Os prós e contras da redução do lote de negociação dos ETFs de 100 para 10

Semana passada, o leitor Flávio postou uma notícia em princípio muito boa para quem faz seus investimentos em Bolsa por meio de ETFs: a redução, a partir de agosto, do lote de negociação dos ETFs, de 100 unidades, para apenas 10.

O objetivo declarado da Bovespa era de atrair ainda mais os investidores pessoas físicas para esse tipo de investimento, injetando mais liquidez às negociações. Por exemplo, o PIBB fechou ontem cotado a R$ 83,80. Na atual sistemática de negociação, para comprar um lote integral de PIBBs, composto por 100 cotas, o investidor precisa desembolsar a bagatela de R$ 8.380,00, considerando o preço do fechamento de ontem. Na nova sistemática, bastam R$ 838,00 para comprar um lote inteiro de PIBBs.

O grande problema do mercado fracionário é a ocorrência de um menor número de negociações. Isso torna o preço praticado nesse mercado um pouco diferente do negociado no mercado de lote integral. Exemplificando, se no mercado-padrão o PIBB custa R$ 83,80 para compra, no mercado de lote integral o preço pode ser de R$ 84,00, R$ 84,20, ou seja, há um spread em relação ao preço praticado no mercado-padrão, que o torna mais caro para negociações. O inverso também é verdadeiro, ou seja, na venda, se você quiser liquidar suas cotas de ETFs, e mais, se tiver pressa para fazê-las, terá que lançar um preço de venda inferior ao praticado no mercado de lote-padrão, reduzindo suas margens de ganhos.

No artigo de segunda-feira, fizemos um comentário olhando apenas o lado positivo dessa questão:

“Uma ótima novidade foi a noticiada pelo leitor Flávio, avisando que a Bolsa reduzirá o lote de negociações dos ETFs, de 100 unidades para apenas 10 unidades, de acordo com a notícia publicada no Valor Econômico. Isso sem dúvida injetará maior liquidez na negociação desses ativos.”

Entretanto, o leitor Henrique Carvalho fez uma excelente observação, trazendo para reflexão os possíveis pontos negativos dessa novidade:

“Interessante a notícia Guilherme!

Agora fiquei com uma dúvida se a notícia é realmente boa.

1. O lote atual de 100 cotas nos ETFs passará para 10.

2. Existem corretoras que cobram corretagem diferenciada para lote / fracionário. Ex. A Link cobra 9,80 para lote e 4,40 para fracionário.

3. Estipulando o preço do PIBB11 em R$ 90,00 e investindo R$ 1.500,00 por mês neste ETF teríamos que comprar 16,67 cotas.

4. Com o padrão antigo (lote = 100) o custo seria de 4,40 sobre os 1.500 ou 0,29%.

5. Com o novo padrão (lote = 10) o custo seria de 9,80 (das 10 cotas) + 4,40 (das 6,67 cotas) sobre os 1.500 ou 0,94%.

Portanto, na minha visão:

O aumento da liquidez será um fator bastante positivo, porém, para quem já realizava compras no fracionário os custos irão aumentar. Estou correto em minha afirmação?

Para o SMAL11 que tem uma baixa liquidez a notícia é excelente. Mas para os outros ETFs já com alguma liquidez razoável fica a dúvida…”

Essas observações devem ser cuidadosamente analisadas por quem opera com corretoras que trabalham com corretagens diferenciadas no mercado fracionário, e desejam, porventura, passar a operar no novo mercado de lote-padrão dos ETFs. Isso porque a operação no mercado de lote-padrão irá aumentar os custos operacionais – já que o valor da corretagem no mercado de lote padrão é maior. Isso, vale frisar novamente, para quem tem corretoras com preços diferenciados no mercado fracionário, e desejam migrar seus investimentos para o mercado de lote-padrão.

Exemplos de corretoras que trabalham com corretagens mais caras no mercado de lote padrão, no momento em que esse artigo está sendo escrito: Link Trade (cobra R$ 9,80 no integral, e metade, ou seja, R$ 4,40, no fracionário); InvestBolsa, da Spinelli (R$ 16,90 no integral, e quase um terço disso, ou seja, R$ 5,90, no fracionário), e WinTrade (R$ 20 no padrão, e um quarto desse valor, ou seja, R$ 5, no fracionário).

Por outro lado, como bem disse o Henrique, alguns ETFs com um histórico de baixa liquidez podem se aproveitar desse incentivo da Bolsa. É o caso bem lembrado do SMAL11, fundo de índice que espelha o Índice Small Caps da Bolsa. A liquidez desse fundo é muito ruim no mercado de lote integral – a quantidade de negócios ontem foi apenas de 16 – e pior ainda no mercado de lote fracionário. A partir de agosto, com cada lote-padrão do SMAL11 podendo ser comprado por pouco mais de R$ 500, certamente haverá maior movimentação nesse produto, até porque, para comprar um lote inteiro, na atual sistemática, é preciso desembolsar a bagatela de mais de R$ 5 mil.

Outros ETFs com grande probabilidade de terem uma melhora no giro diário de negociações são o MOBI11 (Índice do setor imobiliário) e o CSMO11 (Índice do setor de consumo), cujas compras – e vendas – no mercado de lote integral poderão ser feitas por pouco menos de R$ 200 e R$ 300, respectivamente – levando em consideração os preços do fechamento de ontem das cotas.

Em suma: fique atento às taxas de corretagens cobradas por sua corretora, e verifique se há diferença de tarifa entre os mercados de lote integral e fracionário. Dependendo do volume que você costuma investir regularmente, e de seus objetivos com o investimento em Bolsa, talvez valha a pena continuar atuando no mercado de lote fracionário.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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12 Responses to Os prós e contras da redução do lote de negociação dos ETFs de 100 para 10

  1. Willy Fog 7 de julho de 2010 at 14:20 #

    Mais um bom artigo para a saga dos ETFs. Bem observado essa questão do aumento da “taxa de carregamento” para quem opera no mercado fracionário. O investidor tem que ficar de olho nisso aí.

    Guilherme eu estava pensando outro dia sobre a influencia da taxa de administração do PIBB11 (0,059% a.a.) e do BOVA11 (0,054 % a.a.) em um investimento para o longo prazo.
    Até gostaria de te sugerir um possível artigo comparando os 2 fundos com base na taxa de adm. Não sei se isso é possível, pois a taxa de adm já vem descontada na cota do fundo, certo?

    Por exemplo, qual seria a diferença na rentabilidade acumulada de uma aplicação de R$ 1000,00 mensal no PIBB11 e BOVA11 durante um prazo de 30 anos? Como o objetivo é analisar a influência da taxa de adm nesse periodo, seria interessante supor que a rent. dos fundos fosse a mesma nesse período.

    Ou perguntando-se de forma semelhante: quão maior deveria ser a a rentabilidade do BOVA11 em relação ao PIBB11 durante 30 anos de aplicação para que houvesse uma compensação em relação a maior taxa de adm cobrada no BOVA11?

    É isso aí. Continue com o bom trabalho sobre ETFs.

    Grande abraço

  2. Henrique Carvalho 7 de julho de 2010 at 15:21 #

    Obrigado pela resposta Guilherme!

    Grande Abraço!

  3. Guilherme 7 de julho de 2010 at 18:45 #

    Willy e Henrique, obrigado!

    Willy, de fato, as taxas de administração já vêm incorporadas no valor das cotas dos fundos. Toda a questão da rentabilidade tem a ver com o tracking error, ou seja, com a capacidade do gestor – Black Roch, no caso dos ETFs da iShares, e Itaú, no caso do PIBB – de replicar, na maior fidelidade possível, os respectivos índices, sem muita perda de aderência.

    Leitores aqui no blog já constataram que o PIBB apresenta um tracking error menor, havendo até alguns casos em que o valor negociado da cota estava acima do valor do índice. Por exemplo, índice valendo R$ 83,00, e cota sendo negociada a R$ 83,20.

    Por outro lado, o fato de haver uma quantidade menor de ações na carteira do PIBB, em relação ao BOVA, faz com que o PIBB possa render menos num certo período, do que o do BOVA. Por exemplo, no mês passado, como bem apontou o Henrique, o PIBB caiu mais do que o BOVA, reflexo da queda acentuada da PETR e VALE, as quais têm maior participação no PIBB do que no BOVA.

    O inverso também tende a ser verdadeiro, ou seja, se PETR e VALE subirem bastante num dado mês, o PIBB tende a ganhar do BOVA, justamente por estar mais concentrado nessas empresas.

    O mote da diversificação reduzindo os riscos, mas minimizando os ganhos, então, aplica-se no caso das carteiras que replicam esses índices.

    Como esse é um fator variável, o investidor deve se atentar para o fundo em que menos dinheiro sai de seu bolso para as taxas de administração. Nesse sentido, o PIBB poderia valer mais a pena.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  4. Viver de Renda 7 de julho de 2010 at 18:49 #

    Hotmar,

    Sinceramente, e perdoe o termo, mas FODA-SE. A liquidez baixa do PIBB11F já estava me enchendo o saco há alguns meses. Vou pagar os R$5,50 a mais com prazer.

    Vamos analisar com carinho como o SMAL11 vai se comportar rsrs.

    Abraços,

    Viver de Renda

  5. Guilherme 7 de julho de 2010 at 18:51 #

    Kkkkkkk…….. vamos lá, Viver de Renda, aguardar o comportamento do SMAL11, só espero que não continue muito “small” também no volume de negociações……rsrsrsrs

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Viver de Renda 7 de julho de 2010 at 20:50 #

    kkkkkkkkkkk… aumentar o numero de quotas q é bom ninguem quer!

    Abração!

  7. Guilherme 7 de julho de 2010 at 21:56 #

    Pow, Viver, não são todos que têm a capacidade de aporte que vc tem…………kkkkkk…….

    Deixa o povo participar da festa tb………..rsrsrsrs…… 😆

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  8. Willy Fog 8 de julho de 2010 at 10:19 #

    Boa discussão essa.

    Queria so fazer uma correção no meu post anterior. Eu falei que a taxa de adm do BOVA11 era 0,054% a.a. quando na verdade é de 0,54% a.a.

    Abcs

  9. Guilherme 8 de julho de 2010 at 11:23 #

    Ôpa, valeu Willy!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  10. Flávio 8 de julho de 2010 at 22:57 #

    Guilherme, HC e VR, muito pertinentes os comentários. Acredito que a vantagem da liquidez supera a desvantagem do maior custo. Abs.

  11. Flávio 6 de setembro de 2010 at 23:37 #

    A notícia do Valor (06/09/2010) confirma o aumento da liquidez nos ETF com a redução do lote de negociação.

    “Mercado de ETF registra recorde no número de negócios em agosto, com alta de 58% ante o mês anterior.

    Por Luciana Monteiro, de São Paulo 06/09/2010

    Assim como os consumidores, os pequenos investidores também demonstram gostar de preços mais baixos. Bastou a BM&FBovespa reduzir a aplicação mínima para que os fundos com cotas negociadas em bolsa registrassem recorde no número de negócios. O total de operações com os chamados ETFs (Exchange Traded Fund) saltou 58% em agosto ante o resultado de julho.
    No mês passado, o número de negócios com ETFs na bolsa somou 17.293, ante 10.918 realizados em julho, segundo dados da BM&FBovespa. O volume também cresceu, embora em menor intensidade: somou R$ 598,093 milhões para R$ 560,395 milhões no mês anterior.
    A maior negociação está diretamente relacionada à redução, anunciada em julho, do lote-padrão dos ETFs, que caiu de 100 para 10 cotas – o que trouxe uma diminuição grande no valor mínimo necessário para investir nessas carteiras. Com o corte, um lote-padrão do ETF Bova11, que espelha o Índice Bovespa, passou a valer R$ 660,00 pela cotação de fechamento de sexta-feira. Antes, o mínimo para investir seria de R$ 6.600,00. A mudança começou a valer, no entanto, somente em agosto, por isso a diferença apareceu só agora.
    O objetivo da bolsa com a medida é aumentar o potencial de negociação destes fundos, especialmente, entre investidores pessoas físicas. Segundo dados da bolsa, dos 598 mil investidores com contas ativas, a maior parte tem entre 26 e 35 anos. Mas é a faixa de investidores entre 18 e 24 anos que apresentou o maior crescimento mensal no número de contas entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009. Esse segmento registrou expansão média de 2,9% no período.
    No projeto de popularização da bolsa, um dos instrumentos mais eficientes para a diversificação de carteira da pessoa física é o ETF, diz Julio Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&FBovespa. “Este é um mercado ainda pequeno por aqui, mas temos uma visão de crescimento de longo prazo.” Ele lembra que, nos Estados Unidos, os 10 ETFs mais negociados giram o dobro das 10 ações mais transacionadas.
    Os institucionais ainda são os maiores compradores de ETFs, com 60,4% de participação no volume em agosto. As instituições financeiras somam 18,4%, enquanto os estrangeiro respondiam por 11,9%. As pessoas físicas ficavam apenas em quarto lugar, com fatia de 9%.”

    Fonte: Valor Econômico

  12. Guilherme 7 de setembro de 2010 at 16:17 #

    Flávio, ótima notícia!

    Com a entrada de novas pessoas físicas na Bolsa, a negociação de ETFs tem grandes chances de abrir “um canal de alta” no gráfico de participação…..rsrsrs

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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