Redimensionando a importância do imposto de renda nos ganhos com ações e ETFs

Você recebe duas propostas de emprego, de duas empresas diferentes, para realizar o mesmo tipo de serviço. Na primeira proposta, você irá ganhar R$ 1.000,00. Em contrapartida, não precisará pagar imposto de renda (yupiii!), pois seu salário estará dentro da faixa de isenção do IR (ôba). Na segunda proposta, você irá ganhar R$ 10.000,00. (uauu!) Legal, não é mesmo? Mas pera lá, tem uma desvantagem (qual!!??): terá que pagar imposto de renda (aaaahhh…). E a mordida do leão é grande: 27,5% (creeeedo…) Considerando a contribuição para a previdência de 11%, você irá pagar nada mais nada menos do que R$ 2.447,50 de imposto de renda. Só que, escolhendo a primeira proposta de emprego, você se livra do pagamento de IR. O salário bruto entra praticamente líquido em sua conta.

E aí? Qual proposta você irá escolher?

Não é preciso fazer nenhum esforço intelectual para concluir que a segunda proposta é a melhor. Ninguém, em sã consciência, tendo duas opções de remuneração pelo mesmo tipo de trabalho que fizer, irá escolher a que oferece menores ganhos, apenas e tão somente levando em consideração, como critério principal, pagar menos imposto de renda. E isso por uma razão muito simples: no mercado (de trabalho), quando se está diante de duas alternativas equivalentes, o objetivo é escolher aquela que lhe remunere mais, ou seja, obter a justa remuneração pelo trabalho desenvolvido, ainda que isso implique pagar mais imposto de renda.

O problema é que, guardadas as devidas proporções, no mercado de ações, muitos investidores estão escolhendo a primeira opção, isto é, estão preferindo montar uma carteira própria de ações, com o principal objetivo de ficarem isentos de imposto de renda, quando a meta principal deveria ser acumular o maior patrimônio possível!

E se consegue acumular o maior patrimônio, na imensa maioria dos casos (mais de 80%), com uma estratégia muito simples:  fundos de índice passivo. Experimente fazer o seguinte exercício: na mesma planilha em que você registra suas operações de compra e venda em Bolsa, abra um espaço para registrar a compra e venda hipotética de cotas de PIBB ou BOVA, utilizando os mesmos dias em que você realizou as operações, e os mesmos valores comprados (e eventualmente vendidos). Nos campos de atualização patrimonial, comparando a situação da carteira de ações, com a carteira hipotética de ETF, muito provavelmente você teria maior patrimônio acumulado se, em vez de comprar ações, tivesse comprado ETF (se você tiver um desempenho superior com ações, durante mais de 5 anos, então esse artigo não é para você).

Podemos medir a importância dos fundos de índice comparando, no longo prazo, as rentabilidades do IBovespa com os diversos fundos de ações existentes no mercado. Considerando “longo prazo” como 15 anos (o ideal seria mais), eu não conheço fundo de ações algum que tenha ganhado do IBovespa durante esse tempo todo.

Qual é o problema?

O problema é que a mídia nos induz a investir em ações individuais, na inversa proporção em que se incentiva o uso dos ETFs (que deve ter diminuído ainda mais depois da regulamentação da Receita Federal). Exemplos típicos dessa indução são: carteiras recomendadas do dia/semana/mês/bimestre/trimestre/quadrimestre/semestre/ano, feitas pelas corretoras (e sob medida para abocanhar seu dinheiro com altas taxas de corretagem), fundos de ações que se vangloriam de terem tido performance superior ao Ibovespa durante o último ano (como se isso fosse indicador de rentabilidade futura), cursos e palestras que apresentam números de diversas empresas que, nos últimos 10 anos, ganharam do Ibovespa (como se essas mesmas empresas fossem ganhar do Ibovespa nos próximos 10 anos), livros de análise fundamentalista que ensinam como obter rendimentos “extraordinários” e superiores ao índice (pressupondo que todo mundo têm 4 horas por dia para ficar analisando balanços e dados de contabilidade, abdicando de tempo com a família, o lazer e a própria atividade profissional).

O raciocínio simplista que está por trás da ideia de “não vou pagar IR porque não quero entregar meu dinheiro ao governo” é o mesmo que fundamenta a ideia de “não vou pagar INSS porque não quero entregar meu dinheiro ao governo”, como se ambas as situações estivessem à margem da lei.

E ambos os raciocínios estão errados porque, primeiro, no caso da venda de ações, o fato gerador do imposto de renda (de qualquer renda) é o acréscimo patrimonial do contribuinte (que não seja decorrente de indenização). Não pagar imposto sobre ganho de capital é a exceção, é uma benesse estatal, que deve constar de texto expresso de lei e pode ser revogada a qualquer momento. Portanto, a isenção fiscal sobre os ganhos de capital é uma situação excepcional, e não a regra.

E, no caso da contribuição ao INSS, o fato de não pagá-la poderá onerar bastante o contribuinte, pois é o pacote mais completo de benefícios à disposição, quando comparado com qualquer plano de previdência privada, não obstante suas inúmeras desvantagens (como a existência de um teto máximo de benefício, por exemplo, o que praticamente obriga o contribuinte a buscar uma fonte de receita complementar).

Qual é o raciocínio que você utiliza para investir em renda fixa: isenção de IR… ou maior retorno?

Vejamos o caso da renda fixa. Você tem a opção de não pagar imposto de renda usando a poupança. Ela te garante aproximadamente 6% a.a. + TR, líquido de IR e de taxas de administração. Entretanto, com a SELIC a 10,75% a.a., você não consegue maior rentabilidade com o investimento que é isento de imposto de renda. Se você escolher um fundo referenciado DI com baixa taxa de administração, você terá rendimentos superiores ao da poupança, ainda que isso implique pagamento de imposto de renda.

E aí, o que você irá escolher na renda fixa: a poupança, que rende menos, mas não paga imposto de renda, ou um fundo referenciado DI (ou LFT, ou CDB DI com uma boa taxa), que, apesar de pagarem imposto de renda, rendem mais?

Para bom entendedor, meia palavra basta. É público e notório que o “prêmio de risco” dos fundos pós-fixados de renda fixa (atualmente na casa dos 2% a 3%) compensam o investimento nesses tipos de aplicação. Quase ninguém dá a mínima bola para o imposto de renda na hora de aplicar num fundo referenciado DI, porque sabe que a rentabilidade líquida será maior do que se estivesse investindo o dinheiro na poupança. E o foco principal, com qualquer aplicação no mercado financeiro, deve ser maior rentabilidade, quando se está diante de alternativas semelhantes (poupança e LFT, por exemplo, na renda fixa). Não estou desconsiderando o papel do imposto de renda, mas ele não pode ser tomado como principal critério na análise de investimento. O principal critério deve ser rentabilidade líquida, repito, quando se está diante de alternativas equivalentes.

Se esse raciocínio é válido e útil quando se trata de renda fixa, por quê também não aplicá-lo também na renda variável? Porque há uma sutil mudança de paradigma. Na renda variável, o investimento mais simples (ETF), ao contrário da renda fixa (poupança), paga imposto de renda. No entanto, esse investimento mais simples (ETF), ao contrário do investimento mais simples da renda fixa (poupança), é o que apresenta maior rentabilidade.

E qual deve ser o foco da renda variável? Maior rentabilidade ou menor tributação?

Para que se consiga visualizar adequadamente o peso do imposto de renda nos ganhos em renda variável, deve haver um reajustamento de foco. Quase todo mundo foca no objeto errado, que é isenção abaixo de R$ 20k, quando deveria concentrar sua atenção na rentabilidade total da carteira. É a rentabilidade total da carteira que irá fazer a diferença no longo prazo. É a rentabilidade total da carteira que irá permitir maiores ganhos, para a sua possível conversão em renda fixa ou outros ativos reais (imóveis, por exemplo) no futuro.

Uma alternativa intermediária no investimento em ações individuais é a montagem de uma estratégia baseada em replicação do índice. Ou seja, você compra ações individuais numa proporção equivalente ao peso delas no índice, por exemplo, Índice Bovespa. É uma maneira de aproveitar os benefícios da diversificação – proporcionados pelos ETFs, mas sem utilizá-los – e também lucrar com os recebimentos de dividendos e isenção fiscal para vendas até R$ 20k.

Quem adota essa estratégia com inteligência e bom senso é o Investimentos e Finanças, que faz inclusive uma revisão mensal de sua carteira, baseada em alocação de ativos.

Mais um aviso…

Agora, é preciso levar em consideração o seguinte: há pessoas que gostam de investir em ações individuais, pelo prazer e satisfação que isso proporciona, e têm tempo para se dedicar à análise de balanços, relatórios trimestrais e anuais etc., e há pessoas que simplesmente não têm paciência, e nem satisfação alguma em gastar tempo, energia e dinheiro com análises de mercado. Se você for do primeiro grupo, e seus resultados têm consistentemente sido superiores aos do Ibovespa, parabéns e continue assim. Os ETFs não lhe interessam. Mesmo que você seja do primeiro grupo, mas seus resultados têm perdido do Ibovespa, considere a aplicação em fundos de índice, ainda que de parcela de seu patrimônio.

Já se você for do segundo grupo – e esse artigo foi especialmente escrito para esse público, que está iniciando no mercado de ações, mas está com receio de investir em fundos de índice temendo o pagamento de imposto de renda -, o melhor investimento, sem dúvida, são os fundos de índice. Você pode até ter que pagar mais imposto de renda, quando comparado com o investidor em ações individuais (mas issono caso de vendas inferiores a R$ 20k no mês, porque, acima disso, todo mundo paga IR, e você ainda poderá ter rentabilidades superiores), mas, em compensação, estará recebendo muito mais retorno. E maior retorno (e não menor pagamento de imposto, como ilustrado no exemplo da proposta de emprego) é, afinal de contas, o que interessa mais quando se investe em renda variável.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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32 Responses to Redimensionando a importância do imposto de renda nos ganhos com ações e ETFs

  1. Major 15 de outubro de 2010 at 1:31 #

    Este era o meu dilema.

    Acabei decidindo investir em ações individuais e replicar o IBrX50 com os 20 principais papeis. Decidi isto quando entendi que o IR incidi não só sobre o lucro mas também sobre a correção monetária, o que em um investimento de longo prazo faz uma diferença significativa.

    Vamos supor em um período de 20 anos uma inflação de 500% (9,37% a.a.) e uma valorização de 280% (6,9% a.a.) nos ETFs. Os 15% de IR na verdade iriam morder quase 20% do seu lucro. Ou seja ao invés de 280% de valorização sobrariam 225% de lucro.

    Ainda não sei ao certo o quão trabalhoso será manter esta estratégia de réplica com 2 re-balanceamentos anuais… veremos.

    Estou lendo o livro do Jeremy Siegel e outra estratégia que me pareceu interessante foi a “Dogs of the Dow” que consiste em comprar apenas as 10 empresas de um índice que mais pagam dividendos. O que vc acha dela ?

  2. Jônatas 15 de outubro de 2010 at 8:26 #

    Oi Guilherme, excelente análise.
    Concordo contigo em tudo. Para o investidor iniciante ETF é a melhor escolha.
    Meu texto de hoje é sobre ETFs também. Explano no texto porque não compro ETFs, vale o acesso.

    Grande Abraço!
    Bom final de semana.

  3. Investidor Defensivo 15 de outubro de 2010 at 8:28 #

    Pois é… Estou indo no caminho de compra de PIBB11 mesmo.
    Realmente o que conta é a rentabilidade. Mas que eu vou ficar meio “chateado” de pagar imposto no momento dos meus balanceamentos RFxRV isso eu vou…rs

  4. Henrique 15 de outubro de 2010 at 9:56 #

    Muito bom Guilherme!

    Ainda continuo com os ETFs pelas inúmeras vantagens que ele possui. E sobre o IR, só paga quem teve lucro. Logo, não é tão ruim não é mesmo?

    Abraços!

  5. Erico 15 de outubro de 2010 at 9:58 #

    Interessante…

    Semana passada fiz exatamente este teste de comparar minha carteira com PIBB11 e BOVA11 e fiquei com a pulga atras da orelha!

    Invisto na bolsa uma quantidade fixa mensalmente, sempre no mesmo dia, em um grupo de 6 acoes previamente escolhidas por mim desde o inicio. Cada mes compro a acao que mais caiu.. enfim fiz uma estrategia e sigo ela…

    Minha carteira hj tem um lucro de 4,xx% do total enquanto o PIBB tem 8,xx% e o BOVA quase 12%!!

    Ou seja, perdi feio!! Considerei para calculo dos ETFs compras de mesmo valor dos aplicados nas acoes, nos mesmo dias (valor de encerramento do pregao!!) ahh nesses calculos de PIBB e BOVA ja descontei o IR e no calculo do meu portifolio deixei sem descontar IR pois ele nao eh obrigatorio!!!

    To pensando seriamente em trocar para um ETF… minha duvida e como fazer esta troca? Quem sabe um post sobre isso!?

    Eu tenho acoes com PM maior que o lucro dos ETFs como por exemplo Vale5 com 45% de lucro no PM, logo poderia vender e comprar ETF, mas o que fazer com PETR4 que ta -20%!? espero ela bater o indice para trocar por ETF? Qual seria uma solucao sensata!?

    abracos e parabens!
    Erico

  6. Luiz Antonio 15 de outubro de 2010 at 10:12 #

    Sensacional artigo. Me fez refletir profundamente. Já há algum tempo penso em investir em ETFs, mas com certeza, a partir de agora, olharei isso de outro modo.

    Assim como o Jônatas (também li seu artigo), devo comprar primeiramente SMAL11. Mas pretendo também, no futuro, investir mais nas outras ETFs.

    Guilherme, em se tratando de renda variável, você só investe em ETFs??

    Grande abraço!

  7. rodpba 15 de outubro de 2010 at 10:50 #

    Mais um excelente post, Guilherme.

    Gostaria de adicionar 3 pontos:

    – 20k daqui a 20, 30 anos não valerão o mesmo que 20k hoje.
    – há de se fazer uma conta para ver se as mais numerosas corretagens pagam a isenção
    – como você disse, a isenção pode cair no futuro com a bolsa mais madura

    Um abraço

  8. José Messias Ruggieri 15 de outubro de 2010 at 11:33 #

    Oi Guilherme,

    Bom post, porém acabo por não concordar, não acho que estou no segundo grupo citado porém também não estou no primeiro, quem sabe um meio termo.

    Porém, para quem sabe o que está fazendo na bolsa. Ou seja, tem horizonte de longo prazo, pois ações são para longo prazo, realmente não vejo nenhuma vantagem em se aplicar em fundo de ações ao invés de comprar as ações diretamente. Lembrando que utilizo o método de compras mensais com horizonte de mais de 15 anos.

    Meus motivos são os seguintes:
    – Isenção de pagamento de IR para vendas menores de 20% a.a. (Estou falando do que acontece, hoje, visto que não tenho bola de cristal para saber o que pode vir a ocorrer no futuro).
    – Não preciso pagar taxa de administração todo ano, mesmo em anos que meu rendimento for negativo (Para pequenos patrimônios tudo bem, mas no futuro daqui a 15, 20 anos se eu conseguir juntar o patrimonio que desejo, mesmo que uma pequena taxa de administração me comeria uma boa grana).
    – Dividendos caindo na minha conta corrente, para eu fazer o que quiser com eles, reinvestir em mais ações (engordando o bolo) ou então quando tiver um patrimônio maior podendo optar por sacar os dividendos para gastos próprios ou outros investimentos.

    Outro fator que acabo não concordando muito é o de você acabar generalizando que os índices geralmente ficam iguais ao Bovespa, mas que seria muito difícil no longo prazo um investidor sem grandes conhecimentos fundamentalistas, conseguir criar uma carteira com boa diversificação e controle de risco e conseguisse retornos parecidos. Não concordo muito com isso, acho que é possivel, considerando um horizonte de LP e não se metendo em muita empresa mico, que o investidor consiga um retorno similar. E conseguindo um retorno similar os fundos não teriam então vantagem alguma.

    Na verdade se esses fundos de índices foram comprados através de bancos que oferecem por exemplo o PIBB e para isso cobram taxas de 1,5% a.a. aí então não dá nem para levar em consideração.

    Grande abraço e aguardo suas posições com relação a esse pontos que coloquei.

  9. Coringa 15 de outubro de 2010 at 11:53 #

    Acho que a maior base fundamental para ratificar o que está no post e incentivar a compra de ETF´s é a seguinte: O mercado norte-americano,muito mais maduro,mais experiente, com inúmeras bibliografias lançandas todo ano sobre o mercado financeiro, já assevera que no longo prazo pouquissímos investidores conseguem bater o índice.Se profissionais de finanças que se dedicam 100% a isso não conseguem batê-lo(a maioria), muito menos o fará o investidor individual.
    Porém, sempre há aqueles que acham que com eles vai ser diferente…..

  10. Afrânio 15 de outubro de 2010 at 11:56 #

    Parabéns pelo belo artigo. Mas fiquei com uma dúvida: não existe nenhum fundo de ações que bateu o IBOVESPA por mais de 15 anos?

  11. Willy Fog 15 de outubro de 2010 at 14:31 #

    Excelente Guilherme! Boa reflexão!
    .
    Já posso até ver uma manchete de jornal daqui a 30 anos: “Investidores de fundo de índice ETFs dos últimos 30 anos obtem uma rentabilidade absurdamente maior do que investidores de carteiras individuais.” 😛
    .
    Abcs

  12. Ricardo Borges 15 de outubro de 2010 at 14:51 #

    Guilherme, tem duas dúvidas:
    1 – a liquidez do PIBB11 ainda não é baixa?

    2 – Caso eu use as 10 ou 20 ações mais líquidas do Ibovespa, porém em vez de usar a mesmo mesmo peso delas no índice, usar a mesma porcentagem para cada uma, ou seja, se forem 10 ações peso na carteira de 10%, e 20 ações de 5% cada uma, qual será a rentabilidade aproximada?

  13. Guilherme 15 de outubro de 2010 at 15:15 #

    Major, a estratégia dos cachorros até que é interessante, porém, vejo 2 problemas: falta de estudos para analisar sua viabilidade no mercado brasileiro, e o problema maior de, cada vez que se tornar mais conhecida, perder o efeito na proporção inversa. É mais ou menos o que ocorreu com o “efeito janeiro” lá nos EUA: à medida q foi se tornando mais conhecida, impactou cada vez menos a rentabilidade.

    Jônatas, e vale mesmo! Apesar de tudo o que eu escreve no blog refletir minha opinião, deve-se sempre respeitar as posições de outros. É como a eterna briga dos analistas gráficos x analistas fundamentalistas, da qual eu fico cada vez menos motivado a meter minha colher no meio. Há vantagens e desvantagens em ambos. O mercado é democrático. Aceita tudo.

    ID, é como diz o ditado: “não há almoço grátis”….rs

    Henrique, vc tem razão!

    Erico, excelente a sua ideia! Se todos fizessem o que você fez, certamente refletiriam melhor sobre seus investimentos em ações. Eu faço essa comparação constantemente com a porção de minha carteira de ações individuais, e a carteira hipotética representada pela compra de cotas de fundo de índice tem ganhado consistentemente. Ainda bem q minha carteira é pequena, pois qualquer 1% a mais de rentabilidade acumulada na taxa interna de retorno faz enorme diferença quando se trata de valores maiores.

    A migração de ações individuais para ETFs deve ser feita com cuidado. No seu caso, uma hipótese plausível é vender as ações lucrativas – VALE5, e manter as q estão no vermelho – PETR4 – até vc conseguir um valor q dê pra vender com lucro, ainda q mínimo – e se vc tiver paciência também para esperar pela valorização.

    Até lá, vc vai mantendo uma carteira mista, com parte em ações, e parte em ETFs. É só uma sugestão.

    Luiz Antonio, eu invisto em ações e ETFs, ou seja, tenho uma carteira mista, com base nas ideias que escrevi aqui: http://valoresreais.com/2010/07/16/pensando-em-uma-estrategia-mista-na-bolsa-de-valores-parcela-em-acoes-individuais-parcela-em-etfs/ Porém, à medida q avanço nos meus estudos sobre investimentos, tenho a forte tendência a aumentar o peso de ETFs, e a diminuir, na mesma proporção, a participação de ações.

    rodpba, pontos bem observados!

    José Messias, ótimas as suas observações! É interessante o leitor ter contato com ideias contrárias, para poder formar opinião. Os custos das taxas de administração dos fundos passivos de índice – considerando apenas os ETFs, e desprezando os fundos de bancos de varejo, cujas taxas são absurdamente altas – são o preço q se paga para ter 2 benefícios: (a) gasto mínimo de tempo fazendo a diversificação; e (b) rentabilidade máxima do investimento.

    Tendemos a acreditar que, quanto mais conhecemos do mercado, maiores serão as possibilidades de batermos o índice. Essa é uma suposição errada, derivada de um traço da personalidade humana que nos confere poder para superestimar o que fazemos. E isso não é confirmado apenas por psicólogos, mas ratificado por extensas pesquisas do mercado acionário nos EUA, onde se confirma que a maioria esmagadora dos gestores profissionais de fundos de ações não conseguem ganhar do índice, no longo prazo.

    Aliás, não é preciso chegar tão longe. Basta ver que, no Brasil, não temos publicidade comercial de fundos de ações q se vangloriam de terem batido o IBOV num período suficientemente grande de acumulação de capital – 15 a 20 anos.

    Por incrível q pareça, e estou cada vez mais convencido disso, ao tomar contato com as evidências científicas originadas de estudos acadêmicos nos EUA, a “lei do menor esforço”produz os melhores resultados, entendida essa lei nos seus exatos termos: investimento em fundos de índice passivo.

    Conforme eu comentei no blog do Jônatas, acreditar nisso vai contra a tendência natural de nossa vontade. Queremos estudar cada vez mais, e, estudando mais, obteremos melhores retornos. Isso é verdade até certo ponto, e é claro que existe uma transparente relação esforço/recompensa no mercado de ações, mas isso quando se estuda o mercado pelas lentes que reúnem os fundamentos mais sólidos, ou seja, que estejam amparados em análises estatísticas e números, durante um período temporal suficientemente grande.

    Analisar a Bolsa é estudar, em última análise, números. E os números estão francamente favoráveis aos investimentos indexados.

    A taxa de administração dos fundos é o preço que se paga para não gastar tempo nem energia analisando o mercado. Algumas taxas não se pagam, outras compensam. Os ETFs brasileiros, de uma maneira geral, compensam. A taxa do PIBB compensa muito. As taxas dos fundos de ações de bancos de varejo são horrorosas.

    A isenção de IR e os dividendos são fatores atrativos no investimento em ações individuais, mas também têm o seu custo de oportunidade, como expliquei em outro artigo: http://valoresreais.com/2010/09/17/2-fatores-que-tornam-atrativo-no-brasil-o-investimento-em-acoes-individuais-em-relacao-aos-etfs/

    A questão não é ter desempenho suficiente para bater o índice, a questão é verificar se compensa todo o desgastante trabalho de análise de ações para bater o índice. Uma carteira de R$ 1 milhão que renda 10% no ano, com ETFs, retorna R$ 1.100.000,00 brutos. Por hipótese, suponha uma carteira de gestão ativa que consiga bater o índice e fique em 11%, retornando R$ 1.110.000,00 brutos.

    Vamos supor que o investidor ativo tenha se dedicado 4 horas por dia para estudos de mercado, para conseguir os R$ 10 mil extras, num ano, ou seja, durante 12 meses. Valeu a pena gastar um quarto de seu tempo útil diário para conseguir menos de 1% extra de rentabilidade sobre o índice, ou seja, R$ 10 mil? O que ele poderia fazer nessas 4 horas: fazer uma academia por 1 hora, gerando retornos positivos para sua saúde, o que implica menos gastos de remédios. E as outras 3 horas fazendo hora extra no seu trabalho, com ganhos que podem ser maiores do q esses 10 mil.

    Ou então estudar para um concurso, q lhe renda um acréscimo de R$ 40 mil anuais no seu salário. Ou ainda, fazer uma pós-graduação, q lhe renda um acréscimo de outros R$ 40 mil anuais no seu trabalho. Ou ainda, reforçar o relacionamento com sua família, evitando uma separação/divórcio, q custaria bem mais do q os R$ 10 mil extras q conseguiu por ter estudado batendo o índice.

    Veja, então, q o fato de estudar análise fundamentalista para bater o mercado também têm seus custos de oportunidade, e, nessas condições, esse custo pode acabar saindo caro demais.

    Além disso, note que estamos falando de um patrimônio grande para conseguir uma rentabilidade extra pífia. Imagine para valores menores, o quanto desse custo não estaria na verdade revertendo em prejuízo para o investidor q se propõe a ganhar do índice.

    De mais a mais, o mais comum é acontecer exatamente o contrário, ou seja, o ETF render 11%, e a carteira própria 10%. Numa carteira pequena, talvez 1% a menos do que o índice não faça tanta diferença. Mas numa carteira com centenas de milhares de reais….

    O problema no Brasil é q os ETFs não são populares, os fundos de ações q replicam indices, de bancos, são caros, e não há bibliografia sobre esse tipo de assunto, como bem ressaltou o Coringa. Estou apenas tentando trazer a debate um assunto que a mídia, a grande mídia, não trata, simplesmente porque não interessa a ninguém esse tipo de assunto. Só o tempo dirá se valeu a pena colocar esse debate em voga ou não….

    Afrânio, eu não conheço.

    Coringa, faço minhas suas palavras.

    Willy, concordo plenamente!

    Ricardo, é menor do que a do BOVA, mas não tão preocupante a ponto de ficar desinteressante o investimento no PIBB. Eu tenho PIBBs e todo dia tem gente querendo comprar. E se eu quiser vender, todo dia de Bolsa tem gente querendo vender. Logo, o requisito da liquidez encontra-se preenchido, ainda que mínimo.

    Ademais, alguns bancos mantém fundos de ações baseados em PIBB, o q os obriga a mantê-los em carteira e dar liquidez ao mercado.

    Sobre a sua segunda pergunta, não sei informar, mas provavelmente haveria um descolamento do índice, para baixo, ou seja, ficaria com rentabilidade inferior ao índice. Mas isso é apenas uma suposição.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  14. Rulio 15 de outubro de 2010 at 15:37 #

    Vcs poderiam me ajudar c/ uma dúvida: como devo recolher o IR da venda de cotas de ETF? Devo emitir um DARF referente ao mês da venda, assim como é feito c/ a venda de ações individuais?

  15. Erico 15 de outubro de 2010 at 17:21 #

    Guilherme,

    Muito bom seus comentarios! parabens novamente pelo tempo dedicado ao blog!

    Voce saberia me dizer quais os riscos de aplicar em um ETF?? Tenho duvida em relacao a isso… qual seria o Risco de Credito de um fundo desse tipo? Outro risco seria o Risco de Mercado, que ao meu ver eh menor que ao aplicar em uma acao pois existe a diversificacao… mas quanto ao risco de credito do fundo nao sei como funciona!

    Um ETF pode quebrar?
    O gestor pode desistir de manter o fundo? e os contistas como ficam?
    Existe alguma possibilidade de o dinheiro ser “confiscado” de um fundo deste tipo, ou melhor dizendo, de alguem roubar esse dinheiro!?

    Ao aplicar em acoes esses risco de credito ao meu ver eh mais claro e transparente! Se a emrpesa nao quebrar, tu continuas com os ativos em custodia… ja num fundo, voce nao tem emrpesas, voce tem cotas, e essas cotas podem sumir!? desaparecer? como eh feito o controle… em quem confiar!?

    abss
    Erico

  16. Guilherme 15 de outubro de 2010 at 17:57 #

    Rulio, sim, por meio de DARF.

    Érico, os fatores de risco nos investimentos em ETFs podem ser lidos aqui: http://br.ishares.com/content/stream.jsp?url=/content/br/pt/repository/material/BOVA11_Risk_Factors_PT.pdf&mimeType=application/pdf – para o ETF BOVA (que na prática vale também para os demais ETFs administrados pela iShares) – e aqui: http://www.pibb.com.br/orientacao/FatoresRiscoFundo.htm para o PIBB.

    Como qualquer produto ou serviço do mercado financeiro, um fundo de ETF, ou melhor, a gestora desse fundo – BlackRock (iShares) e Itaú (PIBB) – pode(m) quebrar, assim como um banco privado e até o próprio governo.

    Entretanto, dado o atual cenário existente, considero essa hipótese bastante remota, uma vez que, para um fundo do porte dos ETFs existentes, ser admitido à negociação, tem que passar por uma série de “filtros” e autorização dos órgãos regulamentadores: CVM, Bovespa etc.

    Isso, é claro, não isenta a possibilidade de quebra, mas diminui bastante o risco.

    Não vejo possibilidade concreta de roubo de dinheiro, sumiço das cotas ou atividades congêneres. Embora “tudo possa acontecer” no mercado (tal como já tivemos no passado, com o confisco da poupança, calote da dívida pública), essas possibilidades são bastante remotas no atual cenário, embora, repito, não possam ser descartadas a priori.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  17. Major 15 de outubro de 2010 at 19:43 #

    Ótimas ponderações Guilherme!

    Eu também acredito que seja muito difícil bater o índice. Eu nem desejo isso.

    O problema do imposto sobre os ETFs é que ele pode gerar uma rentabilidade negativa no seu portifólio quando descontada a inflação:

    Imagine que em um período de 10 anos o PIBB apenas corrija uma inflação dada de 500%. Ou seja apenas realizou a correção monetária do seu investimento. Num cenário destes na hora da venda vc teria que pagar 15% sobre esta valorização o que te geraria um retorno real de -12,5%.

    Não é isso ?

  18. Guilherme 15 de outubro de 2010 at 21:06 #

    Obrigado, Major!

    Entendi o que vc está dizendo. É um cenário possível sim: ver o Índice Bovespa ser corrigido apenas pela inflação, o que, dado a tributação incidente sobre os ganhos – e considerando que esses ganhos não representem retornos reais sobre a inflação, implicaria num investimento com rentabilidade negativa. Considerando essa hipótese, haveria vantagem no investimento direto em ações, desde que não houvesse vendas superiores a R$ 20k no mês.

    Gostaria, apenas, de sugerir outro cenário que também é plausível: o índice apresentar retornos reais, acima da inflação. Levando em conta o histórico de a Bolsa brasileira valorizar 8% a.a. acima da inflação, mesmo considerando o naco de 15% entregue ao Governo, sobre a correção monetária, e também sobre a parte exclusivamente de ganhos reais, ainda assim haveria retorno positivo do investimento.

    O grande problema da tributação, como vc bem destrinchou, é o fato de a tributação incidir inclusive sobre a correção monetária, fato também observado por W. Bernstein, em livro comentado anteriormente.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  19. Afrânio 16 de outubro de 2010 at 15:21 #

    Guillherme, então essa é mais uma sugestão de artigo: Fundos de Ações X IBOVESPA na estratégia de longo prazo. O que acha? Será que não existe um só fundo que valeria a pena?
    Abraço!

  20. Guilherme 16 de outubro de 2010 at 15:54 #

    Olá, Afrânio, obrigado pela sugestão de artigo.

    Deve haver, sim, no mercado, fundos que valham a pena. Afinal, alguns gestores profissionais tendem a ter um desempenho acima do mercado, e muitos outros abaixo, para fazer o IBovespa ficar na média, entre eles. Dentro de um período curto de tempo, de 1 a 2 anos, é possível encontrar vários fundos que tenham ganhado do índice. O problema é que, no longo horizonte de prazo, eles acabam perdendo. E a taxa de administração da maioria dos fundos de ações acaba comendo grande parte do retorno líquido dos fundos, diminuindo sua atratividade.

    Uma alternativa são os fundos multimercado. Para tal, recomendo uma ótima série do blog HC Investimentos: http://hcinvestimentos.wordpress.com/2010/07/26/os-melhores-fundos-de-investimentos-parte-i/ que aborda alguns fundos que se destacaram num período de 5 anos ou mais.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  21. Naelyan 16 de outubro de 2010 at 18:38 #

    Guilherme,

    Ótimo artigo. Mais uma boa aula sobre ETFs! E obrigada também por nos ajudar no nosso post sobre BOVA e o PIBB, nos tirou uma baita dúvida. Depois de tudo que foi discutido, concluímos que continuaremos com nossos investimentos no PIBB e renda fixa e talvez mais para frente, investir um percentual no SMAL CAPS.

    Legal que quanto mais o assunto é debatido, mais pessoas tem oportunidade de conhecer os ETFs. Como você mesmo disse, não há interesse por parte das corretoras e bancos em divulgar esta forma de investimento. Então é graças à artigos como o seu que as pessoas podem descobrir e aprender sobre esta forma de investimento.

    Abraços

    Naê

  22. Guilherme 16 de outubro de 2010 at 18:45 #

    Oi, Naê! Obrigado pelas palavras!

    Fico feliz em poder ajudá-los na escolha dos melhores investimentos. É de bom alvitre investir uma parcela do capital em small caps, uma vez que tende a apresentar uma boa rentabilidade sobre os índices de ações mais amplos, acrescentando, ainda, o benefício da diversificação em sua carteira de investimentos.

    Vamos que vamos na divulgação dos ETFs!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  23. Reverson Lima 17 de outubro de 2010 at 15:36 #

    Mais uma excelente aula! Parabéns, Guilherme.

  24. Erico 18 de outubro de 2010 at 13:31 #

    Guilherme,

    Obrigado novamente pelo esclarescimento!

    Estou pensando seriamente em colocar o plano de trocar minha carteira por ETF, estou lendo bastante e comecei a pouco a buscar informacoes, pois estou querendo ter mais tempo livre para estudar…

    Li um post seu que vc fala que nao existe fracionario para ETFs… essa afirmacao eh para algum etf exclusivamente ou todos ETFs negociados no Brasil nao possuem!?

    Uma outra duvida é em relacao a taxa de adm., vc sabe se o gestor do fundo pode aumentar essa taxa quando quiser?

    A terceira e ultima duvida eh em relacao ao funcionamento do gestor num fundo deste tipo… por exemplo… o fundo tem cotas limitadas ? se sim, imagine a situacao que ninguem quer vender suas cotas e muitos querem comprar… o valor da cota ira subir mais que o valor do indice que o fundo deve replicar, certo? errado? como funciona exatamente isso?

    Desculpa tantas perguntas… e sinta-se a vontade para responder somente se puder! rs rs

    Muito Obrigado.

    Abracos,
    Erico

  25. Rafael 18 de outubro de 2010 at 16:00 #

    Guilherme, descobri há pouco tempo seu blog e estou achando o mesmo muito bom. Tem vários posts interessantes.
    Mas vamos ao assunto deste post. Eu mesmo venho pensando e retardando minha entrada na renda variável (só possuo poupança), desde que foi lançado o PIBB (SE eu tivesse entrado … maldito SE). E ultimamente tenho tido justamente nesse dúvida, na verdade entre comprar ações diretamente, ETFs ou o fundo XP Investor FIA (você conhece?).

    Duas dúvidas que queria esclarecer sobre os ETFs:
    1) Posso determinar o preço que eu quero lançar a minha ordem de compra ou de venda de ETFs?
    2) Como é paga a taxa de administração dos ETFs?

    Abraço

  26. Guilherme 18 de outubro de 2010 at 20:19 #

    Reverson, obrigado.

    Erico, vamos lá:

    1) Os ETFs possuem fracionário, sim, mas ele vai até 9. Se vc quiser comprar 10 cotas, irá pagar corretagem cheia, naquelas corretoras que cobram. Se quiser comprar 47 cotas, terá que lançar duas ordens de compra: uma no fracionário, de 7 cotas, e outra no padrão, de 40 cotas. Não existe fracionário para os FIIs.

    2) Em tese, sim, pode aumentar quando quiser. Mas acho muito difícil aumentar o valor da taxa de administração, uma vez que isso desagradaria os cotistas, e poderia até diminuir a liquidez.

    3) Na verdade, o valor de negociação das cotas é “controlado” pelo gestor. Ou seja, mesmo que tenha uma anormalidade – alguém querendo comprar ou vender muito – ao final do dia o valor da cota espelhará o valor do índice subjacente.

    Qualquer dúvida, pergunte!

    Rafel, obrigado.

    Sobre o XP Investor FIA, não conheço, infelizmente não posso dar opiniões.

    1) Sim, vc pode determinar o valor. Ela será executada se tiver dentro dos padrões do mercado no momento da negociação dos fundos.

    2) A taxa já é embutida no valor das cotas. Vc não precisa pagar “por fora” essa taxa – apenas o IR, que deverá recolher mediante DARF.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  27. Rafael 18 de outubro de 2010 at 20:43 #

    Obrigado pelas respostas, Guilherme, mas continuo não entendo a cobrança da taxa de adm.
    Se está embutida, como a administradora (BlackRock ou Itaú, no caso) vai receber a taxa? O valor que eu pagar não vai todo para a pessoa que me vender? E se eu comprar e segurar por longo prazo, como eles vão me descontar a taxa de administração que seria anual?
    Desculpe se a minha dúvida é muito de “novato”.
    Abraço, e obrigado mais uma vez.

  28. Erico 18 de outubro de 2010 at 21:42 #

    Guilherme,

    Obrigado novamente!
    Entendi seu ponto de vista, mas para resposta 3 acho que existe uma duvida ainda…
    o gestor para dar liquidez e manter o valor da cota proximo do indice ele deve vender ou comprar papeis…

    caso ele tenha que vender ou comprar mais do que tenha de papeis o que ele faz?
    ele vai ao mercado e compra acoes que irao virar cotas (caso de muitas compras de cotas no mercado)…. e tb ele pode ir ao mercado e vender as acoes, destruindo assim cotas em acoes que viram dinheiro e ele pode entregar ao comprador… ( no caso de muitas vendas de cotas!)

    caso isso aconteca entao o fundo nao eh de capital fechado….!??
    eu acho que ETFs possuem um numero XXX de cotas, e um patrimonio YYY que seria o valor das cotas X o numero de cotas no mercado.

    Nao sei se consegui ser mais claro!
    Senao, vamos nos falando que tento explicar melhor!

    Abracos,
    Erico

  29. Guilherme 18 de outubro de 2010 at 22:03 #

    Rafael, o valor da taxa de administração é descontado do valor da cota, em relação ao valor que seria o espelho fiel do índice. P.ex., uma cota que é negociada a R$ 69,87, provavelmente teria o valor de, digamos, R$ 70,00. A taxa de administração seria correspondente aos R$ 0,13 de diferença. Alguém aí com mais entendimento no assunto, me corrija se eu estiver errado.

    Então, se vc segurar no longo prazo, a cada compra, não conseguirá comprar o valor espelho do índice, mas um valor um pouco menor.

    Erico, qto à sua dúvida, eu sinceramente não sei qual é o mecanismo de atuação do gestor, caso precise vender/comprar ações, para fazer recomposição do valor das cotas de modo a espelhar o índice.

    Os ETFs não são totalmente de capital fechado, porque o cotista pode, em tese, transformar as suas cotas em ações, em valor proporcional ao peso das ações no índice, através de um mecanismo conhecido como resgate. Mas precisaria deter milhões de reais para fazer isso. Vamos ver se alguém aqui no blog consegue responder com mais precisão.

    Pra mim tb é um mistério o mecanismo de atuação do gestor. E, com a progressiva liquidez do mercado, não sei como eles conseguem controlar o valor da cota para que continue espelhando o valor do índice durante os pregões.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  30. Rulio 21 de outubro de 2010 at 12:07 #

    Pessoal, tenho outra dúvida atrasa e gostaria de saber se alguém poderia responder: a Receita Federal dispõe de meios para diferenciar a venda de cotas de ETF da venda de ações individuais? Ou seja, quando realizo venda de cotas de ETF via homebroker, a Receita consegue identificar que estou vendendo ETF ao invés de ações individuais? Pergunto isso porque vendi algumas cotas antes da publicação da Instrução Normativa e estou em dúvida sobre o que fazer. Obrigado e parabéns pelos artigos!

  31. Guilherme 22 de outubro de 2010 at 10:37 #

    Rulio, realmente não sei lhe informar. Vamos ver se alguém aqui tem essa informação.

    Obrigado!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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