O preço do comodismo

E se eu tivesse feito isso? E se eu tivesse estudado aquilo? E se eu tivesse ido em busca daquela oportunidade? E se eu tivesse me esforçado um pouquinho mais para…? E se…? E se…? E se…?

Na vida, muitas vezes nos deparamos com questões como essas. E não apenas nós: conhecemos diversas outras pessoas – você conhece também – que se lamentam por terem se acomodado e não terem dado o benefício da dúvida a diversas oportunidades que lhe apareceram no meio do caminho. Não seja uma dessas pessoas!

O comodismo é uma posição em que ficamos por estarmos bem – ou por supormos que estamos bem – numa determinada situação. Mas isso não significa que ela seja a melhor situação para nossas vidas. Tendo em vista nossa capacidade, nossas aptidões, e principalmente nossa força em superar momentos difíceis, sabemos muito bem que temos condições de ir mais adiante um pouquinho, de avançar até onde permitem nossos limites e nossa energia.

Nos treinos preparatórios de atletas profissionais, costuma-se dizer que, quando se está no limite do cansaço físico e mental, há um reservatório de 30% a mais de energia para enfrentar o desafio que lhe vem à frente. Muitas vezes, isso é dito mais como uma forma de motivar mentalmente os atletas, já esgotados fisicamente. O curioso é que esse truque costuma funcionar, pois é a mente que controla as ações do corpo físico. Se o atleta abre mão de seu reservatório de energia física, preferindo descansar a avançar um pouco mais, o preço do comodismo é alto: ele não consegue alcançar as metas para as quais se propôs.

Da mesma forma ocorre em nossas vidas. Não podemos nos dar ao luxo de não aproveitar o valor das oportunidades enquanto elas estiverem disponíveis. Se você quiser, pode, é claro, ficar onde está. A inércia nos compele a uma situação de passividade. Passividade essa que é tanto maior quanto menor for a disposição de mudar algo. Afinal, se eu já estou numa situação (supostamente) boa, para quê mudar?

Eis a resposta: porque sair da inércia pode mudar sua vida para melhor. Geralmente, as mudanças são boas, conforme já cheguei a abordar em outro artigo. E, se elas são realizadas dentro de um propósito de melhorar as condições da vida que você vive atualmente, o efeito multiplicador das repercussões positivas é incalculável e está absolutamente fora de nosso controle ou imaginação. Quantas vezes você quer realizar uma coisa boa, esperando um determinado resultado positivo, e apareceram 10 resultados positivos, 20, 50 resultados positivos? Você esperava apenas ganhar um aumento de salário aceitando um novo emprego, mas ganhou também um plano de saúde e outro de previdência custeado pela empresa? Você esperava apenas ganhar um filho com quem brincar, e ganhou um novo sentido para sua vida? Você esperava apenas cursar uma faculdade, e ganhou uma oportunidade para fazer um projeto de pesquisa, com bolsa e um currículo mais recheado?

Você só aceita fazer um curso porque acredita que ele poderá aumentar seus conhecimentos e, assim, conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho ou um aumento de salário. Você só aceita ter um filho junto com seu cônjuge porque quer constituir uma família maior. Você só aceita mudar de cidade em função de uma nova proposta de trabalho porque acredita que essa nova atividade lhe proporcionará maiores benefícios tanto na carreira quanto na vida.

Ora, quando você aceita realizar essas atividades, você se empenha em fazê-las bem feito. Você não admite perder as aulas. Você não admite que seu filho passe pelas mesmas tristezas e dificuldades que você passou quando era criança. Você não admite falta de esforço no novo emprego.

Veja que, em todas essas situações, em que você decide sair da inércia, você toma uma decisão importante: você se prepara. E, ao se preparar, você aumenta as probabilidades a seu favor. Esse é um jogo cuja matemática está sob seu controle: quanto mais você se dedicar, mais conseguirá alcançar os objetivos propostos. Você fecha as portas para o azar. É como diz aquela frase: “dizem por aí que tenho sorte. Mas engraçado, quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho”. E, se no meio do caminho você desistiu, é porque você… se acomodou. Começou e não terminou: esse também pagou o preço do comodismo.

E qual é a o preço do comodismo?

A essa altura, você já deve saber a resposta: é perder a chance de desfrutar uma vida melhor. Ponto.

Quem se acomoda com a situação em que vive, sabendo que tinha totais condições de melhorá-la, está pagando um preço muito caro pelo comodismo, e, mais cedo ou mais tarde, vai ter que arcar com as consequências. E aí já poderá ser tarde demais.

Não deixe que isso aconteça! Não pague o preço do comodismo. Pague, isso sim, o preço de seu “produto” oposto: o preço do sonho realizado. Não se costuma dizer que sonhar não custa nada, mas transformar o sonho em realidade requer um preço, ou seja, não é gratuito? Pois então saia de sua zona de conforto, que é muito boa e tal… mas não provoca mudanças, e faça por merecer o que está passeando em sua mente apenas como projetos, ainda que isso implique sacrifícios.

Não seja uma pessoa arrependida do que não fez, que fique remoendo o passado, mas sim uma pessoa que construa seu futuro. Brilhante, como deve ser. Aliás, como tem que ser.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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10 Responses to O preço do comodismo

  1. Thais Aux 13 de julho de 2010 at 0:46 #

    Fácil falar, difícil fazer. Pra isso, vai uma dica: faça caminhada. Sério. Andar dá um ânimo inimaginável.

    Bjs!

  2. Alan 13 de julho de 2010 at 1:07 #

    “Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. No dias em que não fazemos apenas duramos” (Pe. Antonio Vieira)

  3. Willy Fog 13 de julho de 2010 at 9:41 #

    Muito bom o texto.

    Ao ler o artigo lembrei do que o livro “O Homem mais Rico da Babilônia” fala a respeito de sorte e oportunidade:

    “A boa sorte costuma procurar o homem que acredita nas oportunidades”

    “Para atrair a boa sorte, é necessário aproveitar as oportunidades”

    “Os homens de ação são favorecidos pela deusa da boa sorte”

    Abcs

  4. Guilherme 13 de julho de 2010 at 13:24 #

    Thaís, as caminhadas são realmente ótimas. Oxigenam a mente, deixando-a renovada para novas ideias!

    Alan, frase sábia! Penso em incluí-la na seção “Frase para reflexão”, da série “Colhendo os dividendos”.

    Willy, outra ótima citação. Tudo o que se exige de nós é o extremo oposto da passividade, ou seja, a atividade.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  5. Jônatas R. Silva 13 de julho de 2010 at 14:25 #

    É Guilherme, falou tudo!
    Frase da Thais “Fácil falar, difícil fazer”. O bom Thais, é que nós temos feito.
    Parabéns para todos nós.

    Abraço gente!

  6. Guilherme 13 de julho de 2010 at 14:28 #

    Ôpa, Jônatas, valeu pelas palavras! 🙂

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Edinaldo Deeke 9 de março de 2013 at 12:34 #

    Aos amigos que aqui postaram, concordo que caminhar seria uma ótima escolha, mais uma caminhada ao rudo das conquistas. Atitude seria o primeiro passo. A pessoa que aceita o comodismo, se tornou como uma engrenagem que não se cuidou e deixou de ser dada manutenção e enferrujou. Manter-se firme é o segredo mesmo que não dê certo seus objetivos, mais sua hora chegará, firmeza e confiança em você mesmo é o segredo, desistir jamais!!
    Deus abençoe a todos!

  8. Daniel 8 de outubro de 2018 at 21:58 #

    Tenho tanto a aprender, parece ser tantas coisas que devo aprender para ser uma pessoa melhor. Eu penso que principalmente para trabalhar no chamado terceiro setor da economia (bens e serviços).
    Mas algo no meu interior diz que se eu der um passo de cada vez e conseguir concluir uma coisa por vez sem tentar fazer tudo ao mesmo tempo eu vou conseguir chegar-la.
    Obrigado Guilherme tenho aprendido muito com todos vocês.

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  1. Cledison E. Fritzen - 13 de julho de 2010

    O preço do comodismo. http://bit.ly/bynnOc

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