Aprenda com meus erros de investimentos #3: Comprando, no home broker, uma ação. Literalmente.

Nessa série “aprenda com meus erros de investimentos”, mostrarei a vocês os erros que cometi com diversos tipos de investimentos, bem como os caminhos para que você não incida nos mesmos erros, e tome decisões acertadas acerca de seus investimentos no mesmo tipo de produto narrado na história. O objetivo é evidenciar que o erro está menos no investimento e mais no comportamento do investidor.

A história

Como muitos dos leitores do blog são iniciantes no mundo dos investimentos, e querem aplicar no mercado de ações, resolvi contar essa história que irá ajudar a não enveredarem pelos mesmos caminhos que eu tomei, quando eu próprio iniciei na Bolsa. Para os mais experientes, esse artigo funcionará como uma espécie de “sessão nostalgia” de seus tempos de novatos na Bovespa. 🙂

Há cerca de três anos atrás, comecei a operar no home broker. Eu já tinha tido uma boa experiência operando no mercado de ações via fundos de bancos (da qual tirei uma bela lição, mas essa fica para outro artigo), no ano anterior. Bom, como quase todo investidor iniciante, eu comecei a operar no home broker da corretora do banco do qual eu era correntista (BB).

Influenciado pelo efeito da “mera exposição” (“mere exposure“, em inglês, o artigo linkado contém uma ótima explicação a respeito), e sem conhecimento algum, seja de análise técnica, seja de análise fundamentalista, seja do próprio funcionamento da Bolsa de Valores – ou seja, totalmente newbie – resolvi comprar uma ação da Companhia Siderúrgica Nacional – CSNA3.

Felizmente, não comecei investindo valores altos. Estava no meu subconsciente, desde aquela época, um princípio que gosto de recomendar aos investidores iniciantes: opere pequeno. Só que, naquele trade, eu levei muito ao pé-da-letra esse princípio. Quando eu digo que comprei uma ação da CSNA3, é porque realmente foi uma única ação. Uma. Uminha. Confiram abaixo:

Felizmente, o valor da corretagem seguia a Tabela Bovespa, o que amenizou o impacto negativo dos custos de  operação sobre o valor total do investimento.

E mais felizmente ainda, cerca de quatro semanas depois, por incrível que pareça, consegui vender a ação com lucro. Um pequeno lucro, é verdade. Mas lucro. Ei-lo:

Façamos as contas: compra por R$ 104,22. Venda, já descontadas as taxas, por R$ 108,45. O lucro líquido, então, foi de fantásticos R$ 4,23. Ainda bem que vendas de ações abaixo de R$ 20 mil no mês são isentas de IR, senão, teria que pagar imposto sobre esses R$ 4,23…..rsrsrs….. 😛

Os erros

Já pensou se eu estivesse entrando no mercado agora? Pelo efeito da mera exposição, eu acho que compraria… a Telebras. Um verdadeiro mico 100% especulativo da Bolsa. Mas a Telebras não foi sempre assim. Pelo contrário. No começo dos anos 90, Telebras era a maior blue chip da Bolsa, chegando a concentrar 50% do volume de negociação. O que prova que, na Bolsa, nada é para sempre, como escrevemos nesse artigo de alerta.

Outro erro dessa operação foi investir valores muito pequenos. Muito se fala por aí da possibilidade de investir na Bolsa com apenas R$ 100. Só que, nesse caso, o melhor mesmo é investir num fundo de ações (de preferência bem diversificado), uma vez que os custos de corretagem, na operação via home broker, são tanto maiores quanto menor for o capital investido – e a operação em fundos, para valores pequenos, não sofre com os custos das corretagens (embora sofra com os custos das taxas de administração).

Qual seria então o valor mínimo ideal para investir no home broker? Depende. De uma série de fatores, tais como frequência da operação, objetivos, valor de corretagem que sua corretora cobra, se vai operar no mercado de lote padrão ou fracionário etc. Por exemplo, investir R$ 400 com uma corretora que cobra corretagem fixa de R$ 20 talvez não valha a pena. Mas investir os mesmos R$ 400 pagando uma corretagem de R$ 5 já começa a ficar interessante, pois o custo de corretagem fica um pouco mais que 1% sobre o valor investido.

A regra, aqui, é que “quanto mais, melhor”, ou seja, quanto maior o valor investido, melhor será a relação custo/benefício, principalmente em se tratando de corretagem fixa. Mas, se não puder operar com valores grandes, escolha a menor corretagem possível.

Mas o principal erro dessa operação não foi aplicar na Bolsa no mercado, digamos, “unitário” :P, mas sim não ter me preparado previamente para investir na Bolsa. Eu só comecei a ler livros específicos sobre como operar no home broker e a participar de palestras e cursos sobre estratégias de operação em Bolsa de Valores depois de fazer meus primeiros investimentos no home broker. Foi um erro. Eu deveria tê-los feito antes.

Mas a experiência ainda assim foi válida, na medida em que aprendi mais uma técnica de como não investir. Apesar de os livros e palestras/cursos serem ingredientes fundamentais para formar um bom investidor, nada como a experiência concreta no home broker, com seus erros e acertos, para você aprimorar sua capacidade de investir.

No final das contas, acaba sendo como andar de bicicleta: você pode ler mil páginas sobre as técnicas de andar de bicicleta. Mas o bom mesmo é o aprendizado na prática, levando um tombo aqui e outro ali, até você alcançar o equilíbrio.

Lições para o investidor

Lição resumida em uma frase simples: invista tempo em sua qualificação, antes de investir dinheiro em seu home broker. E não invista somente seu tempo no conhecimento: pague por ele, quando se fizer necessário. Ou seja, não se contente só com a informação gratuita que é disponibilizada na Internet e em palestras: compre livros, inscreva-se em cursos, enfim, invista tempo e dinheiro no aumento de seu patrimônio intelectual. Bom, e se você acha que tudo isso vai custar caro, vamos repetir aqui uma frase já dita outrora:

“Se você acha que a instrução é cara, experimente a ignorância”.

– Benjamin Franklin

Está em suas mãos decidir o que vai custar mais caro: a ignorância ou o conhecimento. Eu pagaria o preço do conhecimento…

Boa sorte na escolha!

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Outros artigos da série:

Aprenda com meus erros de investimentos #1: CDB a 85% do CDI!? Uauuu…

Aprenda com meus erros de investimentos #2: comprando PETR4 a R$ 16,99, PIBB11 a R$ 49,04, USIM5 a R$ 20,24…

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12 Responses to Aprenda com meus erros de investimentos #3: Comprando, no home broker, uma ação. Literalmente.

  1. Henrique Carvalho 2 de julho de 2010 at 18:49 #

    Esta série é muito boa!

    Não há aprendizado mais barato do que aprender com os erros dos outros.

    Parabéns por reconhecer e escrever sobre seus erros para que iniciantes nos investimentos não cometam os mesmos passos.

    Grande Abraço Guilherme!

  2. Jônatas 3 de julho de 2010 at 18:13 #

    Olá Hotmar,
    Adoro essa série, aproxima autor de nós leitores.
    Outro grande problema é o controle psicológico.
    Uma frase que sempre uso em aulas é: Erre, mas somente em erros inéditos. Aprenda com os próprios erros e com os erros dos outros.
    Mais um belo artigo, parabéns!

    Abraço, fica com Deus!

  3. Guilherme 4 de julho de 2010 at 15:25 #

    Henrique e Jônatas, obrigado!

    Jônatas, gostei dessa frase!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  4. Diego 5 de julho de 2010 at 21:31 #

    Muito bom. Mas tem um caso interessante, que são de corretoras que não cobram taxa de custódia se você efetuar pelo menos uma operação no mês (é o caso da Link), pagamento apenas a taxa de corretagem, que possui um valor inferior ao valor da taxa de custódia.

    Logo, valeria a pena comprar todo mês pelo menos um pouco (é claro que deve-se cuidar da análise do valor a ser pago pela ação, pq nao adianta “economizar” na taxa de custódia e comprar uma ação por preço maior do que o “justo”).

  5. Guilherme 6 de julho de 2010 at 9:19 #

    Obrigado pela observação, Diego!

    De fato, a Link oferece essa boa vantagem. Para quem faz investimentos mensais, talvez seja uma das melhores opções do mercado – embora o home broker dela não seja visualmente tão agradável quanto o da Ativa ou da Spinelli (opinião pessoal).

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Jose Pereira de Souza 13 de agosto de 2012 at 8:57 #

    muito bom

  7. Rosana 22 de janeiro de 2014 at 9:06 #

    Gostei muito da frase do Jônatas, acho que resume de forma sábia como devemos agir.

    “Erre, mas somente em erros inéditos. Aprenda com os próprios erros e com os erros dos outros.”
    Por não ter me informado o suficiente, cometi o mesmo erro de desprezar a taxa de corretagem. É bom verificar também qual é o valor da taxa de custódia pois talvez muitos não saibam que comprar ações não é como fazer aportes em fundos de investimento, nos quais não há taxas mensais.

    Abraços,

    • Guilherme 22 de janeiro de 2014 at 12:24 #

      Tem razão, Rosana. É preciso avaliar os custos em seu aspecto global, e a taxa de custódia é uma despesa que pode perfeitamente ser reduzida ou até mesmo eliminada.

      Abç

  8. Luciano Cruz 3 de maio de 2017 at 11:15 #

    Boa tarde, amigo, e parabéns pelo texto! A cidade onde moro é muito pequena e pouco se fala sobre investimentos. Tenho 5.000 na poupança com um rendimento muito baixo. O que você me aconselharia fazer com esse dinheiro?

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