas para sanear suas finanças? Conte para a gente!

Créditos da imagem: Free Digital Photos

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25 Responses to Saneamento básico financeiro: aprenda a fazer a faxina dos “restos de dinheiro” com esses 7 passos simples, porém eficazes

  1. Pablo 21 de abril de 2014 at 8:21 #

    Algo que faço com certa freqüência é renegociar a assinatura de tv a cabo, internet, celular, jornal e outros serviços de assinatura. Nessas renegociações eu tenho conseguido descontos que variam de 10 a 33%. Com relação ao dinheiro parado na corretora, tem-se que analisar com qual freqüência se compra títulos ou ações e se existe o custo de doc ou ted para transferência para a conta corrente do banco. Assim sendo, pode ser mais vantajoso deixar o dinheiro para até o próximo investimento ou aguardar o recebimento de dividendos e jcp para transferir tudo de uma vez.

    Ps: sugiro um post sobre renegociação de assinatura de tv, internet, telefone, revistas, jornais.. Como falei, na tv a cabo reduzi 10%. Na operadora de telefone reduzi 25%. No jornal reduzi 33%.

  2. Helen Fernanda 21 de abril de 2014 at 15:53 #

    Fazer estoque de produtos pode compensar sim, mas para que funcione é preciso ter consciência dos preços reais dos produtos e saber aproveitar as verdadeiras promoções. Não sei como é para os homens, mas geralmente as mulheres são boas nisso porque conseguem memorizar os preços nos últimos meses de várias marcas mesmo de produtos que custam pouco, como sabonete e detergente lava-louça.

    • Guilherme 21 de abril de 2014 at 16:55 #

      Oi Helen, sim, dependendo das circunstâncias, o estoque pode valer a pena.

      Abç

  3. Rosana 21 de abril de 2014 at 17:15 #

    Guilherme,

    Muito bom o seu post, ficou bem didático. 🙂

    Como você disse no início, e eu gostaria de complementar, talvez esse seja o primeiro contato de alguns leitores com a educação financeira e um artigo como esses desperta a consciência para a importância da utilização do dinheiro de forma mais coerente com os valores e objetivos pessoais.
    No primeiro item, o Bradesco tem o serviço de transferir automaticamente o salário para o lado poupança da conta, e dessa forma o dinheiro não fica parado na conta corrente sendo corroído pela inflação.
    Você citou o Santander, e eles continuam a aplicar os recursos da Contamax em um tal CDB, que no site consta como tendo a mesma rentabilidade da poupança. Eles tá informam que aplicarão seus recursos em uma “poupança”, mas não informam que é um CDB.
    Não sei se cheguei a comentar em algum outro post, mas há algum tempo minha mãe recebeu um telefonema desse banco, na qual o atendente tentou induzi-la a aderir a algum dos pacotes de serviços, pois o banco precisa do dinheiro desses pacotes e essa conta essencial não é adequada à eles. Felizmente minha mãe já sabia a norma do Bacen referente a conta, então o atendente ficou sem argumentos.
    Os bancos cobram muito alto por qualquer empréstimo, cheque especial, cartão de crédito, enfim, por qualquer serviço passível de cobrança. E contam uma historinha dessas.
    Eu acho que a conta essencial, para quem utiliza pouco os serviços do banco ou os utiliza mais pela internet, também é uma ótima maneira do uso consciente dos recursos financeiros.

    Abraços!

    • Longe do Limite 21 de abril de 2014 at 18:24 #

      Caso a pessoa deseje/necessite usar mais produtos bancários, uma boa ideia de driblar a cobrança de tarifas é se informar a respeito do valor mínimo de investimentos necessários para diminuir ou até mesmo isentar o valor do seu pacote de serviços.

      Todos os bancos possuem esta opção, cujo valor depende da modalidade de conta desejada.

      Abraço!

      • Rosana 22 de abril de 2014 at 7:32 #

        É verdade, eu havia me esquecido dessa ótima opção, a qual eu mesma usei por muito tempo.

      • Guilherme 22 de abril de 2014 at 9:59 #

        Olá LL, essa é uma ótima dica.

        Inclusive, há bancos que permitem a isenção até com manutenção de custódia de ações na corretora do banco, tais como o Itaú, Citibank e HSBC e até o BB, segundo relato de alguns leitores.

        O problema, nesse caso, é a tarifa de custódia que esses bancos acabam cobrando, que, de qualquer forma, acaba sendo mais barato que a tarifa da cesta mensal de serviços.

        Abç

    • Guilherme 22 de abril de 2014 at 9:57 #

      Olá Rosana, obrigado!

      Sim, o Santander – e os bancos em geral – gostam de “empurrar” produtos não adequados para os clientes, na tentativa sempre de lucrar mais. Me lembro da história da sua mãe, que foi bem esperta e deu um belo de um “olé” nos funcionários do banco. 🙂

      Aliás, essa ContaMax do Santander é bem confusa por sinal, pois é um CDB, mas o banco diz que aplica os recursos na poupança.

      Eu particularmente prefiro a sistemática adotada pelo Bradesco e BB, que permitem a você transferir os recursos da conta-corrente para um investimento com baixa automática, com a possibilidade de escolha do investimento. Bem mais transparente.

      Boa dica a da conta essencial. É uma ótima maneira de também otimizar recursos financeiros.

      Abç!

  4. Investidor de Risco 22 de abril de 2014 at 18:13 #

    Tudo bem, Guilherme! Excelentes pontos levantados.

    Num ponto específico tive uma experiência que acho que vale a pena compartilhar. Sempre tive um investimento com baixa automática para imprevistos. Nada de muito valor, mas o suficiente para que eu tenha tranquilidade no dia a dia…

    O meu costume foi sempre investir o valor relativo aos meus gastos ao longo do mês neste investimento de baixa automática. O problema é que qualquer investimento tributável está programado para baixar primeiro os investimentos mais antigos, com o objetivo de pagar menor IR. Por exemplo (com valores ficticios): investi 5.000,00 hoje e este valor vai sendo resgatado aos poucos ao longo do mês. Porém, o resgate é feito sobre valores depositados há digamos pouco menos de 6 meses. Como a rotatividade é alta (mensal), eu sempre caia na aliquota mais alta.

    Fazendo as contas percebi que o que eu estava pagando de IR com o resgate automático era superior ao rendimento que eu receberia destes 5.000,00 investidos e resgatados ao longo de um único mês.

    Por este motivo e baseado no meu orçamento, passei a deixar o valor correspondente aos meus gastos ao longo do mês na conta corrente, parado, sem rendimentos…

    Abraços.

    • Guilherme 22 de abril de 2014 at 18:54 #

      Valeu, I.R.!

      Bem interessante sua experiência pessoal também. Mostra que se deve avaliar bem os prós e contras do investimento com resgate automático.

      Uma observação apenas: como a tributação incide somente sobre o rendimento acrescido, em verdade não há “prejuízo” se você for realizando saques ao longo de um mês.

      Outra alternativa à sua situação seria a de optar por colocar a poupança como o investimento prioritário. Dessa forma, o valor residual que sobra após os resgates efetuados ao longo de um mês gera juros no mês subsequente, sem pagamento de imposto – observando, é claro, a data de aniversário da caderneta.

      Abç

      • Investidor de Risco 22 de abril de 2014 at 19:22 #

        Só para clarear um pouco mais, este meu investimento com os saques automáticos tem o valor equivalente a 6 meses de gastos. Desta forma, no 6o. mês, no exemplo de 5.000,00 por mês eu teria 30.905,25 (valores simulados) que em relação aos aportes do meses anteriores podem ser detalhados da seguinte forma:

        5260,48 (investidos há 6 meses)
        5216,14 (investidos há 5 meses)
        5172,17 (investidos há 4 meses)
        5128,58 (investidos há 3 meses)
        5085,36 (investidos há 2 meses)
        5042,50 (investidos há 1 mês)
        ———–
        30905,25 (total)

        Quando eu faço os resgates, eles saem primeiro do montante investido há 6 meses e este resgate é proporcional (principal + rendimentos)
        Sendo assim, eu estaria resgatando do valor de 5260,48, 4752,85 de principal e 247,60 de rendimentos (total = 5000,00) e pagando um I.R. de 55,71.
        Como o rendimento bruto mensal é de 42,50, na verdade eu estou perdendo dinheiro ao escolher investir este “gasto rotativo”.

        Como os saques ocorrem o tempo todo, todo mês, nunca a aliquota de IR, neste exemplo, baixará de 22,5%.

        Na opção da poupança eu acabo perdendo rentabilidade, já que os resgates são constantes ao longo do mês e, se eu dimensionei corretamente, na data do aniversário eu estarei zerado e fazendo um novo aporte…

        Enfim… é só uma ilustração para avaliarmos…

        • Investidor de Risco 22 de abril de 2014 at 19:35 #

          Os valores corretos do resgate nesta simulação seriam:

          RESGATE BRUTO 5.056,33
          PRINCIPAL 4.805,96
          RENDIMENTO 250,37
          IR 56,33
          ————————- ———–
          RESGATE LIQUIDO 5.000,00

        • Guilherme 22 de abril de 2014 at 19:35 #

          Olá IR, entendi agora com o exemplo a sua situação.

          Mesmo assim eu não consigo visualizar a “perda” do dinheiro, uma vez que, se por um lado o montante aplicado mais recentemente é “retirado do bolo”, dando da impressão que você estaria perdendo dinheiro, por outro lado o montante investido há mais tempo é integralmente preservado, fazendo com que tenha o máximo de rentabilidade, devido ao fato de a alíquota do IR ser decrescente com o passar do tempo.

          Assim, por exemplo, numa situação hipotética em que você precisasse sacar 100% do valor investido numa aplicação com baixa automática, jamais você receberia menos do que aplicou – considerando, é claro, uma aplicação conservadora, como fundo referenciado DI – pois o sistema só calcula o valor do imposto a pagar sobre a parcela do investimento que foi acrescida em função dos juros.

          Quanto à questão da poupança, realmente não vale a pena se você faz retiradas, ao longo do mês, no valor exato do montante que aplicou. P.ex., aplicou R$ 5 mil no dia 3, e, no dia 30, após sucessivos saques, não restou nada do que foi aplicado inicialmente.

          Contudo, havendo uma sobra pequena, digamos, de R$ 50, o sistema de baixa automática acaba sendo mais vantajoso, pois proporciona um rendimento, ainda que mínimo, sobre o valor que sobrou após a dedução dos saques.

          Abç

  5. Investidor de Risco 22 de abril de 2014 at 22:29 #

    “se por um lado o montante aplicado mais recentemente é “retirado do bolo”, dando da impressão que você estaria perdendo dinheiro, por outro lado o montante investido há mais tempo é integralmente preservado”.

    É neste ponto que não estou conseguindo explicar. Na verdade é o contrário. o montante aplicado mais recentemente fica aplicado e o montante aplicado há mais tempo é resgatado. Sendo assim, vc resgata principal e rendimento do montante investido há 6 meses, pagando mais I.R.

    Se olharmos para o resultado final fica mais simples: você precisa resgatar 5.056,33 para gastar 5.000,00. Os 5.000,00 investidos viraram 5.042,50. Assim, você tem uma perda mensal de quase 15,00. De qualquer forma, para o montante do exemplo, este valor é irrisório…

    Valeu. Abraços.

    • Guilherme 23 de abril de 2014 at 6:19 #

      I.R., agora entendi.

      Mas nesse caso não há prejuízo, uma vez que o valor resgatado é o valor líquido, já deduzido o IR. Por exemplo, se você pede para resgatar R$ 5.000,00 líquidos, o sistema automaticamente calcula o IR a ser pago dos rendimentos, de modo que você resgata apenas R$ 5.000,00, e não 5.056,33. O principal resgatado não é R$ 5.000,00, mas sim R$ 4.9xx,xx + rendimentos que faltam para atingir o montante de R$ 5.000,00 – o IR a pagar, de modo que o montante final retirado da aplicação fique exatamente no valor solicitado.

      Só para tirar a dúvida, acabei de resgatar R$ 89,76 do meu investimento com baixa automática, e o valor resgatado já deduz o IR a ser pago (eu não resgato R$ 90,89, mas sim R$ 89,76).

      Como a sistemática do resgate funciona da mesma maneira que os demais fundos e aplicações financeiras, não há prejuízo no resgate. Pelo seu raciocínio, ter o dinheiro parado em conta-corrente seria mais vantajoso do que aplicar num investimento, pois sempre sairíamos com prejuízo ao investir, do que se deixássemos o dinheiro parado, o que foge à lógica dos investimentos.

      Abç

  6. Luana Barbedo 22 de abril de 2014 at 23:42 #

    Achei esse site hoje por acaso. Estava pesquisando sobre algumas lições de Benjamin Franklin. E achei o texto aqui que se refere a ele. Simplismente excelente! Parabéns!

  7. Maria Luiza 25 de abril de 2014 at 15:55 #

    Muito interessante. Já coloquei o regaste automático no BB e passei o plano de celular do pós para o pré-pago novamente.

    Obrigada pelas excelentes dicas 🙂

  8. Evandro 28 de abril de 2014 at 12:04 #

    Mais uma vez Guilherme um ótimo post e com o complemento do comentário do Pablo sobre a taxa de transferência do dinheiro que fica parado na C.C. da corretora fui atrás de um fundo o qual me permitia aplicações e retiradas de qualquer valor pois a taxa de transferência é de R$ 8,90.

    E também transformei um dos meus celulares em pré-pago devido aos demonstrado aqui.

    Além do ótimo post os comentários também acrescentaram muito ao tema.

    • Guilherme 29 de abril de 2014 at 9:59 #

      Obrigado, Evandro, e parabéns pelas atitudes certas de economizar dinheiro.

      As dicas dos leitores nos comentários também complementam de forma excelente o conteúdo do post.

      Dessa forma, a vida financeira fica muito melhor e mais organizada!

      Abç

  9. Felipe 30 de abril de 2014 at 7:18 #

    Valeu Guilherme!

    Ótimas dicas, sobretudo as que sugerem revisão dos gastos com tv paga, fone, etc.

    Um abraço e muito obrigado por dividir conosco seus conhecimentos.

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