(Não) me engana que eu (não) gosto

Dezembro está aí, com as lojas sempre cheias, ruas movimentadíssimas, estacionamentos que vivem lotados e… compras, muitas compras! Com o décimo terceiro salário sendo depositado, uns preferem utilizá-lo para pagar dívidas (muito bem!), outros para iniciar – ou reforçar – planos de investimentos (melhor ainda!), outros ainda desejam fazer doações para instituições filantrópicas (perfeito!). Mas há também o grupo de pessoas que pretendem utilizar essa verba extra para consumir. Não há problema algum nisso, desde que se consuma direito. E o que significa “consumir direito”?

Simples: significa, dentre outras coisas, não fazer compras por impulso. E, dentre os mandamentos básicos de se não fazer uma compra por impulso, se inclui a necessidade de comparar preços entre diferentes lojas, e sobretudo não se deixar levar por “super promoções” que não são tão “super” assim. Veja o exemplo abaixo:

Um leitor mais desavisado e consumidor compulsivo-amador-inquieto logo pensaria: “uau, um desconto de 55% no preço original!” Será mesmo!?

Há tempos venho falando aqui na importância, ou melhor, no dever, de você, caro(a) leitor(a), fazer pesquisas de preços pela Internet, ainda que você vá realizar uma compra numa loja de rua. Como demonstrado no artigo Buscadores de preços: encontrando as melhores ofertas de compras na Web, nesse Controlando os impulsos de consumo na prática: como economizei + de 40% (R$ 30,84) usando a força do pensamento e também nesse artigo Como economizei + de 66,8% (R$ 26,74) comprando o *mesmo* produto, na *mesma* loja, maaasss… utilizando a Internet como ambiente de compra, você economiza horrores quando se dá ao “trabalho” – se é que isso pode ser chamado de “trabalho” – de ver se existe uma oferta melhor na concorrência.

Felizmente, o ato de realizar pesquisas vem virando um verdadeiro hábito, como explicado nessa reportagem da Folha, especificamente em relação aos consumidores de livros.

Pois bem, uma simples pesquisa num site agregador de preços foi o suficiente para descobrir que o “descontão” no player Blu-Ray na verdade não passava de um “descontinho”:

Veja que o maior preço oferecido pelo mesmo aparelho era de R$ 399, muito abaixo dos supostos R$ 599 anunciados na oferta originária. Nesse caso, comparando o preço da oferta de R$ 269,10, com o preço mais baixo encontrado no agregador, de R$ 328, o desconto cai de 55% para aproximadamente 18%. A economia pode até existir, mas não é tão grande quanto o site divulga

Promoção ou promocinho!? O vergonhoso exemplo da última Black Friday brasileira

A prática de inflar os preços supostamente originais para atrair os consumidores veio à tona na vergonhosa Black Friday brasileira, ocorrida mês passado (pô, se é pra copiar, que copiem direito!). As empresas simplesmente anunciavam promoções que na verdade não passavam de promocinhos, conforme apurou reportagem do UOL:

“Um dos exemplos é o notebook VPCEH10EB/W, da Sony Vaio, anunciado no site do Extra. A rede afirma que o preço inicial do produto era R$ 2.099; com o desconto de R$ 416,99, chegou a R$ 1.682,01. No site oficial da Sony Brasil, o notebook custa R$1.899 e uma busca em sites de comparação de preços indica que nenhuma loja cobra os R$ 2.099 divulgados pelo Extra. Ou seja: a economia pode existir, mas não é tão grande quanto o site divulga.

No mesmo site, o mesmo acontece com a câmera digital Sony Cyber-shot DSC-W530/B, que teoricamente tem preço inicial de R$ 999. Nenhuma loja virtual cobra esse valor pelo produto e, na Sony Brasil, o mesmo item sai por R$ 599. Na Black Friday, o Extra anuncia a câmera por R$ 379,05, afirmando que o desconto em relação àqueles R$ 999 é de R$ 619,95″.

O cuidado deve ser redobrado principalmente para quem acompanha o Twitter das grandes lojas de varejo, que frequentemente anunciam promoções relâmpago do tipo “só hoje”, “só durante as próximas duas horas”, “desconto imperdível exclusivo para nossos seguidores do Twitter” etc. Como o Twitter é uma ferramenta que opera com a velocidade de, digamos, sexta marcha, e como a quantidade de mensagens que circulam é bastante acelerada, o consumidor mais desatento pode se afobar e querer aproveitar uma promoção que, no fundo no fundo, não passa de um engodo.

Ademais, aproveitar promoção só porque é promoção só tende a aumentar as chances de você fazer uma compra errada, da mesma forma que é errado fazer compras de mil reais no shopping para ganhar um cupom para concorrer ao sorteio de uma torradeira!. Você deve saber separar os desejos das necessidades, e não se deixar levar pelo “canto da sereia” representado pelo (muitas vezes falso) descontão que aparece na venda de produtos, seja na Internet, seja na vitrine da loja de rua ou do shopping.

Aliás, essa foi uma das dicas que postei no artigo Como consumir sem culpa: um roteiro com 9 dicas práticas!, que contém um tutorial completo para você tornar os atos de consumo mais inteligentes e, portanto, menos sujeitos a oscilações emocionais ou circunstanciais.

Black Friday de verdade? Resposta = Janeiro

Embora esse artigo possa remar contra a maré, justamente agora que faltam menos de 2 semanas para o Natal, na verdade não posso deixar de alertar para o perigo que representa para as famílias brasileiras realizar compras por impulso, feitas sem a devida análise de seus motivos, e sem uma mínima pesquisa de preços. Black Friday por Black Friday, Natal por Natal, ainda prefiro aguardar o começo de ano, ou seja, JANEIRO, se o caso for comprar produtos em promoção, pois todos sabemos que são nos períodos de vendas fracas no comércio que surgem as oportunidades de aproveitar as liquidações, saldões, queimas de estoque e congêneres.

Resumindo: assim na Bolsa de Valores como no comércio, não é quando todo mundo está comprando que os preços vão baixar. Eles até podem baixar, mas as probabilidades são ínfimas. Segure a vontade, faça um bom planejamento financeiro que lhe permita ter mais folgas orçamentárias no começo do ano, e verá que poderá comprar o mesmo produto, mas por um preço mais em conta. O seu bolso agradece. E sua família também. 😀

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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15 Responses to (Não) me engana que eu (não) gosto

  1. Jônatas R. Silva 12 de dezembro de 2011 at 9:05 #

    Guilherme, perfeito, muito bem lembrado.
    Minha regra é: compro somente o que estou precisando e quando estiver barato.

    Abraço.

  2. igor 12 de dezembro de 2011 at 9:39 #

    Esse preço inflacionado também tem outro motivo. Se voce tiver um cupom de desconto, de 5% por exemplo, o desconto vale sobre o preço “cheio” e não sobre o preço já com desconto. Logo o cupom de desconto não serve pra nada além de marketing.

  3. http://investindo-todo-mes.blogspot.com/ 12 de dezembro de 2011 at 10:51 #

    Otimo post Guilherme,

    Penso da mesma forma que o Jônatas, compro somente o que preciso e sempre a vista (frugal!!).

    Abços
    ITM

  4. Renato C 12 de dezembro de 2011 at 14:21 #

    Está na hora de se julgar MORALMENTE determinadas atitudes e empresas marketeiras.

    Independentemente do preço, procure comprar de estabelecimentos éticos e idôneos, que não tentam fazer o consumidor de TROUXA.

    A ética e a honestidade não entram na lógica do capital (por isto estes descalabros), contudo, não se esqueçam de que elas são valores de uma ordem real supra, ainda mais na escassez dos mesmos nos dias de hoje.

    Da Black Friday, só sobre uma black list de lojas vagabundas que querem enganar os seus clientes.

    Sem +

  5. Renato C 12 de dezembro de 2011 at 14:25 #

    É engraçado pensar que, com tanto marketing, determinadas empresas não se atentam que tentar fazer o consumidor de trouxa acaba com a imagem delas?

    Não vamos pensar que isto é “prática de mercado, se uma faz, as outras têm que fazer para competir” não, se tivéssemos um mercado consumidor mais atento a estas questões e deixasse de comprar com empresas deste naipe, isto não aconteceria.

    Sem + (agora sim rs)

  6. Leandro 12 de dezembro de 2011 at 15:59 #

    Ótimo artigo, Guilherme.

    Um ótimo exemplo atual de infladores de preços para passar a sensação de se estar levando uma super vantagem são os sites de compras coletivas.

    Quando se trata de pacotes de viagens, estadias em hotel e alguns artigos eletroletrônicos, o valor cobrado nesses sites de compras coletivas muitas vezes é mais caro do que se obtém em outros lugares, sendo que a essência das compras coletivas é oferecer algo mais barato do que em qualquer outro lugar.

    Já cansei de ver “promoções” totalmente enganosas nesses sites, onde o dito preço real colocado nunca existiu, mas ao se verificar quantos já compraram a “oferta” constata-se que muitos se deixam enganar por essas armadilhas, não se dando ao trabalho nem de verificar o preço em outro lugar.

    Na verdade esses sites acabam sendo ótimos medidores de quantas pessoas são adeptas do “me engana que eu gosto”

  7. SOSTHENES 12 de dezembro de 2011 at 16:13 #

    REALMENTE, GUILHERME. VOCÊ PODE ATÉ PERCEBER QUE MUITAS VEZES ESTAS PROPAGANDAS INCUTEM UM ACESSÓRIO( NO CASO DA PRIMEIRA PROPAGANDA “CABO HDMI”) A FIM DE JUSTIFICAR O PREÇO ALTO. MAS, FIZ UMA PESQUISA NA PRÓPRIA NET E VERIFIQUEI QUE UM CABO “HDMI DA SONY” NÃO PASSA DE 50,00 REAIS.REEREEER ATENÇÃO PESSOAL, QUANDO OBSERVAR ESTAS PROMOÇÕES COM CHEIRO DE ” ENGANO” PENSE EM QUANTAS HORAS DE TRABALHO FORAM NECESSÁRIAS PRA TROCÁ-LAS POR UMA (ARMADILHA DE PROPAGANDA ENGANOSA). VALEU!!!

  8. Celso 12 de dezembro de 2011 at 21:24 #

    A grande e triste constatação é que o brasileiro, via de regra, é um consumidor desatento.
    – Quantas pessoas lêem ?
    – Quantas pessoas entendem, o que lêem ?

    Existem pessoas atentas e que “compreendem imediatamente” as ofertas ?

    Claro, mas é raro …

    Aqui neste país, temos uma das maiores cargas tributárias do planeta o que eleva os preços às alturas e pouquíssimos reclamam pondo o pé nas ruas.

    Quando mudaremos ?

    Eis um desafio !

  9. Camilo 13 de dezembro de 2011 at 13:38 #

    Esses tempos atrás eu vi um produto em um site de ¨compra coletivas¨, era um umidificador, estava com um ¨super-mega-ultra desconto¨ de 50%, e tinha vendido bastante. Coloquei o produto no buscapé e no bondfaro para pesquisar, estava 5,00 mais caro do que o valor encontrado.
    Aqui em casa a sequência logo após encontrar algo que seja interessante é pesquisar no buscape e no bondfaro, pesquisar se acha algum cupom de desconto na loja selecionada para somente então comprar.

  10. Guilherme 13 de dezembro de 2011 at 17:46 #

    Jônatas, perfeita a regra!

    Igor, exato. Cupons de desconto não valem muita coisa por aqui. É mais uma invenção americana que copiam errado em Terra Brasilis…

    ITM, frugailty é o que há!

    Renato, mandou bem! Onde eu assino!?

    Leandro, bem lembrado a questão das compras coletivas! Complementa bem a matéria do post.

    Sosthenes, excelente observação!

    Celso, esse é o desafio! Educação financeira na veia!

    Camilo, ótimo roteiro! Com esses passos e esses filtros, as chances de fazer uma bela compra aumentam exponencialmente!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  11. Gabriel Antunes 14 de dezembro de 2011 at 9:56 #

    Há muito site com “promoções” iguais a mostrada pelo Guilherme, que colocam um preço absurdo para falar que você esta economizando um baita dinheiro, mas quando você vai pesquisar, descobre que a baita economia as vezes pode se tornar até mais caro que em outro site.

    Black Friday no Brasil está MUITO longe de ser a Black Friday dos EUA.

  12. Flavio 15 de dezembro de 2011 at 8:49 #

    Sempre consulto o Buscapé e o Bondfaro antes de comprar qualquer coisa pela internet.

    Brasileiro copia outlet, cupom de desconto e Black Friday dos americanos, mas as cópias não chegam nem aos pés dos originais.

  13. Guilherme 17 de dezembro de 2011 at 18:00 #

    Gabriel, concordo.

    Flavio, eu também.

  14. Carlos 20 de dezembro de 2011 at 10:20 #

    Existe casos e casos. Agora em dezembro comprei um Sony Vaio Core i5, 2ª geração, 4gb, 500hd por R$ 1.759,12 por necessidade. E considero que peguei um preço excepcional. Com essa mesma configuração, qualquer outro laptop não sai por menos de R$ 1.600,00. A não ser o das marcas genéricas. Nada contra quem compra. Mas é que meu irmão já comprou e tevi muitas dores de cabeça.

  15. Guilherme 22 de dezembro de 2011 at 17:50 #

    Carlos, sem dúvida você pagou um preço excepcional! Parabéns!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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