Você venderia “rendas vitalícias” compradas a preço de banana?

Onde comprar rendas vitalícias?

O exemplo norte-americano das anuidades

A ideia de rendas vitalícias soa muito atrativa, qualquer que seja o investidor. A possibilidade de usufruir de uma renda perpétua é uma das motivações que fazem as pessoas irem em busca da tão sonhada independência financeira.

No mercado financeiro norte-americano, onde a oferta de produtos e serviços é gigantesca, as rendas vitalícias são conhecidos como anuidades (annuities), que nada mais são do que contratos de longo prazo celebrados entre o investidor e uma companhia de seguros, onde a pessoa aporta uma grande quantia de dinheiro de uma só vez, e a seguradora lhe paga uma renda até morrer. O verbete respectivo na Wikipedia traz um bom resumo desse produto financeiro.

É claro que a definição acima dá apenas noções básicas desse tipo de produto. Hoje, o mercado de anuidades se sofisticou nos Estados Unidos e existem modalidades as mais diversas.

Mas a essa altura do campeonato você deve estar se perguntando: mas não é melhor o sujeito colocar  todo o patrimônio acumulado numa caderneta de poupança ou fundo DI e ficar sacando os rendimentos (apenas a parcela dos juros, deixando intacto o principal), até morrer?

Não, não é melhor. Lá, as taxas de juros são muito baixas, e um dos atrativos das anuidades são justamente as taxas de juros oferecidas, que são acima das praticadas pelo mercado. Por exemplo, quem aporta 100 mil dólares numa conta de anuidade imediata pode usufruir do pagamento de uma quantia anual de US$ 8.112 livres de impostos, pelo resto de sua vida. Considerando que a renda fixa de lá está pagando o equivalente a “um traço de audiência do Ibope”, ou seja, 1%, 2% (e ainda tem os impostos e taxas de administração), e levando em conta a solidez das instituições que oferecem esse tipo de produto (que podem não ter ficado tão sólidas assim depois do colapso de 2008), as anuidades são um produto muito competitivo no mercado norte-americano.

É importante dizer que se o sujeito morrer, o dinheiro aplicado não volta para a família do investidor. Há vantagens que compensam essa restrição, o que torna esse produto atrativo lá.

E aqui no Brasil?

Há uns tempos atrás, ouvi num podcast da Mara Luquet um comentário acerca do produto, de uma seguradora que estaria vendendo o produto aqui no Brasil, mas não lembro qual era a seguradora.

De qualquer forma, a maneira mais comum de comprar “rendas vitalícias” é por meio de planos de previdência privada do tipo PGBL. Só que essa compra não é feita de uma só vez, mas sim por meio de aportes feitos de maneira periódica, ao longo de várias décadas.

Da mesma forma que as anuidades norte-americanas, se o beneficiário da renda vitalícia morrer, durante a fase de recebimento dos proventos, o capital investido fica com a seguradora/banco, pelo menos nos planos abertos, comercializados pelas seguradoras e bancos de varejo. Há exceções, como nos casos de fundos de pensão multipatrocinados, de entidades fechadas de previdência complementar, onde o montante que sobrar volta para a família do beneficiário. Ainda, é possível escolher outras opções de renda vitalícia, como a renda vitalícia com reversão ao cônjuge, por exemplo, só que, nesse caso, o valor da renda mensal é menor.

Bom, se você não quiser esperar tanto tempo para começar a usufruir desde já das rendas vitalícias, é possível comprá-las em parcelas, ou seja, aos poucos, e usufruir de modo mais imediato. É evidente que aqui a vitaliciedade das rendas estará atrelada à solvência da empresa, isto e, à sua capacidade de gerar fluxos contínuos de pagamentos, ao longo de décadas. Os dois exemplos que quero destacar são as ações e os fundos imobiliários, exatamente por poderem serem compradas por qualquer investidor, e, mais importante do que isso, a preço de banana, em épocas de crise.

Ações que pagam dividendos

Não estou me referindo apenas às ações tradicionalmente consideradas boas pagadoras de dividendos, como as empresas de energia elétrica e concessionárias de serviço público em geral, mas sim a quaisquer ações de empresas lucrativas. No Brasil, no mínimo, 25% do lucro das empresas de capital aberto devem ser distribuídos aos acionistas. Essa é uma garantia legal. Nos Estados Unidos, não existe norma semelhante. Dessa forma, muitas empresas lá não pagam dividendos, e o exemplo clássico usualmente citado é a Microsoft (embora essa empresa tenha recentemente começado a pagar dividendos aos seus acionistas). A Berkshire Hathaway, que é a holding do W. Buffett, é uma empresa que até hoje não paga dividendos.

Comprar a preço de banana significa comprar em momentos em que as ações se encontram sub-valorizadas, o que é mais comum de ocorrer em momentos de crise.

Se você não estudar muito, o risco de fazer más escolhas é grande. Não se deve escolher ações apenas em função dos dividendos, mas também pensando na valorização do capital. Empresas que crescem é porque têm aumento de lucros, e aumento de lucros significa aumento de dividendos a serem distribuídos aos sócios.

Um mantra que costuma ser repetido no mercado é que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Mas pode nos dar boas pistas de escolhas adequadas. Grandes bancos brasileiros e siderúrgicas costumam pagar dividendos regularmente, assim como as elétricas e concessionárias de serviços públicos de uma maneira geral, conforme mencionado acima. Há empresas brasileiras que pagam dividendos ininterruptos há mais de 10, 20, 30 anos… o pressuposto do dividendo é o lucro. Tendo lucro, haverá dinheiro na sua conta.

Dessa forma, ao comprar mil reais em ações de uma dessas empresas você estaria então comprando rendas vitalícias. Não rendas vitalícias de mil reais, mas rendas vitalícias de dividendos pagos por essas empresas – 2% a.a, 3% a.a. Parece pouco, mas, se você manter a empresa na carteira, e o lucro crescer ao longo do tempo, a tendência é o percentual da taxa de dividendos aumentar. O caso do Arnaldo é emblemático. Ano passado, a Vale distribuiu cerca de R$ 1 por ação em dividendos. Como o preço médio de compra dele foi de R$ 3,72, o dividend yield em relação ao custo médio de aquisição alcançou 27%. Esse é um exemplo poderoso de renda vitalícia. Ou seja, para cada mil reais investidos, gastos, comprados em rendas vitalícias, ele teve direito, ao ano passado, a mais de R$ 270 em dividendos.

Mas cada caso é um caso, obviamente. Ninguém garante que a Vale continue a distribuir dividendos ininterruptamente nas próximas décadas. E, se o for, a compra das ações também não deve ser feita sem disciplina e um mínimo de bom senso. Compra de rendas vitalícias sim, mas a preço de banana, a não a preço de Ferrari. 🙂

A frase deve ser entendida em seus devidos termos: não há garantia alguma de que as empresas que você comprou continuem a pagar dividendos. É só uma maneira diferente e poderosa de pensar. E você pode pensar dessa forma se tiver a tentação a vendê-las em situações de crise na Bolsa: “puxa, será que vale a pena vendê-las agora? Estarei abdicando de uma renda vitalícia…”

Igualmente, quando houver oportunidades de compras na Bolsa, não pense apenas no ganho de capital de curto prazo, pense também na compra de rendas vitalícias: “êba, hoje vou comprar dois mil reais em ações do banco tal, vou comprar mais algumas rendas vitalícias…”

Mudar a mentalidade provoca em você uma mudança de comportamento, e isso poderá ter um estimulante efeito a você ver as ações sob outra perspectiva: a de garantirem proventos vitalícios.

Mais um recado: no começo da jornada de compras de rendas vitalícias, pode ser desanimador ver apenas centavos caírem na conta. Por isso, a melhor estratégia é aquela que envolve disciplina, regularidade, visão e ação de longo prazo, boas escolhas de ações, controle emocional e uma tática destina a estruturar uma carteira de acumulação de ações.

Fundos de investimentos imobiliários

Uma das grandes vantagens de viver de renda em função dos FIIs, em relação aos ganhos de aluguéis de imóveis de tijolo, reside na diversificação a um custo proporcionalmente menor. Você pode montar uma cesta de rendas vitalícias a partir de empreendimentos de diferentes naturezas: comerciais, industriais, residenciais, hospitalares.

Os benefícios da diversificação também diluem os riscos, uma vez que você consegue auferir ganhos em setores heterogêneos do mercado. Se um fundo deixar de pagar aluguéis, ou os pagar em proporção menor do que a esperada, você estará garantido pelos aluguéis de outras fontes de fundos.

O “problema” dos fundos é que não é tão fácil assim comprá-los a preço de banana. Eles exigem muito estudo para selecionar as melhores alternativas, paciência para esperar o melhor momento, e sabedoria na hora de diversificar. Em momentos de crise, eles são “duros na queda”, normalmente não se desvalorizam tanto quanto as ações – pelo contrário, chegam até a se valorizar, como demonstrou o Henrique Carvalho em estudos técnicos precisos a respeito, publicados no blog HC Investimentos.

Porém, o prêmio por boas escolhas é altamente recompensador, permitindo um fluxo de caixa muito interessante, e formando, juntamente com os dividendos, uma fonte extra de renda bastante bem-vinda.

Conclusão

Seja qual for a renda vitalícia que você irá comprar, uma orientação é fundamental: compre e mantenha. Buy and hold. A grande dificuldade aqui é resistir à tentação de vendê-las, seja para compras (imóvel, carro, eletrodomésticos, viagens etc.), seja para escapar de momentos de crise (quando há descontrole emocional, por exemplo).

Se você vender as rendas vitalícias, poderá não conseguir comprá-las pelo preço originalmente adquirido. E, aí, só restará espaço para lamentação e para torcida por uma nova queda do mercado, que resulte em desvalorização dos ativos.

Ademais, acompanhe de perto as fontes de suas rendas vitalícias, monitorando-as a fim de verificar sua saúde financeira, principalmente sob o aspecto da geração de lucros e fluxo de caixa, porque esses são os fatores que determinarão a distribuição, ou não, de dividendos e aluguéis aos acionistas e cotistas, respectivamente.

Como diz o slogan da Apple: think different. Pense diferente. Isso lhe ajudará a ver seus investimentos, que geram frutos, como rendas vitalícias, ainda que não sejam totalmente vitalícias. E, pensando assim, será mais difícil será vendê-las.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: em tempo, encontrei um artigo muito interessante da Universidade de Wharton, traduzida em português brasileiros, sobre esse tema das anuidades. Está aqui: Você trabalhou duro, economizou e acaba de se aposentar: como pretende cuidar de suas finanças agora?

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17 Responses to Você venderia “rendas vitalícias” compradas a preço de banana?

  1. Henrique Carvalho 19 de julho de 2010 at 10:00 #

    Olá Guilherme!

    Muito interessante o assunto sobre anuidades!

    Não temos muita referência aqui no Brasil, mas estou sempre aprendendo um pouco com minhas leituras de livros estrangeiros.

    O mercado lá é bem desenvolvido e sofisticado, permitindo o investidor escolher o produto mais adequado para ele.

    Renda vitalícia é um conceito bem interessante. Merece ser mais explorado.

    Obrigado por trazer este tema para discussão!

    Grande Abraço!

  2. Guilherme 19 de julho de 2010 at 10:25 #

    Olá Henrique, obrigado pelos comentários!

    Você tem razão, o mercado norte-americano é maduro e oferece um cardápio bem amplo de opções. Aos poucos o Brasil vai introduzindo aqui produtos cujos conceitos foram criados lá, como os planos de aposentadoria que vão diminuindo a exposição em ações ao longo do contrato, como os ciclos de vida.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. Evandro 19 de julho de 2010 at 21:14 #

    Olá Guilherme, tudo bem?

    A respeito da compra de renda vitalícia, acho que ouvi dizer, não tenho certeza, mas é o Banco Itaú e Corretora Icatu Hartford.

    Perdõe seu eu estiver falando besteira, mas é o que me recordo vagarmente, pois também ouvi , ou em rádio ou em alguma revista que li.

    Parabéns pela matéria.

    Fique com Deus e boa semana!!!

  4. gustavo 20 de julho de 2010 at 4:45 #

    grande hotmar, outro ótimo post. Eu já estou com a idéia bem sedimentada de me tornar realmente sócio de determinadas empresas, tanto é que quando compro seus papéis, penso num futuro distante ver o preço médio despencar para a casa dos centavos (por conta de splits, bonificações, dividendos, etc). A cada dia pego mais argumento para me tornar sócio para sempre de determinadas empresas. Acertar o tempo certo de entrada é dificil, então, se a empresa for realmente lucrativa e com boas perspectivas, não há motivo para vendê-la. Em tempo, tenho colegas que têm ações da petrobras a preço médio negativo. já pensou? tudo isso por conta dos dividendos já pagos, ou seja, a ação já devolveu em dividendos tudo o que o cidadão investiu. e olhe que petro não é tão boa pagadora de dividendos assim. em tempo, tem um artigo bem legal que li agora há pouco no http://www.blogempiricus.blogspot.com/. Acho que se encaixa de alguma forma no que falamos por aqui, vc no post e eu no comentário. abração e novamente parabéns pelo excelente trabalho.

    • Darlan Parucker Lueders 1 de setembro de 2011 at 18:06 #

      Este negócio de “preço negativo” serve somente para fins gerenciais, não para fins fiscais.
      Igualmente os cálculos para verificarção do retorno devem contemplar o custo de oportunidade, isto é:

      Exemplo: compro 100 ações PETR4 a R$ 20,00, totalizando investimento de R$ 2.000,00. Seguro este papel por 10 anos e recebo os seguintes fluxos de caixa a título de dividendos: 100, 120, 150, 180, 200, 230, 260, 290, 320, 350, totalizando R$ 2.200,00.

      O custo da ação continua sendo R$ 20,00, não R$ -2,00 (2000 – 2200 = -200 / 100 ações = -2).

      O que ele quis dizer foi que nominalmente já recebeu mais dividendos do que o valor investido. No entanto, ele corrigiu os R$ 2.000,00 investidos como se tivesse aplicado numa renda fixa a 10% a.a.? Se tivesse feito este cálculo, veria que seu investimento valeria R$ 5.187,48 (sem efeito de tributos).

      É preciso corrigir ambas as bases para verificar os resultados.

      Para fins deste exemplo, o yield inicial foi de 0,5%. Atualmente, seria:
      a. sem considerar a correção: 17,5%;
      b. considerando o valor correigido: 6,94%.

      Verifica-se que para este exemplo, o conceito da “renda vitalícia” seria aplicável, pois o yield estaria mais alto hoje (mesmo com valores corrigidos) do que na época do investimento. A questão é: 6,94% é um bom rendimento nos dias de hoje?

      • Guilherme 2 de setembro de 2011 at 18:59 #

        Darlan, ótimos comentários. Nos faz pensar e refletir mais a respeito das “rendas vitalícias”…

  5. Guilherme 20 de julho de 2010 at 10:54 #

    Evandro e Gustavo, valeu pelos comentários!

    Evandro, grato pela informação. Pode ser a Icatu mesmo, uma vez que ela tem trazido para cá produtos cujo conceito foi criado no mercado dos EUA.

    Gustavo, muito interessante essa ideia de preço negativo. Aliás, também bastante oportuno o link para o blog Empiricus.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Ana F. 20 de julho de 2010 at 22:19 #

    Olá, Guilherme,
    interessantíssimo, o assunto!
    Engraçado que, ainda hoje, eu estava me batendo com uns cálculos reduzir a despesa x aumentar a receita para garantir a indepenência financeira. A lembrança de garanti-la “aos poucos” foi valiosa.
    Abraço da nova leitora do blog,
    Ana

  7. Guilherme 24 de julho de 2010 at 7:44 #

    Ana, obrigado pelos comentários!

    Já que muitas pessoas parcelam suas compras de consumo, por quê não parcelar também suas compras de aposentadoria, não é mesmo!? 😀

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  8. Investidor de Risco 3 de junho de 2012 at 12:17 #

    Entendo que a regra aqui é… se deseja ter renda vitalícia, mantenha os investimentos em renda vitalícia… Mas de acordo com o momento e com as perspectivas futuras, não vejo problemas em trocar uma renda vitalícia por outra que tenha a possibilidade de gerar uma renda maior por um período prolongado…

    • Guilherme 3 de junho de 2012 at 18:39 #

      Exatamente, IR, também não vejo problema nessa estratégia. Com o tempo e a melhora na nossa capacidade de análise, é até natural que eventuais trocas ocorram…

      É isso aí!
      Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  9. Rosana 6 de fevereiro de 2014 at 7:52 #

    Eu não conhecia esse produto oferecido pelo mercado americano. Muito interessante.

    “Por exemplo, quem aporta 100 mil dólares numa conta de anuidade imediata pode usufruir do pagamento de uma quantia anual de US$ 8.112 livres de impostos, pelo resto de sua vida.”
    Acredito que esse tipo de renda deixe as pessoas mais despreocupadas em relação às finanças no futuro, o que consequentemente traz mais qualidade de vida. Se pensarmos ainda que na velhice geralmente os gastos aumentam devido consultas médicas e medicamentos, parece ser um excelente negócio.
    Nesse produto existe uma idade para a pessoa começar a receber, está vinculado à aposentadoria ou algo do tipo?
    Pena que no Brasil não exista um produto assim…
    A previdência privada tem altas taxas de administração, de forma que não considero ser um bom produto, exceto para aquelas pessoas que têm dificuldade de guardar dinheiro com mais disciplina.
    Muito boa a sua dica de investir em FII com esse objetivo. Gostaria de acrescentar também CDB’s e TD pois acredito serem bons investimentos para esse tipo de objetivo. LCI também, já que tem garantia do FGC, pena que os aportes iniciais ainda são altos.

    “Mudar a mentalidade provoca em você uma mudança de comportamento.”
    Excelente frase, que é útil para muitos aspectos de nossas vidas.

    Abraços!

    • Guilherme 7 de fevereiro de 2014 at 22:00 #

      Olá Rosana, de fato essa anuidade vitalícia é um produto bem interessante e garante, como você acertadamente intuiu, a tranquilidade e segurança financeira da pessoa beneficiária do investimento.

      Quanto às condições para recebimento, pelo que apurei, elas são de livre pactuação entre a empresa que paga (geralmente uma seguradora) e a pessoa física. Logo, não há necessidade imediata de estar vinculado à aposentadoria ou algo do tipo.

      O que tenho percebido o seguinte: no mercado americano, a anuidade acaba sendo mais uma opção no portfólio da aposentadoria, além dos planos privados de aposentadoria (conhecidos como 401(k)), investimentos em ações, REITs (fundos imobiliários americanos), títulos do Tesouro Direto americano etc.

      No Brasil, acredito que poderemos ter algo parecido daqui a algum tempo, quando o mercado financeiro estiver mais amadurecido e estabilizado. O PGBL não é o mais adequado, tendo em vista as altas taxas de administração e carregamento, como você acertadamente vislumbrou.

      E o seu raciocínio sobre o mix de investimentos está perfeito! FIIs, CDBs, TD e LCIs são excelentes instrumentos para compor uma carteira sólida e bem diversificada de aposentadoria. Uma sopa de letrinhas que, para quem entende e sabe do que se trata, renderá excelentes escolhas no futuro!

      Quanto à LCI, realmente, os aportes iniciais ainda são muito altos. Torço para que a LCI e a LCA fiquem mais acessíveis ao pequeno investidor.

      Obrigado pela lembrança da frase, é a mente e o poder dela de transformar a matéria!

      Abç!

  10. Rosana 9 de fevereiro de 2014 at 5:54 #

    Gostei da sua explanação, realmente o mercado americano em geral é bem mais desenvolvido, está muitos anos-luz à nossa frente.
    Considerando que o Brasil parece rumar em direção a um socialismo com pitadas de capitalismo, será que chegaremos algum dia nesse patamar?

    Abraços!

    • Guilherme 9 de fevereiro de 2014 at 14:25 #

      Oi Rosana, é possível que, no futuro, o mercado de capitais brasileiro se desenvolva a ponto de oferecer esse tipo de investimento, que, é claro, teria que ser adaptado à realidade local, dados os inúmeros problemas que o Brasil passa.

      Gostei bastante da sua frase: “considerando que o Brasil parece rumar em direção a um socialismo com pitadas de capitalismo”.

      Essa é a triste realidade do Brasil. Tirar dos ricos para dar aos pobres não vai resolver o problema da nação e, a longo prazo, as consequências podem ser perversas.

      Li esse artigo num site de engenharia e achei que vai bem ao encontro da sua frase: http://www.engenhariae.com.br/colunas/professor-que-nunca-havia-reprovado-um-so-aluno/

      Abç!

      • Rosana 10 de fevereiro de 2014 at 7:12 #

        Guilherme,
        Gostei muito do texto que indicou. Acho que infelizmente resume o momento atual do brasil.

        “Tirar dos ricos para dar aos pobres não vai resolver o problema da nação e, a longo prazo, as consequências podem ser perversas.”
        Algumas das consequências perversas já começaram e inclusive estão saindo do controle.

        Aqui o trabalhador que traz riqueza ao país não é valorizado e quase sempre ainda é sobrecarregado de trabalho.
        Direitos humanos só existem para os que estão e para os que deveriam estar atrás das grades.
        É por coisas assim que o país está sempre em desenvolvimento, mas nunca chega a realizar tal feito. E pelo andar da carruagem, me arrisco até a dizer que a carruagem está andando em sentido contrário….
        Abraços,

        • Guilherme 10 de fevereiro de 2014 at 14:13 #

          Oi Rosana, é isso mesmo.

          O modo como se distribui a riqueza no Brasil não valoriza quem a mais produz. O Brasil é o país do futuro, e eu ouço isso há décadas, mas o futuro sempre está distante de chegar, justamente por tudo o que você falou.

          A carruagem está andando para trás no Brasil. Lamentável…

          Abç

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