Vencendo a entropia psíquica ao lidar com suas finanças

Você já reparou que as pessoas geralmente fazem compras para compensar momentos de estresse, depressão e tristeza? Certamente você conhece alguma pessoa, colega de trabalho, amigo ou parente, que, influenciado por uma emoção negativa, resolveu ir ao shopping ou fazer uma encomenda na Internet, para tirar o estresse  (às vezes essa pessoa se encontra quando você se depara com o espelho…). Procura-se então um alívio material para compensar um problema de natureza psicológica. O problema é que esse alívio material normalmente é temporário, ou seja, não cura o problema. Como consequência, a compra tende a ser mal feita, gastando-se com supérfluos, quando se poderia muito bem evitar esse tipo de comportamento.

Mas por quê isso ocorre? É possível viver uma vida com mais tranquilidade, também nos aspectos financeiros?

Sim, é possível. E a solução para esse tipo de problema passa necessariamente por uma avaliação de sua mentalidade na relação com o dinheiro, mentalidade essa que envolve não apenas os aspectos racionais das decisões que você toma no seu dia-a-dia, mas sobretudo dos aspectos emocionais, de sua capacidade de lidar e gerenciar suas emoções.

De acordo com Mihaly Csikszentmihalyi, no excelente livro “A descoberta do fluxo”, resenhado tempos atrás (p. 29),

“Emoções negativas, como tristeza, medo, ansiedade ou tédio produzem ‘entropia psíquica’ na mente, isto é, um estado em que não podemos usar a atenção de maneira eficaz para lidar com tarefas externas”.

É por isso que você não pode tomar decisões que irão afetar sua vida quando estiver sob o domínio de emoções negativas. Porque as emoções negativas tiram sua atenção, fazem você se desconcentrar. É claro que, a cada momento, você está tomando decisões que, de uma forma ou outra, irão impactar os momentos subsequentes. O que quero dizer é que você não pode fazer escolhas, que irão ter repercussões duradouras, em momentos de entropia psíquica. Ao saber que não passou em um concurso público ou em um teste seletivo, você não deve “chutar o balde” e dizer que não irá voltar mais a estudar. Você deve dar um tempo, e voltar a refletir sobre o assunto quando estiver em melhores condições mentais. Da mesma forma, não vale a pena encerrar um relacionamento num momento de briga. Você também não deve vender suas ações só porque a China deu uma sacudida no mercado global. Sempre é melhor não tomar decisões “de cabeça quente”.

E isso vale também para suas finanças, para suas compras. A sua carteira fica indefesa quando você resolve praticar uma “loucura” (no sentido ruim da palavra), e, passada uma semana, ou até mesmo um dia, você pode se arrepender de ter feito escolhas inadequadas de consumo. Você deve comprar para recompensar, e não para compensar, como escrevi num artigo para o Dinheirama.

Afaste-se das emoções negativas. Além de não tomar decisões enquanto estiver sob a influência delas, lembre-se de que elas também são temporárias, e um dia passam. O tempo tudo cura. O ideal é que você reforce e valorize as emoções diametralmente opostas, isto é, as emoções positivas, tais como a felicidade, a força e o alerta. Mike explica (p. 30) que elas:

“São estados de ‘negaentropia psíquica’, ou entropia negativa, porque não precisamos de atenção para refletir e sentir pena de nós mesmos, e a energia psíquica pode fluir livremente para qualquer pensamento ou tarefa em que escolhemos investir”.

O bacana dessa ideia toda é que as atividades que realizamos sob a influência de emoções positivas tendem a produzir melhores resultados, uma vez que investimos energia psíquica em torno de objetivos claros e compatíveis (p. 30):

“As intenções, metas e motivações também são, portanto, manifestações da negaentropia psíquica. Elas concentram a energia psíquica, estabelecem prioridades e assim criam ordem na consciência. Sem elas, os processos mentais se tornam aleatórios e os sentimentos tendem a se deteriorar rapidamente”.

Você já reparou por que métodos de produtividade pessoal, como GTD, apresentam tanto sucesso? Por quê tantas pessoas procuram metodologias e abordagens que as façam se organizar nos planos pessoal e profissional? Melhor ainda: por que a vida fica melhor administrada quando estabelecemos planos, definimos metas, fixamos controles e assumimos prioridades?

Simples: porque elas permitem estabelecer ordem em meio ao caos. A desordem é o estado padrão. A aleatoriedade, por assim dizer, é o que prevalece, se houver inércia. É duro dizer isso, mas é a realidade. Pense por um momento: você já planejou o que irá fazer no seu próximo final de semana, ou no próximo feriado? Se não planejou nada, aposto que irá dormir até mais tarde, e, depois, ligar a TV, ou se distrair num shopping, ou ficar olhando para o céu.

Se você não se planeja, a mente divaga. Você tem distrações. E aí afloram sentimentos de confusão, depressão, inquietação quanto ao futuro, e por aí vai…

É por isso que abordagens como a metodologia GTD têm tanta procura e sucesso: porque elas fazem te concentrar. Elas prendem sua atenção em atividades que irão repercutir positivamente, ou seja, melhorar sua vida, num plano concreto, e não meramente abstrato. Porque, com planos, metas e princípios definidos, e com ações a serem realizadas na prática, fica muito mais fácil administrar o fluxo de trabalho e os projetos da vida pessoal.

O investimento de energia psíquica em atividades de seu dia-a-dia é fundamental para ter uma vida com mais qualidade. Em outras palavras, é preciso ter consciência daquilo que se faz. Você deve prestar atenção naquilo que prende sua atenção, e verificar se o que você faz tem alguma repercussão no seu auto-aperfeiçoamento, ou não passa de preocupações fúteis com externalidades e coisas que não irão impactar o seu dia-a-dia.

Dessa forma, aja procurando melhorar a sua realidade. Evite tomar decisões importantes, em suas finanças, sob a influência de emoções negativas. E, acima de tudo, tenha consciência a respeito das funções que o dinheiro desempenha, sabendo que ele deve ser como uma ponte para a realização de seus sonhos, e não motivo para pesadelos e noites mal-dormidas. 😉

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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2 Responses to Vencendo a entropia psíquica ao lidar com suas finanças

  1. Rosana 9 de fevereiro de 2014 at 6:19 #

    Muito interessante esse artigo.

    Quando estamos com o pensamento nublado pelas emoções negativas, nossas escolhas invariavelmente serão afetadas, sejam comprar, vender ou investir por impulso, falar o que não devemos, enfim, muitas coisas que nos levarão ao arrependimento depois.

    “Em outras palavras, é preciso ter consciência daquilo que se faz. Você deve prestar atenção naquilo que prende sua atenção, e verificar se o que você faz tem alguma repercussão no seu auto-aperfeiçoamento, ou não passa de preocupações fúteis com externalidades e coisas que não irão impactar o seu dia-a-dia.”
    Perfeito!
    Sem planejamento, os dias se vão e nada de concreto e que traga algum sentido de realização será feito.

    Abraços!

    • Guilherme 9 de fevereiro de 2014 at 14:30 #

      Oi Rosana, é isso mesmo, uma das coisas mais difíceis hoje em dia é estabelecer ordem em meio ao caos, ao caos diário e ao constante influxo de informações e damandas a que somos submetidos diariamente.

      E o planejamento acaba funcionando como uma ponte para a realização dos sonhos.

      Abç!

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