(Não) Dando nomes #3 aos bois (digo, aos fundos): 0 (zero) fundos de ações baratos, comercializados em bancos de varejo

E chegou o momento tão aguardado!!! 😛

Nessa aclamada série “dando nomes aos bois”, chegou a hora de verificarmos quais fundos de ações baratos existem nos bancos de varejo. Sim, sim, será que há algum fundo indexado ao Ibovespa, ou mesmo um fundo de ações ativo, que cobre uma modesta taxa de administração, de forma que você consiga manter e administrar seu dinheiro no conforto de sua conta-corrente bancária!?!?

Eeerrrr….. acho que não deveria ter colocado o título dessa forma…… pois vocês já devem ter percebido (se não perceberam, é porque vocês estão com algum problema…..rsrsrsrs).

E é para lamentar mesmo a seguinte constatação:

“Não existe fundo de ações barato comercializado em bancos de varejo”.

Não existe. E ponto final.

Mas o que é exatamente um fundo de ações barato? É um fundo que cobre, no máximo, as seguintes taxas de administração:

– 0,5%, para fundos de gestão ativa;

– 0,2%, para fundos de gestão passiva.

Não, eu não estou sendo cruel com vocês. Tomei esses dados como parâmetro, baseado no que dizem os especialistas do mercado financeiro norte-americano, cujos livros estão sendo frequentemente resenhados aqui no blog.

– “Ah, mas a realidade do mercado brasileiro é diferente……” , algum incauto poderia pensar.

Sério!!?? Diferente no quê, cara pálida? 😀 Qual é a diferença entre pegar 30 ações que compõem um índice (DJIA) e “sentar em cima”, e pegar 50 ações (IBRX50), e “sentar em cima” também? Ou então, qual é a diferença entre gerenciar ativamente as 10 ações + quentes do setor de tecnologia, escolhidas “a dedo” (eu tenho medo desses dedos…..rsrsrsr), e gerenciar ativamente as 10 ações + quentes do setor de construção civil, também escolhidas na “pontinha” dos polegares e indicadores?

Os princípios econômicos e financeiros que regem o mercado de ações são basicamente os mesmos entre os diversos países de economia capitalista. Todos que achavam que estavam diante de um “novo paradigma” estavam, na verdade, diante de uma tremenda e monstruosa bolha. Vide os casos do Índice Nikkei no final dos anos 80, e da moda “dot com” no final dos anos 90.

Se você se assustou com os percentuais de taxas de administração acima definidos como parâmetro para avaliar se um fundo de ações está barato, eu tenho uma notícia mais suave. De acordo com os mesmos estudiosos do mercado financeiro dos EUA, seria razoável pagar até 1% de taxa de administração para fundos de ações de gestão ativa, e até 0,4%, 0,5% estourando, para fundos indexados. Veja bem, eu disse “razoável”. Agora eu pergunto: qual fundo de ações, comercializado em banco, que oferece tal tipo de taxa?

Resposta: ………………………………………

Disso decorre nossa segunda triste conclusão:

“Só existe fundo de ações caro, nos bancos de varejo”.

– “Ah, mas meu consultor financeiro disse que, como tenho só R$ 100 para investir, o melhor seria começar aplicando em um fundo de ações…”

Lembra daquela frase: “cada um vive à sua maneira“? Pois bem, fazendo uma analogia: “cada um perde dinheiro à_____” Se você só tem R$ 100 para investir, invista em outra coisa, pois não existe benefício que compense o pagamento dessas horríveis taxas de administração. Sinceramente? Junte um bom dinheiro, digamos, uns R$ 700, R$ 800 ou R$ 1 mil, e aplique o dinheiro num ETF, desde que o aplique numa corretora com baixa taxa de corretagem – para tanto, vide: Dando nomes #2 aos bois (digo, às corretoras): 4 corretoras que cobram taxas não muito caras de corretagem e/ou podem te isentar da taxa de custódia. Vale ainda destacar outro estudo, com investimento a partir de R$ 500: Qual é o melhor investimento para R$ 500: fundo de ações ou ETF?

Mas o duro é que os ETFs brasileiros, com exceção do PIBB, cobram taxas um pouco “careiras”. É, eu sei, está na hora de revisar o título daquele artigo: 4 fundos de ações realmente baratos… Nada como o conhecimento (leia-se: literatura estrangeira de alta qualidade), para nos iluminar, em meio às trevas que rondam o mercado financeiro nacional, não é mesmo?

Mas até que havia alguma justificativa plausível: quando fiz aquele artigo, tomei como parâmetro os fundos de ações, de bancos. Agora, como minha referência é outra, revisei minha posição em relação ao valor das taxas. A vida é assim mesmo: à medida que vamos agregando conhecimento, vamos também revisando nossos pensamentos. Quem ganha com isso é o leitor, que tem em mãos uma informação, transmitida de forma crítica, que dificilmente veria em outros canais de comunicação. Fechado?

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Leia também os outros artigos da série:

Dando nomes #2 aos bois (digo, às corretoras): 4 corretoras que cobram taxas não muito caras de corretagem e/ou podem te isentar da taxa de custódia

Dando nomes aos bois (digo, aos fundos): 3 fundos referenciados DI não muito caros

p.s.: e por falar no impacto dos custos nos investimentos, recomendo fortemente a leitura do mais recente artigo do amigo Henrique Carvalho, o impacto dos custos nos investimentos, com direito a planilha grátis e tudo o mais. Não percam! 😀

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10 Responses to (Não) Dando nomes #3 aos bois (digo, aos fundos): 0 (zero) fundos de ações baratos, comercializados em bancos de varejo

  1. MJC 1 de dezembro de 2010 at 7:02 #

    Sou meio fiel ao PIBB11. Por enquanto é o único ETF que tenho em carteira, mas quero começar a colecionar também SMAL11. A taxa de administração está longe de ser barata como a do PIBB11, mas ainda acho que é uma boa forma de diversificar em small caps.

    Enfim, o interessante é comparar a taxa de administração do PIBB11 (ridícula) com a taxa do fundo PIBB do banco do brasil, de 1,5%. Teoricamente, o mesmo fundo!

  2. Jônatas 1 de dezembro de 2010 at 8:26 #

    Guilherme,

    Concordo, não há fundos baratos e nem aceitáveis, todos caríssimos.
    Mesmo quem queira acumular para comprar cota ETF, não compensará realizar compras esporádicas, pois pagará custódia a corretora.
    Aconselho a quem tem menos que 500 reais mensais disponíveis a investir em renda fixa, pois em renda variável os custos levarão grande parte dos ganhos.
    Em minha opinião, o TD é o melhor negócio para quem tem pouca grana e irá esperar acumular para realizar aportes periódicos.

    Abraço!

  3. Flavio 1 de dezembro de 2010 at 9:37 #

    O dia em que me dei conta da diferença entre as taxas de administração do fundo PIBB do BB e dos PIBB11… resgatei tudo o que tinha no fundo e comprei as cotas na bolsa!

    No tempo em que eu era semi-analfabeto financeiro, colocava meu din-din num fundo DI do Itaú que cobrava 4% a.a. de tx. de adm. Esse fundo era recomendado pelos gerentes aos clientes com a propaganda de que depois de 90 dias ele devolvia a CPMF recolhida quando da aplicação. Havia um outro fundo igual, com taxa de 3% a.a., mas que não devolvia a CPMF. Os clientes inocentes achavam que estava fazendo um grande negócio recebendo de volta 0,38% do dinheiro retido pela Receita Federal enquanto o banco faturava 0,62 pontos percentuais a mais que no fundo DI comum sem fazer força.

    Quando eu crescer quero ser banqueiro. 🙂

    • Rosana 10 de julho de 2014 at 7:33 #

      Eu também cometi o mesmo erro com um fundo de ações que cobrava 4% aa de taxa de administração. As corretoras nunca falam que esses 4% são sobre o capital e não sobre o rendimento.
      Além disso, há também a cobrança de IR….

      • Guilherme 10 de julho de 2014 at 19:45 #

        Sim, Rosana, ainda bem que, com aquisição de educação financeira, esses erros fazem parte apenas de um “depósito de lembranças”, e passamos a ter muito mais cuidado com nossos investimentos.

        Abç

  4. Willy Fog 1 de dezembro de 2010 at 11:32 #

    Guilherme meu caro
    .
    Que tal criar um post com com os fundos de ações com as maiores taxas de adm. Aposto que não não vai faltar bois para dar nomes. 😛
    .
    Abcs

  5. Karina 1 de dezembro de 2010 at 12:58 #

    Pois é, como falou o Flavio aqui em cima, fiquei boquiaberta com as disparidades entre as taxas cobradas por fundos que buscam replicar os mesmo índices. Cheguei a pensar que eu pudesse não estar entendendo direito algumas eventuais diferenças.
    Ainda estou me informando direitinho para ter uma decisão mais ponderada quanto a onde aplicar, e fico imaginando o quanto deve ter de gente perdendo dinheiro todo dia por bobeira. Mas cada um sabe o valor que tem o seu, verdade.

  6. Finanças Inteligentes 1 de dezembro de 2010 at 13:02 #

    Assino em baixo!
    Assalto a mão armada a taxa de administração cobrada pelos bancos atualmente. E o pior é que muita gente aplica sem saber.

    Abcs,

  7. Henrique Carvalho 1 de dezembro de 2010 at 17:04 #

    “O melhor negócio do mundo é um banco bem administrado. O segundo melhor é um banco mal administrado” rsrs

    O Brasil ainda tem muito o que avançar no mercado financeiro. As mudanças começaram mas ainda falta muita coisa….

    Abraços Guilherme!

  8. Guilherme 1 de dezembro de 2010 at 21:58 #

    MJC, o Santander também tem um fundo PIBB, que cobra também essa taxa de 1,5% a.a. Olhei a composição desse fundo e… voilá…100% aplicado em cotas do PIBB11! A taxa de administração do SMAL11 não é lá essas coisas, mas pelo menos é beeem menor do que as taxas dos fundos Small Caps de bancos. Na falta de uma opção melhor, vou ficando com o ETF da iShares…

    Jônatas, faço minhas suas palavras.

    Flávio, muito interessante a sua experiência! Se a CPMF ressuscitar, será que os bancos terão a coragem de fazer esse tipo de jogada novamente? Se tiverem… Valores Reais neles! hahahahaha

    Willy, ia ficar uma manada………rsrsrssrs

    Karina, sem dúvida, a educação financeira é elemento essencial para tomarmos decisões informadas acerca de nossos investimentos!

    F.I., obrigado!

    Henrique, essa frase é muito boa!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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