Nem tudo o que é mais barato em termos de dinheiro, é mais barato em termos de tempo

Agora há pouco, resolvi checar os preços de conexão à Internet de uma operadora de telefonia fixa. Há opções para todos os gostos – velocidades – e bolsos nos planos de conexão banda larga. Mas há, também, uma opção que é muito mais barata, a de Internet discada. Só que tem um porém: ela é muito mais lenta. O plano de banda larga mais em conta sai por cerca de R$ 50. Já o de Internet discada, por aproximadamente R$ 10. O problema é que, ao economizar no dinheiro, estarei gastando com o tempo. Quem viveu a era da Internet discada sabe como demorava para as páginas serem carregadas. É um caminho sem volta: quem experimenta banda larga nunca mais quer retroceder. Só que há um custo para isso. Paga-se mais dinheiro, mas se ganha tempo. Esse é um benefício cujos custos, aparentemente,  para boa parte das pessoas, compensam.

Outro exemplo. Vejam o caso de algumas viagens no Brasil, que talvez você próprio faça, para visitar amigos e familiares. Há duas opções disponíveis: pagar R$ 100, e gastar 5 horas dentro de um ônibus, ou então pagar o dobro, R$ 200, por uma viagem de avião que durará 45 minutos. E aí, o que fazer? Você pode economizar no dinheiro, viajando de ônibus, mas estará gastando um tempo precioso, que poderia ser economizado, através da eliminação da economia de dinheiro (não estou defendendo viagem de avião em vez de ônibus, apenas exemplificando com uma situação prática).

Terceira situação. Você resolveu fazer seu orçamento doméstico, e, por conta disso, decidiu abolir as refeições em restaurante, preferindo fazê-las em casa. Ótimo, é uma medida muito interessante, haja vista que, como já discutimos aqui no blog, um item que desequilibra qualquer orçamento doméstico é o excesso de refeições fora de casa. Porém, há determinados momentos do mês em que é simplesmente impossível gastar tempo preparando os pratos: talvez você esteja precisando urgentemente ocupar seu tempo com a conclusão de algum projeto de trabalho importante. Nesses casos, fazer valer a opção que o dinheiro lhe dá, de economizar tempo, parece ser a melhor alternativa.

Os exemplos são inúmeros, e eu poderia discorrer durante vários e vários parágrafos sobre situações semelhantes às descritas acima. Elas servem para ilustrar uma das funções mais importantes do dinheiro: dinheiro compra tempo. E tempo comprado, tempo livre, significa liberdade para fazer escolhas que mais adicionem valor à sua vida. O dinheiro não serve apenas para comprar mercadorias, bens e serviços. Ele serve para agregar utilidade e qualidade ao tempo que você quer desfrutar.

Portanto, você não deve se martirizar na busca de soluções para economizar o máximo de dinheiro possível, a ponto de se privar de um tempo que é igualmente precioso para você. Você também deve encontrar meios de fazer seu tempo ser economizado, pois é, afinal de contas, na dimensão temporal que você vive, e não numa suposta dimensão “dinheiral“.

Lembre-se de que o tempo, ao contrário do dinheiro, é um bem mais valioso, porque você não tem como recuperar 10 horas – que foram perdidas numa conexão mais lenta à Internet, que poderiam ser economizadas contratando um serviço mais rápido; ou numa viagem a aquele destino, que poderiam ser poupadas pagando aquele serviço; ou numa refeição; que poderiam ser economizadas comprando pratos semi-prontos, marmitas ou indo a restaurantes; ou _____________, que poderiam ser melhor utilizadas se você gastasse seu dinheiro com ________________ (fique à vontade para colocar o exemplo que você mais utiliza).

Conforme eu expliquei no artigo O que o dinheiro compra, o que o dinheiro é (aliás, um dos meus artigos prediletos do blog):

O dinheiro nada mais é do que uma ferramenta para melhorar a qualidade de sua vida. O dinheiro constrói a proteção dentro da qual as pessoas podem valorizar e mesmo curtir os bons momentos em que optam por gastar seu tempo”.

Capisce? Ora, se o dinheiro é uma ferramenta, por quê não utilizá-la? É claro que é importante poupar dinheiro visando formar reservas financeiras e construir um plano de independência financeira. Afinal, o futuro um dia vai chegar. Mas acontece que você não vai viver só só no futuro. Daí a importância de não economizar como se estivesse prendendo a respiração debaixo d’água.

Portanto, lembre-se sempre disso: se o tempo é importante para você, comece a pensar em seu dinheiro como um meio para fazer seu tempo render mais. Em que áreas de sua vida o tempo pode ser comprado? Que tipo de produtos, mercadorias ou serviços poderão lhe dar um ganho extra de tempo?

Como eu disse em outro artigo,

“Que você tenha sabedoria e inteligência no uso correto dessa ferramenta, e que faça dela uma boa ferramenta para incrementar e alavancar a sua qualidade de vida”.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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7 Responses to Nem tudo o que é mais barato em termos de dinheiro, é mais barato em termos de tempo

  1. Gisely Chessed 20 de dezembro de 2010 at 1:17 #

    Qual a graça de acumular dinheiro e viver de forma mesquinha? Nenhuma. Eu penso assim: só tenho 32 anos agora, meus filhos só tem essa idade agora, algumas coisas não voltam, então com um bom planejamento é possível desfrutar a vida agora e futuramente. O tempo é um fator extremamente importante no meu plano de investimentos.

  2. Jônatas 20 de dezembro de 2010 at 9:01 #

    Guilherme,
    O mais difícil é manter o equilíbrio. O que percebo é que muitos são radicais em relação a dinheiro, ou gastam em demasia ou economizam de forma mesquinha. Essa análise da relação Tempo Economizado x Dinheiro Gasto deve ser sempre levada em questão e nunca negligenciada.
    Abraço!

  3. Finanças Inteligentes 20 de dezembro de 2010 at 11:28 #

    Essa frase foi muito bem colocada: “dinheiro compra tempo”. E nós vedemos boa parte desse tempo todos os dias em troca de um salário no final do mês. Logo, o tempo que sobra deve ser aproveitado da melhor forma possível, pois é pra isso que vendemos tempo.

    Abcs,

  4. Arthur 20 de dezembro de 2010 at 13:01 #

    É uma grande questão filosófica: o homem é o único animal que sabe que vai morrer, mas não sabe quando…! Se soubéssemos, seria só calcular o $$ que já possuímos MAIS o que deveríamos conseguir, e dividir pelos meses que faltariam para “concluírmos” nossa vida (alguém quer saber quando vai passar desta para a melhor? 😉

    Como isso não é possível, nos debatemos com esse dilema; podemos gastar todo nosso dinheiro agora e ter uma velhice miserável, ou podemos economizar loucamente e morrermos amanhã… Clichê: nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

    Só completando, uma vez fui para Uberlândia de avião, e o que era para ser uma viagem de três horas, levou 25 horas por problemas de teto, congestionamento de aeroportos, pouso e hospedagem em BH pagos pela cia. aérea etc. Se eu fosse de ônibus, teria chegado em 13 horas. Nem sempre o que parece mais rápido o é… :mrgreen:

  5. Evertonric 20 de dezembro de 2010 at 13:24 #

    O Barato pode sair Caro, Amigo, rsrsrsrs
    ótimo artigo novamente, vale lembrar que mesmo comentando pouco aqui no seu site, estou sempre te acompanhando.
    Abraços Guilherme

  6. RolandoLero 20 de dezembro de 2010 at 20:42 #

    Realmente, Guilherme, devemos levar em conta o melhor custo-benefício para as nossas necessidades.

    Sempre que pretendo comprar algo um tanto mais caro e de compra esporádica, pesquiso muito (tanto preço como reviews pela Internet) antes de sacar a grana. Um exemplo foi um monitor LCD, queria um com painel IPS, e não os tradicionais TN, cujas cores deturpam-se totalmente se não olharmos de frente para ele. Acabei encontrando o monitor ideal para mim, e de lambuja, ainda levei 5 anos de garantia com busca e entrega em casa (levam o defeituoso e já trazem o substituto). Por este monitor de 23″ Full HD paguei R$ 837,00, que na época era uns R$ 250,00 a mais que um dos monitores “genéricos” com painel TN (leia-se, podres). Por tudo que o monitor oferece, estes 250,00 saíram de graça.

    Agora, estou à procura de um bom binóculo para observações astronômicas, mas o site que tem um legal, está com estoque zerado. O jeito é esperar… Sem problemas, os planetas, as estrelas e galáxias continuarão lá por um bom tempo ainda 😀

    Quanto à linha discada vs banda larga, hoje em dia é inviável o uso da primeira. Simplesmente o usuário passaria raiva com os sites de hoje em dia, com cada vez mais conteúdo multimídia (leia-se, pesados). Se é que conseguiria carregar algum completamente… O que se pode economizar é em uma banda larga adequada às necessidades do usuário. Eu por exemplo, estou satisfeito com uma de 2 Mbps, R$ 49,90 ao mês.

    Abraço.

  7. Guilherme 3 de janeiro de 2011 at 21:37 #

    Gisely, concordo!

    Jônatas, de fato, equilíbrio é fundamental.

    F.I., bela reflexão!

    Arthur, realmente, há casos em que viajar de avião pode tomar mais tempo.

    Evertonric, valeu!

    Rolando, ótimos exemplos que enriquecem o debate no post!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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