Como avaliar se *qualquer coisa* tem uma boa relação custo/benefício

Semanas atrás, eu estava ouvindo o boletim do Espaço Dela, no programa de rádio Elas & Lucros, via podcast, quando a Fernanda de Lima, autora do boletim e do site respectivo, abordou uma interessante forma de avaliação de uma coisa sob o ângulo da relação custo/benefício. Eu creio que essa avaliação pode consubstanciar a invenção de uma interessante e simples fórmula para guiar suas decisões financeiras, seja de investimentos, seja de consumo (observação: a Fernanda, para quem não sabe, é uma das fundadoras do portal InfoMoney, que a gente aprende a acessar desde que começa a investir em ações).

Pense no caso dos lanches servidos nas redes fast food. Quem se alimenta deles sacia a fome de forma temporária, mas os efeitos deletérios para a saúde, como obesidade, aparecem com o decorrer do tempo. O benefício é instantâneo, mas o custo é duradouro.

Num caso diametralmente oposto, comer uma salada de verduras e um frango grelhado pode parecer sacrificante para quem começa uma dieta e está acostumado com alimentação de valor nutricional duvidoso. O custo inicial é alto, principalmente para vencer a resistência de não querer comer, mas os benefícios aparecem com o transcurso do tempo, na forma de saúde para o corpo e para a própria mente.

Comprar um carro financiado em 72 prestações mensais pode resultar em gratificação instantânea: a pessoa sai da revenda de carro zero e cheio de orgulho pela conquista. Mas o bem comprado de forma antecipada corrói o patrimônio do investidor, já que os juros das prestações o farão perder muito dinheiro ao longo do prazo do financiamento. O benefício pode aparecer de forma imediata, mas os custos estragarão a compra – e complicarão a vida do comprador, já que ele se tornará devedor durante seis longos anos – não é qualquer um que pode comprar um carro.

De outra forma, segurar os impulsos de consumo é uma tarefa muito difícil. Ainda mais nos dias de hoje, quando a TV está infestada de comerciais que nos fazem sentir vergonha, as placas de outdoor apresentam apelos quase irresistíveis ao consumo, e os jornais de domingo vêm recheados de encartes de promoções e ofertas. Mas quem resiste de modo firme a não comprar aquilo que não precisa é recompensado com sobras pelo aumento gradativo e constante em seus investimentos, se dando ao luxo de, em momento futuro, comprar aquilo que quiser, inclusive com os juros do investimento, e não com o dinheiro retirado de fatia do salário. O custo de não comprar aparece logo, mas o benefício vem depois.

Como vocês já devem ter percebido, uma compra ou um investimento apresentam uma boa relação custo/benefício se o custo aparecer primeiro, mas o benefício vier depois. Ao contrário, se o benefício vir antes, mas o custo surgir depois, isso é sinal de que a coisa pode não valer a pena. Aliás, é por isso que falamos na relação custo/benefício, e não na relação benefício/custo. Os ganhos devem se sobressair em relação aos eventuais custos embutidos.

E isso pode ser aplicado a qualquer área de nossas vidas, como um critério a mais na hora de avaliar que direção tomar. Aquela especialização que você quer cursar vale a pena? O custo pode ser traduzido em termos de viagens, sacrifício das sextas e sábados, e pagamentos de mensalidades. Porém, se ele proporcionar um aumento de salário ou uma melhora substancial no currículo, ou ainda um enriquecimento em termos de conhecimento pessoal, isso significa que os benefícios tenderão a sobrepujar os custos que você terá que arcar. Logo, sob o ângulo do custo/benefício, vale a pena.

Estudar para aquele cargo que você tanto deseja vale a pena? Ele demandará anos de estudo e dedicação, gastos com livros e hospedagem, dedicação total durante dois, três, ou quatro anos, ou mais. Mas, se ele resultar em você trabalhar na atividade de seus sonhos, com estabilidade, durante os próximos 20, 30 ou 40 anos, por quê não arriscar? A relação custo/benefício aponta de maneira clara por uma resposta positiva. O que são alguns curtos anos de estudo em comparação com décadas fazendo aquilo que você gosta, com conforto e segurança?

Esse é o caminho. Toda atividade, toda decisão, traz consigo seus próprios prós e contras. A questão consiste em saber o que produzirá efeitos mais duradouros no longo prazo: se são os benefícios ou se são os custos. Se os benefícios forem bons, mas serão suplantados pelos prejuízos e custos no futuro, abandone o barco. Pode ser uma armadilha. Agora, se os custos aparecerem somente no começo, e os benefícios se perpetuarem no tempo, vá em frente. Porque essa é uma coisa que certamente valerá a pena. 😉

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

p.s.: a Elaine Costa escreveu um ótimo artigo sobre como escolher produtos através da relação custo/benefício, utilizando critérios matemáticos pela atribuição de pesos a determinadas características do produto. Leia o artigo dela, no site Mais com Menos, clicando aqui.

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7 Responses to Como avaliar se *qualquer coisa* tem uma boa relação custo/benefício

  1. Henrique Carvalho 30 de junho de 2010 at 7:23 #

    Legal Guilherme!

    Na minha visão a filosofia de tentar agregar valor as nossas ações com foco no longo prazo deve ser sempre levada em conta em diversas áreas:

    1. Relações Conjugais
    2. Alimentação
    3. Saúde em Geral
    4. E também muito importante nos investimentos

    Grande Abraço!

  2. Daniel Melo 30 de junho de 2010 at 17:38 #

    Guilherme, Parabéns por mais um ótimo post. Você me permite uma sugestão para o blog?

    Acho que é preciso equilibrar um pouco melhor o balanço entre periodicidade e o tamanho dos posts. Como novos posts estão sendo publicados quase que diariamente, acho que seria interessante que os textos fossem mais concisos. Talvez um texto mais longo e mais aprofundado a cada semana seja interessante, mas textos longos todos os dias pode afugentar os leitores.

    É apenas um ponto de vista para sua avaliação.

    Continue com o excelente trabalho!

  3. Elaine Costa 30 de junho de 2010 at 18:24 #

    Olá, Guilherme!

    Muito interessante esse artigo. Às vezes é muito difícil avaliar os custos posteriores de alguma compra quanto o emocional fala mais alto. Por isso é tão importante respirar fundo e fazer algumas continhas.

    Obrigada pela indicação do artigo.

    Abraços//

    Elaine

  4. Jônatas 4 de julho de 2010 at 10:44 #

    Oi Hotmar,
    O problema é que só vemos os benefícios, os custos são mais difíceis de serem analisados a curto prazo, e como temos a tendência ao imediatismo.
    Ótimo artigo, fiquei pensando se seria possível mensurar custo/benefício de forma racional, talvez até científica, em uma tabela. Loucura demais?

    Abraço
    Jônatas

  5. Guilherme 4 de julho de 2010 at 15:24 #

    Henrique, bem lembrado! O foco no longo prazo é muito bem explicado pelo Cameron Smith, no livro das diferenças entre milionários e classe média, a qual resenhei no blog nos últimos meses.

    Daniel, obrigado pelos comentários e valeu pelas sugestões! Recentemente, a maioria dos leitores opinou pela continuidade do blog no formato em que atualmente se encontra. Contudo, isso não significa que não haja espaços para modificações futuras, caso os contextos se alterem. E a sua dica será então aproveitada, se as circunstâncias assim o exigirem. 😉

    Elaine, que visita ilustre! Obrigado pela visita! Saiba que gostei muito do seu artigo, sendo uma das fontes para escrever esse. 😀

    Jônatas, não é loucura não! No artigo, existe um link para o artigo da Elaine, com critérios matemáticos para a escolha de produtos. Vale a pena baixar a planilha!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  6. Rosana 21 de janeiro de 2014 at 16:58 #

    Muitas vezes o imediatismo citado pelo Jônatas e o lado emocional pesam muito em nossas escolhas e arrisco dizer que na maioria das vezes faremos péssimos negócios se não estivermos atentos à essas pequenas “armadilhas” do nosso ego.
    Abraços,

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