O que fazer com o dinheiro da restituição do imposto de renda (IR)? Um roteiro com 4 dicas práticas!

A Receita Federal liberou, na semana passada, a consulta ao primeiro lote de restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física. O dinheiro será depositado depois de amanha (15.6) no banco indicado na declaração. A correção monetária é de 1,99% (100% líquido da taxa SELIC do período). Em todo o País, serão pagos R$ 1.900.853.614,92 para 1.509.186 contribuintes, sendo que cerca de 1,3 milhão foram priorizados conforme o Estatuto do Idoso, totalizando R$ 1,6 bilhão. Os demais – cerca de 200 mil contribuintes – são os que se anteciparam na entrega da declaração, que começou no dia 1º de março.

Ao conferir a situação da minha Declaração de IR, tive a agradável notícia de ter sido contemplado nesse primeiro lote 😀 não por ser idoso (rsrsrsr…), mas sim por ter feito aquilo que faço rotineiramente todos os anos: é obrigação legal? É. Então vamos cumpri-la tão logo quanto possível. Isso não só já me livra desse ônus (que teria de cumprir de qualquer forma), como também – e principalmente – já me fornece um fluxo de caixa  extra (= grana extra) no mês de junho. Além, é claro, de ter a certeza e a tranquilidade de não ter caído na malha fina. \o/

Consultando a página do Internet Banking do banco em que tenho conta, já foi possível visualizar o lançamento futuro dessa restituição em minha conta-corrente:

E então? O que fazer com o dinheiro da restituição? Aqui vão 4 dicas práticas.

1. Quitação de dívidas

Essa deve ser a prioridade nº 1, não só de quem receberá a restituição na quarta-feira, mas também de todos aqueles que recebam verbas salariais ou indenizatórias extras em sua conta-corrente. E isso por um motivo bastante simples: enquanto você tiver com dívidas, você estará pagando juros, e, enquanto você tiver pagando juros, você estará dependendo continuamente de sua renda ativa (proveniente de trabalho) para viver. Em outras palavras, você estará trabalhando para os outros, enquanto poderia muito bem estar trabalhando para você, investindo para você, e na privilegiada situação de recebedor de juros na sua conta, em vez de pagador desses mesmos juros na conta dos outros.

Comece quitando as dívidas com os juros mais altos (por exemplo: cheque especial e rotativo do cartão de crédito), ou aquelas cujo montante for maior (quase sempre coincidem). Lembre-se de que não é financeiramente coerente você investir enquanto tiver dívidas pendentes a quitar. Amortize ao máximo os pagamentos devidos, e faça isso inclusive com as rendas provenientes de sua força de trabalho. Tome como prioridade nº 1 deixar de ser devedor: essa será sem dúvida uma grande primeira vitória em sua jornada rumo à paz financeira.

2. Aplicação em investimentos

Pagas as dívidas, ou se você não as têm, o passo seguinte é utilizar o dinheiro – ou parcela dele – para investimentos. Mas quais investimentos? Recomendo a formação do seu colchão de segurança, ou reserva de emergências. Ela será (na verdade, terá que ser), a partir de agora, a sua melhor linha de crédito disponível. Poupança, CDBs pós-fixados com liquidez diária, bem como fundos referenciados DI e de renda fixa com resgate em D+0 costumam ser as modalidades de investimento mais atraentes e compatíveis com esse tipo de investimento. Sobre o assunto, recomendo a leitura do artigo: 5 razões para ter uma boa reserva em renda fixa (colchão de segurança).

Quem tem boa parcela do dinheiro da restituição do IR proveniente da aplicação em PGBL deve reaplicar o dinheiro, preferencialmente no próprio PGBL (desde que não cobre taxa de carregamento, cobre baixas taxas de administração e tenha um histórico de rentabilidade decente) ou em outro investimento, seja de renda fixa, seja de renda variável. E isso por uma razão evidente: o pagamento do imposto de renda, nos casos de aplicação em PGBL com dedução dos 12% da renda bruta tributável, é apenas diferido no tempo. Ou seja, o imposto de renda, na fase de recebimento de benefício, será cobrado sobre todo o patrimônio investido. Daí a necessidade de reinvestir o dinheiro do imposto que foi restituído antecipadamente.

Não custa relembrar aqui que você só deve fazer um plano de previdência privada do tipo PGBL se você realmente se enquadrar no perfil apropriado a esse tipo de plano, e desde que consiga baixas taxas de administração e isenção de carregamento, além, é claro, de ter seu dinheiro administrado por instituições sérias e confiáveis.

3. Gaste

Se você já segue os princípios básicos das finanças pessoais, como gastar menos do que ganha, ter uma reserva de emergências, um plano de investimentos para longo prazo, um controle de seu orçamento doméstico, e estar com as contas em dia (ou seja, sem dívidas), nada impede que você utilize parcela dessa restituição para compras, inclusive se permitindo alguns pequenos luxos. Por quê não? Repito, desde que você já siga os princípios básicos das finanças pessoais, enumerados acima.

É claro que o dinheiro extra da restituição do imposto de renda não pode servir de desculpa para você consumir que nem um doido, dar entrada num carro chinês,  comer sorvete Häagen-Dazs de sobremesa todos os dias (ainda mais nesse frio de rachar…rsrsr..), e se entupir de gadgets, roupas e brinquedos caros. Lembre-se: a restituição do imposto de renda não é acréscimo patrimonial em sentido estrito, isto é, no sentido jurídico-econômico do termo. Trata-se, isso sim, apenas de devolução de tributo que você havia (indevidamente) pago a mais no ano passado, e que, agora, o Governo está devolvendo ao seu bolso (acrescido dos juros da taxa SELIC).

Trata-se de uma quantia (por exemplo: R$ 1.000) da qual você era titular (era o “dono” dos R$ 1.000), mas sobre a qual você não tinha a disponibilidade (uma vez que esses R$ 1.000 foram pagos a título de imposto de renda), e que, agora, por ocasião das restituições, o Governo está devolvendo a você.

Finalmente, não há nada de errado em consumir com dinheiro extra (se é que a restituição pode ser considerado dinheiro extra), uma vez que você não pode  economizar como se estivesse prendendo a respiração debaixo d’água.  Ter equilíbrio é fundamental na vida financeira.

4. Faça doações

Embora as doações possam constituir motivo importante para maximizar sua restituição de imposto de renda, conforme afirmamos em outro artigo Destine parte do imposto de renda para ajudar crianças e adolescentes carentes, nada impede que você continue aproveitando esse dinheiro extra para fazer novas doações, ainda que de parcela desse capital.

Como eu já escrevi em outro artigo A verdadeira essência do conceito de independência financeira, o segredo da independência financeira é depender cada vez menos de dinheiro, e é essa liberdade de poder fazer doações, quando se está com a vida financeira equilibrada, um dos maiores trunfos das pessoas financeiramente organizadas.

Utilidade pública

Repasso aqui informações de utilidade pública publicadas na Folha de S. Paulo a respeito do tema:

“PENDÊNCIAS

O contribuinte pode acompanhar o processamento de sua declaração, verificar pendências e corrigir dados incorretos, diretamente no site.

A restituição ficará disponível no banco durante um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la por meio da internet, mediante preenchimento do Formulário Eletrônico – Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Declaração IRPF.

A Receita Federal informa, também, que, caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá contatar pessoalmente qualquer agência do BB ou ligar para a Central de Atendimento por meio do telefone 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (deficientes auditivos), para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco.

Os demais lotes serão liberados nas seguintes datas:

2º – 15 de julho
3º – 15 de agosto
4º – 15 de setembro
5º – 17 de outubro
6º – 16 de novembro
7º – 15 de dezembro”

O que eu irei fazer

Bom, com o dinheiro da restituição eu irei diversificar: uma parte irá para meu plano de investimentos, na verdade, a maior parte, uma vez que já gasto menos do que eu ganho, e, portanto, não tenho necessidade desse dinheiro para pagamento de despesas correntes, tendo em vista que o dinheiro do dia-a-dia já cobre tais despesas. Outra parte irá para consumo de pequenas coisas, mas apenas uma pequena parte, como recompensa por ter feito a coisa certa, ou seja, declarado tudo o que tinha que ser declarado, ter pago todos os impostos e ter cumprido todas as exigências previstas em lei. Finalmente, outra parte irá para doações: afinal, dinheiro é meio, e não um fim em si mesmo. 😉

E você, o que irá fazer com o dinheiro da restituição do imposto de renda? Deixe sua opinião na caixa de comentários!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: ter planejamento é essencial para se antecipar na entrega da declaração do imposto de renda. Se você quiser, em 2012, garantir a restituição já no mês de junho, ou apenas quer se livrar dessa obrigação tão cedo quanto possível (ou seja, nos primeiros dias de março), um artigo muito útil é o escrito pelo Augusto Campos no blog Efetividade.Net: Imposto de Renda: como declarar do jeito fácil – no ano que vem!

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15 Responses to O que fazer com o dinheiro da restituição do imposto de renda (IR)? Um roteiro com 4 dicas práticas!

  1. Luiz Antonio 13 de junho de 2011 at 9:13 #

    PGBL que não cobra taxa de carregamento??!!
    Isto existe mesmo??!!
    Cara, vou dá uma pesquisada na net, mas mesmo assim te peço antecipadamente para dizer o nome de algum PGBL com tal característica.
    Grande abraço, Luiz

    • Cristiano 13 de junho de 2011 at 9:21 #

      O do BB Estilo é um, e cobra taxa de 2% em renda variável. Para quem é cliente desse segmento, recomendo!

  2. Cristiano 13 de junho de 2011 at 9:37 #

    Guilherme, parabéns pelo artigo! Como sempre, assuntos interessantes.

    Tenho dois comentários a fazer, a saber:

    1. Enquanto você prefere receber a restituição o mais rápido possível, eu prefiro receber no último lote. Por isso, declaro quase no final do prazo no último dia (esse quase no final é para não enfrentar o provável congestionamento na entrega, arriscando não conseguir entregar no prazo). Como não vou precisar da restituição para quitar dívidas, prefiro deixá-la rendendo SELIC integral pelo maior prazo possível. Que outro investimento seguro daria isso tão fácil?

    2. Quanto ao seu comentário:

    o pagamento do imposto de renda, nos casos de aplicação em PGBL com dedução dos 12% da renda bruta tributável, é apenas diferido no tempo. Ou seja, o imposto de renda, na fase de recebimento de benefício, será cobrado sobre todo o patrimônio investido.

    está parcialmente correto. Na contratação de um plano, você pode optar por dois tipos de tributação: progressiva compensável ou regressiva definitiva. O tipo que você descreveu é a progressiva compensável. Já na regressiva definitiva, o valor do imposto a pagar diminui à medida que o recurso fica aplicado por mais tempo, começando em 35% para aplicações com até 2 anos e chegando a até 10% para as acima de 10 anos. Portanto, para quem pretende deixar os recursos aplicados por mais de 4 anos, a tributação regressiva passa a ser mais vantajosa (para mais de 10 anos, MUITO mais vantajosa). Infelizmente, como já disse, a opção pelo regime tributário é feita na contratação do plano, não sendo possível modificá-la posteriormente.

    Um link antigo, mas que descreve bem as diferenças entre os tipos de tributação:

    https://www.brasilprev.com.br/institucional/conheca/c_noticiasint.asp?cod_news=12

  3. Gustavo 13 de junho de 2011 at 10:26 #

    Eu vou separar parte da restituição e guardar para pgar os encargos de janeiro do ano que vem, ou seja, IPTU e IPVA, além de outras despesas corriqueiras.

  4. Flavio 13 de junho de 2011 at 10:31 #

    Faço igual ao Cristiano: entrego sempre quase no fim do prazo.

    Além de render Selic integral, os ganhos não são tributados!

  5. Jônatas 13 de junho de 2011 at 11:07 #

    Interessante a visão do Cristiano e do Flavio: deixar para o final para receber SELIC integral. Gostei.

    Eu usarei minha restituição para a reforma da casa. Minha casa está alugada, o contrato vence no final do ano e voltarei a morar nela em 2012. Farei algumas melhorias para o meu conforto.

    Abraço!

  6. Guilherme 13 de junho de 2011 at 12:23 #

    Luiz Antonio, além dos planos do BB Estilo, há também planos:

    – do Bradesco Prime, para determinados valores de aportes (nesses casos, o gerente faz a comercialização de um produto do Bradesco Private para os correntistas Prime, a depender, sempre, de autorização da matriz e do volume investido);

    – da Icatu Hartford, para aportes mensais mínimos de R$ 500;

    – do HSBC, vide o caso do Heavy Metal Investimentos: http://heavymetalinvestimentos.blogspot.com/

    Cristiano, ótimas observações! No que tange à opção pelo recebimento da restituição, realmente há diversas possibilidades de recebimento no tempo, e isso varia segundo os gostos, as preferências e as opções de cada investidor/contribuinte. Eu, pessoalmente, gosto de receber o quanto antes, pela criação de um fluxo de caixa extra numa época onde não recebo, normalmente, outras verbas extras, como décimo-terceiro salário, restituições de Nota Fiscal Paulista, e férias.

    Quanto à questão do recebimento da SELIC/CDI integral, há outras alternativas como LCIs, por exemplo, mas o montante inicial geralmente é alto, ou rendimentos de fundos imobiliários (embora, no atual quadro, não exista nenhum FII com yield anualizado que bata a SELIC).

    Gustavo e Jônatas, bem interessantes suas estratégisa!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Gui 13 de junho de 2011 at 17:38 #

    Eu pensei que ia acrescentar, mas já abordaram o assunto nos comentários. Não é uma boa declarar cedo, receber a restituição e investir o dinheiro, porque o investimento mais rentável seria simplesmente declarar mais tarde, pra receber no último lote, sem pagar impostos, tarifas, etc!

    Se o interesse em declarar logo é se ver livre desse roubo institucionalizado, ou se precisa do dinheiro pro quanto antes, aí é outra coisa.

    • Fernando H Rosa 17 de junho de 2011 at 21:48 #

      Um argumento que já vi para protelar a entrega e demorar mais a receber a restituição é que a receita paga 100% da SELIC, sem incidência de imposto, sobre o valor devido. Poucos investimentos oferecem 100% da SELIC garantida, e nenhum deles com isenção de imposto de renda/IOF.

  8. Guilherme 13 de junho de 2011 at 18:11 #

    Gui, essa questão de declarar cedo ou não é uma questão subjetiva. Há pessoas que irão preferir declarar mais cedo, outras que preferirão declarar mais tarde.

    A Receita Federal entende que é uma vantagem receber antecipadamente a declaração, uma vez que coloca os idosos na prioridade na lista de espera. Ou seja, quem é idoso não tem escolha: mesmo fazendo a declaração aos 45 do segundo tempo, irá receber já depois da amanhã o dinheiro.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  9. MJC 14 de junho de 2011 at 11:26 #

    É, esse ano não vou receber nada. Pelo contrário, tive que pagar. Engraçado que ainda não debitaram da minha conta. Quando que é, alguém sabe?

  10. Guilherme 14 de junho de 2011 at 12:28 #

    MJC, se você escolheu o pagamento em débito automático, esse link http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2011/pagamento/debito-automatico.htm da Receita Federal lhe pode trazer informações úteis a respeito!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  11. Guilherme 19 de junho de 2011 at 22:33 #

    Fernando, realmente existe essa opção de adiar a entrega da declaração para receber a restituição acrescida do maior valor possível de correção monetária. Vai das estratégias de cada pessoa. Vale lembrar, por fim, que há alguns poucos investimentos que não pagam imposto de renda sobre o lucro, como as letras de crédito imobiliário.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  12. Fernando H Rosa 8 de julho de 2011 at 14:59 #

    Curiosamente consultei o segundo lote hoje e minha restituição saiu também. Engraçado, porque demorei para entregar a declaração (só entreguei por volta do dia 20 de março). Isso quer dizer que provavelmente a maioria das pessoas entrega MUITO atrasado ou perto do final do prazo…

  13. Guilherme 14 de julho de 2011 at 9:37 #

    Parabéns Fernando! E que coisa essa informação, hein!? Parece que realmente a esmagadora maioria dos contribuintes deixou para fazer o dever de casa na última semana de prazo…

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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