Os prós e os contras do investimento nas debêntures isentas de imposto de renda da CCR Autoban

O leitor Joaquim deu a notícia, no último post, de que a CCR Autoban está ofertando uma nova emissão de debêntures incentivadas de infra-estrutura, que é um produto de investimento novo no mercado de capitais brasileiro.

Debêntures

Essa oferta termina amanhã, dia 26, na maioria das corretoras, e, para algumas, no dia 27.09.2013.

Trata-se de um produto de investimento do segmento renda fixa, com prazo de 5 anos de duração (vencimento em 2018), que pagará, ao investidor, inflação pelo IPCA + uma taxa de juros prefixada, mais ou menos como uma NTN-B do Tesouro Direto; tudo isso acrescido de uma sobretaxa (prêmio de risco), que poderá variar entre 0 e 0,5%.

O valor mínimo do investimento é de R$ 1.000,00, que corresponde a uma debênture, e o valor máximo é de R$ 300 mil, e as aplicações serão sempre em múltiplos de R$ 1.000.

Para uma análise detalhada desse tipo de investimento, recomendo a leitura do artigo Debêntures incentivadas (com isenção de IR) chegam ao mercado – o caso das debêntures da Autoban, onde explicamos em profundidade vários aspectos dessas debêntures, inclusive comparando-as com as NTN-Bs do Tesouro Direto.

O leitor Peter perguntou se esse seria um bom investimento, tendo em vista que as debêntures BNDESPAR, que iriam sair nesse ano, parece que recuaram de vez, conforme demos o alerta em outro post.

Bem, vamos lá!

VANTAGENS

1. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. As debêntures incentivadas apresentam, em relação às debêntures, digamos, “normais” (como aquelas ofertadas pelo BNDESPar), a isenção de imposto de renda. Toda a rentabilidade, todo o ganho de capital, não é partilhado com o Governo Federal. Essa é a principal vantagem desse tipo de investimento.

Numa época em que vivemos com taxas de juros historicamente baixas, na casa de 1 dígito, toda rentabilidade extra que puder ser obtida nos investimentos em renda fixa sempre é bem-vinda.

2. RENTABILIDADE LÍQUIDA NOMINAL NA PROVÁVEL FAIXA DOS DOIS DÍGITOS (ACIMA DE 10% A.A.). O ponto de referência dessa nova emissão de debêntures da CCR é a NTN-B que vence em 2017, que está pagando juros ao redor de 4,97% a.a.

Considerando que as taxas de inflação, medida pelo IPCA, dos próximos 5 anos, fiquem entre 5 e 6% a.a. (ou seja, superem o centro da meta do BACEN, o que não é nada difícil, haja vista a política econômica desastrosa conduzida pelo Governo Federal atual), podemos esperar um rendimento líquido nominal, para essas debêntures incentivadas, na faixa dos dois dígitos, ou seja, acima de 10% a.a.

Vale lembrar que essa remuneração bruta já será a remuneração líquida, tendo em vista que sobre esse investimento não incidirá o imposto de renda, conforme afirmamos acima, o que torna tais debêntures mais atrativas do que o seu “ponto de referência” (a NTN-B de 2017).

Considerando que a poupança nunca irá pagar mais do que 6,17% a.a., que todos os títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação pagam imposto de renda, e imaginando um cenário em que a SELIC não passe dos 10 a 11% a.a. nos próximos anos, as debêntures da CCR têm boas chances de serem um diferencial positivo na carteira de investimentos em renda fixa, com uma rentabilidade provavelmente superior ao CDI.

Vale lembrar, contudo, que, quanto maior a inflação, menor será o ganho real líquido com as NTN-Bs, e o mesmo raciocínio se aplica às debêntures incentivadas de infra-estrutura que têm as NTN-Bs como “espelho”.

3. POSSIBILIDADE DE TER UM GANHO EXTRA DE ATÉ 0,5% NA PARTE DOS JUROS FIXOS. Independentemente da estimativa de inflação para os próximos anos, é de se observar que é possível o investidor ter um ganho extra na parte dos juros fixos, de até 0,5%, além da taxa de juros que essa NTN-B 2017 estiver pagando.

Por exemplo, se essa NTN-B estiver pagando 4,97% + IPCA, e o procedimento de formação do preço da debênture fixar uma sobretaxa de 0,2%, então essa debênture pagará 5,17% + IPCA (e sem dedução de imposto de renda).

Contudo, trata-se apenas de uma “possibilidade”, que poderá ou não se concretizar – vale lembrar que, na oferta do ano passado, não houve sobretaxa.

OS RISCOS

1. O RISCO DE A EMPRESA NÃO HONRAR SEUS PAGAMENTOS, E DA NÃO COBERTURA DO FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS. Nós estamos lidando com títulos privados, que, ao contrário dos títulos públicos, apresentam um componente de risco que deve ser bem avaliado pelo investidor.

Isso porque a CCR pode não honrar o pagamento desse título, uma hipótese bastante improvável nas circunstâncias atuais, mas que não pode ser descartada de todo, na avaliação do investimento.

De mais a mais, as debêntures não contam com a proteção do FGC, como bem lembrado pelo leitor Kleber Rebouças na caixa de comentários (obrigado!).

2. O RISCO DE FALTA DE LIQUIDEZ NO CASO DE VENDA ANTECIPADA. O mercado de debêntures ainda é pouco desenvolvido no Brasil, e o investidor pode ter dificuldades de vender os títulos no mercado secundário, antes da data de vencimento da debênture. Aliada à dificuldade de venda,  há ainda o risco da venda antecipada com prejuízo, caso o mercado entre em crise.

Quem já precisou vender os títulos do Tesouro Direto antes do vencimento, e perdeu dinheiro na operação, ou seja, recebeu menos do que investiu, sabe bem do que estou falando.

3. O RISCO DE AS TAXAS DE JUROS E DE INFLAÇÃO SUBIREM DURANTE O PRAZO DO INVESTIMENTO. Esse talvez seja o maior risco: carregar o papel até a data de vencimento, e enxergar, lá na frente, que poderia ter ganho mais dinheiro se tivesse investido em títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação, ou mesmo em aplicações pós-fixadas, caso o cenário, nos próximos 5 anos, seja de aumento das taxas de juros e aumento das taxas de inflação.

O investidor, é claro, não perderá dinheiro se carregar o papel até o vencimento, afinal, ele receberá a remuneração contratada por ocasião da adesão, mas poderá receber menos dinheiro do que se tivesse aplicado em outros instrumentos de renda fixa.

Porém, existe a outra face da moeda: SELIC e inflação em queda nos próximos 5 anos, com a CCR pagando na data de vencimento as taxas de juros acordadas. Nesse caso, o investidor seria “premiado” pelo maior risco assumido, pois nenhum investimento em renda fixa conseguiria superar essa debênture, dado o grau de risco assumido.

CONCLUSÃO

No cenário de investimentos atual, as debêntures incentivadas se apresentam como uma das melhores alternativas para o investidor melhorar o desempenho de seu portfólio de aplicações na renda fixa, tendo em vista a isenção de imposto de renda, o patamar atual de taxas de juros praticado pelas NTN-Bs (na casa dos 5% a.a.), e a possibilidade de ter uma rentabilidade extra representada pela sobretaxa (o que parece um pouco improvável de ocorrer, dado que, na emissão anterior da CCR, não houve sobretaxa).

Contudo, os riscos da falta de liquidez no mercado secundário, e da possibilidade de o investidor ter que arcar com o custo da oportunidade – caso a taxa SELIC e/ou a inflação aumentem no decorrer dos próximos 5 anos – são fatores que devem ser bem ponderados pelo investidor, na hora de avaliar esse investimento.

Bons investimentos!

Agradeço aos leitores Joaquim e Peter pelo envio da notícia!

Créditos da imagem: Free Digital Photos

Print Friendly, PDF & Email

,

33 Responses to Os prós e os contras do investimento nas debêntures isentas de imposto de renda da CCR Autoban

  1. Davi 26 de setembro de 2013 at 13:04 #

    Como conseguir investir, pela minha corretora (Banrisul)? Via Home Broker é possível?

    • Guilherme 26 de setembro de 2013 at 14:11 #

      Davi, tem que entrar em contato com sua corretora para ver se eles estão participando da oferta. Outra alternativa para descobrir isso é acessar o home broker, entrar em “ofertas públicas em andamento” e ver se ela está participando.

      • Davi 27 de setembro de 2013 at 15:20 #

        Obrigado, vou verificar!

  2. TBB 26 de setembro de 2013 at 18:51 #

    Parece ser uma boa alternativa de investimento. Pena não ter tido boa participação e divulgação pelas corretoras.

    • Guilherme 28 de setembro de 2013 at 15:22 #

      Exato, TBB. As corretoras infelizmente não tem interesse em divulgar esse tipo de produto, pela ausência de atrativos que as debêntures oferecem para elas.

      Abç

  3. Joaquim 28 de setembro de 2013 at 10:17 #

    Olá Guilherme,

    Obrigado por citar meu nome. Fiz a reserva de uns lotezinhos nessas debêntures…
    Em nome da diversificação!

    Bom fim de semana

    • Guilherme 28 de setembro de 2013 at 15:23 #

      É isso aí, Joaquim, diversificar é preciso! Vamos aguardar o resultado do bookbuilding.

      Abç e bom fim de semana!

  4. EDUARDO 28 de setembro de 2013 at 19:40 #

    Também reservei. Vale mencionar que as taxas tem subido nos últimos dias e a CCR tem como acionistas majoritários a Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Serveng, que são pesos pesados. Entretanto, as debentures são quirográficas, não tem garantia real nem flutuante.

    • Guilherme 28 de setembro de 2013 at 20:27 #

      Olá, Eduardo, pontos bem observados.

      Pesando todos os prós e os contras, não tem como não ver esse tipo de investimento como positivo, ainda que não haja sobretaxa.

      Como você bem avaliou, são grupos fortes que estão por trás da emissão, e, ademais, esse tipo de debênture está lastreado num forte investimento em infra-estrutura rodoviária.

      Abç

  5. Mota 29 de setembro de 2013 at 17:03 #

    Minha corretora não participou da oferta publica desses titulos. É possível comprar no mercado secundário? quando estes titulos serão negociados? qual o código de negociação?

    • Guilherme 29 de setembro de 2013 at 18:35 #

      Olá Mota, sim, é possível comprar no mercado secundário, desde que haja pessoas físicas ofertando para venda.

      Os títulos começarão a ser negociados, salvo engano, em meados do próximo mês, ou seja, outubro.

      Quanto ao código de negociação, ainda não temos essa informação, mas a repassaremos assim que soubermos.

  6. Walker 3 de outubro de 2013 at 20:36 #

    Participei da oferta do ano passado é foi um péssimo investimento até o momento. Espero que seja melhor esta emissão.

  7. Kleber Rebouças 7 de outubro de 2013 at 10:22 #

    Obviamente, o risco é majorado por não ter garantia do FGC. Seria importante citar isso.

    • Guilherme 8 de outubro de 2013 at 13:04 #

      Modificação feita no artigo, com os devidos créditos, obrigado!

  8. lexicon@bol.com.br 2 de dezembro de 2013 at 17:15 #

    Não entrei nesta debênture da Autoban, pois fixei uma sobretaxa mínima de 0,2%, e o leilão só acatou ordens sem sobretaxa sobre a NTN-b.
    Acho que foi um bom negócio ter ficado fora desta debênture, pois entrei nas debêntures também incentivas da Comgás que vão pagar 5,57%aa + IPCA, bem mais do que os 4,88 da Autoban.

  9. lexicon@bol.com.br 2 de dezembro de 2013 at 17:19 #

    Acredito que o autor exagera e mostra viés ideológico ao descrever como desastrosa a política econômica do governo federal. Para quem já conviveu com inflação e taxas de juros altíssimas em governos de FHC, Sarney, Collor, o governo Dilma está uma maravilha. Fazendo uma análise imparcial, é um governo muito mais técnico em relação aos antecessores, que nomeavam políticos para todos os cargos.

    • marcos 9 de março de 2015 at 11:25 #

      Destaque para “o governo Dilma está uma maravilha”.

      Que análise imparcial!

    • Anonimo 24 de maio de 2016 at 12:47 #

      O FHC criou o plano real e baixou a inflação de 900% ao ano pra 9% ao ano, coisa que o Brasil ficou décadas tentano fazer sem conseguir. Daí os socialistas vem aqui falar que no governo FHC a inflação era alta

      Normal, característica da grande maioria (não todos) dos que são de esquerda é não entender muito de números e de economia e só ler o que lhe agrada.

  10. Marcelo 17 de dezembro de 2013 at 9:30 #

    Para quem estiver interessado em investir em debentures, eu tenho uma empresa que esta captando debenturistas e pagamos os seguintes rendimentos:

    120% do CDI até R$50.000,00
    130% do CDI até R$70.000,00
    140% do CDI até R$100.000,00
    150% do CDI até R$150.000,00
    1 % a.m. Acima de R$150.000,00
    E no final do período, após o resultado liquido, ainda passamos aos debenturistas, até 10% do lucro, como forma de remuneração extra. (dependendo do valor investido)

    att,
    Marcelo

  11. Antonio Alves 1 de agosto de 2014 at 14:39 #

    Saiu no Valor Econômico (final de julho/2014):
    A CCR Autoban, concessionária de rodovias que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes, prepara uma captação de R$ 500 milhões com uma emissão de debêntures de infraestrutura, apurou o Valor. Os títulos possuem isenção de imposto de renda para pessoas físicas e estrangeiros. A emissão deve ter prazo de cinco anos e taxa de juros equivalente à do título público corrigido pela inflação (NTN-B) de vencimento equivalente mais 0,20% ao ano. A remuneração final poderá ser menor dependendo da demanda do mercado.

  12. Antonio Alves 1 de agosto de 2014 at 14:39 #

    Saiu no Valor Econômico (final de julho/2014):

    A CCR Autoban, concessionária de rodovias que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes, prepara uma captação de R$ 500 milhões com uma emissão de debêntures de infraestrutura, apurou o Valor. Os títulos possuem isenção de imposto de renda para pessoas físicas e estrangeiros. A emissão deve ter prazo de cinco anos e taxa de juros equivalente à do título público corrigido pela inflação (NTN-B) de vencimento equivalente mais 0,20% ao ano. A remuneração final poderá ser menor dependendo da demanda do mercado.

    • Guilherme 1 de agosto de 2014 at 15:27 #

      Olá Antônio, grato pela informação!

      O espelho dessa debênture será a NTNB 2019, que está pagando 5,8% a.a.

      Considerando uma sobretaxa de até 0,2% a.a., podemos esperar algo em torno de 6% a.a. + inflação. E, como a inflação está bastante alta, na casa dos 6,5% a.a., se ela se mantiver alta nos próximos anos, podemos até pensar numa debênture pagando na casa dos dois dígitos *líquidos* de rentabilidade (+ de 10% a.a. líquidos).

      Abç

  13. FABIO 30 de novembro de 2015 at 15:10 #

    Tenho uma duvida e nao acho a resposta: Se eu comprar uma debenture incentivada a R$ 1.000,00 e 2 anos repois resolvo vender essa debenture no mercado secundario terei que pagar imposto de renda?
    Pelo que eu entendi a lei 12.431 isenta toda a rentabilidade, todo o ganho de capital dessa forma ao meu ver nao terei que pagar IR. Está correto ou terei que pagar IR sobre o ganho de capital?
    Fico no aguardo.
    Fabio

  14. Márcio Silva 18 de maio de 2016 at 14:09 #

    Tenho adquirido Debentures incentivadas. Gostaria de saber qual empresa já deu calote e não pagou os investidores.

    • Guilherme 18 de maio de 2016 at 19:22 #

      Márcio, até aqui não tenho notícias de empresas que não honraram os pagamentos das debêntures.

      Abraços

    • Eduardo 24 de outubro de 2016 at 12:16 #

      Como o mercado muda em 3 anos não é mesmo?

      Comprei faz uns 2 meses debêntures incentivadas do Aeroporto de Guarulhos e da Rodovias Tietê a 8,50% e 8.80% ambas + IPCA por 12 e 10 anos. E agora os juros voltam a cair.

      Pena que tem as amortizações semestrais. O dinheiro iria triplicar nesse período se ficasse os 12 anos lá.

      Alguém aqui comprou essas debentures da BNDSPAR ? sabe dizer quanto rendeu no período?

      • Guilherme 26 de outubro de 2016 at 12:08 #

        Oi Eduardo, excelentes taxas! Essas debêntures vão ter uma excelente valorização no mercado – se é que já não estejam subindo fortemente…. 😀

        Sobre as debêntures BNDESPar, também não sei, mas se algum leitor tiver e quiser comentar, fique à vontade!

  15. Marcos Vilaça 15 de janeiro de 2018 at 15:50 #

    Tenho debentures CART22 e CART12 e ainda estão no vencimento.
    Vencem em 2024 e hoje somam aproximadamente 12 mil reais.
    Preciso vende-las.

    Alguém interessado?

    marcos.vilaca@yahoo.com.br

    • Priscila 8 de fevereiro de 2018 at 10:47 #

      Oi tudo bem?
      Ainda está interessado em vender?

Trackbacks/Pingbacks

  1. Entenda as Debêntures e aprenda a ganhar dinheiro com elas – conhecendomundofinanceiro - 21 de novembro de 2017

    […] http://valoresreais.com/2013/09/25/pros-contras-investimento-debentures-isentas-imposto-renda-cc… […]

Deixe uma resposta

Powered by WordPress. Designed by Woo Themes