Para consertar suas vidas financeiras, algumas pessoas precisam aprender a gastar *MAIS*.

A maioria das pessoas que têm problemas em suas finanças pessoais precisa aprender a eliminar o excesso de consumo e de endividamento em suas vidas. Assim, atitudes como parar de utilizar o cheque especial, pagar o cartão de crédito à vista, fazer um controle rígido de despesas, fazer uma lista de compras no supermercado… passam a ser ingredientes fundamentais para restaurar seu equilíbrio financeiro e fazer voltar a sobrar salário no final do mês. Evidentemente, tais pessoas precisam aprender a gastar menos.

Entretanto, existe um grupo de pessoas que se encontra em situação oposta. Elas são tão obcecadas com a idéia de economizar dinheiro que precisam, para equilibrar sua vida financeira, aprender a gastar mais. Isso mesmo. Gastar mais. São as pessoas que estão no extremo oposto do primeiro grupo acima relatado, conforme já dito. São pessoas que evitam a todo custo gastar, mesmo que seja em áreas de sua predileção. Esse tipo de pessoa não janta fora, não compra itens de entretenimento (CDs, DVDs, livros), não se permite a prática de “pequenos luxos”, não compra sucos nem refrigerantes para alguma ocasião especial, são extremamente calculistas na hora de comprar presentes, relutam em comprar jornais, revistas, roupas e itens para casa, preferem não ter plano de saúde, não fazem doações para projetos sociais ou filantrópicos, e assim por diante. Game over. São pessoas totalmente controladas pelo dinheiro.

Esse tipo de pessoa não vive uma vida frugal. Vive uma vida miserável, isso sim. Esse tipo de pessoa não percebe que o dinheiro é apenas um meio, e não um fim em si mesmo. Esse tipo de pessoa acha que as metas da vida consistem não em poupar para ter uma vida melhor, mas sim que as metas da vida consistem em ter mais dinheiro na conta bancária. Esse tipo de pessoa, na ânsia de querer levar uma vida rica no futuro, acaba levando uma vida  extremamente pobre no presente (literalmente pobre!), e se esquece que o futuro, na verdade, é a soma de pequenos presentes vivenciados no dia-a-dia. Até que ponto o suposto benefício de economizar e ser pão-duro para tudo compensa o custo da oportunidade perdida de fazer hoje exatamente o que o dinheiro se propõe?

Como se pode perceber facilmente, o perigo mora nos extremos, e a sabedoria é – sim, você já deve ter adivinhado – procurar um ponto de equilíbrio. Como já afirmei em outro tópico, evite o excesso em sua vida. E, em outro tópico ainda, não economize como se estivesse prendendo a respiração debaixo d´água.

As pessoas que consomem demais e gastam mais do que ganham sacrificam o futuro em prol do presente. Já as pessoas que consomem de menos sacrificam o presente em prol do futuro. Nem uma coisa nem outra são corretas. E uma das grandes dificuldades do ser humano é lidar com os desejos que se encontram nos lados opostos.

Isso é mais comum do que se imagina. Vejamos um caso clássico: a Bolsa de Valores. Ela é tomada por momentos de euforia e momentos de crise. Nas euforias, o sentimento que aflora é o da ganância. Todo mundo quer ganhar dinheiro e isso cria um ciclo que leva a sucessivos recordes de valorização, seja das ações como um todo, seja de alguma ação específica. É mais ou menos o que ocorre com os consumistas: querem mais e mais. Já nas crises, quando a Bolsa desce ladeira abaixo, a emoção que predomina é o medo. E ele aflora como se fosse um rolo compressor, como foi o que aconteceu no segundo semestre de 2008, particularmente no mês de outubro. O medo impera entre os miseráveis.

Felizmente, a saída, para os que levam uma vida de excessiva economia, é aprender a gastar mais. E isso passa necessariamente por uma mudança na mentalidade em relação ao uso do dinheiro, que deve ser usado. O problema do pessoal da linha pão-dura é que eles simplesmente não usam o dinheiro. Oras, pra que serve o dinheiro senão pra comprar as coisas que de outro modo não poderiam ser adquiridas?

O dinheiro tem a utilidade nas áreas em que é necessário, é uma ferramenta para melhorar nossa qualidade de vida. Nós trabalhamos por ele, então é justo que seja usado para nos garantir saúde, para aproveitar nossos momentos de lazer, para aproximar nossos amigos, e, sobretudo, para maximizar nossa satisfação nas áreas favoritas de nossas vidas.

Buscar o equilíbrio na área financeira é uma tarefa desafiadora, pois exige racionalizar nossa relação com o dinheiro, e isso, definitivamente, não é uma coisa tão simples assim, pois muitos usos que fazemos do dinheiro – ou que não fazemos – são impulsionados por apelos emocionais. Ou é a vaidade de querer se exibir para os outros, comprando coisas desnecessárias, ou é o medo de não ter o suficiente para o futuro, fazendo a gente economizar além da conta. Aqui ainda há o sentimento da culpa quando se investe pra valer numa coisa que lhe traz satisfação e bem-estar, ainda que isso signifique loucura aos olhos de outra pessoa. Por exemplo, se você gosta de notebooks e compra um modelo de R$ 4 mil, dificilmente você contará esse fato para outra pessoa que não entenda nada de notebooks, pois essa outra pessoa provavelmente ficará assustada com o seu investimento, fazendo você ficar envergonhado com tal comportamento.

Quer saber de uma coisa? E daí que essa fique assustada com essa compra? O que importa é se o dinheiro gasto foi bem gasto da perspectiva sua, porque só você sabe o que vai promover sua auto-estima e sensação de bem-estar.

Por isso, não tenha medo de gastar achando que isso poderá prejudicar sua independência financeira. Se você está exagerando na dose na hora de economizar, é porque provavelmente já deve ter uma boa noção de educação financeira e da importância dos investimentos, o que é um bom sinal. O segredo é se permitir mais pequenos luxos com o dinheiro, e evitar a paranóia de achar que não terá o suficiente no futuro se gastar um pouco mais no presente. Tire o escorpião do seu bolso e seja feliz! 😀

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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7 Responses to Para consertar suas vidas financeiras, algumas pessoas precisam aprender a gastar *MAIS*.

  1. Viver de Renda 1 de maio de 2010 at 10:36 #

    R$4.000,00 em um notebook?!? Isso é um absurdo!!! Você deveria se envergonhar! kkkk

    Agora pergunta a eles quanto eles investem em “ignorância financeira” e quanto isso custa a eles 😉

    Excelente fds hotmar!

  2. Guilherme 1 de maio de 2010 at 12:22 #

    Ôpa, tudo jóia, Viver de Renda!? Obrigado pelos comentários!

    Só um detalhe: o exemplo do notebook não foi tirado de minha experiência pessoal, não….rsrsrrsr…..o q eu comprei custou menos da metade disso. 😉

    Um excelente feriado e final de semana pra vc tb!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  3. fernando pacheco 31 de agosto de 2010 at 16:33 #

    como vc mesmo disse, o que se deve ter nestes dois exemplos é um ponto de equilibrio, que basicamente podemos definir como não gastar alem do que vc ganha…abração

  4. Guilherme 5 de setembro de 2010 at 11:06 #

    Exatamente, Fernando: achar o difícil ponto de equilíbrio. E se manter nele.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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  3. Marcus Correa - 5 de novembro de 2010

    O perigo está nos extremos. A sabedoria está no ponto de equilíbrio http://bit.ly/czJSnC

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