[Guest post] O tripé da mudança

Hoje, o blog Valores Reais tem o prazer de contar com mais um texto de alta qualidade escrito por um de nossos leitores. Em “o tripé da mudança”, Rui Carlos Pizzato aborda os elementos-chave que estão por trás das dificuldades em realizar mudanças em nossas vidas, bem como oferece orientações práticas de como superar esses problemas. Boa leitura!

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Por que encontramos tantas dificuldades em realizar mudanças, sejam elas pessoais, sejam elas profissionais?

Poderíamos discorrer um livro inteiro sobre esse tema (ainda o farei), mas neste artigo vamos ao cerne da questão.

Mudamos por três razões básicas: idade, necessidade e vontade (desejo).

Aceitamos com naturalidade o fato de mudarmos à medida que o tempo passa, que a idade avança. Etapas novas vão surgindo. Escalas de valores vão se alterando. Algumas características permanecem e outras se alteram em função do andar da carruagem. São mudanças naturais que a própria vida se encarrega de realizar.

Nota pessoal: sobre mudanças nas escalas de valores, escrevi dois artigos a respeito: As prioridades mudam com o decorrer do tempo e O valor de aproveitar as oportunidades enquanto elas ainda estiverem disponíveis

Os outros dois motivos são mais complexos. Diferenças significativas distanciam necessidade (causas externas) da vontade (causas internas).

Por necessidade, chamamos todos os movimentos realizados em função de causas externas: um novo emprego, uma demissão, uma doença, um novo chefe, uma nova tecnologia, o crescimento de um concorrente, um novo produto para um novo mercado. Uma força externa faz com que ações venham a se realizar dentro de nós. Na maior parte das vezes, não gostamos do que está acontecendo, mas somos compelidos a aderir ao movimento. Rompemos nossa homeostase a contragosto. Normalmente, esses movimentos são radicais. Esses motivos externos modelam o tempo, via de regra, com um intervalo menor do que o desejado. Um novo emprego nos obriga a aceitar uma cultura diferente. Uma doença súbita leva-nos a novos hábitos. Uma nova tecnologia surge e nos obriga a adotá-la para não ficarmos fora de mercado. Novas atitudes são tomadas em função do crescimento do concorrente. Ou mudamos, ou a empresa perde mercado. A situação exige velocidade.

Passada a tempestade e os momentos iniciais dessa nova fase, que pode ser de vários meses, vimos que poderíamos ter realizado as mudanças vinculadas aos motivos em questão, sem as dores e contratempos com que a velocidade nos obrigou a fazê-las. Não queríamos ver o problema em si? Não tínhamos coragem de tomar as decisões por sabermos das dificuldades e riscos que iríamos passar? Por que prorrogamos por tanto tempo essas mudanças? Por que precisamos dessa força externa para “obrigar-nos” a mudar? Desculpas?

Nota pessoal: isso que o Rui escreveu é de suma importância e merece nossa atenção. Como havíamos escrito ao resenharmos o livro Longevidade emocional, de Norman Anderson, algumas vezes só despertamos para desenvolvermos todo nosso potencial depois que um fato ocorre – e geralmente esse fato não é bom (uma doença que nos obriga a cuidar mais da saúde, uma perda de vaga na faculdade que nos obriga a estudar mais etc.). Ora, será que é preciso sempre reagir às circunstâncias, quando poderia ser muito mais proveitoso para nós agirmos para mudá-las? Ficam as reflexões.

Faltou algo importante. Um toque mágico, um passo de coragem, um ato de determinação. Uma provocação? Um exemplo bem sucedido a ser seguido? Uma motivação? Quantas perguntas sem respostas….

Por vontade, chamamos todos os movimentos que realizamos através do nosso “eu”. De dentro para fora. A necessidade pode até estar no âmago da questão, servindo como mola propulsora da mudança ou apenas como indicador forte de que devemos mudar.  A diferença básica entre a vontade (própria) e a necessidade, é que esta, provindo de razões externas, tende a desaparecer, quando essas forças deixam de atuar. A mudança, ou mudanças, foram temporariamente dirigidas e pressionadas por uma causa externa. No caso da vontade, precisamos de uma força muito maior do que a anterior. Um movimento  interno que nos induz a mudar.

Fazendo outra comparação, podemos dizer que a necessidade atua sobre a cabeça (razão), ao passo que a vontade mexe com o coração (sentimentos). Por esta forma de falar, podemos dizer que a vontade atua sobre uma parte do cérebro, gerando substâncias químicas relacionadas com o prazer, bem estar. Ao passo que a necessidade atua sobre outra parte do cérebro, relacionado à obrigação, dever, cobrança, sem o prazer e o bem estar da anterior.

Quando partimos para o campo da necessidade, os resultados podem também gerar prazer quando atingimos os objetivos que estávamos buscando. A origem porem é diferente. A mudança causada pela vontade (força interna) nasce e encerra com prazer, ao passo que a causada pela necessidade inicia por obrigação e pode encerrar com prazer.

A base da vontade está intimamente ligada à motivação. Vamos agora examinar a palavra motivação e sua prima-irmã, provocação. Em ambas sobressai o sufixo “ação”. Parte importante em tudo que realizamos em nossas vidas. Já mencionei em outros artigos, mas vale a pena repetir. Existem três tipos de pessoas. As que fazem, as que deixam que os outros façam, resignando-se seja qual for o resultado e as que choram pelos cantos e reclamam pelas coisas que os outros fizeram e cujos (bons) respingos elas “não tiveram sorte” de receber.

Nota pessoal: por isso eu repito aqui o que já disse em outra ocasião: não vale a pena pagar o preço do comodismo.

Motivação significa “o ato de motivar”, do latim motivu, que move. Provocação significa “o ato de provocar” do latim provocare, desafiar. Que mais palavras precisamos para realizarmos transformações internas do que as acima mencionadas? Um desafio que nos faz mover. Sem obrigação. Por prazer de superar as dificuldades que possuímos. Por prazer de ver nossa(o) companheira(o) mais feliz. Por prazer de melhorar o ambiente familiar ou profissional. Por prazer de fazer o bem a um(a) amigo(a). Por prazer de entender que devemos mudar para preparar-nos para um futuro melhor. Por prazer de querer viver mais e com mais qualidade de vida. Para sermos mais felizes.

Se entendermos a última frase, estaremos dando um passo importante para realizar nossas mudanças tão esperadas por nós mesmos (e pelos que convivem conosco).

Nota pessoal: mudanças é um dos temas prediletos aqui no Valores Reais. Tanto que um dos artigos que mais gostei de escrever foi sobre esse assunto, aqui: Educação financeira: um giro temático pelos blogs. Edição de hoje: MUDANÇAS.

Mudem com prazer para serem mais felizes. Não é a única via, mas certamente todos nós temos que passar por esse difícil caminho da mudança. Decidam, ousem, corram riscos, mas mudem. Para melhor, para serem mais felizes.

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Sobre o autor: Rui Pizzato faz palestras – gratuitas – sobre dois tópicos: Mudanças e Sonhos (como atingi-los). Recebeu muitas graças nessa vida e está já há dez anos retribuindo o que “o velho lá de cima” fez por ele: transferir suas experiências a quem solicitar. Escreveu um livro: A Fábrica de Sonhos.

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4 Responses to [Guest post] O tripé da mudança

  1. @maedabr 20 de outubro de 2011 at 10:04 #

    Ótimo post!
    De certa forma a mudança pela idade pode ser considerada uma mudança por necessidade, não? A idade avança independente da nossa vontade e acaba pressionando algumas mudanças.

  2. Guilherme 20 de outubro de 2011 at 20:40 #

    Obrigado, Maeda!

    De fato, pode ser considerado sim! Valiosa observação sua!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Rosana 23 de novembro de 2014 at 9:47 #

    Guilherme,

    Gostei muito desse artigo, excelente para reflexão sobre como estamos conduzindo nossas vidas.
    Eu nunca havia pensado sobre o sufixo ação que faz parte das palavras motivação e provocação. Interessante.
    O livro Fábrica dos Sonhos deve ser muito bom, vou procurá-lo!
    Abraços,
    Rosana

    • Guilherme 24 de novembro de 2014 at 16:54 #

      Olá Rosana, é verdade, o texto é excelente para refletirmos o modo como estamos conduzindo nossas vidas e fazermos as adaptações que se fizerem necessárias.

      O Rui tem uma escrita leve e densa ao mesmo tempo, e o livro segue essa filosofia, vale a pena!

      Abç!

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