Seu dinheiro é sedentário?

Para os músculos de nosso corpo se fortalecerem, precisamos exercitá-los mediante a prática de atividade física.

Para o nosso cérebro se fortalecer, precisamos exercitá-lo mediante a prática de atividade intelectual.

E o nosso dinheiro? Como fazer para fortalecê-lo? Usando o mesmo princípio. Ou seja, exercitá-lo mediante a prática de atividades financeiras responsáveis. E as atividades financeiras não envolvem apenas investi-lo em produtos financeiros que estejam adequados aos seus objetivos e metas não-financeiros, mas também saber gastá-lo de forma equilibrada e sensata, de modo a se tornar uma fonte permanente de segurança, proteção e insumo para o consumo de nossos gastos diários.

Tão prejudicial quanto deixar o dinheiro parado em conta-corrente é usá-lo de maneira inadequada nas práticas financeiras. E isso pode ocorrer por dois motivos. Primeiro, quando o investimos de forma incorreta, por exemplo, aplicando numa caderneta de poupança para fins de construção de um plano de aposentadoria financeira de longo prazo, quando sabemos que o mais recomendado, nesses casos, é assumir uma maior exposição ao risco, investindo em ativos que, embora possam apresentar oscilações de preços no curto prazo, tendam a apresentar maior possibilidade de valorização a longo prazo, tais como imóveis, ações e outros ativos reais. O segundo motivo que nos leva a práticas financeiras inadequadas resido no fato de gastarmos o dinheiro de forma inadequada, por exemplo, num momento de fraqueza emocional, para compensar uma briga ou qualquer outra crise de relacionamento.

Precisamos ter os equipamentos adequados se quisermos fazer fortalecer nossos músculos financeiros, bem como submetê-los a momentos de estresse, para que um estímulo externo o force a trabalhar mais, desde que seja seguido da necessária recuperação. Só assim serão construídas as fibras musculares financeiras. A submissão do dinheiro ao exercício – tal qual ocorre na prática das atividades físicas – deve ser feita, preferencialmente, de forma lenta e gradativa, para que os resultados sejam crescentes, consistentes e duradouros.

Da mesma forma que ninguém que quer correr uma maratona começa seu treinamento correndo 20 km logo no primeiro dia, ninguém consegue R$ 1 milhão aplicando R$ 500 mil logo no primeiro dia, esperando alcançar a cifra milionária em pouco tempo. Por isso, é muito oportuna a lição de Leo Babauta, autor do blog Zen Habits, que, no livro “The Power of Less”, enuncia o seguinte princípio: comece pequeno (“start small”). Comece com parcelas pequenas, e vá gradativamente aumentando o valor dos aportes, na medida em que seu salário aumentar e/ou suas despesas diminuírem, como resultado da nova disciplina financeira que foi incorporada em sua vida. Por coincidência, esse também é o lembrete do Bastter, que, por exemplo, no livro sobre opções, não cansa de escrever: “opere pequeno”.

As metas, igualmente, devem ser factíveis, de modo a não serem tão altas de modo a desestimularem sua busca, nem tão fáceis de forma a inibir qualquer esforço por parte do novo “atleta financeiro”. Dar um passo de cada vez é a melhor saída, ainda que isso demore algum tempo para se concretizar. Por exemplo, não adianta muito uma pessoa querer iniciar um arrojado plano de investimentos no Tesouro Direto se ela tem dívidas no empréstimo consignado e na prestação do veículo que, juntas, consomem 40% de sua renda líquida mensal. Volto a repetir aqui: dar um passo de cada vez. Sem pressa. Elimine primeiro os empréstimos consignados e quite o veículo e, só então, invista no Tesouro. Isso porque os juros que o Tesouro paga são inferiores aos juros contidos no empréstimo consignado e no financiamento do veículo. O correto é, então, eliminar primeiramente as dívidas e somente depois investir no TD. Primeiro, elimine a posição de devedor. E só então passe para a posição (confortável) de credor. Ter as duas posições simultaneamente é como jogar no ataque e na defesa ao mesmo tempo. Num jogo coletivo, é possível distribuir as funções. Mas, como você é uma pessoa só, o melhor é abandonar o modo multitarefa. Desligue-o e fique apenas no modo tarefa única. É mais simples. É melhor.

E por falar em despesas, o dinheiro não vai crescer nunca se não sobrar espaço para ele se exercitar. Pior do que deixar o dinheiro paradão na conta-corrente é simplesmente não ter dinheiro algum, como resultado de um estilo de vida embasado no luxo, deslumbramento, status, ego e vaidade, onde tudo o que é ganho é imediatamente consumido. E isso sem contar os eventuais empréstimos e financiamentos que a pessoa mantém com seus credores.

Uma saúde financeira deteriorada tem o poder de comprometer e abalar todas as demais áreas da vida da pessoa, incluindo a sua saúde física e emocional. Se ela estiver sempre endividada, com faturas e boletos para quitar, a preocupação em ter o salário no final do mês será sempre maior que a preocupação em investir, em fazer sobrar dinheiro no final do mês. Ela tende a ficar mais estressada por conta das pressões do emprego, provavelmente se alimentará “quando der”, e ficará em constante ritmo de estresse e preocupação. A conta de tudo isso pode vir na forma de tratamentos médicos, remédios para curar doenças psicossomáticas e falta de clareza quanto aos verdadeiros propósitos do dinheiro, e da própria vida. O trabalho deve ser um meio para ganhar a vida, e não um meio para ganhar a morte.

Normalmente, o dinheiro fica sedentário porque a própria pessoa dona do dinheiro já era sedentária. Quem se preocupa com a saúde física geralmente também se preocupa com a situação clínica de seu dinheiro, cuida melhor dele tanto quanto preza pelo bom cuidado do próprio corpo. Como resultado disso tudo, essa pessoa fica mais relaxada psiquicamente, tem mais clareza quanto à sua real situação de vida e, por conta desses fatores, acaba também administrando melhor o seu dinheiro.

Que você também seja uma pessoa que faça seu dinheiro ficar sempre em boa forma, mediante a prática de atividades financeiras responsáveis e que lhe proporcionem tranqüilidade, paz de espírito e a construção de um patrimônio fundada em sólidas bases teóricas e práticas.

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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