Você consegue poupar R$ 40 por semana, durante 3 meses?

Essa pergunta tem um propósito. Há alguns dias, mencionamos o caso comentado por Mauro Halfeld em seu programa na rádio CBN, do sujeito que economizou R$ 40 por dia, e conseguiu, ao final de 3 anos, não só ter dinheiro para comprar o carro à vista, como também ainda sobrarem R$ 9 mil. O investimento para a compra de um carro pode ser considerado de médio prazo, dados os objetivos do plano – compra de um bem de consumo durável, de alto valor – e o horizonte de aplicação – 3 anos.

A questão que se coloca não é tanto o objetivo que se tem em vista durante esse período de 3 meses, mencionado no título do artigo, mas sim o valor que se consegue economizar. R$ 40 por dia talvez seja um exercício difícil de poupar, mas R$ 40 por semana… pera lá, são menos que R$ 6 por dia. Algo em torno de três cédulas de R$ 2. Por dia. Dá menos que uma cédula de R$ 50 por semana.

Façamos as contas: em um mês, a economia será de R$ 160. E, em três meses, será de R$ 480. Vamos arredondar para R$ 500, porque, durante esse período, você certamente conseguirá economizar mais, se levar a cabo esse disciplina de poupança.

Mas pra quê, afinal, investir no curto prazo? Há dois objetivos nesse divertido exercício de poupança. O primeiro é para usufruir de um benefício tangível. Tem que ser uma economia dirigida a uma finalidade consumível. Materialista.  É para você enxergar que poupar vale a pena. E não apenas enxergar, mas também ouvir, saborear… Não se trata de economizar R$ 500 durante 3 meses para, com esse dinheiro, investir na compra de um ETF, fazer um aporte extra no plano de previdência privada, ou colocar num fundo de renda fixa. Trata-se de economizar R$ 500 para gastar. E gastar em coisas que lhe dão prazer e satisfação. Trocando em miúdos: é para torrar mesmo. Sem dó. Nem piedade. Você reserva um dinheiro todo mês para diversão? Então a diversão será dobrada ao final desses três meses.

O que você poderia fazer com esses R$ 500? Algumas sugestões: um pacote de jantares no melhor restaurante de sua cidade, sem se preocupar em olhar o lado direito dos menus, concentrando sua atenção visual apenas na descrição dos pratos. Uma bela de uma roupa. Um final de semana num hotel de sua preferência. Um kit de livros e discos DVD ou Blu-ray, com direito a “embalar para presente”, caso você os compre através da Internet. Uma mala de viagens novinha em folha, para substituir aquela meio surrada que está encostada no armário.

Êpa… estaria esse blog subvertendo todos os valores até aqui sustentados, passando a defender o consumismo materialista? 😛 Não! 😀

E é aqui que vem o segundo objetivo desse exercício de poupança: treiná-lo(a) para aguentar firme e forte os objetivos de longo prazo. Ouço muita gente dizer que investe na Bolsa para longo prazo, mas, ao primeiro sinal de desconforto, vende suas ações. Conheço gente também que estava fazendo um plano próprio de investimentos de longo prazo, mas, por um motivo ou outro, teve que retirar dinheiro desse investimento para cobrir despesas imprevistas que surgiram de uma hora para outra.

O problema dos investimentos de longo prazo é esse: são longos demais. Você não vê resultados tangíveis no curto prazo – tangíveis no sentido de serem usufruídos, ou seja, serem gastos, convertidos em bens de consumo. Como consequência, aos poucos você vai ou perdendo a motivação e poupando menos, ou tirando dinheiro do plano e alterando sua estratégia de investimentos no meio do caminho.

E tudo isso ocorre porque damos um salto longo demais. É como se preparar para uma maratona treinando cem metros rasos. Você cansa logo. E se cansa logo porque seu corpo e sua mente não estão habituados com o novo ritmo, e, sobretudo, não vê resultados concretos desse esforço de poupança. É preciso fazer uma adequação, uma adaptação. O que você pretende fazer com a aposentadoria? Não é consumir pelo menos parte do dinheiro poupado e investido? Então treine sua disciplina de longo prazo realizando investimentos de curto prazo e consumindo esses investimentos – de curto prazo, eu disse!

Além disso tudo, como já dissemos anteriormente, você não pode investir como se fosse viver só no futuro. Ninguém, em sã consciência, investe só para metas de looooooongo prazo. Há metas de prazo menor que necessitam igualmente de disciplina e esforço. Eis algumas: compra de uma casa, compra de um carro, pagamento da faculdade, realização da viagem de férias, substituição da TV da sala, pagamento da matrícula da escola, impostos de janeiro (IPTU, IPVA etc.), presente de casamento, presente de Dia das Crianças, presente de Natal, presente de aniversário… muita gente se enrasca em financiamentos com juros altíssimos e parcelamentos a perder de vista por esse simples motivo: não pouparam R$ 40 – ou qualquer outro valor que seja – por semana. Como consequência, não só não tem dinheiro para comprar à vista – afinal, o salário líquido já foi devidamente “vaporizado” – como também perdem a ótima oportunidade de conseguirem descontos e também usufruírem um pouco dos juros compostos.

Para cada um desses objetivos de curto prazo, é preciso respeitar um mínimo de planejamento e esforço. E tudo fica mais fácil a partir do momento em que você se organizar, poupando e investindo não só para o longo prazo, mas também para essas metas mais factíveis de curto prazo. Você precisa usufruir das pequenas recompensas, no meio do caminho, como forma de se motivar para colher as grandes recompensas, na jornada de maior duração.

E então, vamos poupar R$ 40 por semana?

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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13 Responses to Você consegue poupar R$ 40 por semana, durante 3 meses?

  1. Vida Boa Investimentos 5 de setembro de 2010 at 11:11 #

    Legal essa abordagem Gui… É uma excelente maneira de se aprender a investir…

    Eu tenho muitos amigos que não conseguem comprar nada à vista.. E fazer isso já é um grande passo para muitas pessoas..

    abracos e sucesso!!

  2. Guilherme 5 de setembro de 2010 at 11:19 #

    Ôpa, grande Vida Boa!

    Eu também conheço gente que não resiste a um financiamento – ou a um parcelamento no cartão… triste essa realidade… é o consumismo e o imediatismo que ainda imperam para a maioria das pessoas.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Jônatas 6 de setembro de 2010 at 0:48 #

    Guilherme, Vida Boa,

    Como já dizia os Mamonas: “a alegria é o crediário das Casas Bahia”.
    E falo que a lavagem cerebral é tão grande que quase sou massacrado quando falo para meus alunos que o melhor é economizar um pouco a cada mês para poder comprar as coisas à vista.

    Abraço!

  4. Guilherme 6 de setembro de 2010 at 10:50 #

    Jônatas, criar a cultura dos pagamentos à vista é um desafio e tanto, nessa sociedade imediatista. Mas aos poucos vamos fazendo nossa parte…

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Luis Otávio 6 de setembro de 2010 at 12:20 #

    guilherme, tudo bem ?
    Excelente sugestão, começarei a fazer e depois lhe digo os resultados.
    Abraços.

  6. Guilherme 6 de setembro de 2010 at 21:15 #

    Isso mesmo, Luís! Depois conte pra gente os resultados!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Taciano 22 de agosto de 2011 at 23:42 #

    É uma boa idéia, mas para quem é salariado, é complicado por que você só recebe uma vez por semana. Tenho 20 anos e recentemente, comprei uma moto bros 2011 dividir em 48 parcelas de 344,71 reais, comprei ela por que trabalho meio periodo no setor de cobrança do banco Itaú e no outro trabalho fazendo entregas para um kit festa. Aí sim, dependendo da semana, eu posso guardar 40 reais. Mas se eu tivesse só trabalhando no banco, é mais complicado.

  8. Guilherme 23 de agosto de 2011 at 20:52 #

    Taciano, de fato é complicado para um assalariado. A solução passa pelo aumento das fontes de renda ativa, isto é, aquela proveniente de trabalho. E você está fazendo a coisa certa, procurando elevar seu padrão de renda com mais atividades de trabalho. Parabéns e continue assim!

  9. leonardo 30 de agosto de 2011 at 15:16 #

    Guilherme,

    Conheci seu blog há pouco mais de 1 mês e estou lendo praticamente tudo, e o que mais me intriga é o seguinte: Qual a finalidade de NÃO se dividir em 10x desde que NÃO tenhamos descontos à visa? Isso não é considerado como um empréstimo sem juros?
    No início do ano quando começou a sobrar um pouquinho mais de dinheiro eu combinei com minha esposa: “Se tivermos um descontinho, pagamos à vista, caso contrário dividimos no maior número de vezes sem juros”.
    O que está errado no meu raciocínio??

    abs

  10. Guilherme 31 de agosto de 2011 at 10:45 #

    Leonardo, a grande dificuldade dessa estratégia de pagamentos no maior número de parcelas reside no gerenciamento de tantas prestações. Muitas pessoas não conseguem ter um planejamento financeiro que leve isso em conta. Se você conseguir controlar tudo de forma equilibrada, é um ponto positivo de seu planejamento, sem dúvida.

    Outra dificuldade das compras parceladas é que elas impactam o fluxo de caixa futuro. É o outro lado da moeda. Começar o mês já devendo R$ 800, R$ 2 mil, R$ 5 mil, em compras parceladas, “sufoca” muitas pessoas, psicologicamente, e lhes impede, muitas vezes, de conseguir ter uma vida financeira controlada.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  11. Rosana 26 de outubro de 2015 at 6:33 #

    Muito interessante esse artigo, pois motiva as pessoas a usufruírem de um bem maior lá na frente, mas vejo como principal o hábito de poupar, que se for levado à sério, trará muitos benefícios a médio e longo prazos, além de proporcionar uma consciência maior dos gastos atuais, se realmente são necessários ou são impulsos momentâneos devido ao marketing agressivo.

    Abraços e boa semana!

    • Guilherme 28 de outubro de 2015 at 16:35 #

      Exato, Rosana, o hábito acaba sendo o determinante nessa história!

      Abç e boa semana também!

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