E por falar no assunto de ontem…

Olá, pessoal, a vida tá meio corrida por aqui, e eu “quase entrei em crise” (rsrsrsrs….) por não conseguir publicar um post para essa quinta-feira. Mas como eu sou brasileiro e não desisto nunca….kkk…… estou eu aqui com uma dica.

Ontem, eu disse que cerca de 90% dos fundos de gestão ativa perdem para o mercado, representado pelos fundos de índice passivo. Mas a situação é pior – para o lado dos gestores ativos – do que eu imaginava. De acordo com o programa da Mara Luquet, na rádio CBN de ontem, baseado em estudos feitos pelo JP Morgan, só 7% dos fundos de gestão ativa ganham do mercado. 93% apanham. Dureza, hein!? 😆

No final do programa, há algumas dicas para encontrar esses 7%, que a Mara ouviu de especialistas, mas que você, leitor informado que é do blog Valores Reais, não irá seguir de jeito algum:

– esses fundos que ganham dos índices de mercado cobram taxas mais altas de administração: é verdade. E é principalmente por causa disso que você deve fugir desses fundos. Afinal, você não sabe se o gestor ganhou do índice com base em supostas habilidades ou em sorte. Na maioria das vezes, é por sorte – como inclusive eles próprios reconhecem quando dão entrevistas…

– a maioria das pessoas compram fundos que bateram o mercado no último ano: é a tradicional e míope visão de curto prazo. Mas o pior nem é isso. É que os fundos que apresentam histórico de longo prazo de ganhos acima dos índices são os que tendem a justamente terem o pior desempenho nos próximos anos. Tudo por conta do efeito da regressão à média – “reversion to the mean” – que é a mais poderosa lei dos mercados financeiros, como diz noss mestre John Bogle.

Vou acrescentar mais alguns comentários.

Esqueça os fundos de gestão ativa. Nós só sabemos que eles ganharam do mercado depois que performaram. Nós só sabemos quais fundos de gestão ativa tiveram desempenho fantástico em retrospectiva. O desafio é saber quais fundos, hoje, terão desempenho superior aos índices de mercado, nos próximos anos. E, como ninguém tem bola de cristal, esqueça-os, aina mais considerando que a maioria deles cobra taxas de administração pesadíssimas!

O Portal Exame publicou os “melhores fundos de ações de 2010”. Esqueça-os também. Tem fundo listado lá que, além das nada modestas taxas de administração, ainda cobram taxas de performance, taxas de saída e exigem uma aplicação mínima inicial enorme. Tudo sem garantia de nada, ou seja, não há garantia alguma de que eles continuem a bater o índice nos próximos anos. E, se bater, não se saberá se isso se deve a habilidade ou sorte. E tem mais: vários deles são fundos de small caps. Comparar um índice large cap, como o Ibovespa, com um Índice Small Caps é dose, hein!? 😛 Ainda mais considerando que, no ano passado, enquanto o IBOV rendeu 1%, os Small Caps renderam quase 20%. Covardia, né!? 🙁

O problema é que em 2012 teremos um novo ranking dos “melhores fundos de ações de 2011”, e de novo veremos comparações completamente distorcidas da realidade, e fundos diferentes dos listados no ranking desse ano, que foram diferentes dos listados no anterior, e assim por diante. Quem aguenta ficar trocando de fundo a cada ano, pagando taxas de administração, impostos ou realizando prejuízos? Não seja a vítima desse mercado que está doidinho para tirar tantos reais quanto forem possíveis de seu suado dinheiro. Não vá para o dark side do mundo dos investimentos… venha para a força….passive investing…………hehehehe!!! 😆 😆 😆

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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17 Responses to E por falar no assunto de ontem…

  1. MJC 20 de janeiro de 2011 at 7:24 #

    No livro “O Investidor Inteligente”, tem uma passagem falando sobre isso. Resumidamente: Em um ano, Graham pegou os fundos e classificou por ordem de desempenho. No eixo x, em primeiro lugar, o primeiro fundo. Em segundo lugar, o segundo fundo e assim por diante. No eixo y, a rentabilidade do fundo. Era uma curva em forma de exponencial decaindo.

    No ano seguinte, ele manteve a posição no eixo x dos fundos e alterou apenas a rentabilidade de cada fundo. Embora a maioria esperasse a mesma exponencial (rendeu mais ano passado, então deve render mais esse ano), o que aconteceu foi uma curva totalmente aleatória.

    Moral da história: É isso que está aí no artigo.

    Achei essa curva interessante, e uma sugestão de post seria fazer isso para os fundos brasileiros (se tiver um histórico, claro).

  2. http://investindo-todo-mes.blogspot.com/ 20 de janeiro de 2011 at 9:01 #

    Boa ! Que a força esteja conosco!!

    Eduardo.

  3. Zé da Silva 20 de janeiro de 2011 at 10:29 #

    Cacetada !!! Só 7% !?!?!?

    Tá doido …
    Nunca imaginei que fosse tão ruim … =/

  4. Guilherme 20 de janeiro de 2011 at 10:45 #

    MJC, muito interessante essa parte do livro do Graham.

    Eduardo, que a força realmente esteja com a gente….rs

    Zé, pois é, esse número é bastante desanimador…. 🙂

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Finanças Inteligentes 20 de janeiro de 2011 at 13:38 #

    Tá aí um dos motivos que passo longe desses fundos. 7% é pouca coisa, ou seja, dados os devidos méritos ao gestor do fundo, pra mim é pura sorte. Como disse ontem, grande maioria desses gestores sofrem muita pressão e isso penaliza o desempenho.

    Mas mesmo assim quem prefere aplicar em fundos, sugiro fugir dos bancos comerciais e procurar empresas específicas de investimentos, administradoras e fundos. São bem mais profissionais.

    Abcs,

  6. BaRuÊ Invest 20 de janeiro de 2011 at 16:55 #

    Uma vez ouvi que 90% de investidores pessoa física perdem dinheiro na bolsa… Deve ser por volta disso mesmo.
    Fundos ativos são uma fria mesmo.
    O único problema que ninguem fala dos ETF´s é a liquidez muito baixa dessa classe de ativos no Brasil.
    Outro problema é sobre o resgate e distribuição de dividendos e juros sobre o capital próprio que no caso não passam para os donos das cotas. Tem que olhar tudo com muito cuidado e inteligência. Para cada caso a alocação em ETF´s deve variar. Cabe a cada um analisar qual a sua posição e alocar de maneira mais eficiente para o seu propósito de investimento.

    Abraços

  7. Leonardo 20 de janeiro de 2011 at 18:04 #

    Caramba… deu um nó! Como é dificíl investir… e pior ainda ter bons retornos!
    Fugir dos fundos dos bancos!? Como fazer? Como escolher… onde obter informações etc. e o ETF’s…

  8. Jônatas 20 de janeiro de 2011 at 18:26 #

    Não vejo segredo…. para o investidor iniciante ou leigo, invista em ETF e Tesouro Direto.
    Se a grana for pouca para investir na bolsa, entendo como pouca quantia menor que 800 reais mensais, invista apenas no TD.
    Minha visão é um pouco radical, fundos de bancos ou mesmo privados nem pensar. VGBL? Muito menos.
    Também o segredo é estudar sempre, ir aprendendo aos poucos e gradativamente e quando se sentir seguro, aí sim investir em ações de forma direta, ou realizar operações mais arriscadas.
    Aproveite para sugar o conhecimento de gente mais experiente e disposta a ensinar, este é o caso do Guilherme, aqui do VR, o Henrique, do HC, e o Finanças Inteligentes. Tenho aprendido bastante com eles e sempre que tenho dúvidas pergunto.

    Abraço!

  9. Fabio 20 de janeiro de 2011 at 20:38 #

    Se a idéia é seguir o mercado e ter retornos superiores, justamente pelo fenômeno do retorno à média, não se deve menosprezar as Small Caps. É sempre bom incluir um ETF que as represente junto ao ETF de Blue Chips, ainda que em proporções menores, pois eles tem correlação aproximadamente negativa. No caso brasileiro, em 2010, o investidor que fizesse isso teria se beneficiado da rentabilidade das empresas menores, sem se expor a risco excessivo, graças ao asset mixing. Supondo que o rebalanceamento ocorresse no início desse ano, a grana excedente das small caps passaria para as blue chips e, havendo o retorno à média, o investidor continuaria se beneficiando.

  10. Sávio 20 de janeiro de 2011 at 22:35 #

    Por falar em aprender, o Guilherme ja me disse que ETFs pagam dividendo sim, que sao distribuidos no próprio fundo aumentando o preço da cota. Ele pode explicar melhor do que eu.

    Abraços

  11. Gisely Chessed 20 de janeiro de 2011 at 23:33 #

    Não é à toa que a maioria das pessoas foge dos assuntos financeiros, é preciso interesse genuíno no assunto para não sair perdendo…

  12. BaRuÊ Invest 21 de janeiro de 2011 at 9:06 #

    O que eu falei é que não paga dividendos de forma direta. Eu pretendo viver de dividendos e passar pros meus filhos as minhas ações. Por isso que 100% ETF´s não é uma estratégia inteligente na minha opnião e no meu caso específico.
    Alocar de 20 a 40 % talvez seria uma boa opção.

    Abraços@Sávio

  13. Guilherme 22 de janeiro de 2011 at 11:10 #

    Baruê, os ETFs brasileiros distribuem os dividendos que são reinvestidos no valor das cotas, como o Sávio disse. Quanto ao fato de não serem distribuídos de forma direta, esse é um fator menos importante, na fase de acumulação de capital, pois nessa fase, o que efetivamente interessa é fazer o bolo crescer, e com os ETFs se faz isso de forma automática, sem custos adicionais de corretagem e gastando menos tempo. Na fase de usufruto, é perfeitamente possível converter os ETFs em ações e fundos imobiliários. Por último, recomendo que tome cuidado com esse pensamento de “viver de dividendos”, pois o que se expõe na mídia não necessariamente é o que melhor se ajusta a cada pessoa individualmente, ainda mais considerando os riscos inerentes ao investimento em empresas individuais. Nos últimos 10 anos, só 4 empresas pagaram dividendos que superaram os juros da poupança. Em breve vou publicar uma matéria a respeito.

    Jônatas, obrigado mais uma vez!

    Fabio, é uma ótima estratégia esse mix de large caps e small caps. 😀

    Gisely, concordo, o aprendizado deve ser contínuo!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  14. BaRuÊ Invest 24 de janeiro de 2011 at 11:56 #

    Fala Guilherme,
    Concordo com os riscos e etc de se investir em ações individuais, por isso de 20 a 40% em ETF´s é uma boa opção.
    Sobre a questão de dividendos você precisa fazer a análise de outra forma. Os dividend yelds são calculados de acordo com a cotação atual das ações. Se vc comprou VALE5 a 20 reais e daki 15 anos está custando 200 reais, e nakele momento o dividend yeld está em 6% a.a. quer dizer q vc vai receber 12 reais por cada ação e em relaçao ao capital inicial (20 reais) equivale a 60% a.a.
    Entendeu o que eu falei? Concorda? Vc acumulou 1 milhão em 15 anos e depois de 25 quando vc aposentar esse patrimônio vai estar em 5 milhoes por exemplo. 5% de 1 milhao pode nao ser muito mais 5% de 5 milhoes já é bastante… São valores hipotéticos só para vc entender a minha linha de raciocínio.
    É isso
    Abraços

  15. Guilherme 24 de janeiro de 2011 at 12:33 #

    Sim, entendi o raciocínio, Baruê: calcular o dy sobre o valor de compra da ação.

    O problema é que o futuro é muito incerto, daí a minha hesitação em relação a essa estratégia de dividendos. Basta dizer que nenhuma das blue chips do passado conseguiram se manter entre as 10+ do índice bovespa atual. O investidor deve focar não somente no lado dos dividendos, mas no conjunto da obra; dividendos + valorização do preço da ação.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  16. Investidor de Risco 3 de junho de 2012 at 12:14 #

    Por mais que se fala que estes fundos tem gestão ativa, a indústria de fundos não aceita resultados muito distantes do mercado… Na grande maioria das vezes, o que se busca é retratar o benchmark alvo de cada fundo. O que os bancos oferecem são produtos de prateleira, padronizados e que visam atender as grandes massas. Fundos cujo objetivo é manterem-se na média do mercado. E o pior, cobram taxas de administração bastante altas, que minam as possibilidades de obtermos bons resultados.

    • Guilherme 3 de junho de 2012 at 18:37 #

      “O que os bancos oferecem são produtos de prateleira, padronizados e que visam atender as grandes massas”.

      Melhor frase, impossível! 😀

      É isso aí!
      Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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