Greve Geral na França: que dureza é depender do Governo para se aposentar…

Qual é o assunto do momento na França? É a greve geral. E qual é a razão? A tentativa do governo de reformar o sistema de previdência social. Reformar para pior, diga-se de passagem. Reformas na previdência sempre serão para pior. Em qualquer lugar do mundo, Brasil incluso. Tenha consciência disso. Não se iluda.

De acordo com as notícias, o governo francês está tentando aumentar a idade mínima da aposentadoria em 2 anos, isto é, dos atuais 60 anos para 62 anos. E, para quem não tiver completado os 40 anos mínimos de contribuição (!), – que o governo francês está querendo aumentar para 41 anos – a idade mínima para aposentadoria passará a ser de 67 anos (hoje é 65).

Pois é, pessoal, o governo local quer aumentar a idade mínima para aposentadoria, acrescentando apenas mais 2 anos, e está havendo esse barulho todo… que dureza é depender do governo para se aposentar, não é mesmo? Sobre esse assunto que envolve aposentadoria estatal, eu tenho duas notícias, uma boa e outra ruim. Qual é a que você quer ler primeiro? Eu suponho que seja a notícia ruim. Então vamos lá.

A notícia ruim é que a aposentadoria estatal vai ficar cada vez pior, em todos os sentidos, e em todos os países do mundo, e isso inclui o Brasil. Não só a idade mínima e o tempo de contribuição vão aumentar cada vez mais – em face do aumento da participação do grupo idoso na composição populacional do país – como os próprios proventos de aposentadoria vão ficar cada vez mais achatados. Existe o perigo, inclusive, de haver diminuição no valor da aposentadoria no futuro, e isso tanto no setor público (dos servidores públicos), quanto no setor privado (INSS).

Não acreditem na existência de direitos absolutos e imutáveis. Lembram-se da contribuição previdenciária dos inativos? Achava-se que era inconstitucional tal cobrança. Não acreditem em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa…

A notícia boa é que você não precisa entregar para o governo o destino de sua aposentadoria. É o que muitos fazem. Bem, talvez quem dependa do INSS e tenha um grau mínimo de instrução financeira não, mas tenho certeza de que você conhece alguém que é funcionário público, que  acha que vai estar com o futuro “garantido”, só porque a aposentadoria será integral (ou semi-integral). Será mesmo? O problema de se pensar assim é achar que o futuro é previsível. Pois não é. Mesmo quem é servidor público deve se preocupar em construir um plano de independência financeira, e isso por um motivo bastante simples: aumentar o grau de controle de seu próprio destino.

Ao contrário do que ocorre com a auto-medicação e algumas outras áreas onde é perigoso e não recomendável você agir por conta própria, nas finanças pessoais, quanto mais autonomia você tiver sobre seus investimentos, mais benefícios você auferirá. E isso inclui, obviamente, determinar a idade em que você quer parar de trabalhar. Os franceses estão revoltados porque eles não têm o controle de seu próprio destino: é o Governo quem, na prática, está determinando quando você pode parar de trabalhar.

Essa questão é muito séria porque repercute diretamente na qualidade de vida deles. Quanto mais tempo tiverem que “bater ponto”, menos tempo de lazer terão para curtir seus próprios interesses. Um dos encantos da busca pela tão sonhada independência financeira é tomar conta do relógio, e não deixar que o Governo tome conta dele, determinando o que você deve fazer, e em quanto tempo você deve fazer.

Com o “passe” da independência financeira em mãos, você não só determinará quando poderá trabalhar, mas também com quanto dinheiro poderá se sustentar no futuro dourado.

Não estão desconsiderando totalmente a previdência pública. Ela tem suas vantagens, sim, mas não na dimensão exagerada que muitas pessoas levam em conta, pessoas essas que pensam que seu futuro está “garantido” e ficam presas, assim, na armadilha de uma zona de conforto que, como todos sabemos, é ilusória. Ficar na passividade, aceitar a inércia de não buscar fontes complementares de renda é um perigo que pode trazer consequências indesejáveis quando o futuro chegar.

E como fazer para não depender totalmente do Governo?

Aqui vão alguns conselho úteis para traçar um plano de construção de riqueza:

– Gaste menos do que você ganha. É a regra de ouro das finanças pessoais. Viver uma vida de dívidas é pedir para sofrer quando chegar a hora de “pendurar as chuteiras”. Pratique a frugalidade.

– Não se contente em poupar 10% do que ganha: poupe e invista o máximo que você puder. Isso mesmo, quanto mais combustível você tiver para alimentar seu carro na jornada rumo à independência financeira, mais gasolina poderá queimar para chegar o quanto antes à tão sonhada liberdade financeira. Leia esse interessante artigo do Investidor Defensivo a respeito da questão “porcentagem para poupar”. Se os outros podem, por quê você também não pode?

– Na fase de acumulação de capital, preocupe-se em fazer “fermentar o bolo”. Procure meios de ter uma carteira com crescimento orgânico, que produza bons frutos, tenha uma rentabilidade no mínimo superior ao do CDI e que supere a inflação também. Tenha um planejamento tributário eficiente, e escolha ativos que façam seu capital render consistentemente. Tenha, sobretudo, disciplina para fazer seu capital crescer.

– Na fase de usufruto de capital, compre ativos que gerem fluxo de caixa. É fundamental que tenha dinheiro entrando em sua conta-corrente periodicamente. Investimentos em fundos DI com baixas taxas de administração, títulos do Tesouro Direto e títulos de crédito privado (debêntures) atrelados à inflação e que paguem cupons de juros semestrais, cotas de fundos imobiliários, diversificados, apartamentos e outros imóveis residenciais e comerciais, ações que paguem dividendos com uma boa taxa de distribuição, enfim, escolha os produtos que possam lhe garantir um boa entrada periódica de dinheiro.

Esses são, evidentemente, apenas alguns conselhos – muitos outros devem ser buscados. É indispensável que você saiba que, quanto mais disciplinado for seu plano de investimentos, mais controle você terá de sua aposentadoria, e, é claro, menos dependência você terá do Governo. Há, inclusive, pessoas que se capacitam tanto na arte de construir riqueza que dispensam totalmente a previdência pública.

Que você seja tenha sucesso no controle de seu próprio destino!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: o Zé da Silva, por incrível coincidência, abordou esse mesmo tema em um ótimo artigo no blog do Clube do Pai Rico. 🙂

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18 Responses to Greve Geral na França: que dureza é depender do Governo para se aposentar…

  1. investidordefensivo 20 de outubro de 2010 at 1:11 #

    Pelo menos na França o povo sai nas ruas, se revolta! No Brasil, o população é ultra acomodada! Infelizmente acho que aposentadoria do Brasil só tende a piorar também. Brasileiro é muito carente de educação em geral, financeira nem se fala… Fica aí seu “alerta” como colaboração de esclarecimento. Já é algo importante. Bons conselhos!

    ps: Adorei a referência sobre o meu Post ! Bacana ! Thanks! abs! 🙂

    • Rosana 11 de maio de 2014 at 10:56 #

      Guilherme,

      Felizmente a população brasileira começou a se manifestar. Pena que ainda falta uma organização melhor, manifestações que sejam do interesse da população em geral, e não apenas as manifestações convenientes dos movimentos sociais sem terra.

      Sobre a aposentadoria, a solução é mesmo fazer um pé de meia por fora, pois depender do governo gera mais dúvidas a cada dia, além das dificuldades e das exigências crescentes para conseguir aposentadoria.
      Se continuar assim, as pessoas só se aposentarão após 80 anos…

      Abraços,

  2. Erico 20 de outubro de 2010 at 9:36 #

    Aqui no Brasil subiu de 60 para 65 anos a alguns anos atras..
    e o que o povo fez? NADA! rsrs

    Falta educacao aqui, e se depender de lulas da vida, continuaremos sem educacao, alimentando todos com uma pseudo comunismo, onde os poucos que trabalham pagam para o resto ficar em casa com bolsa familia, bolsa gas, bolsa, bolsa, bolsa!!

  3. Jônatas 20 de outubro de 2010 at 9:58 #

    Ótima reflexão Guilherme, parabéns!

    Como funcionário público e possível aposentadoria integral, digo que é ilusão pensar no futuro com algo tão incerto.
    Não dependerei no governo para nada, sou senhor da minha própria vida.
    Mas, se tudo continuar do jeito que está, terei aposentadoria integral e nem sei o que fazer com o dinheiro, rs. Mas descobrirei no tempo certo.

    Abraço!

  4. Ricardo Borges 20 de outubro de 2010 at 10:40 #

    A quem interessar verifique o Projeto de Lei PL1992/2007,

    que “Institui o regime de previdência complementar para os servidores públicos federais titulares de cargo efetivo, inclusive os membros dos órgãos que menciona, fixa o limite máximo para a concessão de aposentadorias e pensões pelo regime de previdência de que trata o art. 40 da Constituição, autoriza a criação de entidade fechada de previdência complementar denominada Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal – FUNPRESP, e dá outras providências.”

    E também o PL que cria a Superintendência Nacional de Previdência Complementar.

    Sendo servidor público federal, e para saber se a opção será melhor ou não, já iniciei estudos a respeito do tema numa Pós Graduação em Direito Previdenciário. Pois, de qualquer modo, o fato é que, será o maior fundo de pensão do Brasil. Caso seja bem administrado os servidores públicos não terão o que temer. Porém, se for mal administrado, então, todos ficaremos sem aposentadoria.
    Esta aí um bom tema para debatermos, não é?

  5. Flavio 20 de outubro de 2010 at 12:28 #

    Ricardo,
    Não sabia que já havia um PL tratando da previdência complementar dos servidores públicos federais (tema inserido na CF/88 pela EC 41). Vou checar.
    Esse tema me interessa. Também sou servidor federal. Não confio na capacidade de o Estado gerir um fundo de previdência desse tipo e não quero correr o risco de um governante mal intencionado meter a mão na minha aposentadoria quando eu estiver velho e o Estado ficar sem grana. Prefiro eu mesmo cuidar disso. Planejo meus investimentos partindo do princípio de que não terei aposentadoria integral.

  6. Jônatas 20 de outubro de 2010 at 14:35 #

    Oi Flávia, oi Ricardo,

    Estou por fora do assunto. Sou servidor federal também.
    Flávio, assim como você, planejo meus investimentos de forma a não precisar contar com o governo para nada.

    Abraço!

  7. Ricardo Borges 20 de outubro de 2010 at 15:27 #

    O número do segundo Projeto de Lei é 3968/2008.
    Quem é servidor público, inclusive vai afetar os estaduais e municipais, aconselharia a ler os dois projetos de lei, porque vai afetar muito as nossas vidas.
    Principalmente, em saber se vai valer a pena ou não em fazer a opção pela nova previdência, ou constetar a sua aprovação.
    Outrossim, caso não tenha jeito imperdirmos a sua aprovação, devemos tomas provid~encias no sentido de que tem diveros pontos a serem melhorados, desde a gerência do fundo de pensão por pessoas idôneas e competentes, e não por apadrinhados políticos. Até no tocante a saúde do servidor público, pois não temos um controle das doenças que afetam os servidores, não temos programas de prevenção de riscos no ambiente do trabalho.
    Este fato é preocupante para os cofres da previdência (fundo de pensão), pois, quanto mais pessoas doentes, menor será a rentabidade da aposentadoria.

    Para quem leu ontem o Estadão na internet compensa ler dois artigos que tratam como os fundos de pensão dos Estados Unidos foram passados para trás pelos bancos, na reportagem: EUA: bancos ficam com lucro e empurram prejuízo a clientes
    18 de outubro de 2010 | 16h09 Sílvio Guedes Crespo

    Endereços: http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2010/10/18/eua-bancos-ficam-com-lucro-e-empurram-prejuizo-a-clientes/

  8. Ricardo Borges 20 de outubro de 2010 at 15:30 #

    Quem tiver conhecimento da Língua Inglesa poderá ler a reportagem no The New York Times:
    Banks Shared Clients’ Profits, but Not Losses
    no endereço:
    http://www.nytimes.com/2010/10/18/business/18advantage.html?_r=2&th&emc=th

  9. Guilherme 21 de outubro de 2010 at 8:26 #

    ID, isso demonstra que a população francesa, na média, é mais consciente de seus direitos do que a brasileira…

    Erico, concordo: o assistencialismo é um fator extra que reforça as pessoas a ficarem acomodadas.

    Jônatas, parabéns, vc está certíssimo!

    Ricardo, muito interessante o PL! E obrigado pelos links dos artigos. 🙂

    Flávio, parabéns pela consciência financeira!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  10. Flavio 21 de outubro de 2010 at 11:57 #

    Ricardo,

    Procurei por esse outro PL e achei um que trata de contrato de prestação de serviço de telecomunicações. É esse mesmo o número?

    Essa manobra dos bancos americanos é o típico “investimento Caracu” (quem não sabe o que é, procure no Google…). Mas, convenhamos, o gestor de fundo de pensão que aceita um contrato desse tipo é um mané. Cadê a gestão de risco?

  11. Ricardo Borges 21 de outubro de 2010 at 12:27 #

    Fábio,

    quanto ao PL 1992/2007, acesse:

    http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=366851
    ou
    http://www.camara.gov.br/sileg/integras/501938.pdf

  12. Flavio 21 de outubro de 2010 at 14:35 #

    Ricardo,

    A Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC já existe. O PL 3.962/2008 virou lei no final do ano passado.

    Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12154.htm

  13. Ricardo Borges 21 de outubro de 2010 at 15:38 #

    Flávio,

    vc tem razão… o PL já virou lei 🙁 … e o só falta aprovarem a outra lei criando a previdência complementar sem nós sabermos.

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  1. Lauro Wolff Valente - 20 de outubro de 2010

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  3. Bruno Correia - 20 de outubro de 2010

    Greve geral na França e a dependência das aposentadorias públicas. http://bit.ly/bPgAqt

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