Bolsa cria programa para ampliar número de investidores no Tesouro Direto… mas dando incentivo financeiro justo para as corretoras!!??

Todo mundo que lê esse blog sabe quão importante é o investimento de baixo custo, alto grau de segurança e boas rentabilidades, qualidades essas (reunidas) que poucos investimentos oferecem, sendo um deles, por óbvio, o Tesouro Direto, como já escrevemos: Tesouro Direto – ótimo investimento em renda fixa.

Também sabemos, igualmente, que esse tipo de investimento dá uma goleada nos fundos de investimentos dos bancos de varejo, como explicamos, com números, nesse artigo: A matemática não mente: Tesouro Direto está dando um banho nos fundos dos bancos de varejo. Desde que…

Pois bem. Como o que é bom e barato deve merecer a mais ampla divulgação possível, a Bolsa resolveu criar um programa para aumentar o número de investidores no Tesouro Direto. Até aí, tudo bem, ótimo. O problema é o meio que ela encontrou para fazer isso: dando incentivo financeiro para os agentes de custódia. Não, vocês não leram errado. Em vez de popularizarem o “consumo” do produto por meio da diminuição de seu custo, a Bolsa preferiu dar uma “forcinha” para os intermediários:

“Com o objetivo de popularizar o investimento em título públicos da dívida federal (Tesouro Direto), aumentando o número de pessoas que tem interesse em investir neste segmento, a Bolsa criou o Programa de Expansão da Base de Investidores do Tesouro Direto.

A primeira iniciativa do programa, que passa a valer já no primeiro semestre de 2011, é um incentivo financeiro aos agentes de custódia de acordo com a evolução da base de investidores por eles administrada” (destaques nossos).

E o portal InfoMoney complementa:

“Na prática, a bolsa dará um crédito semestral aos agentes, sendo que o valor total corresponderá a 0,15% sobre o volume total de compras do Tesouro Direto realizadas no semestre.”

É como o dono da Microsoft pretendesse aumentar as vendas do Windows 7 oferecendo uma ajuda financeira para os revendedores, em vez de baixar o preço do software. Ou a McDonald´s querer aumentar a venda de sanduíches dando dinheiro para as franquias, no lugar de diminuir o preço do Big Mac…

Eu quase não acreditei quando li a notícia. Será que essa é realmente a melhor solução? Não é mais fácil diminuir os custos da operação, principalmente diminuindo a taxa de custódia cobrada pela CBLC – atualmente em 0,3% a.a. + 0,1% no momento da compra? Não é tornando o produto mais barato que se amplia a base de seus consumidores? Afinal, a Bolsa quer aumentar a quantidade de quem: dos investidores pessoas físicas ou… dos agentes de custódia?

“Ah, mas essa taxa de 0,1% + 0,3% da CBLC é necessária para compensar os custos de custódia…”

Esse argumento não convence. Principalmente porque, no mesmo dia em que saiu essa notícia (por uma infeliz coincidência), foi publicada outra que irá facilitar a negociação das CRIs por meio… adivinha do quê…  isso mesmo, acertou… por meio da diminuição de seus custos operacionais! Vejam a matéria, publicada na própria página da BM&F Bovespa:

“A partir do dia 03/01/2011, as taxas cobradas nos negócios realizados com Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) serão reduzidas, com o objetivo de aumentar a eficiência e a liquidez dos mercados de títulos imobiliários.

Para os investidores, que antes pagavam uma taxa de negociação de 0,1% sobre o valor de cada compra ou venda de CRIs, limitada a R$ 40 – a taxa cairá para 0,001% sobre o valor de cada operação, com mínimo de R$10 por negócio.

A tarifa de custódia será cobrada do investidor de acordo com a tabela aplicada ao mercado de renda variável, descrita no Ofício Circular 082/2009. Quem tem até R$ 300 mil ficará isento da taxa. Acima deste valor, as taxas irão variar de 0,013% a 0,0005%. Atualmente, a tarifa é de 0,10%, limitada a R$1.500,00 por ano. A taxa sobre o valor em custódia será calculada e cobrada mensalmente, com base no valor da carteira do investidor no último dia útil de cada mês.

Os investidores também pagarão uma taxa de manutenção de conta de custódia de CRI de R$ 20 por ano” (os destaques ficaram por minha conta).

Alô, Bolsa!? Alô, CBLC? Que tal fazer o mesmo com o Tesouro Direto?

O que me dá esperança de que os custos podem baixar um dia (embora provavelmente não nos mesmos patamares das CRIs, por motivos óbvios), é que a Bolsa disse que o incentivo financeiro aos agentes de custódia será a “primeira iniciativa” para ampliar a base de investidores em títulos públicos.

Então tá. A segunda iniciativa bem que poderia ser a diminuição das taxas da CBLC. Fechado?

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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12 Responses to Bolsa cria programa para ampliar número de investidores no Tesouro Direto… mas dando incentivo financeiro justo para as corretoras!!??

  1. Jônatas 16 de dezembro de 2010 at 9:13 #

    É Guilherme,

    Chega a ser piada a coisa.
    Nunca, nós investidores pessoas físicas, temos vantagem vindas do governo.

    Abraço!

  2. Flavio 16 de dezembro de 2010 at 9:44 #

    Jônatas,

    A Bovespa é uma empresa privada.

    Mas a sua afirmação continua verdadeira. 🙂

  3. Henrique Carvalho 16 de dezembro de 2010 at 13:57 #

    Obrigado pela informação Guilherme!

    Abraços!

  4. Finanças Inteligentes 16 de dezembro de 2010 at 15:13 #

    Essa gestão da BM&FBovespa não está muito boa não. O sistema do mega bolsa já travou algumas vezes esse ano em horários cruciais, isso raramente acontecia, depois essa promoção de remunerar o investidor com pontos mas não fala o prêmio, agora essa? Eu heim…

  5. Léo 16 de dezembro de 2010 at 15:43 #

    Acompanho seu blog a algum tempo e gosto muito de seus artigos. Conheci ele através do Viver de Renda. Parabéns e espero que continue ainda por muito tempo.

    Eu penso que bancos, corretoras, bolsa, agentes financeiros, não dão ”ponto sem nó”. Não comentaram em aumentar o preço (preço do título, taxa de administração, imposto, etc) do TD, logo, quem já investe ou ainda vai investir nesta modalidade (que já é boa) não irá sofrer nenhuma mudança. Mas então para que incentivar as corretoras? Simples, propaganda. =)

    Entre nos sites das principais corretoras q estão no mercado Link Trade (minha), por exemplo, e praticamente não encontrará propaganda sobre o TD. Com a corretora recebendo um ”bônus” elas poderão, além de fazer propaganda e atingir em cheio o público alvo, diminuir as taxas delas mesmas com uma ”desculpinha” de cobrar menores taxas.

    Eu, na verdade, ao contrário do seu artigo, achei sensacional a jogada.

    Onde se ler:
    ”Na prática, a bolsa dará um crédito semestral aos agentes, sendo que o valor total corresponderá a 0,15%”

    Leia-se:
    ”Minha corretora cobra 0,15% a menos de taxa de administração.” Por exemplo. São inúmeras as possibilidades.

    E não necessariamente abaixar a taxa que a CBLC cobra aumentará o consumo dessa modalidade de investimento. O site do Tesouro é, desculpe a palavra, um lixo. Aprendi infinitamente mais no seu blog sobre investimento no TD do que lá msm.

    Seguindo a linha de raciocínio.

    ”Ou a McDonald´s querer aumentar a venda de sanduíches dando dinheiro para as franquias, no lugar de diminuir o preço do Big Mac…”

    Não, definitivamente, não é como os exemplos citados. A lanchonete já faz a propaganda, já tem todos os meios (equipes de marketing, patrocínios de eventos, clubes esportivos, parcerias com canais televisionais e outras infinidade de exemplos). Bem diferente da realidade do TD.

    Então é melhor usar, nesse caso, a teoria do ”quanto mais melhor”. Quanto mais gente investindo, melhor. Para fazer isso é necessário uma série de medidas, entre elas, propaganda. Mas fazer como? Televisão? Rádio? Melhor mexer logo exatamente no público alvo interessado, ou seja, o público alvo como ”nós”, mas para alcançar esse tipo de público as corretoras já fazem muito bem esse papel.

    Claro que isso td são apenas, e nada mais, do que meras suposições. Como falei lá em lá no inicio do post: ”Eu penso que bancos, corretoras, bolsa, agentes financeiros, não dão ‘’ponto sem nó.” Se nós, sempre estamos tentando ganhar dinheiro, eles querem ganhar justamente o NOSSO dinheiro! kkkkkkkkkk

    Abraços,
    Léo.

  6. Helison 16 de dezembro de 2010 at 16:47 #

    Olá pessoal…

    Gostaria de esclarecer uma duvida a respeito das debentures Bndespar…
    Fiz um estudo teorico/pratico sobre a rentabilidade liquida dessas debentures e cheguei a…

    Uma debenture da 1ª Serie (pré-fixada a uma taxa de 12,51% a.a).
    Com issu o valor do titulo na data do vencimento (02/01/2014) será R$ 1433,56.
    Lucro bruto de R$ 433,56, otima taxa como já disseram anteriomente.
    Agora vamos aos custos.
    Esses R$ 433,56 após descontado o IR de 15% voltam para R$ 368,53.
    Após cair na conta nós devemos nos lembra que desde o inicio ja haviamos pagado alguns valores como…
    TED/DOC no valor de R$ 7,80. Banco para Corretora.
    Corretagem no valor de R$ 10,00. 1% sobre valor financeiro.
    Custodia total que deu R$ 41,40 (6×6,90). 6,90 Semestral.

    Até o momento ja estamos não mais com R$ 368,53 mas com R$ 309,33.

    Agora ao retirar da corretora eu pago mais R$ 8,90 indo para R$ 300,43.

    Enfim na hora de gastar.

    O efeito da inflação (4,5% a.a) fizeram ele perder valor, ao todo foram 14,11% de redução do poder de compra causado pela inflação.

    Os meus R$ 1000,00 que foram investidos em 13/12/2010 e em 02/01/2014 valem R$ 1433,56 na verdade não valem issu mais.

    Valem R$183,50 a menos.

    SIM!

    Os R$ 1300,43 que vc tem em mãos valem apenas R$ 1117,00.

    Ou seja, um ganho liquido de R$ 117,00 em 3 anos ou 3,68% a.a

    DIFERENÇA TREMENDA!

    Obs: Usei os custos a qual estou exposto, para cada um as contas pode, e vai, variar.

    Qualquer duvida, comentem.

  7. Helison 16 de dezembro de 2010 at 16:54 #

    Poxa…

    Uma renda fixa considerada boa está pagando 0,3% liquido a.m, imaginem uma que naum seja boa.
    Pra quem deseja alcançar independencia financeira fazendo contas de 0,5% ou 0,6% liquido a.m tá fudido pra conseguir issu.
    E eu que imaginava até 0,7% e 0,8%, o caminho até a independencia dobrou de distancia!

  8. Flávio 16 de dezembro de 2010 at 19:01 #

    Esta notícia comprova a frase: “Não existe almoço grátis”, ou seja, as corretoras que não cobram taxa de custódia irão ganhar um incentivo financeiro direto. Isso, sem falar do ganho indireto, uma vez que, não podemos esquecer que as corretoras possuem participação acionária na empresa da Bolsa (BVMF3). São acionistas.

  9. Flávio 16 de dezembro de 2010 at 19:03 #

    Helison, quanto as debêntures. Fiz pelo banco onde tenho c/c e tenho ações, ou seja, zero de tarifa de TED, zero de corretagem, zero de tarifa de custódia (já que tenho ações) e zero de taxa de administração.

  10. HELISON 17 de dezembro de 2010 at 8:44 #

    Flavio, vc usa a corretora do banco?

    Pelo banco é tudo 0800?

    É qual banco?

    As vezes eu possa cogitar uma mudança de banco e corretora….

  11. MJC 17 de dezembro de 2010 at 12:15 #

    Helison, isso é só por causa da forma como foi o negócio das debentures. Não tinha taxa de nada, apenas a taxa de custódia. No entanto, se o cara tiver ações custodiadas, não há cobrança de taxa de custódia. Como ele tinha, não tem cobrança.

    O único gasto que alguém poderia ter além da custódia seria para fazer uma transferência para a corretora, se a conta da corretora for em um banco que o cara não tem conta (DOC ou TED). Como não é o caso dele (a corretora e o banco, no caso dele, é a mesma), então não precisou pagar nada.

  12. Guilherme 19 de dezembro de 2010 at 14:34 #

    Jônatas, Flávio e Henrique, valeu!

    FI, concordo.

    Léo, muito bom o seu comentário!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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