Gerentes de bancos não são seus amigos

Você conhece amigos que dizem ter um “ótimo” relacionamento com o gerente do banco, dizendo que o gerente é “seu amigo” do peito, que resolve tudo. Eu também conheço gente assim. A essa altura do campeonato a essa da leitura do blog, vocês já devem ter concluído quão ingênuos seus amigos são.

Uma coisa deve ficar bem clara: nessa relação entre você, cliente do banco, e seu gerente, empregado desse mesmo banco, sempre haverá conflito de interesses. Se ele não abriu a boca para lhe oferecer um título de capitalização, sorte sua. Mas com certeza ele já deve ter oferecido produtos de investimento, como fundos e CDBs. E, se você for uma pessoa com um grau mínimo de instrução financeira, deve ter recusado tais ofertas. E, se você for uma pessoa com um bom grau de educação financeira, deve não só ter recusado essas ofertas, como também dado uma pequena “aula” de investimentos a ele. E, se você for uma pessoa com um grau excelente de educação financeira, evita conversar esse tipo de assunto com seu gerente (quando conversa), preferindo falar sobre amenidades.

Não se engane: a indústria de investimentos não é sua amiga, e isso, obviamente, também vale para os gerentes de bancos, uma vez que eles fazem parte da indústria de investimentos, ou seja, estão inseridos nessa indústria.

Amigos são aqueles que:

– Você convida para jantar em casa ou para sair;

– Avisam a você quando vão sair de um emprego;

– Não tem interesse próprio em maximizar os interesses da empresa em que trabalham, em detrimento de seus próprios interesses, mexendo com seu bolso. Amigo que é amigo mexe com seu dinheiro?

Agora eu lhe pergunto: seu gerente se enquadra nesse perfil? E você ainda tem coragem de dizer que ele é seu “amigo”?  Só se for assim mesmo, “amigo” entre aspas. Que atire o primeiro real quem ainda não foi surpreendido ao saber que o gerente de seu banco mudou sem você ser avisado antes…

Como todo bom empregado, a prioridade do gerente de banco é aumentar os lucros da instituição financeira em que trabalha. Para isso, ele precisa cumprir “metas”. Metas essas que incluem: captar novos clientes para seus, em geral, horríveis planos de previdência privada complementar, fazer dinheiro entrar nos, via de regra, péssimos fundos de investimentos, conseguir novos títulos de capitalização, fazer você colocar seu dinheiro em produtos com altas taxas de administração, convidar você a usar “saque parcelado”, “crédito rotativo”, “cheque especial” e outras substâncias tóxicas à sua saúde financeira.

A proposta da indústria financeira de uma maneira geral é essa mesma: extrair o máximo que puder, em termos de taxas e comissões, de seu suado dinheiro.

É claro que todas as considerações acima não eliminam a utilidade de ter um gerente como um bom canal de comunicação dentro do banco, mas só para prestação de outros serviços, tais como: conseguir cartões de crédito com melhores taxas de conversão de pontos, conseguir cotação de seguros a preços mais razoáveis que os da concorrência, talvez até algum serviço de investimento mesmo, como alguma taxa melhor no CDB etc. Mas ainda assim eles estarão agindo a serviço do patrão: utilizar cartão de crédito significa tirar dinheiro de outros bancos; contratar seguros significa também a mesma coisa, e, portanto, maximizar os lucros do patrão. Não há almoço grátis. Embora possa haver alguma convergência de interesses entre banco e cliente, é inegável que o objetivo primário do gerente, como de qualquer outro bom vendedor, é maximizar os lucros do banco.

Não fuja da realidade: a indústria financeira, como qualquer outra indústria, tende a ganhar cada vez mais na medida em que houver cada vez mais desinformação e ignorância de seus clientes. Não pague o pato. Encare a realidade como ela é, e não como você gostaria que ela fosse.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Print Friendly, PDF & Email

30 Responses to Gerentes de bancos não são seus amigos

  1. Gisely Chessed 13 de janeiro de 2011 at 1:00 #

    Amigo do meu amigo ($$$$) é meu amigo rsrsrs
    Aprendí que não se deve escutar conselhos de quem ganha comissão para dá-los, salvo raras exceções.

  2. Jeferson da Luz 13 de janeiro de 2011 at 8:34 #

    Perfeito

    Uma vez fui ao banco para ajustar a conta conjunta com a minha mulher, dai o “peão” veio me oferecer plano de previdência privada…Falei o seguinte: Eu já faço depósitos mensais para compra de títulos do tesouro direto e assim formo um fundo de segurança para o futuro…O cara nem insistiu mais….hehe

    Abraço

  3. Camila 13 de janeiro de 2011 at 9:18 #

    Minha mae um tempo atras me pediu para investigar uma alternativa de investimento conservadora e eu de cara sugeri o Tesouro Direto.
    Quando ela foi ate o Banco do Brasil pedir para ter acesso a este servico (eu sei que em corretoras a taxa de custodia ‘e mais baixa, mas a minha mae quis ter tudo no mesmo lugar para ficar mais facil para ela gerenciar), a gerente tentou convence-la de toda forma que este nao ‘e um bom investimento, dificultou o envio da senha…
    Maravilha de “amigo(a)”, nao?

  4. Jônatas 13 de janeiro de 2011 at 9:37 #

    Guilherme,

    Os gerentes dos bancos são muito bons em angariar dinheiro para a instituição que eles trabalham, afinal foi para isso que eles foram contratados.
    Na verdade, poucos gerentes tem conhecimento sólido sofre investimentos e suas diversas alternativas, muitos só conhecem mesmo a cartilha do banco que trabalham.

    Abraço!

  5. http://investindo-todo-mes.blogspot.com/ 13 de janeiro de 2011 at 9:47 #

    Guilherme,
    A pouco tempo cai na real e cancelei o meu plano de previdência para investir no TD, graças aos execelentes posts como os do VR, que encontramos para nos ajudar a trilhar o rumo certo da independência financeira.
    Será que podemos incluir no segmento dos gerentes de bancos os corretores de uma corretora de investimentos?

    Abçs!
    Eduardo

  6. http://investindo-todo-mes.blogspot.com/ 13 de janeiro de 2011 at 9:53 #

    ah sim ! e quando cancelei o plano de previdência, veio aquela resistência da funcionária do banco, ai foi o momento da aula de investimento,, dei uma aula em tesouro direto para ela que mal sabia debater sobre o assunto, dai acabei recomendando para ela o tesouro também rs

    Eduardo.

  7. Arthur 13 de janeiro de 2011 at 11:05 #

    No meu caso, a gerente do BB não é “amiga” nem para dar bom dia… Ê simpatia…

  8. Finanças Inteligentes 13 de janeiro de 2011 at 12:01 #

    Gerente de banco tem meta e quem define é o banco. Não adianta ele querer vender títulos do tesouro se o banco estipula uma meta pra ele vender X reais de previdência no mês por exemplo.

    Agora estão qualificando os gerentes com certificado da AMBID, o que não muda nada pois os gerentes terão que oferecer produtos dentro de sua meta. Gerente nada mais é do que um bom vendedor de produtos e serviços bancários.

    Abcs,

  9. Guilherme 13 de janeiro de 2011 at 23:22 #

    Ótimos comentários, pessoal, todos alinhados com o meu pensamento!

    Eduardo, dá sim, pra equiparar os corretores com os gerentes. Os corretores te incentivará a fazer o máximo de corretagens possíveis, operando no curto prazo.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  10. Jean Paulo 14 de janeiro de 2011 at 1:01 #

    Já tive muitas infelicidades com a gerente do meu banco, que na verdade nunca consigo falar com ela, mas enfim.. Na última vez que liguei para minha agência para me informar sobre investimentos, na época que se fez o pedido das debêntures do BNDESPAR, o gerente que me atendeu disse: – Você quer informações sobre o quê?? Debêntures, disse à ele. Ele me disse, debe o qq?? Olha senhor, não tenho nenhuma informação sobre isso. Eu com muitas raiva disse que não era possível ele não saber. Era um produto que a instituição que ele trabalhava estava fazendo tais reservas. Ele me disse não ter conhecimento sobre o assunto. E deixou por isso mesmo. Nem se ofereceu a saber para me informar posteriormente.
    É este tipo de funcionário que temos a disposição para ´´gerenciar´´ nosso movimento bancário!
    Infelizmente..

  11. Flavio 14 de janeiro de 2011 at 11:57 #

    Acho que já contei isso aqui: uma vez liguei pra minha gerente pra perguntar algo, não lembro o quê, e ela ficou tentando me convencer a tomar um empréstimo a 4% ao mês para investir em ações da Vale, que naquela época estavam subindo bastante.

    Você pode até ter um amigo gerente, mas nunca vai ter um gerente amigo.

    A avó de uma amiga minha chegou a fazer, orientada pelo gerente do banco, um PGBL. Na boa: isso é desonestidade e falta de caráter. Sorte que eles conseguiram cancelar o negócio a tempo.

  12. Nádia 14 de janeiro de 2011 at 15:51 #

    Tive um episódio que ilustra o texto ainda em dezembro.
    Liguei para o meu gerente solicitando um aumento no meu limite do cartão de crédito. Pois queria comprar um presente de Natal especial pra minha mãe e necessitava de um limite maior para tal.
    Alguns minutos depois ele retornou a ligação, informando que por algum motivo não fora possível o aumento de limite pretendido. Agradeci e já ia desligar quando ele me parou e disse que tinah uam otima solução alternativa. Disse que podia facilmente me fazer um empréstimo, já que eu possui margem e blá blá blá. Fiqeui tão chocada com o absurdo que acabei sendo até meio histérica na resposta. Algo do tipo: “Tá louco? Vou tirar um empréstimo pra comprar presentes de Natal??? Sem chance!”

  13. Guilherme 14 de janeiro de 2011 at 22:30 #

    Jean, é fogo mesmo!

    Flavio, coincidência ou não, foi isso que aconteceu comigo também!! Ou seja, a gerente me disse que um irmão dela estava pegando dinheiro emprestado no CDC pra investir em ações da Vale…. isso em 2007… só falta vc me dizer que essa gerente era do BB!!!

    Nádio, compartilho do seu sentimento de decepção. Temos que espalhar educação financeira pras pessoas!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  14. Flavio 15 de janeiro de 2011 at 11:24 #

    Guilherme, a gerente era do BB!!! E também foi em 2007!!! Não deve ter sido a mesma gerente pois eu moro em Brasília. Será que eles receberam orientação para empurrar CDC para quem comprava ações na época? Não duvido nada!

  15. Guilherme 15 de janeiro de 2011 at 23:33 #

    Caraca, Flavio, que baita coincidência!!!! rsrsr

    Apesar de não ser a mesma gerente, deve ter dado uma “epidemia doida” neles de fazerem isso…..!!!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  16. Anonimo 13 de março de 2011 at 18:41 #

    Lembro-me de um caso que um conhecido me comentou que ocorreu em um grande banco brasileiro. Um senhor de idade, de pouco mais de 70 anos, tinha investimentos vultuosos no Banco. Coisa de 6 casas decimais. Sua gerente ‘muy amiga’, convenceu o coitado a tirar todo o dinheiro que ele tinha em investimentos, poupança, etc, e comprar um volume absurdo de titulos de capitalização. Sozinha, essa gerente vendeu mais volume de TC que toda a regional que ela trabalhava. Ganhou em dinheiro o equivalente a um carro de luxo só em bônus. E o coitado do Sr perdendo muito dinheiro…

    Até que o filho mais velho do sr descobriu o que estava ocorrendo e armou um barraco enorme, ameaçando processo jurídico contra o dado banco caso o dinheiro não fosse devolvido e fosse paga a rentabilidade que ele estava tendo anteriormente. A gerente acabou na rua e tendo que devolver do bolso os bonus recebidos…

  17. Guilherme 22 de março de 2011 at 12:52 #

    Anônimo, ótimo depoimento!

  18. Val 11 de abril de 2011 at 12:25 #

    Recentemente, vendi meu carro e optei por quitar um empréstimo que tinha no BB… Ô banco dos infernos. Pois bem, fui lá fazer isso. Vocês acreditam (que pergunta… ) que o gerente ficou tentando me convencer a não quitar o empréstimo porque eu tinha pego a taxa de 1,83% ao mês? Eu disse que não. Daí ele tentou me convencer a contratar seguro, titulo de capitalização, e eu dizendo não. Afff… o “homé” fez uma cara feia enorme quando eu me mantive firme no meu propósito de quitar o empréstimo. Affff… ninguém merece!

  19. Guilherme 11 de abril de 2011 at 20:49 #

    Val, parabés pela atitude firme!

    Temos que ser firmes e rigorosos contra pessoas que tentam nos empurrar produtos de péssima qualidade.

    Falando de um exemplo meu: qual não foi a minha surpresa ao ver debitada em minha conta uma tarifa bancária indevida. E o gerente ainda tentou se justificar. Temos que ter pulso firme e dizer “não” aos abusos bancários!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  20. Jean Paulo 14 de julho de 2011 at 15:11 #

    Tive um episódio interessante com a gerente do meu banco. Depois de ter escrito aqui, parte de minha indignação, tive um conselho de meu pai, que disse para quando não conseguir resolver as coisas com o banco, pedir o telefone da OUVIDORIA.
    Foi simples. Precisei de um aumento de limite para pagamento de um boleto pelo home banking. Depois de tanta burocracia que eles não resolviam meu problema, pedi para me passarem o telefone da OUVIDORIA. Logo em seguida a atendente pediu um minuto e passou para uma outra pessoa que tentou resolver meu problema. Ele inclusive passou seu telefone pessoal para que eu pudesse ter um atendimento mais rápido. (Veja só como mudam as coisas)!!
    Enfim, no dia seguinte, a gerente do meu banco me ligou. Fiquei assustado! Pois nunca tinha conseguido falar com a tal mulher! Ela me atendeu super bem, disse que resolveria os meus problemas no banco. Disse que eu tinha uma profissção que todos deveriam ter, pois assim todos seriam diferentes, calmos, sensíveis etc.. Olhe só onde chegou o atendimento do ´´bradescão´´, como você disse!! Ela aumentou o limite do meu cartão de crédito em quase três vezes, na hora desta ligação, e resolveu a questão do aumento do limite. Isso tudo por telefone! Detalhe que os funcionários tinham dito que isso só pessoalmente!
    Pois então fica claro, e evidente que quando se coloca pressão, eles fazem o serviço.
    Fica uma sugestão/conselho.
    Quando você não estiver sendo atendido de forma coerente com seu gerente ou funcionários do banco, use a frase mágica: Me passe o número da OUVIDORIA! Pelo jeito a Ouvidoria resolve as coisas, e realmente faz valer nossos direitos, pelo menos nestes casos.
    Parabéns pela relevância dos temas abordados no site!

    Valeu!

  21. Guilherme 15 de julho de 2011 at 10:49 #

    Jean, excelente seu depoimento! Fica aqui a dica para os leitores do blog: usem os serviços de SAC e Ouvidoria de seus bancos!

    Eu mesmo tive péssimas experiências com um ex-gerente do Itaú, a respeito de cobrança indevida de tarifas, inclusive com provas documentais, oriundas do próprio Itaú. Mesmo mostrando-as para o gerente, esse se mostrou antipático e resistente a reconhecer meu direito. Fui para a Ouvidoria, onde eu coloquei tudo o que tinha que colocar, e pimba! A questão foi resolvida em questão de um dia útil. Eu não sei se é verdade, mas me parece que os gerentes apresentam pontuação negativa quando um cliente reclama na Ouvidoria, e apresentam razão. A ouvidoria do Itaú funcionou muito bem nesse caso. Ah, é claro que eu mudei de gerente – e de agência também – depois desse tratamento desrespeitoso por parte do gerente de conta. O atendimento com a nova gerência melhorou muito.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  22. JJ 1 de outubro de 2011 at 17:06 #

    Realmente isso é verdade. Trabalho em um banco e logo que entrei comecei a descobrir vários coisas que me deixaram chateados, depois você acaba meio que “acostumando”.
    1) Você trabalha para o banco e não para o cliente. O seu patrão vai te cobrar cada vez mais metas de vendas de produtos e captação de dinheiro. Como as metas são muito pesadas e

  23. Carlos 1 de outubro de 2011 at 18:16 #

    Realmente isso é verdade. Trabalho em um banco e logo que entrei comecei a descobrir vários coisas que me deixaram chateados, depois você acaba meio que “acostumando”.
    1) Você trabalha para o banco e não para o cliente. Você vai ser cobrado diariamente por metas de vendas de produtos e captação de investimentos. E essas metas sobem a cada mês. Por exemplo: Sua meta para Capitalização de 2 mil e para Previdência é 5 mil, com 22 dias úteis. No final da semana seu chefe vai te perguntar quanto vendeu ou captou (ou chegar diretamente no sistema), e dizer quanto ainda falta, a importância das metas e assim por diante. Se vc estiver ruim nas vendas ainda vai levar uma bronca. Se você não atingir suas metas no mês anterior, ainda vai ter que cumpri-las junto com as metas do mês seguinte.
    2) Como você tem metas para bater, assim como sua agência, você não vai oferecer para o cliente o que é melhor para ele, mas o que é melhor para ele dentro das suas metas. Por exemplo: O cliente chega para investir 5 mil e pretende deixá-lo aplicado por 3 anos, logo o melhor para ele seria um TD, uma poupança. Mas, nenhuma desses dois fazem parte das metas. Tesouro Direto então, nem pensar, já que é um produto que concorre diretamente com os fundos do seu banco (ou de qualquer banco, por isso todos os gerentes o “odeiam” e tenta te convencer a aplicar em outra coisa). Como ele não tem conhecimento de aplicações ou do mercado financeiro (são poucos os que realmente têm) e nenhum dos dois produtos faz parte da sua meta, se você vendê-los ainda vai receber uma bronca do seu chefe por “ter perdido a oportunidade de fazer negócios”. Usando as metas do item 1, logo você vai “empurrar” para ele a capi ou a previ, de acordo com o que falta das suas metas (uns mil em capitalização e 4 em previ privada).
    3) “Todo um funcionário de banco é um vendedor”. Foi a primeira coisa que ouvi ao ser contratado. “Ou você vende ou você está demitido”, foi o que ouvi dos colegas mais antigos. E é assim mesmo. Com isso você vê alguns absurdos como uma de uma senhora, que havido juntado um suado dinheirinho e queria aplicar no melhor investimento e acabou, por sugestão do gerente, aplicando tudo em capitalização (aquele tipo que nenhum funcionário conseguia vender e que a meta era altíssima) ou de uma senhora com 90 anos, que recebeu uma indenização e era isenta de ir e aplicou o dinheiro em PGBL. Muitas vezes os pessoal esconde as desvantagem dos produtos, enfocando somente nas suas vantagens.
    4) Todo o serviço que você faz no banco (abertura e encerramento de contas, resolver problemas para os clientes, etc…) que consome cerca de 80% do seu tempo, é sua obrigação, mas não entra na meta. Entra as vendas dos produtos do banco (capitalização, previdência, seguros, cheque especial, empréstimos, cartão de crédito) principalmente aqueles produtos que ninguém precisa. E o tempo todo é ameça de demissão. Com o tempo, você acaba optando pelo seu valores morais ou pelo seu emprego. O assédio moral é altíssimo.
    5) O bancos lucram mais a cada ano, no 1º semestre de 2011 comparado com 1º de 2010 teve um aumento de 21%, mas enxugam o quadro de funcionários (demitindo e não recontratando). E ainda dão aumento irrisórios (0,4 de aumento real acima da inflação proposto para 2011). Eles lucram mais porque as metas aumentam mensalmente. Se você não conseguiu cumprir a meta de 100, imagina a de 120 do mês que vem. Portanto meus amigos, você vai empurrar tudo que puder para o primeiro cliente “otário” que sentar na sua frente. Não porque você gosta, pq é mau ou qualquer coisas do gênero, mas porque esse é o seu trabalho. Sempre que um gerente de banco lhe indicar um produto, pense várias vezes antes, pesquise e verifique tudo antes de assinar o contrato, porque depois que assinou você está preso nele. Isso não ocorre só com os bancos, mas também com corretores (seguros, imóveis, etc); vendedores de loja em geral e assim por diante.
    6) Ouvidoria só funciona em partes. O que eles fazem é anotar a reclamação e encaminhar para o gerente do cliente responder (as vezes o mesmo que fez a m….). A agência como um todo é pontuada negativamente e não apenas o gerente (a menos que a pessoa faça uma reclamação pessoal de determinado funcionário). Se o que aconteceu está precedido pelo regimento interno do banco, então o gerente está amparado e pode justificar sua posição. Se não, seus colegas caem em cima e ele tem reparar o erro e até se justificar perante seu chefe, o superintendente se for uma coisa grave por exemplo. Muitas vezes vem uma ordem de cima, mas essa ordem não está nas normas. Se você desobedece a ordem recebida é punido (podendo até ser “remanejado” dependendo do caso); se você a faz cumprir e alguém reclama, principalmente no Bacen, tudo mundo tira o corpo fora e você também é punido.
    E para finalizar, tem um monte de cliente tentando te passar para trás, conseguir vantagens que não podem ou fazer procedimentos contrários as normas. E quando você não faz, ainda fazem escanda-lo, xingam Deus e o mundo e ligam para ouvidoria reclamando. E ainda tem a “cara de pau” te antes de ir embora virarem para você e dizerem que o “cliente tem sempre razão”.

  24. Renato C 2 de outubro de 2011 at 0:38 #

    Olá Carlos,

    Muito interessante e sincero o seu depoimento ! Obrigado por compartilhar !

    Acredito que muito do que é feito em bancos faz parte de um caráter comercial lícito, porém há uma linha tênue (muitas vezes ultrapassada por alguns maus profissionais) em que o que se configura já faz parte mesmo de uma falta de caráter e de moral, independentemente de qualquer meta.

    Até !

  25. Jean Paulo 2 de outubro de 2011 at 9:36 #

    Interessante… Tudo isso confirma tudo que é discutido aqui no blog. Bom saber..Por isso é importante participarmos de ferramentas como esta para entender o universo alheio, o que está do outro lado do balcão, da linha, do interesse..
    Muito proveitosa esta discussão!

  26. Guilherme 2 de outubro de 2011 at 18:48 #

    Carlos, muito bom o seu depoimento, como afirmado pelo Renato e Jean!

    Isso só vem a confirmar o que vínhamos discutindo nesse tópico. Seus comentários validam – e muito – as teses aqui sustentadas!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  27. Fernando Lima Gama Junior 15 de janeiro de 2012 at 23:45 #

    Gustavo,

    Lendo os seus posts, vejo que você, em regra, é contra a previdência privada. No entanto, eu tenho vários planos de previdência privada e, acredito, tenho tido relativo sucesso. No BB, por ser ex-funcionário, não pago taxa de carregamento. Além disso, como eu já tenho ele há 4 anos, minha alíquota de resgate caiu para 25%, menos do que eu pago de imposto de renda (27,5%). Portanto, se eu permanecer no plano por 10 anos, vou pagar apenas 10% ao invés de 27,5%, vou ter recebido restituição de IR, reaplicadas, e, ao meu ver, isso é um bom negócio. Abri uma no Itaú que me cobra 3% de carregamento, não fiz as contas ainda para ver se ainda assim é um bom negócio, mas, parece que sim.

    Qual a sua opinião sobre isso?

  28. Guilherme 17 de janeiro de 2012 at 20:15 #

    Fernando, a taxa de carregamento do Itaú está cara, procure negociá-la para valores mais baixos. O que mais impacta os planos é a taxa de administração.

    Infelizmente, no Brasil, os produtos PGBL, salvo algumas raras exceções, são produtos ainda bem caros. Sugiro a leitura desse excepcional artigo para saber mais a respeito: http://viverderenda.blogspot.com/2009/12/como-perder-dinheiro-com-planos-pgbl-e_17.html

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Trackbacks/Pingbacks

  1. A matemática não mente – Parte 2! Tesouro Direto está dando um banho nos fundos de renda fixa dos bancos de varejo. « Valores Reais - 12 de setembro de 2011

    […] menos retorno líquido de volta para sua conta. Esqueça nomes de grife (!!!), gerente amiguinho (ou não tão amiguinho assim), e outros fatores emocionais que nada tem a ver com gerenciamento correto das finanças pessoais. […]

  2. [Guest post surpreendente] Confissões de um gerente de banco… « Valores Reais - 5 de outubro de 2011

    […] artigo Gerentes de bancos não são seus amigos, recebemos, de um leitor que trabalha em um banco, um comentário tão rico em detalhes a respeito do que costuma ocorrer no ambiente interno das instituições bancárias, que resolvemos […]

Deixe uma resposta

Powered by WordPress. Designed by Woo Themes