Comprar um investimento genérico também é mais barato

Quando eu vou à farmácia comprar um remédio, sempre procuro o medicamento genérico, porque, além de ser bem mais barato que os medicamentos “de marca”, o que significa uma economia valiosa, atinge os mesmos objetivos desses últimos, ou seja, cura o problema de saúde.  O que acaba contando, em última análise, é a presença do princípio ativo, como elemento catalisador de mudanças positivas em nosso organismo.

Na Wikipédia, temos uma boa definição do que é medicamento genérico:

Um medicamento genérico é um produto farmacêutico desenvolvido e fabricado a partir de uma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem idênticas a de um medicamento considerado de referência já existente no mercado farmacêutico. Tem o mesmo efeito terapêutico, dosagem e a mesma indicação que o medicamento considerado de referência para aquele princípio ativo. A compatibilidade entre dosagens é comprovada por rígidos testes laboratoriais e clínicos para obter o registro de genérico.

O curioso é que o mesmo raciocínio pode ser aplicado ao mundo dos investimentos. Vejamos alguns exemplos.

Você quer investir em Bolsa de Valores, e, lendo sobre investimentos financeiros, já se deu conta de que a taxa de administração é um dos principais problemas que temos nos produtos oferecidos no varejo. Ocorre que você tem conta num banco que oferece um fundo de ações indexado ao IBrX-50, que tem taxa de administração de exorbitantes 4% a.a.! Entretanto, pesquisando mais a fundo, você encontra um investimento genérico bem mais em conta: o fundo PIBB, que na Bolsa é negociado sob o código PIBB11, e que tem a taxa de administração de impressionantes 0,059% a.a. – um décimo de meio por cento! E mais, descobre que esse fundo com cotas negociadas em Bolsa, além de ser barato, oferece efeito terapêutico idêntico ao proporcionado pelo fundo de ações do banco, que é acompanhar e replicar o índice IBrX-50. Como custa muito mais barato, você não tem dúvidas de que irá investir seu dinheiro no genérico disponível no mercado.

Paralelamente, você pretende investir numa aplicação conservadora visando à reforma de sua casa para daqui a seis meses. Faz os cálculos e projeções inerentes a esse tipo de investimento, e chega à conclusão de que precisará poupar cerca de R$ 800 mensais. Como a aplicação deve ser um investimento conservador, e tendo em vista que não é preciso tanta liquidez, você chega à conclusão de que deve aplicar num fundo referenciado DI. Porém, ao checar os produtos de seu banco, fica desanimado, e com razão: por trás dos pomposos nomes dos fundos ali oferecidos, esconde-se uma altíssima taxa de administração de 3% a.a., para o gestor ter o trabalho de fazer alocação em LFTs, ou seja, quase nada. Mas você se dá conta de que existe um genérico disponível no mercado: LFT vendida no Tesouro Direto. E, como já tem cadastro na corretora, resolve aplicar seu dinheiro lá.

O genérico dos investimentos também dá trabalho de ser encontrado. Muitas vezes é necessário solicitar ao médico a prescrição do genérico, e, na farmácia, é preciso insistir muitas vezes na opção pela compra do produto “sem marca”. sendo que existem farmácias que cobram mais caro pelo medicamento genérico – caso das corretoras que cobram taxas de administração mais altas para operar no Tesouro Direto. Gerentes de banco não vão lhe fornecer investimentos genéricos: pode ter a certeza disso. Por isso, no mundo das finanças pessoais, é preciso estar bem informado, e saber onde é que se localiza a farmácia (banco ou corretora, normalmente corretora), que oferece o produto que está mais em conta.

No final das contas, o que importa, na essência, é encontrar o princípio ativo que irá solucionar e restaurar a saúde de seu bolso. Se você tem R$ 10 mil para aplicar, não vale a pena aplicar em fundos de ações da Petrobras que cobra 2% a.a., se você tem condições de comprar R$ 10 mil diretamente em ações da PETR4, pelo home broker, pagando R$ 20, R$ 10, ou até R$ 5 de taxa de corretagem, e ficando livre, assim, não só da taxa de administração, mas também do imposto de renda (caso venda abaixo de R$ 20 mil). As próprias ações também pode ser consideradas, nesse sentido, investimentos genéricos, quando comparadas com os fundos de ações, principalmente aqueles fundos que investem somente num papel.

Fundos de investimentos em créditos privados também podem ser substituídos por uma carteira de genéricos em créditos privados: basta escolher bons produtos, como CDBs que remunerem acima de 100% do CDI, debêntures (de boas empresas) que também estejam no mesmo nível, letras de crédito imobiliário com bom lastro, e assim por diante.

Que tal substituir o fundo multimercado de nome pomposo que seu banco oferece por um multimercado genérico construído por você mesmo? Basta fazer a seleção de bons ativos, monitorar a carteira e fazer ao longo do tempo os ajustes que se fizerem necessários, como rebalanceamento, aporte de dinheiro novo etc.

Esses casos de construção própria de uma carteira de investimentos dão mais trabalho, exigem mais estudo, cobram mais dedicação por parte do investidor, porém, podem oferecer retornos surpreendentemente maiores, pelo simples fato de custarem muito mais barato que os investimentos “de marca”, que, em boa parte dos casos, têm muito marketing e pouco conteúdo.

Em sua busca pelos melhores investimentos, você chegará à conclusão de que muitas vezes vale mais a pena optar por um genérico barato que resolva seu problema do que por um investimento de marca, caro, que não produza o efeito terapêutico desejado para seu bolso. 😉

É isso aí!

Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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8 Responses to Comprar um investimento genérico também é mais barato

  1. Clóvis Diego 23 de fevereiro de 2010 at 8:39 #

    Fala hotmar,

    Interessante o contexto que você comparou com os medicamentos genéricos, belo texto!

    Só para te alertar, já vi medicamentos genéricos mais caros do que o de marca. Tá brincando… não não to falando sério mesmo. Isso acontece raramente, mas acontece.

    Exemplo: Medicamentos depressivos. Minha mãe utiliza este tipo de medicamento, porém o de marca é 20% mais barato que o genérico.

    Fique atento, e sempre peça para verificar o preço do que tem marca. 😉

    Abraço.

  2. Rafael 23 de fevereiro de 2010 at 9:39 #

    @Clóvis Diego
    Clovis,

    Também já vi medicamento genérico mais caro que o de marca. Na hora perguntei se não tava errado e o atendente teve a coragem de dizer que todo genérico é mais caro!!! Nunca mais voltei naquela farmácia. =)

    Também é verdade que muita gente não gosta de pesquisar, ir em vários bancos, estudar os investimentos e no fim nem se importa em pagar os 4% a.a (por exemplo) ou talvez nem saiba.

    Abraço,
    Rafael

  3. hotmar 23 de fevereiro de 2010 at 10:25 #

    Clóvis e Rafael, importantíssimos os seus comentários!

    De fato, existe sempre a possibilidade de o aparentemente barato sair caro, no caso dos genéricos, apesar da impressão generalizada de que seriam mais em conta à primeira vista.

    Daí a importância de pesquisar o genérico com o de marca, e ver qual, afinal de contas, oferece o preço mais em conta.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  4. Curitibatraders 23 de fevereiro de 2010 at 23:02 #

    @Clóvis Diego

    Fala Clóvis.. só para esclarecer…
    existem 3 classes de medicamentos… os medicamentos de referencia… que são os 1°s e inovadores… aqueles que gastam fortunas para serem desenvolvidos.. e por isso sao os mais caros.. sao normalmente de laboratórios grandes e consagrados…

    existem os medicamentos genéricos.. que são aqueles que devem ter a mesma quantidade de principio ativo… mesma biodisponibilidade e ser bioequivalente no nosso corpo… ou seja… tem que ter a mesma quantidade do referencia e fazer o mesmo efeito que ela no corpo…

    e existem a 3° classe de medicamentos.. aqueles que tem marca mas não sao os de referencia e não são genéricos… o que acontece é que outro laboratório copia o produto do referencia e lança com outro nome… e as vezes se torna até mais famoso que o original (referencia)… só que mora um perigo nesses medicamentos…
    até um tempo atras eles nao precisavam comprovar bioequivalencia e biodisponibilidade… entao na caixinha poderia estar marcado a mesma dosagem do referencia porem não fazer o mesmo efeito…

    E quanto a o genérico custar mais… não existe generico que custe mais que o referencia… é lei…. até porque o preço do generico é baseado no preço do medicamento de referencia….
    o que pode e acontece é o medicamento generico custar mais que um medicamento cópia que ficou mais famoso que o referencia… entao as pessoas as vezes acham que aquele medicamento cópia é o original… mas na verdade não é…

    o referencia do clor de fluoxetina é o prozac
    os similares: daforin, fluxene, fluox, verotina
    generico: Cloridrato de fluoxetina

    blz?

  5. Curitibatraders 23 de fevereiro de 2010 at 23:10 #

    @Curitibatraders

    Não tenho nada contra os medicamentos cópias… mas só desconfie de laboratórios pequenos e desconhecidos… a mesma coisa com genéricos… não acredite que todos são iguais… porque moramos no Brasil… e aqui vc consegue laudo de tudo….
    compre sempre de laboratórios bons… remédio é = carro.. infelizmente os mais caros realmente são os melhores…

    a maioria dos remédios não tem problema… analgesico… antiinflamatorios.. o máximo que vai acontecer é vc ter um efeito menor que o esperado..
    mas antibioticos.. ou hormonios.. eu aconselharia a pegar laboratorios bons..

  6. hotmar 24 de fevereiro de 2010 at 10:50 #

    Curitibatraders, ótimos os seus comentários técnicos a respeito das diferentes classes de medicamentos! 😀

    Assim temos agregado um melhor nível de conhecimento sobre cada um deles.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  7. Flávio 24 de fevereiro de 2010 at 19:34 #

    Excelente texto hotmar, uma maneira simples de explicar. Contudo, no caso dos investimentos, ao contrário de alguns laboratórios mal intencionados, o princípio ativo é o mesmo; a LFT, ação ou debênture são os mesmos ativos, porém sem facilidades como a liquidez diária dos fundos de renda fixa. Quem quiser comprar caro, compre no varejo bancário; quem quiser comprar barato, compre no atacado, ou seja diretamente na fonte(Tesouro Nacional ou Bolsa de Valores) sem intermediários.
    Abraço.

  8. hotmar 24 de fevereiro de 2010 at 19:56 #

    Flávio, obrigado! 😀

    Gostei da analogia que vc fez com a situação comprar no atacado vs. comprar no varejo. A intermediação aumenta os custos, e podemos comprar investimentos direto da fonte!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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